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15 3.15 - Os Selecionados


Notas iniciais
Blaine e Sam vão a um passeio. Rachel e Tina disputam o concurso de Musa. Artie espera por uma resposta. No fim, alguns são selecionados.

Era sábado, logo mais, na segunda, viria o grande dia, o dia do Concurso de Musa da NYADA. Tina e Rachel competiriam novamente esse ano e esperavam que nenhuma sabotagem ocorresse. Santana e Blaine se apresentariam a pedido da Sra. Tibideaux, já que Santie foi a grande vencedora da edição passada e, ao lado de B., estrelou uma peça da diretora. Artie também criava grandes expectativas para o dia, pois seriam revelados os candidatos selecionados por Carmen Tibideaux para entrarem na NYADA.

Blaine e Sam resolveram aproveitar essa manhã de sábado no parque. Pegaram Jon e foram ao local que costumavam ir quando o loiro veio até NY tentar uma reconciliação. Colocaram uma tolha no chão e sentaram por cima. Havia muita comida em uma cesta e eles levaram para cima da tolha também. Blaine trouxe uma espécie de cercadinho e colocou Jon dentro. Eles estavam sob a sombra de uma enorme árvore. Dali dava para ver os pássaros voando, crianças correndo, um vendedor de algodão doce gritando esperando atrair algum comprador e algumas velhinhas alimentando gatos e cachorros de rua que ali ficavam. Era uma visão que eles não tinham há muito tempo, e era linda, pois lembravam os velhos tempos.

– Faz tempo que eu não me sinto tão vivo. – Disse Blaine sorrindo e observando tudo aquilo – Precisamos sair mais.

– Sim. – Falou o loiro. Ele pegou Jon e levou até o colo, Blaine sorriu balançando a cabeça – Sempre juntos, claro. Como uma família.

– Bobo. – B. riu – Assim vai acostumá-lo mal. – O solista respirou fundo, o ar parecia fazê-lo bem. Estava cheio de alegria – Vivemos momentos tão bons aqui, lembra?

– Como poderia não lembrar? – O loiro fitou o horizonte, algumas lembranças fluíram – Sempre corríamos para aqui e fazíamos coisas incríveis naquela época. Foi a melhor ponte que fiz entre Lima e Nova Iorque em minha vida.

Eles riram um pouco, depois ficaram calados, pensando em tudo aquilo. Blaine foi quem rompeu o silêncio.

– O concurso é depois de amanhã. Alguma aposta? – Perguntou B.

– Rachel, com certeza. – Falou o loiro. Ele pegou uma torrada e mordeu. Jon começou a se mexer em seu colo, Sam riu e deu um pedaço da torrada a ele.

– Não faz isso! – Blaine o repreendeu meio que rindo também – Sempre estragando ele! – Os dois riram – Não sei se a Rachel leva essa. – Falou pensativo – Ela está grávida. Talvez isso atrapalhe um pouco, a barriga está muito grande. Ela terá o bebê em semanas.

O bocudo pegou outra torrada e mordeu de novo. Essa era recheada com alguma coisa que escorreu pelos cantos da sua boca. Ele limpou com o dedo e o chupou.

– Hum... Delicia. – Disse olhando para Blaine – Veremos. A Rachel não é fraca, ela sempre surpreende.

Blaine não deu muita atenção ao que ele disse, só olhava para a boca do loiro, que ainda estava meio melada. O bocudo o olhou, Blaine o encarou e avançou, arrancando um beijou molhado e com gosto de recheio. Sam riu após isso. Agora os dois tinham a boca melada.

– Não vamos discutir sobre. – Falou o solista – O que acha de irmos dar uma volta, hein? – Perguntou se dirigindo ao noivo – E você, rapazinho? O que pensa sobre? – Pegou Jon no colo, o cãozinho latiu.

– Acho que ele quer. – Disse o bocudo e riu – Então vamos!

Estava no horário do almoço. Na casa de Rachel, ela sentia um cheiro espetacular vindo da cozinha. Carole estava lá, mais uma vez. O bebê logo viria, ela cada vez mais precisava de cuidados.

Rachel estava em seu quarto, sentada na cama. Sobre o local também havia alguns cadernos, folhas avulsas e um bloco de anotações que a garota usava no momento. Parecia muito concentrada no que fazia. Alguém bateu a porta, era a mãe de Finn.

