Destinos Ligados

14 3.14 - Tão Simples


Notas iniciais
Blaine e Sam têm um desentendimento. Santana começa a descobrir um pouco mais sobre o mundo de Dani. Artie e Tina novamente entram em ação juntos.

Era fim de turno para Santana. A morena estava recolhendo algumas coisas do balcão e guardando antes de voltar para casa. Havia se passado alguns dias desde o ocorrido com Dani e ela ainda não havia conseguido entender o porquê daquilo. Desde então, a moça de cabelos tingidos se limitava a falar muito pouco com Santie. Evitava contato e qualquer tipo de conversa que levasse a sua vida pessoal.

Santana no começo pensou que ela pudesse estar com problemas, mas os dias se passaram e ela continuou, a latina já começava a se irritar com aquilo. Sempre imaginou Dani como uma de suas melhores amigas, e era isso que a garota estava se tornando. Contudo, suas atitudes estavam influenciando até em seu ambiente de trabalho, deixava um clima ruim.

Dani havia terminado seu serviço e saindo quando Santie pegou em seu braço e puxou.

– Hey, espera. Precisamos conversar. – Falou.

– Não temos nada para falar, Santana. – Disse a moça meio nervosa e olhando para fora.

– O que foi? Está esperando alguém? – Pensamentos começavam a passar pela cabeça de Santie.

– Sim, minha avó. Ele já deve estar chegando e não pode me ver aqui com você. – Respondeu. Santana franziu a testa. Dani a olhou e ficou triste por aquilo estar acontecendo. – Tudo bem. – Disse e suspirou. A amiga precisava de uma explicação, embora aquilo implicasse em abrir-se mais do que devia – Não vai dar para gente sair juntas, mas pode ir almoçar lá em casa amanhã?

Santana a olhou bem, cada vez mais Dani se tornava uma incógnita. Ela assentiu com a cabeça e soltou o braço da colega de trabalho. Dani beijou seu rosto.

– Obrigada. – Disse a outra garçonete docemente e saiu. Santana corou sem saber por quê.

A morena terminou tudo e saiu também. Na rua, alguém a parou. Era um velho conhecido.

– Puck? – Perguntou surpresa.

– Sim, precisamos conversar. – Disse sorrindo ao ver como a amiga estava bem — Na verdade, eu preciso de algumas respostas. – Falou.

Ela assentiu com a cabeça e eles foram a um barzinho. Sentaram e pediram umas cervejas.

– Sou toda ouvidos. – Disse a morena.

Puck a olhou bem, depois sorriu de forma torta.

– Só queria entender por quê. A gente parecia ser tão felizes juntos. Eu ainda não consigo compreender, sabe? Naquele dia eu não tive reação, entrei em estado de choque. Por isso a deixei ir sem lutar. Você parecia gostar tanto de mim. Onde eu errei?

– Em lugar nenhum. – A mão de Puck estava sobre a mesa, ela pousou a dela sobre a dele – Eu que errei, não entendia meus sentimentos e, de certa forma, iludi você. Arrependo-me muito e peço perdão, Puck. Não tinha o direito, eu sei. – Ela suspirou – Aos poucos, estou me encontrando e vejo que cada vez mais aquilo era necessário para meu processo de evolução. Sinto-me um pouco mais feliz agora, entende? Trabalho, estudo, saio com os amigos. Sou como uma jovem normal. Minha vida faz sentido.

– Já encontrei alguém?

– Se já estou namorando de novo? – Ela riu – Não. Estou quieta. É melhor assim. – Riu de novo e depois o olhou, ele parecia triste – Você realmente estava gostando de mim, não era? – Perguntou angustiada.

– Eu realmente não sei. – Disse dirigindo o olhar para o horizonte – A minha vida seria mais simples se eu pudesse responder essa sua pergunta.

Santana suspirou e lembrou-se de uma forma que talvez pudesse ajuda-lo. Pegou a mão dele e a beijou. Depois começou a cantar Acapella mesmo.

