Notas iniciais
Oi oi gente! Nos perdoem pela demora, houve alguns problemas, mas ai está. Boa Leitura ^-^

──Dilan on──

Mais um dia como todos os outros nessa droga de colégio. Não suporto mais isso. Em Paris era diferente; todos os dias havia alguém novo pra conhecer. Estou nessa Academia a mais de um ano e meio e raramente um novato entra. Conheço todo mundo e mais um pouco!

Me chamo Dilan Walker, sou um lobisomem transformado quando tinha dez anos; foi muito cedo, mas meus pais puderam cuidar de mim até eu fazer 16 anos e entrar na Academia de Paris.

Foi difícil me acostumar com as transformações. Antes eu me transformava a cada duas luas cheias e, quando eu estava para me transformar, meus pais me levavam a um lugar onde eu não poderia ferir ninguém. No começo eu estava descontrolado, atacava quem quer que fosse durante o meu período de lobo, tanto conhecidos quanto visitantes, mas com o passar dos meses, as transformações se tornaram constantes e eu acabei aprendendo a me controlar.

Eu morava na capital, junto com os meus pais, mas eu acho que já disse isso antes. Eles me criaram da melhor maneira possível, apesar de eu ser um sobrenatural. Depois da doença, comecei a perceber esse novo e bizarro mundo. Em mercados, ruas, lojas, em todo lugar eu conseguia ver algo de diferente em algumas pessoas. Coisas que meus pais não viam o mesmo. Quando entrei para na AIP, fiquei sabendo que isso acontecia pelo fato de que meus pais, e todos os humanos, tem uma visão muito fraca e frágil.

Nas primeiras aulas de Sociologia, estudei que os humanos mais próximos de nós se esquecem de quem somos, como se nunca tivéssemos nos conhecido. Meus pais não tinham maneiras de cuidarem de mim e, quando eu recebi a carta, eles entenderam que, a partir daquele momento, eu não era mais um filho. Seria um perpétuo estranho depois de alguns meses (em torno de 5 a 6). Mas entender é muito diferente de aceitar, o que foi difícil para nós.

Durante o primeiro mês, eu tentei fugir umas 10 vezes. No segundo, eu consegui escapar e meus pais me acolheram de braços abertos, mas uma pessoa da Academia foi até a casa deles e me levou de volta. Três meses se passaram quando eu fugi de novo, mas quando apareci em casa, meus pais negaram a minha entrada; parecia que eles nem me conheciam e isso me machucou severamente por dentro. Nessa hora eu decidi: era hora de esquecer eles. E com isso eu era um garoto de 16 anos órfão e com um lugar para morar.

Certo dia, eu conheci um cara chamado Corey McCalister. Pelos rumores que corriam pela escola, ele vinha de Londres, uma cidade que eu sempre quis conhecer. Sem querer acabei ouvindo a conversa de Corey com o diretor da minha Academia, Jack Nolan. Ele lhe disse que não havia mais como receber novatos ali, então Corey respondeu que havia uma vaga para um único novato na Academia dele.

Ele já conhecia a minha história, sabia de tudo o que eu havia passado e eu via confiança nele como eu nunca havia visto em nenhum outro homem. Quando os novatos foram convocados para se reunirem no ginásio, fomos informados de que um de nós iria para Londres. Quando pensei que haveria uma explosão de felicidade e que todos iriam querer ir, estavam muito enganados: todos ficaram quietos, torcendo para que não fossem escolhidos. Eu queria ir, então me levantei antes que pudessem escolher o Novato. Quando falei para eles que eu queria ir, era possível ouvir o alívio dos alunos ao meu redor. Me levaram para a sala do diretor e me fizeram uma série de perguntas que eu respondi de bom grado.

Pouco tempo depois, eu estava me mudando para Londres e, como não tinha muita coisa pra eu levar, foi extremamente fácil. Cheguei nessa cidade e me apaixonei por ela logo de cara, mas com o tempo, aquela sensação de mudança acabou. Percebi que o tempo aqui é muito estranho, meio escuro, sombrio e chuvoso demais. Tudo ficou igual depois de um tempo, se tornou rotina, muito monótono.

