Destinos Ligados

17 3.17 – Perdão


Notas iniciais
Tina age de novo. Rachel começa uma nova fase de sua vida. Blaine e Sam recebem alguém.

Semanas se passaram desde que Victória nasceu. Rachel parecia outra mulher. Desde a chegada de sua filha, parecia ter encontrado um novo propósito de vida. Carole continuava ajudando a moça, sempre indo a Nova Iorque quando podia. Santana e Dani estavam ficando, e cada vez mais sério. Aos poucos, a morena parecia se encantar pela moça de cabelos tingidos. O fantasma de Quinn estava, enfim, parando de assombra-la. Blaine e Sam preparavam os últimos detalhes do casamento, a união seria dentro de uma semana, a família Anderson & Evans se encontrava em um dos momentos de maior alegria que já vivenciara. B. e o bocudo estavam felizes, a Sra. Evans havia, enfim, aceitado a situação também. No fundo, Sam tinha esperanças de que ela conseguisse trazer o pai a cerimônia, aí sim, sua felicidade seria total, sua família toda estaria reunida e contemplando sua felicidade.

Em casa, Tina conversava com Santana e Artie. Ela ainda não havia desistido de mostrar seu arrependimento ao casal Anderson & Evans.

– Você sabe bem que pode ser escorraçada de lá, não é? E que não pode reclamar, afinal, você foi terrível. – Advertiu Santie.

– É um risco a se correr. – Disse a asiática – Mas eu preciso falar com o B. antes do casamento.

– Tina... – A latina balançou a cabeça – Você tem que deixa-lo em paz, ele é gay. – Ela temia que a amiga tentasse algo de novo.

– Confiem em mim, por favor. Não farei nada, eu prometo. – Disse olhando para os dois.

– Eu confio. – Artie falou – Você já me ajudou tanto, sei que não é má, Tina. Talvez só precisasse de alguém para te apoiar. – Falou e sorriu, depois se dirigiu em sua cadeira até ela e a abraçou.

– Obrigada. – A garota sentia-se amada ao lado de Artie e Santie, era como se eles preenchessem o lugar de B. – Com apoio, eu me sinto bem melhor.

– Então vá com ela, Artie. É melhor. – Sugeriu a morena – Assim, o Blaine e o Sam poderão ser menos rudes, caso não gostem da visitinha inesperada. Outra coisa, dê algo em troca do perdão. – Continuou a moça, os outros dois se olharam – Qual o problema? Eles são humanos, assim como nós. Também têm seus interesses. Talvez, dando algo que eles queiram muito, seja mais fácil de conseguir o que quer.

– Mas eu... – Tina começou.

– Mas nada, Tina. É o melhor a se fazer, vai por mim. – Santie interrompeu-a. Ela não podia ir só. – Você aceita, Artie?

– Sim, claro. – Ele assentiu.

– Tudo bem, mas o que dar aos dois? – A asiática estava confusa com relação a isso.

– Aí é com você, Tina. – Santie suspirou – É um longo e difícil caminho esse que você pretende atravessar.

Tina e Artie se foram e logo chegaram ao apartamento do solista. Era quase hora do almoço e eles não tiveram aula pela manhã naquele dia, a garota subiu até o local com seu amigo e bateu a porta. Sentiu um frio na barriga, uma espécie de desespero tomou conta de Tina. Por um momento, ela pensou em dar meia volta e sair dali, mas era tarde, B. estava ali com a porta aberta a sua frente. A asiática engoliu em seco, a hora havia chegado.

– O que quer? – Perguntou o solista nada simpático.

Tina não respondeu. Ela tentou, mas as palavras não vieram. Apenas ficou o olhando.

– Vai ficar aí só me olhando? – B. estava sem entender aquilo – Vamos, Tina. Abre a boca.

Ela continuou paralisada, sem conseguir falar.

– Podemos entrar, Blaine? – Artie pediu.

Tina suspirou de alivio, foi salva pelo amigo.

– É isso que quer? – Perguntou Blaine se dirigindo à garota.

A asiática assentiu com a cabeça. Ele fez um gesto com a mão, convidando-os para entrar. Tina entrou junta do amigo.