Oooh, oooh, oooh, oooh

Oooh, oooh, oooh, oooh

Chapter one we started happy

The second that you said you loved me

I started questioning us

Are we really in love?

Trying to figure out chapter three

But you’re not giving me anything

This is what we are

Then I gotta move on

You think this is everything

This is no book of love

You might think I’m crazy

That I’m lost and foolish

Leaving you behind.

Maybe you’re right

You might think I’m crazy

That I’m lost and foolish

Leaving you behind

Maybe you’re right

Maybe you’re right

Oooh, oooh, oooh, oooh

Here comes the part of you and me

Arguing about nothing

And you tell me, “this is as good as it gets"

Yeah, I’m real emotional

Blame it on your mental jokes

How much did you think that I could take?

So much for taking this too far

You can blame me for who I am

It’s too late for us to try to be in love

Right now

You might think I’m crazy

That I’m lost and foolish

Leaving you behind

Maybe you’re right

You might think I’m crazy

That I’m lost and foolish

Leaving you behind

Maybe you’re right

Maybe you’re right

Fill the pages now

This chapter’s done

Movin’ on up to watch all that it will become

If you ever get through to the place where the sun is shining everyday

Then I’ll be on your mind

You might think I’m crazy

That I’m lost and foolish

Leaving you behind.

Maybe you’re right

You might think I’m crazy

That I’m lost and foolish

Leaving you behind

Maybe you’re right

Maybe you’re right.

Let me take it from the top one more time

Puck sorriu após isso.

– Tudo bem. – Ele suspirou – Eu deixarei você em paz. Espero de verdade que seja feliz. Só vim para buscar respostas e dizer uma coisa.

Santana franziu a testa. Não gostou do tom que ele usou, parecia uma despedida.

– Estou voltando a Lima. Vou ajudar na criação do meu irmão, o pequeno Jake estava fazendo umas burradas, talvez por falta de alguém experiente que o aconselhe.

– Nossa... Burradas? Marley, não é? Eu ouvi falar. Você teme que ele... – Começou Santana.

– Sim, que ele se torne um Noah Puckerman – Interrompeu-a com um sorriso torto.

– Puck, eu não quis dizer isso. Eu só...

– Eu sei, tudo bem. – Ele sorriu – Minha vida em Nova Iorque não está nada boa, é melhor eu ir mesmo. Já larguei o emprego e vou entregar o apartamento amanhã. Depois Ohio.

– Espero que dê tudo certo. – Disse Santana do fundo do coração. Ela torcia pelo amigo – É uma pena que não fique para o casamento do Blaine e do Sam.

– Eles não gostam muito de mim mesmo. E têm motivos. Enfim, é melhor eu ir. – Puck levantou-se. – Um abraço?

– Claro. – Santana levantou-se também e abraçou o amigo forte. – Nós voltaremos a nos ver, eu sei que sim. Temos uma ligação enorme, o destino fará seu papel, eu tenho certeza. – Ela piscou.

Eles riram juntos e depois se foram. No outro dia, Puck voltaria às origens, voltaria a Ohio.

No apartamento Anderson & Evans, Blaine brincava com Jon. Ele tinha o filhote em seus braços e ficava jogando-o no ar de leve, o animalzinho parecia gostar. Ambos se divertiam muito. Então Sam chegou. B. pôs Jon no chão e foi dar um abraço no noivo, o loiro retribuiu o gesto, mas não com o calor de sempre, ele parecia estranho.

– Tudo bem? – Perguntou Blaine – Aconteceu algo? – Ele balançou a cabeça sinalizando que não. – Vamos jantar então? – Sam assentiu e eles foram.

O solista colocou a mesa e serviu a comida. Levou cerca de quinze minutos para que o casal terminasse a refeição e, durante esse tempo, o bocudo não deu uma palavra sequer, e mal olhava para B. Eles acabaram, Sam levou os pratos a pia, Blaine o seguiu.