Estou pronto para pedir transferência de novo, talvez para algum país fora da Europa, quem sabe? Estava indo falar com o Corey, o procurei em sua sala, mas me disseram que ele estava no refeitório, fazendo uma inspeção ou algo assim, e lá fui eu.

O que eu não me lembrava de é que era o intervalo dos vampiros e que aquele refeitório estaria a maior bagunça. Entrei, sentindo o cheiro dos vampiros nojentos que eu não suporto e vários se viraram para mim, até rosnei para alguns, mas logo saí ao perceber que o Diretor não estava lá. Fechando a porta, ouvi um prato se quebrando seguido de um copo, muito provavelmente arremessados pra mim. Um "presentinho" cheio do cardápio do dia: salada com frango grelhado e o resto dum copo de sangue. Eca.

Foi quando eu vi aquela menina ruiva, seus cabelos tinham um brilho intenso e parecia muito macio. Ela estava parada no meio do corredor, seus olhos estavam fechados e suas pequenas mãos delicadas estavam tampando seus ouvidos com força. Ela estava vacilando, parecia que a qualquer segundo ela poderia cair. Mas eu a segurei antes que pudesse tocar o chão. Lagrimas escorriam por seu rosto angelical quando me pediu:

– Por favor, me tira daqui – seus olhos se moviam por de trás das suas pálpebras fechadas, seu corpo era gelado e ela não estava respirando. Era uma vampira. Mas era diferente, eu não sentia por ela a mesma aversão que sinto pelos outros vampiros, ela parecia diferente.

Fiz o que ela pediu, a levei para a enfermaria sem conseguir dizer uma palavra se quer ao Corey, por quem eu passei correndo. Entrei na enfermaria, notando que ela estava desmaiada. Pedi a todos os Santos para que ela estivesse bem, não sei por que, mas estava me preocupando com ela.

– O que você fez agora, garoto? – perguntou Lucy quando notou ela deitada na cama. Ela logo pegou suas coisas e começou a examinar a Vampira.

– E-eu não fiz nada – digo me defendendo. Conto a ela onde a encontrei e ela me olha espantada – Eu nem a conheço!

– Vamos você tem que sair daqui – diz ela me colocando pra fora.

– Não! Eu vou ficar – digo em protesto. Ela olha pra mim e me ameaça com o olhar. Mas mesmo assim não sedo — Não posso deixa-la aqui sozinha!

– Mas você tem, vamos. Ela é minha Novata, não vai estar sozinha!

– Espera! Tua Novata? — digo surpreso; não é a toa que ela não se parece com ninguém daqui.

– É, minha sim. Agora vá! — e me empurrou pro corredor, fechando a porta atrás de mim.

Corri até o único lugar que poderia encontrar a resposta poderia esclarecer essa confusão em minha mente; no caminho, esbarrei em um vampiro, mas até pedi desculpas ao invés de rosnar, o que era bem estranho. A biblioteca da Academia de Londres é composta por andares e mais andares de livros e manuscritos, sendo muito provável que qualquer assunto que você precise saber exista ali.

Fui entrando e me esgueirando nas fileiras certas e achei a porta com a plaquinha escrita "Sala dos Mentores". A sala dos mentores é uma parte da biblioteca onde todos os Mentores da Academia ficam quando não têm nenhum Novato para ajudar, coisa que acontece direto por aqui.

Ao entrar, procurei com os olhos a mesa de quem eu procurava e corri até a minha Mentora dessa Academia. Ela estava em sua mesa com um livro aberto, folhas ao lado e com seus óculos que encobriam seus olhos castanhos. Uma de suas mãos estava ocupada escrevendo algo, enquanto a outra segurava uma xícara de café, talvez?