Sam ainda não havia chegado para almoçar, mas logo isso aconteceria. Blaine estava só. Os dois entraram, o solista sentou no sofá e pediu para que Tina senta-se também, indicando um lugar com a mão.

– Acho melhor não, B. – Disse ela. Enfim, havia conseguido usar a língua – O que tenho a fazer é breve, é uma pena que o Sam não esteja, precisava falar com os dois.

– Olha, Tina. Se pensa que vai nos enganar de novo...

– Eu não pretendo... – Disse Tina, que foi interrompida logo pelo solista.

– Nós não cairemos mais em sua lábia – Continuou B.

– Por favor, Blaine. Confia em mim, dá uma chance a ela. – Interviu Artie. – Tina é uma boa pessoa, eu sei que sabe disso. Você também já conviveu com ela.

B. lembrou-se do tempo que morou com Tina e Finn, como a garota era sua amiga. Não, ela não era sua amiga, pensou ele. Era sua melhor amiga. Iam à faculdade juntos, faziam compras. Faziam planos juntos. Cantavam juntos. Enfrentaram Cassandra e seus comparsas. Depois foi mais além, foi até o Glee Club. Ali eles eram apenas jovens adolescentes, ainda formando suas concepções de mundo e em busca de seus sonhos. Tina também esteve ao seu lado naquele momento. E, quando ela cantou no concurso de musa e pediu que ele a amasse novamente, parecia arrependida. B. estava confuso, não sabia o que fazer. Tinha que esperar Sam.

– Eu não posso tomar nenhuma atitude sem o Sam. – Disse ele.

Tina deu um sorriso triste.

– Sabe, B. Lembra de quando viemos aqui para NY? – Perguntou. Ele assentiu com a cabeça – Eu me apaixonei por você, é verdade. Fui cruel com o Finn por causa disso. Fui cruel com o Sam por causa disso, e também fui cruel com você. – Disse ela e suspirou – Eu acho que no fundo não queria fazer nada disso, fui apenas movida por um sentimento que não compreendia bem. Esse amor que senti por você era apenas reflexo do que significou para mim, Blaine Anderson. – Explicou Tina.

– Como assim? – B. questionou-a. Não entendia nada muito bem.

– Você me amou de verdade, B. – Disse ela, lágrimas começaram a escorrer em seu rosto. Tina olhou para o chão, não queria encarar o solista, estava envergonhada – Não de forma carnal, mas como um amigo. Antes, no Glee, eu não era muita coisa, você sabe bem. Mal cantava, mal tinha atenção. Era tudo voltado para Rachel. Quando ela saiu então foi tudo voltado a você. Contudo, Blaine, você tinha algo de diferente. – Ela sorriu – Não era ambicioso, tão pouco passava por cima das pessoas para conseguir o que queria. Você era bom, amável. Era uma pessoa meiga. – Ela andou um pouco pela sala, lembrando-se de bons momentos – Quando viemos a Nova Iorque, viemos juntos. Você me deu tudo de bom que um amigo poderia dar a outro. Por isso, Blaine, eu te amei. Por isso também o desejei, e por isso fiz coisas ruins. Sei que nossos destinos estão ligados, quer você queira, quer não.

– Você está querendo justificar seu erro no amor que sentiu por mim? – B. balançou a cabeça, pareceu zangado.

– Não. Nunca, isso seria impossível. – Disse ela abatida – Seu perdão não é prioridade aqui, B. Só queria que você e o Sam soubessem que estou arrependida. Que penso todos os dias a respeito do mal que os fiz, e que me acho um monstro. – Lágrimas silenciosas ainda escorriam por seu rosto – Se me perdoar, vai ser consequência do meu arrependimento. E isso só virá com o tempo.

Blaine ficou calado, não sabia o que dizer ou como agir. Tina também não sabia que fazer, talvez não conseguisse muita coisa só com aquele discurso. Artie pensou em algo.

– Por que não faz como fazíamos no Glee, Tina? Cante e mostre ao Blaine o que sente. – Disse e piscou – Acho que assim vocês se entenderão melhor.

– Claro. – Ela sorriu – E tenho a música perfeita, eu acho. É de alguém que você se inspira bastante, B. Ela sempre encontra as palavras certas para representar o que sentimos ou vivemos, é impressionante. – Tina olhou para o lado, viu um violão – Acompanha-me, Blaine Anderson?