– Sam? – Ele estava de costas para B. e de frente para a pia – Vou perguntar de novo, está tudo bem, cara?

O bocudo virou-se, ele tinha um pouco de raiva misturada a angustia em seu olhar.

– Acho que não está. E você sabe bem disso.

Blaine sentiu algo ruim, seu coração acelerou.

– O que houve? – Perguntou cheio de medo.

– Você mentiu para mim. – Falou de forma seca.

– Menti? – B. começou a suar frio.

– Sim. Por que você remarcou a data do nosso casamento? – Perguntou furioso. Blaine engoliu em seco. O loiro viu a reação dele, o que fez com que a raiva só aumentasse – Quando pretendia me contar? Quando eu tivesse indo à cerimônia? – Havia agressividade em seus olhos. Blaine nunca havia o visto assim — O que você quer? Ou melhor, o que não quer? — Sam olhou para o chão, parecia chorar – Não quer casar, não é? Por isso está adiando. Não confia em mim ainda, a verdade é essa.

– Não! Não é isso. – Blaine não sabia como explicar. Ele não havia mentido, só omitido. – Eu ia te contar, Sam... Só estava me preparando ainda.

– Por quê? – O loiro perguntou.

– Eu não posso responder isso. – Blaine olhou para o lado, não conseguia encará-lo – Só confia em mim, por favor.

– Não dá para confiar em você, se não confia em mim também. – Ele saiu, foi à sala e pegou sua mochila que estava no sofá, depois foi embora e bateu a porta.

– Espera! – Gritou o solista a porta – Onde você vai? Sam! – Gritou mais alto, mas não obteve resposta.

Blaine então começou a chorar, encostou a cabeça na parede e deu um soco ali. Ele não queria contar a Sam que havia adiado o casamento porque a mãe dele, que era uma vadia, havia pedido isso, para que convencesse o pai dele a ir à cerimônia. E que tudo isso era fruto de uma chantagem. B. sentou-se no chão, juntou os joelhos, se apoiou ali e chorou. Jon aproximou-se, parecia assustado. Ele olhou para o filhotinho e sorriu. Era, de certa forma, um fruto de sua relação com Sam. Pegou-o no colo e o beijou.

– Eu não vou desistir dele, meu amor. Eu prometo. Vou dar um jeito de trazê-lo de volta sem feri-lo mais. – Beijou Jon de novo e foi dormir.

Tudo que Blaine queria era o fim daquela noite e, ao acordar, ver Sam ali do seu lado. Mas não foi isso que aconteceu. No dia seguinte, a cama estava com o lugar de Sam vazio. B. sentiu um aperto no coração, mas tentou não se desesperar muito. Foi à faculdade e esperava encontra-lo em casa para o almoço quando chegar.

Tina e Artie também iam juntos a NYADA. Fazia parte do plano que ela tinha para ajudar o colega cadeirante. Como ele não havia conseguido bons frutos na área de cinema, queria trazê-lo para a música. A faculdade da Sra. Tibideaux era perfeita para isso.

– É isso, Artie. Agora é sua vez. Tenho certeza que consegue. – Disse a garota com um enorme sorriso enquanto conduzia a cadeira do amigo até a sala de audições.

– Eu estou com um friozinho na barriga... Não é melhor virmos outro dia? – Falou o rapaz meio nervoso.

– Claro que não! Depois ela estará estressada. O concurso de musa se aproxima, ela cuida dele também. Esqueceu?

– Como poderia? – Ele olhou para traz e sorriu para a amiga — É o seu concurso, esqueceu?

Não. E não poderia. Era o que dava forças a Tina. O desejo de ganhar aquele concurso, sua meta. Depois de andarem mais um pouco e quase chegarem, os dois amigos deram de cara com alguém que a garota não queria ver, não ainda. Eles quase esbarraram em Blaine.

– Oh, desculpe-me. – Disse Tina visivelmente envergonha, tanto pelo incidente quanto por ver o antigo amigo.