– Pode entrar. – Disse a viúva sem parar de escrever.

Ela entrou, trazia uma bandeja com comida a mão.

– Vejo que está muito ocupada. – Falou de forma gentil – Então trouxe seu almoço. – O colocou sobre uma mesinha de canto que havia no local – No que trabalha? – Foi se aproximando, curiosa e olhando para tudo que estava sobre a cama – Está escrevendo? – Perguntou.

– Sim. – Respondeu Rach de forma gentil também – Descobri que a música é umas das poucas maneiras de canalizar meu sofrimento. – Olhou para o bloco de papel que tinha em mãos – Minha válvula de escape. Escrever me faz voar, sentir-me bem. – Disse sorrindo – Ajuda-me de verdade. Por isso me ocupo tanto nisso. Principalmente agora que o concurso na NYADA está vindo. Pretendo me testar.

– Testar? – Carole folheava um caderno – Mas isso...

– Sim, exatamente. – Rachel a interrompeu – Gostou?

– Muito. Nossa... – Dizia enquanto lia. — Você é realmente muito boa. – Disse feliz. Era bom ver Rachel tocando em frente – Mas e sobre aquele outro assunto...

– Fora de cogitação. Não quero pensar em homens agora. – Rachel suspirou – Quero me concentrar na música e em meu filho, só. – Disse.

Carole sentou ao seu lado.

– Tudo bem, minha querida. – Falou docemente – Só quero te ver bem, não importa como. Você e meu neto ou neta. – Disse sorrindo. – Não entendi ainda porque não fez o ultrassom.

– Eu queria guardar a surpresa. – Rachel levou as mãos até a barriga e a acariciou de forma carinhosa – Menino ou menina, não importa. Será muito amado por mim.

– Por nós. – Disse Carole e abraçou a mulher – Vou te deixar. – A beijou no rosto – Boa sorte e continue fazendo isso. – Falou apontando para os papeis – Você tem futuro. – Piscou para Rachel. Depois saiu.

A garota debruçou-se sobre o papeis e continuou seu trabalho. Tinha em mente algo para o concurso. Algo grande.

Era noite quando a família Anderson & Evans voltou ao apartamento. Blaine, Sam e Jon passaram o dia fora se divertindo. Voltaram exaustos. O cãozinho logo correu para sua caminha. O loiro se jogou no sofá, Blaine foi até o computador.

– Depois trás o meu aqui, B., por favor. Preciso chegar meus e-mails. Um cliente da loja ficou de me dar uma resposta.

– Claro. Já levo. – Disse o solista e levou, depois voltou ao quarto.

Sam ficou no sofá, com o computador no colo. Ele parecia bem, checando os e-mails, até que se deparou com algo que não o fez estremecer. Blaine voltou à sala, ele estava chorando.

– O que houve? – Disse aproximando-se do noivo rapidamente. Sam apontou para o computador. Ele leu, havia um recado no Facebook.

Não ouse tentar colocar sua mãe e seus irmãos contra mim. Eles não irão se unir a você nessa loucura. Eu não o apoio, eles não apoiam você também. Não conte conosco. Não iremos a essa palhaçada que chama de casamento. Não tenho filho gay

Blaine abraçou o noivo.

– Calma.- Disse enquanto tinha o bocudo em seus braços – Vai dar tudo certo, eu falarei com ela.

– Não! – Exclamou ele – Eu sei que só quer ajudar, B. Mas deixe-os. – Sam levantou-se – Eu fiz minha escolha, eles fizeram as deles. Agora é seguir em frente e arcar e tocar a vida. Por favor, não se meta nisso. – Pediu com o olho marejado e foi para o quarto.

Blaine sentiu-se culpado por aquilo. Decidiu fazer o que o noivo pediu, talvez, realmente, fosse o melhor. O pai dele nunca viria e, pelo que viu da mãe, ela não faria algo. Ele não se atreveria a denunciá-la, não era ele. Era horrível saber que todo aquele esforço foi em vão, mas estava tudo fora de seu alcance agora. O solista foi para o quarto também. Dormiu ao lado do loiro uma das noites mais difíceis da vida a dois que eles partilhavam.

No domingo, Tina e Santana davam um almoço em casa junto de Dani e Artie. Eles partilhavam comida e muita alegria na mesa.