Ele suspirou e assentiu. Pegou o violão e a garota sussurrou algo ao seu ouvido. Em seguida, B. começou a tocar e ela a cantar.

The weight of my words

Are like feathers from a bird

My mouth, it moves but you won't hear a thing

Cause I've dug myself deep

I managed to fit both my hands and feet

All my little white lies

Smell like a big old bucket of bleach

In one ear

And out your other

So lock and key

You won't open up for me

So brick by brick

I am breaking through these walls

Oh, between you and me

I'm not giving, ah...

I'm not giving, ah...

On us

And it feels like you're in China

And I am in Peru

Whenever I am sleeping next to you, oh...

We can hear the crickets singing

Oh, all throughout the night

Oh boy, can't you just get used

To something so right?

And sure, I confess

I'm a mess

I'm a mess of mistakes

But please count to ten

Before you go and throw it all away

So brick by brick

I am breaking through these walls

Oh between you and me

I'm not giving, ah...

I'm not giving, ah...

On us

'Cause if you give up

Then, what am I supposed to do?

All of our dreams

Never will come true

Without you

So, brick by brick

I am breaking through these walls

Oh, between you and me

I'm not giving up

Yeah, yeah, yeah...

I'm not giving, giving, ah...

I'm not giving, giving, ah...

Oh baby,

Don't give up on this love

Blaine, novamente, sentiu que ela estava arrependida. Vivia um grande problema, não sabia como Sam reagiria caso ele fizesse o que queria fazer, caso o solista perdoasse Tina.

– Tina, eu realmente estou tocado. Mas... – Disse B.

– Mas ele não pode perdoar você, vagabunda! – Continuou Sam, o loiro acabava de chegar. Estava aborrecido – Será que não percebe que ninguém aqui é idiota? Sua putinha protótipo de assassina! – Esbravejou – Saia daqui, !

– Sam! – Artie exclamou. O rapaz estava horrorizado com o que ouvia – Como pode...

– Deixe-o, Artie. – Falou a asiática. Ela foi até mais perto dele – Eu sei que só palavras não serão suficientes para demonstrar meu arrependimento. Por isso, quero provar de outra forma.

– Qual? – Blaine e Sam perguntaram em uníssono.

Tina sorriu, a ideia de Santana poderia dar certo.

– Sei que se amam, que vão casar e querer constituir uma família. Só que falta algo para isso... – Ela sorriu para Blaine – Uma mulher, afinal o mundo avançou, mas as mulheres continuam sendo as únicas capazes de gerar uma criança em seu útero. – Sam e Blaine olharam-se, tina riu – É isso mesmo. Eu quero ser a barriga solidária de vocês, quando quiserem um bebê. Assim eu provo que torço pelos dois e que só quero os ver felizes.

Sam caminhou um pouco, foi até perto de Blaine. Olhou-o, depois olhou para Tina e para Artie. Pensou mais um pouco.

– O que você ganha com isso, Tina? Não entendo.

– Ganharei, um dia, o perdão de vocês, talvez. – Sorriu de forma triste. – É só isso que tinha a dizer. – Foi até Artie – Depois a gente se vê, quem sabe. – Os dois saíram.

Blaine olhou para Sam, esperava que ele dissesse algo. O loiro deu com os ombros, B. correu e foi até Tina.

– Tina! – Gritou. Ela estava no corredor do prédio, virou-se para o solista – Nós nos casaremos em uma semana. Por favor, venha. Você não será mais nossa madrinha, claro. Mas eu ficaria muito feliz em vê-la lá. – Disse e sorriu meio sem jeito.

A garota sorriu de volta e assentiu com a cabeça. Depois virou-se e saiu com o amigo.

Blaine voltou ao lar, Sam estava sentado no sofá, ele sentou ao seu lado.

– Acha que ela estava sendo sincera? – Perguntou o solista ao loiro.

– Acho que ela é esperta. Muito esperta... Deu uma cartada de mestre em nós. – O bocudo suspirou – Espero não estar errado em confiar nela.

– Isso quer dizer que...

– Que podemos pensar com cuidado no que ela disse, B. – Sam o interrompeu – Mas que perdoa-la e aceita-la de novo em nossas vidas é precipitado, sim? Até ela sabe disso.