– Não precisa se desculpar. Não por isso. – Blaine sorriu, mas não o sorriso doce de sempre. Era um sorriso ácido, cheio de sarcasmo.

O solista cumprimentou Artie e saiu em seguida. Tina parecia triste.

– Não vai jogar fora tudo que já conseguimos, não é? – Perguntou Artie.

– Não. Eu só não queria ter visto ele agora. Não queria ver o ódio que sente por mim. Tenho medo que isso me faça desistir.

– Do quê? – Artie parecia ter as mesmas desconfianças de Santana no dia em que Tina fugiu de Blaine em seu local de trabalho.

– Depois eu te explico, prometo. Agora é sua vez de ser ajudado. Não se preocupe comigo, ok? – Ela sorriu. Ele assentiu. Depois foram.

Entraram no local. Era uma sala com teto arredondado, tinha uma decoração laranja. No centro, um pequeno palco rodeado por cadeiras. Em uma delas estava a mandachuva, a diretora Tibideaux. Tina a olhou e cumprimentou-a de forma singela, a mulher a cumprimentou com a cabeça também. Depois olhou para o rapaz.

– Artie Abrams? – Ele assentiu com a cabeça. Parecia mais nervoso do que antes. – Pode subir e se apresentar. O palco é todo seu. – Disse e pegou lápis e papel.

Tina ajudou o amigo a ir até o palco, depois o beijou no rosto.

– Vai dar tudo certo. – Disse sorrindo – Estou lá embaixo. Qualquer coisa, olhe para mim. – E desceu.

Artie suspirou. Talvez fosse sua última chance de conseguir algo em Nova Iorque. Olhou para Carmen, engoliu em seco. Depois olhou para Tina, ela parecia tão calma... A amiga confiava em Artie, na verdade. Ela fez sinal que ele começasse, com a cabeça. O cadeirante respirou fundo e foi.

When I met you in the summer

Took my heart beat sound

We fell in love as the leaves turn brown

And we can be together, baby, as long as sky

Is all blue

You act so innocent now

But you lie so soon

When I met you in the summer

When I met you in the summer

Took my heart beat sound, hey

We fell in love as the leaves turn brown, eeh eh

And we can be together baby as long as sky

Is all blue

You act so innocent now

But you lie so soon

When I met you in the summer

Summer

When I met you in the summer!

Summer! Eeey ooh!

Summer! Eeey ooh!

Como sempre, o rapaz de voz anasalada cantou de forma magnífica. Ele sentia que ia fraquejar, às vezes. A visão de Carmen lá embaixo, o julgando e anotando naquele pedaço de papel tudo que achava dele era horrível. Mas a visão de Tina sorrindo e o dando forças era tranquilizadora. Assim, Artie conseguiu.

– Muito bem. – Disse Carmen – No dia do concurso de musa darei meu veredito. Tenho vinte vagas esse semestre. – Fez uma pausa, depois olhou para as anotações – Boa sorte, meu rapaz. – E saiu.

Artie teve a impressão de ver o começo da formação de um sorriso nos lábios da mulher.

– Nenhuma crítica. – Disse Tina ao se aproximar. Artie tremia, parecia ainda muito nervoso – Parabéns e bem vindo a NYADA! – Ela falou contente e o abraçou.

– Vamos esperar o resultado, por favor. – Disse o rapaz. – Agora é sua vez, diga-me o que pretende.

Tina suspirou, parecia uma pouco irritada com aquela insistência.

– Não confia em mim, não é? Acha-me louca ainda. Tenha calma. Depois do concurso, essa será minha nova meta. – O beijou no rosto – Contarei em breve, pois precisarei de sua ajuda também. – Depois saiu. Artie ficou balançando a cabeça. Depois a acompanhou.

Era horário de almoço, como Dani a convidou, Santana foi almoçar com a colega de trabalho. Só não imaginava se assustar tanto com o local.