– A Santana era impossível mesmo no ensino médio. – Dizia Tina – Sempre metida em encrencas. Mas sempre ajudando as pessoas também. – Ela olhou para a amiga e sorriu – No fundo, ela é uma pessoa boa. Todos nós sabemos.

– Sim, por trás da Snixx há uma mulher de bom coração. – Completou Artie e os demais riram.

– Snixx? – Perguntou Dani.

– Oh, não! Vocês não vão falar sobre isso para ela. – Disse a morena e riu. Contudo, os outros dois contaram.

Após o almoço, a moça de cabelos tingidos foi embora. Havia saído porque sua avó iria almoçar fora, mas voltaria logo. Por isso ela também tinha que voltar. Santana a levou até a porta e se despediu com um caloroso abraço. Quando se virou, deu de cara com Tina. Ela pulou de susto.

– Assim você me mata! – Disse ainda se recuperando.

– Nervosa? – Brincou Tina e riu – Você está gostando dela, não é? Posso ver em seus olhos.

Santana olhou para amiga, depois sorriu e suspirou. Seguiu até o sofá e sentou. Fixou o olhar no nada.

– Talvez. – Falou um pouco triste – Eu ainda não sei e tenho medo de me apaixonar por ela. Amores só complicam nossas vidas.

– Eu que sei... – Disse Tina pensando em Blaine – Mas acho que seu amor é mais provável do que o meu. – Ela sentou ao lado da amiga — Se a quer, tenta. Não deixe de amar de novo por medo, Santana. Eu sei que foi difícil perde-la, mas sua vida deve continuar. A Quinn se foi, mas a Dani está aí, cheia de vida e amor para dar.

A morena a fitou por um tempo, pensando em tudo que ouviu. Então sorriu e abraçou a amiga.

– Obrigada, você é a melhor. – Disse a latina.

– Não, você que é! – Tina riu – E sabe disso.

Outro dia se passou e a segunda, enfim, veio. Era hora do tão esperado concurso. Blaine e Sam vieram acompanhando Rachel, uma de suas madrinhas de casamento, e Carole. Artie e Tina vieram juntos. Santana também não deixou de vir e trazer Dani com ela.

Carmen Tibideaux havia preparado um enorme salão com um enorme palco a frente de mesas redondas com toalhas marrons rodeadas de cadeiras. A decoração na sala era à base do marrom e do branco. A mandachuva chegou esplendorosa e subiu o palco, todos os outros já haviam se arranjado em seus assentos.

– É com imenso prazer que dou como aberto o segundo concurso anual de Musa da NYADA! – Disse a mulher. Aplausos seguiram suas falas – Aqui escolheremos não só a melhor entre as concorrentes, que será coroada como a musa desse ano, mas também uma moça que protagonizará uma peça no fim do próximo período. – Continuou a mulher, todos ouviam atenciosamente – Também revelarei aqui as vinte pessoas selecionadas para o próximo semestre em nossa faculdade. Espero que gostem do show! – Artie olhou para Tina, que piscou para ele – Antes de mais nada, queria trazer uma apresentação. Um belo dueto estrelando a nossa musa do ano passado: Santana Lopez! – Exclamou a diretora. E morena entrou. Ela vinha deslumbrante trazendo um incrível sorriso no rosto e vestindo um belo modelo de vestido vermelho – E um dos meus melhores e mais prodigiosos alunos: Blaine Anderson! – Mais palmas. O solista entrou em uma bela roupa de gala. Ele olhou para a plateia. Viu Sam, Rachel e Carole em uma mesa. Sorriu. Em outra, viu Tina, Artie e Dani. Olhou para o chão. Santana pegou em sua mão, os dois se olharam e assentiram com a cabeça. Era hora. – Que o show se inicie! – A diretora saiu.

Santana olhou para Blaine, então estalou os dedos, a banda começou. A latina levou as mãos até a cintura, a parte de baixo do vestido, que era longo, caiu. Ela tinha mais mobilidade agora. Blaine foi até ela, pegou em sua cintura e dirigiu uma olhar sensual a morena. A música começou.