Blaine sorriu e assentiu com a cabeça, depois levou a cabeça ao ombro do noivo e fungou.

– Você amadureceu tanto desde que veio para cá. Estou orgulhoso. – Falou o solista.

Sam o puxou e beijou.

– Influência sua. – Disse e riu – Espero que continuemos evoluindo, afinal, avançar sempre é bom, não? – Os dois riram.

Jon latiu ao ver aquilo, Sam o pegou no colo e os três ficaram lá, trocando carinhos e se divertindo.

Rachel estava em um ensaio. Desde que havia ficado forte o suficiente, praticava com Paolo. Eles sempre se reuniam ao fim das tardes e pensavam sobre a peça. A moça também treinava seus vocais sempre, queria ser uma Fanny perfeita. Às vezes, eles até saiam para jantar juntos e se divertir um pouco. Contudo, eram momentos raros. Rachel, quando não focada no trabalho, estava cuidando da filha, ou escrevendo. Carole a ajudava e ela também tinha uma babá, mas não abria mão de passar a maior parte do dia ao lado de Vick. Próximo semestre voltaria a NYADA, então esses momentos seriam mais curtos.

Era fim de tarde, mais um dia de encontro com Paolo San Pablo. Rach estava sentada no palco, tinha um bloco de papel na mão e usava uma caneta para anotar algo. O diretor chegou de leve, observando com ela fazia. Até que Rachel o percebeu ali.

– Paolo! – Sorriu ao vê-lo – Hora do ensaio? – Olhou para o celular e verificou – Nossa, estava escrevendo e não vi o tempo passar.

– Novamente as suas músicas originais? – Perguntou.

– Sim. – Ela mostrou o bloco a ele – Uma para minha filha agora.

O homem leu.

– Você é muito boa. Naquele dia, no concurso na NYADA, pude ver um pouco disso. Mas olha... – Ele a olhou fixamente.

– O que foi? – Rachel riu, um pouco envergonhada pela forma como o homem a olhava.

– Nada de mais, só estava olhando aqui como seus lábios são bonitos. – Falou – Mas então... Adoraria ouvir outra música, mas não algo tão triste como aquela que fez para o seu falecido marido. Dramático sim, claro. Mas não triste. Afinal, Rachel Berry e drama são duas coisas inseparáveis!

Rachel ficou um pouco sem graça com o comentário, mas logo respirou fundo e tratou de pensar em uma música.

– Já sei! – Disse – Também é dedicada ao Finn, embora não trate de sua morte.

Paolo sorriu e saiu do palco, fez sinal para que ela cantasse. Rachel se posicionou e foi.

We are broken

We can't fix it

There's no cure for our condition

Desperate eyes are staring at me

Should be hopeless, but we're happy

It's not perfect here between us

Even angels have their demons

Trapped inside this twisted circle

It ain't right, but it's eternal

There's a white light

And it's calling me

And it's promising ecstasy but

I don't wanna go to heaven

If you're going to hell

I will burn with you

I will burn with you

We're not healthy

Beraly breathe

But this pain keeps my heart beating

We are lost when we're together

But I'll follow you forever

There's a white light

And it's calling me

And it's promising ecstasy but

I don't wanna go to heaven

If you're going to hell

I will burn with you

I will burn with you

But I don't wanna go to heaven

If you're going to hell

I will burn with you

I will burn with you

I don't wanna dream wihout you

I don't wanna bleed without you

I'll do anything you want me to

Cause I know you'll burn with me too

I don't wanna dream wihout you

I don't wanna bleed without you

I'll do anything you want me to

Cause I know you'll burn with me too

(There's a white light

And it's calling me)

I don't wanna go to heaven

If you're going to hell

I will burn with you

I will burn with you

I don't wanna go to heaven

If you're going to hell

I will burn with you

I will burn with you

I don't wanna dream wihout you

I don't wanna bleed without you

I'll do anything you want me to

Cause I know you'll burn with me too

I don't wanna dream wihout you

I don't wanna bleed without you

I'll do anything you want me to

Cause I know you'll burn with me too

(There's a white light

And it's calling me)

Ela terminou sem fôlego. Porém, dessa vez não chorou. Lembrou-se de Finn sim, mas dos momentos bons que passou com ele. Sua morte era apenas um detalhe para Rachel agora. Um detalhe horrível, era verdade. Mas ela preferia se prender nas coisas boas, coisas que contaria a filha quando ela tivesse idade para saber.