Quando chegou a hora, Dani chamou um taxi e elas foram. O lugar onde o carro parou foi uma enorme mansão arrodeada por grandes muros, um lindo, florido e também enorme jardim cheio de árvores e com uma grande piscina. A morena, à medida que entrava, ia se admirando com aquela casa. Percorreram um caminho de pedras brancas lindas até chegarem à porta do lar da amiga de cabelos tingidos. Dani abriu, Santie entrou.

Na sala, ela convidou a morena para sentar no sofá. O cômodo não era menos luxuoso do que o resto, havia várias cortinas, tapetes e objetos de decoração caros. Dani estalou os dedos, o mordomo apareceu. Outra surpresa para a latina.

– Já pode servir o almoço, por favor. – Disse de forma gentil. Ele voltou.

– Você já pode me explicar o que está havendo?! – Santana ainda olhava as coisas boquiabertas – Quem é você?

Dani riu.

– Eu sou Danielle, aquela que trabalha com você, esqueceu? – Brincou.

– Essa é a questão. Por que trabalha ali se mora aqui?

Dani levantou-se e olhou tudo com imensa tristeza.

– Vou te contar tudo. Não sei por que vou me abrir com você. Talvez porque sinta que é especial. – Falou com um sorriso cansado – É minha avó. Ela é rica, dona de uma grande fabricante de carros. Ela me criou desde que... – Dani gaguejou, parecia não se sentir bem tratando daquele assunto – Desde que meus pais morreram em um acidente. Minha mãe era filha dela. – Sorriu. Lembrou-se da grande mulher que era a mãe – Desde então eu sou treinada para suceder minha avó.

– Por que trabalha então?

– Por prazer. É horrível viver trancada, arrodeada por esses muros, sem nenhuma amiga. – Olhou para o lado com vergonha. Não queria que Santana visse as lágrimas se formarem em seus olhos.

Santana levantou-se. Sorriu e a abraçou forte.

– Você tem uma amiga, se isso a conforta. – Olhou em seus olhos, depois limpou uma lágrima que descia. – Eu. – E sorriu.

– Queria que fosse simples assim. – Dani suspirou – Eu não posso ter amigas, Santana. Foi por isso que desmarquei nosso encontro naquele fim de semana. Minha avó, de alguma forma, descobriu que eu estava me aproximando de você. E me proibiu de sair contigo. Caso o contrário, eu não poderia mais trabalhar.

Santana caiu sentada no sofá novamente.

– Ela é louca?! — Perguntou perplexa – Como alguém proíbe a neta de ter amigas?

Dani riu de forma torta.

– Eu vou te explicar com calma. Talvez, depois disso você não queira mais ser minha amiga. Mas essa sou eu, então... – Dani respirou fundo e disse – Eu sou lésbica, Santana. Minha avó não suporta isso. Seu sonho era me ver casada com um cara que me ajudasse a administrar seus negócios quando ela morrer. E que pudesse me dar filhos que tocariam isso quando eu partisse.

Silêncio tomou conta do local. Santana lembrou-se do que viveu com sua avó antes dela aceita-la. Dani, provavelmente, não sabia que Santie era lésbica também. Era hora de ela ajudar mais alguém.

– Sente nojo de mim? Por isso o silêncio?

– Não! – Santana exclamou levantando-se – Muito pelo contrário. Sinto raiva da sua avó. Ela não tem esse direito. Você é uma moça linda, não pode ser refém dos preconceitos dela. – Santana sorriu – Você tem que ser feliz, Dani. E eu vou te ajudar. – Aproximou-se e a abraçou de novo – Eu prometo.

– Mas como?

Santana sorriu.

– Te ensinando a viver. Mostrando-te o mundo. Assim vai aprender a se defender dele! Você vai sair comigo. Vai me acompanhar no concurso de Musa da NYADA. Topa? Eu vou cantar.

Dani mostrou um sorriso de orelha a orelha.

– Claro que eu topo... Mas, e minha avó?

– Esqueça ela, tudo bem? Pelo menos por um tempo. – Santie olhou para os lados – Ela não está?