Santana:

I left a note on my bedpost

Said not to repeat yesterday’s mistakes

What I tend to do when it comes to you

I see only the good, selective memory

Blaine:

The way he makes me feel yeah, gotta hold on me

I’ve never met someone so different

Oh here we go

He a arto f me now, he a arto f me

So where you go I follow, follow, follow

Ambos:

Oh,oh,oh,oh

I can’t remember to forget you

Oh, oh, oh, oh

I keep forgetting I should let you go

But when you look at me the only memory, is us kissing in the moonlight

Oh, oh, oh, oh

I can’t remember to forget you

Oh, can’t remember to forget you

Blaine:

I go back again, fall off the train

Land in his bed, repeat yesterday’s mistakes

What I’m trying to say is not to forget

You see only the good, selective memory

Santana:

The way he makes me feel like, the way he makes me feel

I never seemed to act so stupid

Oh here we go

He a part of me now, he a part of me

So where he goes I follow, follow, follow

Ambos:

Oh, oh, oh, oh

I can’t remember to forget you

Oh, oh, oh, oh

I keep forgetting I should let you go

But when you look at me, the only memory, is us kissing in the moonlight

Oh, oh, oh, oh

I can’t remember to forget you

Santana:

I rob and I kill to keep him with me

I do anything for that boy

I’d give my last dime to hold him tonight

I do anything for that boy

Blaine:

I rob and I kill to keep him with me

I do anything for that boy

I’d give my last dime to hold him tonight

I do anything for that boy

Ambos:

Oh, oh, oh, oh

I can’t remember to forget you I keep forgetting

I should let you go

But when you look at me, the only memory, is us kissing in the moonlight

Oh, oh, oh, oh

I can’t remember to forget you

But when you look at me, the only memory, is us kissing in the moonlight

Oh, oh, oh, oh

I can’t remember to forget you

Santana iniciou a música dançando junto de Blaine. Foram passos sensuais e eles chegaram a dançar quase colados. Depois se separaram e a morena dançou só, sempre encenando e se dirigindo ao solista, como se quisesse conquista-lo. No fim, eles foram dançando e se encostando, até que cantaram a última nota bem próximos, quase que beijando. Palmas e mais palmas sucederam o fim da canção. Carmen sentava em uma mesa na plateia e os olhava orgulhosa. Santana fez um sinal com a cabeça para a mulher. A morena havia cumprido seu papel, era hora de dizer adeus a NYADA e encontrar seu caminho.

Blaine desceu e foi até a mesa, beijou Sam e depois sentou.

– Agora é a vez da Tina. – Disse o loiro como se tivesse aborrecido de ter que ver a asiática cantar.

– Deixe-a. Não precisa mais se importar com isso. Ela está vivendo a vida dela e nós a nossa. – Falou o solista.

– Vejam, vai começar. – Continuou Rachel apontando para o palco.

Sam preferiu não ver. Saiu emburrado. Blaine deu com os ombros.

– Ele está no direito dele, calma. O que ela fez foi horrível. – Falou Rachel. – Agora vamos ver o que tem para nos mostrar. – A moça sorriu, Blaine assentiu com a cabeça.

Tina subiu ao palco. Era seu momento e ela tinha coisas a dizer. Olhou para a plateia, Blaine estava lá. Dirigiu um olhar ao solista, uma olhar triste e cheio de arrependimento. Blaine desviou os olhos. Ela olhou para o lado e deixou que uma lágrima caísse no chão. Depois limpou o rosto.

– Antes de cantar, eu queria falar algumas palavras. – Disse a princípio – Embora a música que eu vá cantar fale por mim, eu queria falar um pouco sobre a dor do arrependimento. A dor que nos acomete quando fazemos algo que é imperdoável, algo que trás consequências enormes e desastrosas para nós pelo resto de nossas simples vidas. A dor que não nos deixa dormir a noite, pensando no mal que fizemos ao próximo ou, às vezes, a alguém que amamos muito. Mal esse que não temos como consertar, embora tentemos e tentemos. Mal que está feito. – Ela respirou fundo — Hoje, além de competir no concurso de musa, quero abrir meu coração. Dizer que me arrependo de alguns erros. – Ela olhou para Blaine, ele desviou novamente o olhar. A plateia a olhava curiosa – Dizer que você é muito especial para mim. E que, do fundo do meu coração, espero que um dia possa ao menos me encarar de novo. Eu fugi diversas vezes de você, por medo, por vergonha, por arrependimento. Hoje eu canto – Ela pegou o microfone – E pergunto, será que pode me amar novamente? – Então começou.