– Você foi perfeita, como sempre. – Disse Paolo se aproximando dela- Já pensou em lançar um álbum? Depois que a temporada do musical acabar, claro. – Ele riu.

– Já passou muita coisa pela minha cabeça sim. Mas não sei o que quero ainda. Vou dar prioridade a minha filha e faculdade nos próximos anos. – Explicou a moça – Do resto nada sei.

– E ao amor? Nunca mais dará uma chance?

Rachel corou. Ela já estava sem graça com os comentários e olhares do diretor.

– Paolo, olha... Eu sei que pode parecer grosseria da minha parte, mas eu preciso dizer... Não gosto do jeito que me olha. Às vezes, quando saímos para jantar, sinto que é como se tivesse segundas intenções. E quando olha para mim... Não me sinto bem com isso.

– Não se sente feliz por ser uma mulher desejada? – Perguntou o homem e sorriu. – Eu poderia te abrir muitas portas, Rachel. Conheço gente grande do mundo da música, gente que gravaria suas canções, ou até mesmo a ofereceria um contrato em uma gravadora.

– Você pode até ser tudo isso. Mas eu não estou interessada, sinto muito. – Rachel sentiu-se ofendida – Eu não sou nenhuma vadia. – Ela suspirou – Sou muito grata a você, Paolo. E gostaria muito do papel de Fanny em sua peça. Mas se for esse o preço a pagar, é muito caro para mim. – Rachel saiu do palco e foi andando.

O homem limitou-se a rir. Rachel sentiu-se incomodada. Era como se ela fosse uma piada.

– Pare Rachel, precisamos conversar. – Disse.

– Eu já disse tudo o que tinha a dizer. – Falou ela.

– Mas eu não. – Paolo desceu do palco também e correu até a moça – Não percebe? Isso foi um teste.

Rachel a olhou confusa.

– Teste?

– Sim. Você não tinha somente que ter talento para poder passar por mim. Teria que ter ética, caráter e todas essas coisas bonitas que o mundo e os patrocinadores acham bonito. Sabe quantas eu dispensei por ceder aos meus encantos? – Ele riu – Muitas. Elas não serviam para mim. Fariam de tudo para conseguir o que queriam, venderiam até o corpo para mim, ou para a concorrência... – Falou Paolo – Enfim, caso ainda queira, o papel continua para você. Agora mais do nunca.

Rachel sorriu.

– Claro que quero, mas me assustou. – Riu também – O jeito que me olhava...

– Eu a admiro muito, Rachel. – Confessou – O jeito que se dedica a sua filha e o jeito que amou seu marido são incríveis. Espero um dia ser amado por uma mulher da forma que você amou o Finn. – Disse ele – Fora isso, nossa relação é estritamente profissional. Pelo menos até a hora em que você quiser que passe disso – Ele piscou e riu. Rachel balançou a cabeça e riu também.

– Acho que nunca saberei quando você fala sério. – Disse ela – Mas tudo bem, gosto do seu senso de humor.

– Vamos jantar, então? Deixe para ensaiar mais amanhã. Hoje vamos comemorar!

– Comemorar? O quê? – Rachel achava Paolo meio louco. Às vezes, o homem não falava coisa com coisa.

– A vida! – Exclamou – Você, eu! A Victória! Suas músicas. Qualquer coisa. Mas vamos comemorar! Venha – Deu a mão – Vamos viver, Rachel Berry. A vida é tão curta para ser sério, não? Vamos! – E foram.

Rachel gostava de Paolo, ele a lembrava alguém. Ela não sabia ao certo o que o homem queria dela. Rach só tinha uma certeza no momento, que não estava pronta para esquecer Finn por completo. Contudo, quem saberia do futuro? Daria tempo ao tempo e veria o que ia acontecer. Do mais ela não sabia.

Faltavam apenas três dias para o casamento de Blaine e Sam, era uma bela manhã nublada. O loiro não iria trabalhar, pois aguardava uma visita. Ele e Blaine foram à estação de trem, precisavam esperar por alguém que não viam há muito tempo.