– Não. Está em seu escritório. – Dani sorriu de novo ao lembrar da ideia da amiga — Quer dizer que você canta?

– Sim. Você também?

– Às vezes eu arrisco. – Brincou a garota.

– Quero ouvir! Depois do almoço, pode ser?

– Claro. – Dani corou. – Vamos, acho que a mesa já está posta — Santana pegou sua mão, ela corou de novo. Então as duas foram à mesa.

Em seu apartamento, Blaine almoçava também. Não teria aula a tarde. Comeu esperando que Sam voltasse. Queria conversar com o noivo, pedir desculpas e o contar parte da verdade. Mas ele não chegava. B. foi para o sofá, pensou em ligar para o loiro. Jon chegou perto do solista e deitou em seu pé. Blaine sorriu e o pegou no colo.

– Ligo ou não ligo para o papai, hein? – Perguntou. Jon balançou o rabo. B. sorriu e o beijou na cabeça. Depois o apertou contra os braços com carinho. – Tenho medo de que ele esteja com raiva. Acho que é melhor o deixar voltar do trabalho, aí a poeira já vai ter baixado. – Blaine suspirou – Ele supôs tudo errado. – Lembrou-se da discussão do dia anterior. Sam julgava que Blaine não confiasse nele. Que não queria mais casar-se. Blaine sentiu-se triste, então apertou Jon de novo. Ele latiu e balançou o rabo. – Obrigado por estar conosco – Disse o solista e o beijou de novo.

Na casa de Dani, as duas amigas haviam subido ao quarto da garota rica. Santana ainda se impressionava com o que via. Era grande, luxuoso e rosa. Santie riu da última parte.

– O rosa, não é? – Dani riu também – Mais uma tentativa da minha avó de me fazer hétero. Como se garotas lésbicas não pudesse gostar de rosa. – Ela riu também. Procurava algo.

Santana também estava cada vez mais surpresa com Dani.

– Você já ficou com alguma mulher? – Perguntou de supetão. Estava muito curiosa a respeito disso.

Dani sorriu meio sem jeito.

– Sim. Eu tinha treze anos, foi a primeira pessoa da minha vida. Também foi com ela que conheci o sexo e pude ver o quão bom são as garotas. – Dani piscou. Foi à vez de Santana corar. – Minha avó descobriu. Desde então minha vida foi um inferno. Ela me obrigou a namorar um vizinho. – Dani riu – Ele não aguentou mais de um mês. – Fez cara de nojo – Beijar caras, definitivamente, não é a minha.

Santana riu.

– Eu já beijei caras e mulheres, posso dizer que gostei do beijo de ambos.

Dani a olhou meio assustada.

– Quer dizer que...?

– Se eu sou lésbica? – Santie deu com os ombros – Eu já namorei e amei perdidamente duas garotas. Uma morreu assassinada pela outra. Antes disso, fui a maior vadia da escola. Depois namorei um amigo, o Puck. Sinceramente? Não sei o que sou. – Santana olhou bem para a amiga – Eu fico com quem me faz bem, não importa o sexo. – Disse docemente.

Dani sentiu um arrepio. Então achou o que procurava.

– Aqui! O violão.

– Você toca? – Outra surpresa.

– Sim. E agora vou tocar para você.

As duas sentaram na enorme cama da moça de cabelos tingidos. Dani começou a tocar.

You're such a poet

I wish I could be Wesley Willis

My words would flow like honey

Sweet and laid on thick

You're so edgy

You don't even need a rhyming dictionary

I wipe my hands on your jeans

'Cause they are more distressed

So they say you've got OCD

And they claim you can barely read

But you say "don't bother me...

With all of your reality"

But it could be so simple

(You were thinking)

Life should be that simple

(Who would have thought it)

I wish it were just so simple

(Don't know what you were thinking)

But the point's been missed

You've made a mess

Who would have guessed

That it's as simple as it seems

Uh, oh

Uh, oh

Oops, oops...