Know I’ve done wrong

Left your heart torn

Is that what devils do?

Took you so long

Where only fools gone

I shook the angel in you

Now I’m rising from the crowd

Rising up to you

Feel with all the strength I found

There's nothing I can’t do

I need to know now

Know now

Can you love me again?

I need to know now

Know now

Can you love me again?

I need to know now

Know now

Can you love me again?

I need to know now

Know now

Can you love me again?

Can you love me again?

It’s unforgivable,

I stole and burnt your soul

Is that what demons do? (hey)

They rule the worst in me

Destroy everything,

They blame on angels like you (hey)

Now I’m rising from the crowd

Rising up to you

Feel with all the strength I found

There's nothing I can’t do

I need to know now

Know now

Can you love me again?

I need to know now

Know now

Can you love me again?

Can you love me again?

Uh, uh, uh, uh

Oh

Told you once again,

Do this again

Do this again, oh

I told you once again,

Do this again

Do this again, oh, oh, oh

I need to know now

Know now

Can you love me again?

I need to know now

Know now

Can you love me again?

I need to know now

Know now

Can you love me again?

Can you love me again?

A plateia aplaudiu e chorou no fim. Tina exprimiu tudo que sentia por meio da música. Como ela dizia, era imperdoável seu erro. Contudo, tudo que ela queria era o amor de B. de novo. Não um amor carnal, mas o amor de um amigo. Aquele que morou com ela por um bom tempo e que se dispôs a desbravar Nova Iorque ao seu lado. Aquela que ela mesma perdeu por seus erros.

Blaine, ao fim, levantou-se e saiu da sala também. Foi para junto de Sam. Rachel continuou sentada, sem saber o que fazer.

Tina desceu, foi até Artie.

– Então era isso? Você pretendia conseguir o perdão de Blaine?

– É como eu disse, Artie. É imperdoável. Eu só queria poder dormir tranquila de novo. – Ela olhou para baixo – Sabe, eu, às vezes, não consigo dormir pensando no mal que fiz. Tenho pesadelos com o Sam morto, em um caixão. Eu no velório e todas as pessoas me apedrejando. É horrível. –Ela olhou para cima e deu um sorriso torto – Talvez eles sejam meus amigos de novo, sei que, provavelmente, é impossível. Só queria mesmo que eles soubessem que sinto muito. – Falou com uma voz chorosa.

– Acho que isso foi só uma parte do seu plano, não? – Ele conhecia a amiga que tinha. O cadeirante previa isso há um tempo. E há um tempo ele também tinha pesadelos com isso. Não queria ver aquela Tina louca ensandecida de novo. A Tina que amava Blaine mais que tudo, mais até que ela mesma.

– Sim. E peço uma coisa. – Disse e ajoelhou-se, ficou cara a cara com o amigo – Confia em mim, por favor. – Falou quase que como uma súplica – Ajude-me, eu só tenho você.

O rapaz não sabia se podia, mas, talvez se negasse ajuda, as coisas poderiam ficar bem piores.

– Ajudo sim. Mas com uma condição – Disse ele – Você não vai fazer nada sem meu consentimento.

Tina sorriu. Ela se sentiu apoiada, e amada. Talvez aquilo fosse tudo que ela precisasse.

– Pode deixar. – Ela falou sorrindo e o abraçou – Você é o melhor amigo do mundo! – E o beijou no rosto.

Alguns minutos se passaram, Sam e Blaine voltaram à mesa. Pareciam melhores.

– Tudo bem? – Perguntou Rachel.

– Sim, vai ficar. – Sam sorriu – Você é a próxima, não é?

– Exatamente. – Ela levantou-se – Vou indo. – Beijou cada um no rosto.

– Boa sorte. – Disse o loiro.

– Quebra a perna. – Blaine disse e piscou.

Ela fez um sinal com a cabeça, sorriu de volta e saiu.

Rachel respirou fundo e subiu ao palco. Olhou para a plateia, assim como todos que subiam ali faziam. Ela viu amigos, olhares cheios de curiosidade e bons votos de torcida. Também viu em alguns inveja, a esses ela não deu bola. Era hora de pôr toda sua dor para fora. Sua música faria isso. Por meio dela, Rachel falaria tudo que sentia. Esperava que isso desse um bom resultado.