– Acha que vai demorar muito? – Perguntou o bocudo, que estava sentado em um banco ao lado do solista. Era um dia frio, os dois trocavam carícias e o calor do corpo enquanto se abraçavam.

– Acho que eles vêm ali. – Apontou B. para um trem que acabava de chegar.

Tanto o loiro quanto o solista levantaram-se, o trem parou um pouco mais a frente. Eles foram para perto da porta de saída. Pessoas saíram e saíram, e eles continuaram esperando por cerca de uns cinco minutos, até que, enfim, os dois apareceram.

Marley e Ryder saíram do trem. O rapaz não havia mudado muito, era o mesmo garoto com cara de bobo de sempre, cabelos castanhos claros e um semblante feliz. O que mais surpreendeu o casal Anderson & Evans foi Marley Rose, a moça havia mudado significativamente.

Ainda possuía os cabelos tingidos de mechas vermelhas, assim como Blaine havia visto em sua última conversa com a amiga pelo Skype. Mas, além disso, ela tinha pernas mais grossas, resultado de um trabalho árduo na academia, usava roupas bem coladas e andava diferente. Má tinha mais atitude. Nada nela se assemelhava a aquela garotinha que havia deixado Lima meses atrás. Além de tudo isso, ela parecia muito mais feliz.

Os dois casais se encontraram, Marley foi a primeira a receber um abraço, sendo que Blaine e Sam deram-no ao mesmo tempo. Os três riram. Depois o casal cumprimentou Ryder também.

– Como você mudou, mocinha. – Sam riu – Onde está a Marley minha amiga? Aquela que conheci em Ohio? Uau... – Disse ele, ainda admirado com as mudanças da moça.

Má riu e olhou para o namorado.

– Você ainda não viu nada! – Falou Ryder e riu também.

– São exigências da gravadora. Acho que o B. o contou sobre meu álbum, não? – Sam assentiu – Então, eu tenho que deixar de ser uma garota, segundo eles, e tenho que me tornar mulher. É o que estou fazendo. – Ela piscou – E mais, acho que estou bastante feliz assim. – Beijou Ryder na boca.

– Vejo que sim, Má. E fico feliz também. – B. sorriu para os dois. Era gratificante ver que a melhor amiga, enfim, havia encontrado um rumo na vida – Mal posso esperar para ouvi-la cantar de novo!

– Em breve. Antes, preciso falar com Rachel. Soube que ela tem composições magníficas! Quem sabe não ganho algo para finalizar meu álbum, hein?

– Com certeza ela terá algo para dar-lhe. Rach tem trabalhado muito escrevendo, é uma forma de se entreter e manter o sentimento que tem pelo Finn vivo para sempre. Registrando-o em música. – Disse B.

– E com certeza você também terá oportunidade de conversar com ela, afinal, ambas serão nossas madrinhas. – Continuou Sam.

– Ótimo! Então vamos. Preciso conhecer o apartamento de vocês.

Os quatro saíram, foram ao apartamento de Sam e Blaine. Marley e Ryder ficariam hospedados em um hotel, porém, antes de irem, queriam conhecer alguém.

– Jon?! – Blaine chamou pelo cãozinho, que já tinha uma estatura mediana, quando entrou em casa. Ele veio correndo até o solista, que o pegou no colo e beijou – É esse aqui meu filhote, Marley. – Disse segurando o animalzinho e mostrando-o a amiga – Não é lindo? – Piscou e beijou novamente Jon, que latiu e balançou o rabo.

– Quero tanto um desses. – Disse e levou a mão até a orelha de Jon, depois fez uma carícia na região posterior e sorriu para ele – É uma pena que quando o sucesso vier talvez eu não tenha tempo para isso. Bem, pelo menos com filhos eu não terei problemas. – Ela riu meio sem jeito.

Blaine sentiu-se um pouco mal por aquele comentário. Pôs Jon no chão, ele foi até Sam, que conversava com Ryder.

– Poxa, Má. Eu sinto muito. – Disse na tentativa de confortá-la.