So what? You're a genius

But you've got a lot to learn

Like the time you lost your apartment

'Cause you bought too much Vuitton

You park in a loading zone

You sleep with the lights all on

You cross your "I"s and dot your "T"s

All it goes to show

That it could be so simple

(You were thinking)

Life should be that simple

(Who would have thought it)

I wish it were just that simple

(Don't know what you were thinking)

The point's been missed

We've made a mess

Who would have guessed

That it's as simple as it seems

I'm not saying that it's a piece of cake

Just take a moment to reevaluate

The possibilities, the situations

The opportunities that are waiting

Oh, the possibilities, I...

It could, it could be that simple

(You were thinking)

Life should be that simple

(Who would have thought it)

I wish it were just so simple

(Don't know what you were thinking)

You're in a haze

It's just a fase

You know this maze

Is as simple as it seems

We could talk all day

About your eccentricities

What I mean to say

Is that I need you listen, please

And focus on

On life's simplicities

So don't be afraid

To strip it away

'Cause at the end of the day

It's still as simple as it seems

It is all so simple

Just deal with it

Durante a performance, Dani cantou e se emocionou. Santana pode sentir através da música todo o sofrimento e anseios da amiga.

– Não é tão simples assim, eu sei. Mas é possível. – Disse Santana e pegou na mão da garota — Basta dizer a sua avó que você não é quem ela quer que seja, mas não deixa de ser sua neta. Ela vai querer te ver feliz, eu sei.

– Ela quer herdeiros, Santana. Só isso. Alguém que cuide do que ela construiu. – Dani suspirou – Ela sabe quem eu sou, mas insiste em querer não ver, em achar errado e querer esconder dos outros. O que eu posso fazer? Eu não a julgo, ela foi criada em outra época, possui outra concepção de vida.

– Uma concepção cheia de preconceitos. O que você pode fazer? Começar dizendo a ela que o fato de ser lésbica não a impede de ter filhos! De dar herdeiros a ela. Pode adotar, ou até mesmo recorrer a um banco de sêmen. – Santana a olhou bem no fundo dos olhos – Você pode combater preconceitos com informação, o que acha? Mostrar a ela que não vivemos mais na idade média. – Santana sorriu e abriu os braços para um abraço – Mostrar luz a alguém que vive submerso nas trevas da ignorância. Topa?

Dani suspirou, depois a olhou. A morena tinha razão. Ela a abraçou forte.

– Topo.

O dia acabou, já era noite. Blaine dormiu parte da tarde, afogado em algumas lágrimas e tristeza. Sam não havia voltado. Ele decidiu ligar para o loiro, mas não foi atendido. Arrumou-se e saiu, pois já havia acabado o horário de expediente do bocudo há meia hora, iria passar no trabalho dele e ver se encontrava alguma pista do paradeiro do noivo.

Pegou um táxi, que o deixou no começo da rua da loja de instrumento em que Sam trabalhava. A noite era fria, a rua estava meio deserta. Ele seguiu e viu que a luz da loja ainda estava acesa. Aproximou-se e olhou por uma janela, o loiro estava lá, sozinho.

– Fazendo hora extra? – Perguntou Blaine ao entrar.

Sam olhou para trás, viu que era B. Depois virou-se. Ele parecia limpar um violão.

– Só espairecendo. É melhor do que estar em casa e correr o risco de ouvir o que eu não quero.

– E o que você não quer ouvir?

Sam suspirou. Jogou a flanela que usava para limpar no chão e virou-se, seu semblante era triste.

– Que você vai me deixar. Que só remarcou o casamento porque não tinha coragem de dizer que não me queria mais. Que não me ama. – Seus lábios tremiam – Seria tão mais simples se me falasse a verdade logo. Por que não diz?

Blaine riu.

– Você ainda debocha de mim?! – Sam estava triste e com raiva.

– É a verdade que quer? Pois bem. – Blaine aproximou-se do noivo e falou bem próximo ao rosto dele – A verdade é que eu te amo e o que eu mais quero é casar com você. Por mim, eu casava amanhã. – Blaine o beijou na boca.