– Eu sou Rachel Berry – Disse ela – Não quero falar nada. Espero apenas que ouçam minha música. Sintam por meio dela minha mensagem. – Ela sorriu e fez sinal para a banda.

Ela havia escrito aquela um pouco depois da morte de Finn. Estava no auge de toda a sua dor e vulnerabilidade. Olhou para cima, fechou os olhos e suspirou. Eu te amo, disse e cantou.

It’s been seven whole days

Seven whole days

Since you paralyzed me

Seven whole days

Seven whole days

Since you lost ya fight

And I can’t get the last words that you said

I can’t get those words out of my head

Seven whole days

Seven whole days

And four words

And I can’t get away from the burning pain

I lie awake

And the fallen hero haunts my thoughts

How could you leave me this way?

It’s been seven whole days

Without your embrace

I wanna see your face

I've got some things to say

T'was just a week ago

You said "I love you, girl"

I said "I love you more"

Then a breath

A pause

You said "if you say so"

If you say so

If you say so

If you say so

It’s been seven whole days

Seven whole days

Since I heard the phone ring

Seven whole days

Seven whole days

Since I heard your voice

And I can’t get the last words that you said

Can’t get those words out of my head

It’s been seven whole days

Seven whole days

Of pure hurt

And I can’t get away from the burning pain

And I lie awake

And the fallen hero haunts my thoughts

How could you leave me this way?

It’s been seven whole days

Without your embrace

I wanna see your face

I've got some things to say

T'was just a week ago

You said "I love you, girl"

I said "I love you more"

Then a breath

A pause

You said "if you say so"

If you say so

If you say so

If you say so

I can’t believe it’s true

I keep looking for you

I check my phone

And wait to hear from you

In a crowded room

The joker is so cruel

And now I’ll never know

If all that I’ve been told

Was just a lie so bold

I thought we would grow old

The mirrors and the smoke

Left me here to choke

It’s been seven whole days

Without your embrace

I wanna see your face

I've got some things to say

T'was just a week ago

You said "I love you, girl"

I said "I love you more"

Then a breath

A pause

You said "if you say so"

If you say so

If you say so

If you say so

Rachel cantou e chorou. Ao fim, nada de palmas, apenas olhares cheios de sentimentos e silêncio vinham da plateia. A moça podia ver a dor no rosto das pessoas e algumas lágrimas aqui e acolá. Não sabia se aquilo era bom ou ruim. Carmen apareceu por trás e a abraçou. Ela caiu em seus braços chorando.

– Tudo bem – Disse a acalmando – Você foi ótima. Sua música foi realmente tocante. É composição sua?

– Sim. – Falou a garota – Foi uma forma que encontrei de fugir da minha dor. Compor.

– Não sei se posso chamar a música de linda. Mas posso chamar você de completa, Rachel Berry. Sempre me surpreendendo. – Disse a mulher. Parecia orgulhosa – Vá para sua mesa. O show deve continuar. – Rachel assentiu com a cabeça e foi.

Blaine, Sam e Carole a esperavam. A mãe de Finn a deu um abraço cheio de calor.

– Eu fiz bem em me abrir tanto? – Perguntou a todos.

– Você foi perfeita. – Disse Blaine sorrindo – Não sinta vergonha de expor sua dor. Pois isso, de certa forma, está a ajudando a crescer. Agora venha. – Ele bateu em uma cadeira que estava ao seu lado – Sente-se. A Carmen vai falar algo.

A diretora estava no local que Rachel ocupava anteriormente. Pegou um microfone, todos voltaram à atenção para ela.

– Bem, antes de tudo, quero dizer o nome de quem eu selecionei para o próximo semestre aqui na NAYADA. – Carmen pegou um envelope – Aqui dentro estão os nomes dos novos alunos. – Disse erguendo o objeto – Preparados? Pois bem, aqui vou eu. – E foi. Disse um por um. O primeiro, o segundo, o terceiro nome. Até que chegou ao décimo oitavo. Tina e Artie olhavam-na com grandes expectativas. – Jessie Rules – Disse o décimo nono nome da lista – E, por fim, mas não menos importante. – Olhou para a mesa de Tina e sorriu. A asiática levou as mãos à boca, quase surtou ali – Artie Abrams e Tina Cohen-Chang. – Disse e jogou o envelope.

