Notas iniciais
Em breve vou deixar de postar 2 capítulos no mesmo dia... tenho de ganhar inspiração... E qual é a melhor maneira para isso? Comentários!!! Bjs ♥

LUCY

Acordei outra vez numa cama de hospital, com a cabeça de alguém no meu ombro.

Pensei que era a minha tia, mas quando abri os olhos vi que era outra pessoa... Ryan.

Pensei em acordá-lo, mas achei melhor deixá-lo dormir mais um pouco. Então cliquei num botão, para chamar o médico ou uma enfermeira. Já se passou algum tempo mas ainda me lembro como tudo funciona aqui... Não demorou muito tempo até chegar o médico que sempre me acompanhou. Ele parece rude, mas comigo sempre foi muito carinhoso, acho que mais ou menos como um tio (ás vezes até lhe chamo assim).

– Menina Lucy! Fico feliz por vê-la acordada!

– Obrigado Dr. Obby, outra vez...

– É uma pena esta recaída. Será que posso saber o motivo?

– Uma rapariga da minha escola deu problemas quando estava no cinema, falou mal de umas pessoas, e trouxe-me recordações.

– E isso foi antes de chegar ao hospital, eu quero saber o que aconteceu esta noite.

– Não aconteceu nada...- menti-lhe- Deve ter sido um pesadelo.

– E o Sol é quadrado. Já não confia em mim? Ambos conhecemos esta situação. Os ataques de pânico só lhe acontecem quando está acordada. Tive de lhe dar uma injeção na noite anterior.

– Não! Não vou ter de levar injeções como em pequena, pois não?

– Esperemos que não, mas sabe que eu só posso ajudar se souber o que aconteceu...

– Podemos não falar disto agora? Estou com fome.

– Claro, ainda não comeu nada.- Nem tinha reparado que tinha reparado que tinha um tabuleiro com uma sandes, um copo de sumo de laranja, e um pudim.

– Ah, obrigado! Nem tinha reparado.

– Claro, coma em paz.- Ele ia embora, mas lembrei-me de perguntar.

– Há quanto tempo é que ele está aqui?- apontei para o Ryan.

– Ainda não se foi embora... Essa pestinha não parava de fazer perguntas, quase tentei ir buscar-lhe uma chupeta para se calar...- dei uma risada.

– Podia tê-lo mandado para casa.

– Eu tentei, mas ele quis ficar aqui. Disse que só saía daqui se a levasse consigo. Que idiotice...

– É... mas, idiota ou não, foi a minha única visita.

– Liguei à sua tia, ela está fora do país. Chega no próximo fim-de-semana.

– Amanhã vou ter de ir à escola?

– Não aconselho...- disse ele, e formou-se um grande sorriso matreiro na minha cara.

– Tenho de partir a perna mais vezes.- ele arregalou os olhos.

– Menina, nem pense nisso...

– Estava a brincar...

– Ai ai, vocês e esse humor.

– Acha melhor acordá-lo?- disse eu a apontar para Ryan.

– Deixe-o dormir um pouco, acorde-o quando chegar o almoço.

– Ok.

– Ah, e antes que me esqueça... trouxe-lhe um livro- disse ele a sorrir.

– A sério? Qual?- Mostrou-me a capa do livro que me faltava para completar a trilogia que andava a ler.- Oh, não acredito! Obrigado! Se estivesse boa da perna ia aí a saltar!

– Shiiuuu!- Disse ele com o dedo na boca- O seu amigo está a dormir... Fico feliz que tenha gostado.- sorriu para mim e saiu.

[...]

Eram 12:15 quando vieram trazer o almoço. Já tinha lido metade do livro (é verdade, eu sou uma devoradora de livros), pousei-o na mesa ao lado da cama.

Acordei o Ryan com calma, e ele acordou rapidamente.

– Olá- disse eu baixinho.

– Onde estou?- perguntou com uma vozinha rouca, ainda a bocejar e a espreguiçar-se.

– Estás no hospital. Devias ter ido para casa...

– Pois, tiveram de te dar uma injeção. Esperei que acordasses, mas acabei por adormecer.

– É... desculpa, não te queria assustar.

– Não assustaste...- olhei para ele com a sobrancelha direita levantada- OK, só um bocadinho.

– Desculpa- disse eu a rir- Mas eu também não queria ter um ataque de pânico.

– Não duvido nada, estavas mesmo mal. Olha... O que aconteceu para... tu sabes...- ele tocou num assunto que eu não queria discutir, e demorei um pouco a responder.

– Gostas de flores?- perguntei nervosa.

– Ahn? Flores?

– Sim.

– Mais ou menos, porquê?

– Um antigo amigo ensinou-me esse "truque". Quando não gostas do assunto, fala de flores.

– Ah, tu gostas?

– De quê?

– De flores...- respondeu ele a olhar para mim como quem diz "óbvio".

– Aaaah, pois. Mais ou menos- respondi a rir.

– Não és nada distraída, pois não?

– Nem um pouquinho!- fingi estar ofendida.

Passei o almoço todo com ele, comemos juntos, e durante a tarde estivemos a falar. Fiquei a saber que ele gosta de ler (não tanto como eu), gosta de correr e ir ao ginásio, prefere gelado de morango, e adora ouvir música. Eu apenas contei que também adoro ler, e que só nessa manhã já tinha lido metade do livro. Não lhe contei que odeio gelado de chocolate, que A.D.O.R.O gelado de caramelo, que canto SEMPRE quando estou sozinha, nem que adoro nadar na piscina de minha casa. Apenas disse que gosto de ler, e que o resto não precisava de saber. Como resposta ele começou a chamar-me "A Misteriosa".

Quando já eram 16:30 chegou o médico para me dar alta, e a justificação para faltar à escola durante uma semana (u.u).

– Sortuda!- disse Ryan.

– Sortuda o quê? Parti a perna...- disse eu a fazer beicinho.

– Mas vais ter uma semana sem aulas...

– Mas vou perder a matéria toda...- ripostei.

– Eu trago-ta a casa todos os dias...

– Eu não abro a porta...

– Entro pela janela...

– Mas vou perder testes...

– Não temos nenhum esta semana- disse ele a sorrir.

– E a minha melhor amiga?

– Eu falo com ela...

– Eu conheço-a bem, não te vai ouvir...

– Eu sou encantador, seduzo-a até me ouvir...

– E à tua primeira palavra ela dá-te uma joelhada tão forte que nunca mais tens filhos...

– Mando-lhe um bilhete ou uma mensagem em anónimo...

– E ela nunca iria acreditar, pois iria achar que era uma partida dos Retardados...- nesse momento ele interrompeu a "guerrazinha".

– Quem são os "Retardados"?

– Aqueles que gozam comigo e ás vezes com ela.

– Sou eu, certo?

– Também...

– Mereço...

– Eu sei...

– Queres ir embora ou não?

– Não quero outra coisa...

– Vou chamar um táxi...

– Ok...

– Ok...

– Ok...- disse eu, já a ficar irritada.

– Ok...

– Ok! Chega!

Chamámos um táxi com o telemóvel dele e fomos para a nossa rua, e quando pensei que cada um iria para o seu lado da estrada, ele seguiu-me até à porta de minha casa.

– Oh, não acredito!- disse eu incrédula.

– Não me digas que...

– Esqueci-me das chaves!- quase gritei.

Notas finais
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