Foi um beijo romântico e demorado. Blaine segurou na cintura de Sam e colou seus corpos. Joelho com joelho, barriga com barriga, boca com boca. E moveu a língua dentro da boca do loiro de modo que os desse prazer. Só pararam quando o fôlego de ambos cessou.

– Por que fez o que fez? – Perguntou o loiro ainda tomando fôlego e confuso com tudo – Não entendo. Não é da sua índole.

Blaine sorriu de forma torta, ele sabia daquilo. Teria novamente que omitir coisas, contar uma meia verdade para não deixar Sam mal. Novamente, Blaine teria de ir contra sua índole.

– Por causa da sua mãe. Eu e ela estamos tentando trazer seu pai ao nosso casamento. Só que a Sra. Evans me pediu um pouco mais de tempo para conseguir isso. Desculpe-me, não queria me meter em assuntos de família, é só que eu pensei que... – Sam o agarrou.

Blaine não teve outra reação a não ser abraçar o noivo também. O abraço era quente e amoroso. Sam chorava e ria ao mesmo tempo.

– Você fez tudo isso por mim. – Disse o loiro entre lágrimas de alegria – E eu aqui, com raiva e desconfiando de você, enquanto só queria me ver bem. Eu realmente não te mereço – E beijou o solista de novo. – Você e minha mãe juntos! – Sam riu. Blaine sentiu algo ruim

– Sim. Juntos... – Forçou um sorriso – E para com isso. – B. sorriu – Eu não quero mais ouvir essas besteiras. – Os dois riram. – Só quero que volte para casa comigo hoje, pode ser?

– Agora ou na hora que você quiser. Eu sou todo seu, Blaine Anderson. – Disse o loiro cheio de amor e orgulho pelo noivo. – Desculpe-me por desconfiar de você. Eu só temo muito ainda perde-lo um dia.

– Eu sou seu. Entenda isso de uma vez por todas. – Disso o solista de forma doce – O destino tratou de nos unir, ninguém nunca poderá nos separar. – Blaine beijou o loiro de novo, novamente um beijo molhado e demorado – Eu nunca vou deixar de te amar. Seria tão mais simples se entendesse isso. – E piscou.

– Eu entendo agora. – Sam sorriu – E quero retribuir isso. – Blaine franziu a testa. Sam pegou o violão que limpava. – Eu amo você e tudo que faz, Sr. Anderson! Sei que vai gostar dessa. – E começou.

You're never boring youre always changing

You're so amazing every word you say

I'm serious delerious im into this ill let you lead the way

I'm wild about you I'm mad about you what more can i say

I love you and everything you do

I love you ill never say we're through

You love me too sun is shining the world is smiling

And baby, i love you

Your stupid laugh your silly grin

Your salty skin i cant help myself

I wanna touch ya baby see what you make me

I wanna do to you things id never do

I'm stuck without you im lost without you

What more can i say?

I love you and everything you do

I love you ill never say we're through

You love me too sun is shining the world is smiling

And baby, i love you

I love you, love you

See these arms they wanna hold you

See these eyes they wanna watch you

See this mouth it wants to kiss you

The wildest part is that i miss you

And with my arms wrapped around you

You're never ever gonna get away

I'm mad about you im wild about you

What more can i say

Yeah, yeah, yeah everything you do

I love you oh baby never say its through

You love me too the sun is shining the world is smiling

And baby, i love you.

I love you and everything you do i love you

Don't ever say we're through you love me too

The sun is shining the world is smiling

And baby, i love you.

Sam cantou cheio de alegria. Blaine o beijou no fim. Eles foram para casa. Dessa vez dormiram juntos.

Notas finais
Músicas: Maybe You’re Right – Miley Cyrus Summer – Calvin Harris Simple – Katy Perry I Love You (feat. Katy Perry & Adam Longlands) – The Matrix É isso. Espero que gostem e comentem! Até a próxima, abraços!