Tina e Artie se olharam, não entenderam o nome dela ali na lista também. A garota olhou para Santana, a morena sorriu e fez um gesto positivo com a cabeça. Tina gritou de alegria.

– Eu sou a musa da NYADA! – Gritou e pulou no colo de Artie – Eu! Eu! Eu! – Gritava alegremente. Foi até Santie e a abraçou, depois fez o mesmo com Dani. Sempre pulando – Eu sou a musa! – Olhou para a mesa de Rachel. Blaine e Sam viraram a cara. A moça cumprimentou a colega de competição com a cabeça.

Tina continuou comemorando com os amigos. Depois resolveria o problema com Blaine e Sam.

Saindo dali, Carole foi até Rachel.

– Querida, só queria dizer que você foi esplendida. – Disse sorrindo – Finn sente-se orgulhoso de você, pode acreditar.

– Eu sei. – Falou sorrindo também e olhando para o céu – Eu posso sentir de alguma forma.

Blaine e Sam foram para casa. Rachel e Carole também. Santana levou Dani para casa depois. Tina e Artie foram comemorar suas seleções.

No outro dia, Rachel foi à universidade trancar sua matrícula. O bebê nasceria logo e ele não iria cursar o próximo semestre. Foi até a sala de Carmen. A secretária disse a Rach que entrasse. Ela estava conversando com um homem.

– Oh, desculpe-me. – Disse a moça envergonhada por entrar e interromper a conversa da mulher – Eu volto outra hora.

– Não, não, Rachel. – Carmen estava sentada em sua mesa, levantou-se – Estávamos esperando por você. – Falou sorrindo.

Estávamos? – Ela não compreendia.

– Sim. Eu e Paolo. – Falou.

O homem levantou-se também. Foi até Rachel e a cumprimentou com um aperto de mão.

– Barriga grande, hein? – Brincou. – Ainda assim dará uma ótima Fanny Brice. – Piscou.

Rachel arregalou os olhos e olhou para Carmen assustada. A mulher riu e apontou para uma cadeira a frente de sua mesa, ao lado de Paolo. Temia que a moça caísse de um susto.

– Você realmente pensou que perdeu aquela competição de ontem, Rachel? Tina foi boa, mas você foi magnífica! Quem perdeu na verdade fui eu e para o pilantra do Paolo. – Falou quase que se queixando. Paolo riu.

– Por... Por favor... Eu ainda não entendo. E acredite, estou quase surtando aqui por isso. Estou à beira de um ataque. – Disse balançando a cabeça, parecia tonta.

– Vamos, Tibideaux. Fale logo a garota a verdade. – Paolo ria ainda.

– Você não foi selecionada para o papel em minha peça, Rachel. Contudo, você é sim a musa da NYADA. A maior que já existiu, tenha certeza. – Apontou para o homem ao lado da aluna – Esse é Paolo San Pablo, um diretor conceituadíssimo no que diz respeito a Broadway.

– Bro...bro...br.. – Rachel respirou fundo, não conseguia parar de gaguejar. Tremia de nervoso – Broadway?! – Falou com dificuldade. Suava.

– Isso mesmo, garota. – O homem resolveu falar – Você não vai com ela, vem comigo. Será a próxima, e talvez uma das maiores, estrela que o mundo já viu. A forma como você canta e expressa seus sentimentos na música, isso não é normal! – O homem sorriu – Você é uma musa, Rachel Berry. E será minha musa, brilhará em meu palco. Você foi selecionada, garota. Você será a próxima Fanny Brice. – Falou.

Rachel não aguentou, desmaiou. Contudo, foi só um pequeno susto. As alegrias viriam depois. Seus grandes sonhos começariam a se tornar realidade. Rachel Berry, enfim, brilharia.

Quando acordou de novo, estava em sua cama, em seu quarto. Olhou para cima, sorriu e agradeceu.

Notas finais
Músicas: Can’t Remember To Forget You – Shakira feat. Rihanna Can You Love Me Again - John Newman If You Say So – Lea Michele É isso aí, pessoal. Espero que gostem e também espero por comentários! Abraços, até a próxima.