– Não precisa, B. Eu já aprendi a conviver com isso. Não só com isso, com todos os meus fardos. Na verdade, no começo, acho que não aceitava nada que acontecia comigo. Primeiro achava injusto, talvez alguma ironia do destino. Depois achei que a culpa fosse do Jake, que era um idiota. Por fim, culpei a mim mesma. E não conseguia viver bem, ser feliz. Até que me perdoei. Hoje me sinto uma mulher realizada e feliz. – Disse e sorriu.

– Não sabe como isso me alegra. – B. a abraçou – Torci a vida inteira por você. Agora que a vejo dando certo eu fico até sem palavras. – Ele riu.

– Já eu não tenho palavras também, mas tenho uma música. – Ela riu – Ela descreve exatamente como me sinto agora. Sabe B., eu quero realmente ser uma diva. Talvez até uma nova Katy Perry! – Os dois riram – Não. – Ela balançou a cabeça – Serei a primeira Marley Rose! – Seus olhos brilharam — Vou trabalhar muito para conseguir isso, e vou conseguir. Vou lutar e vou ser uma grande estrela!

Má foi até o meio da sala, chamou Ryder e sussurrou algo ao seu ouvido. Ele pegou um aparelho de som em uma mala e ligou, Marley começou a cantar.

Been here before, so I'm prepared

Not gonna lie though, I'm kinda scared

Lace up my gloves, I'm going in

Don't let my kids watch me when I get in the ring

I'll take the hits, roll with the punches

I'll get back up, it's not as if I've never done this

And then again, the game is changing

Can't just come back, jump on the mic and do the same thing

There goes the bell, I know that sound

I guess it's time for me to go another round

Wish me luck, I'm gonna need it

I'll see you on the other side, if I'm still breathing

RiRi isn't scared of Katy Perry's roaring

Queen B's going back to the drawing

Lorde smells blood, yeah, she's about to slay you

Kid ain't one to fuck with when she's only on her debut

We're all watching Gaga, LOL, ah-ah

Dying for the art so, really, she's a martyr

Second best will never cut it for the divas

Give me that crown, bitch

I wanna be Sheezus

I'm ready for all the comparisons

I think it's dumb and it's embarassing

I'm switching off, no longer listening

I've had enough of persecution and conditioning

Maybe it's an instint, we're only animal

Maybe it's healthy, maybe it's rational

It makes me angry, I'm serious

But then again, I'm just about to get my period

Periods, we all get periods

Every month, that's what the theory is

It's human nature, another cicle

Be nice to me, I'll make you one of my disciples

RiRi isn't scared of Katy Perry's roaring

Queen B's going back to the drawing

Lorde smells blood, yeah, she's about to slay you

Kid ain't one to fuck with when she's only on her debut

We're all watching Gaga, ela-ela-ah-ah

Dying for the art so, really, she's a martyr

Second best will never cut it for the divas

Give me that crown, bitch

I wanna be Sheezus

I am bored again, now run around and tell

All your friends to come and join us

Give yourselves to me, I am your leader

"Let me be Sheezus"

"Let me be Sheezus"

I am born again, now run around and tell

All your friends to come and join us

Give yourselves to me, I am your leader

"Let me be Sheezus"

Ao fim, ela foi aplaudida por todos. Sam cada vez mais ficava surpreso com a amiga. Sua performance, seus vocais, sua autoconfiança, tudo havia melhorado desde a última vez que se encontraram. B. estava orgulhoso. Abraçou-a depois da canção.

– Deixem-me ser Sheezus! – Gritou ela.

– Deixem-me ir a Vegas! – Brincou Blaine – Eu quero ficar assim também. – E riu.

Assim, o trio estava novamente junto. Era como nos velhos tempos, embora todos tivessem mudado, eles sempre seriam os mesmos. Blaine, Sam e Marley eram aqueles mesmos amigos do Glee Club de dois anos atrás. Aqueles que brigavam, se amavam, cantavam e no fim estavam sempre juntos. Eles tinham seus destinos ligados.

Notas finais
Músicas: Brick by Brick - Katy Perry Burn With You - Lea Michele Sheezus - Lily Allen É isso aí, pessoal! Até o próximo capítulo. Desculpem a demora, é que estou atolado de coisas para fazer, por causa da universidade. Logo, logo posto um novo. Abraços e até mais!