Ela se chama Layla e tem uma irmã gêmea, a Melissa. Elas são quase idênticas, só se diferenciam pelos óculos, mas tirando isso são iguais em aparência e em gosto. Ambas são magas, estudaram na Academia de Atenas, a melhor das Academias e também a primeira. Puxei uma cadeira que estava encostada em uma estante, a coloquei na frente da mesa dela e apoiei minha cabeça entre as mãos, esperando.

Ela levantou os olhos do livro e pude senti-los em mim enquanto eu continuei de cabeça abaixada. Tocou meu braço levemente, enquanto me entregava um copo de água; Layla controla tal elemento e é tão poderosa quanto sua irmã, que controla o fogo.

– Obrigado — bebi um gole da água que sempre tinha um gosto diferente, independente de quantas vezes eu tenha vindo aqui e provado essa água, todo dia ela mudava; minha teoria é de que muda com seu estado de humor. Hoje tinha um leve gosto de café e creme.

– O que o trás aqui? — ela pergunta, gentil como sempre e, ao olhar em seus olhos, ela assente, fecha o livro e ajeita os óculos.- Acho que preciso de ar fresco, fiquei muito tempo aqui. Acompanha-me até lá fora?

Ao lhe responder com um fraco "Sim", Layla caminha ao meu lado enquanto vamos até a parte de trás da escola, onde estava um grande bosque com direito até a um riacho.

Chegando à beira do pequeno córrego, ela se sentou e deu uns tapinhas ao seu lado, para que eu me sentasse também.

– Agora conte-me o que aconteceu, estás pálido feito neve!- ela disse após verificar se havia alguém por perto.

Não hesitei em lhe contar a versão completa da situação. Eu sabia que podia confiar nela e muito; ela mesma conta certos segredos a mim, então não seria justo esconder daquela que me trata como um irmão mais novo. Ao terminar, abaixei a cabeça e esperei a resposta.

– Primeiro: a Ashley Reynolds é a Novata da Melissa, a Lucy está só cuidando dela enquanto minha irmã está fora. Segundo: no que você estava pensando quando foi pedir transferência sem me consultar antes?! Terceiro: eu quero que você se explique melhor em relação aos seus sentimentos por ela e depois pense no assunto.

Dei um sorriso torto para minha Mentora enquanto respondia que a ideia da transferência me surgiu de repente e, sem pensar, fui procurar o Corey. Pensei na última coisa que ela falou e lhe respondi com sinceridade.

– Não sei, afinal nem conheço direito a Ashley, então não tenho como responder com certeza agora. Mas eu achei ela muito gata mesmo. — dessa vez, sorri de verdade enquanto corava.

Layla riu e pensou um pouco, encarando o movimento da água. Observei também, reparando que haviam se passado horas desde que coloquei os olhos na pequena vampira dos cabelos acobreados. Será que ela estava bem? O que tinha acontecido com ela?

Ouvindo meus pensamentos, talvez (eu não duvidaria se me dissessem que Layla e a irmã ouviam pensamentos), a mulher ao meu lado se virou para mim e disse:

– Bom, já que ela mexeu tanto contigo, acredito que você deveria apresentar a Academia para a Ashley, mas amanhã. Lucy é uma boa enfermeira, mas nenhuma delas podem apressar um desmaio no mundo em que vivemos; isso pode acarretar sérias consequências. Se amanhã Ashley estiver bem, você irá se apresentar e tudo o resto, tudo bem?

– Está bem. Afinal, não tenho tanta pressa agora.

Ela sorriu para mim com carinho, assentiu e se levantou, me puxando junto. Deixei-a ali, enquanto me encaminhava para o dormitório a fim de descansar um pouco e descontrair, além de planejar minha apresentação e do tour pelo campus com a garota mais perfeita do mundo. Qual será a reação dela quando se deparar comigo?

Essa pergunta me fez hesitar. Sou do tipo de cara que faz muitas suspirarem, mas sou um lobisomem e ela uma vampira.

Será que ela vai me rejeitar logo de cara?

Notas finais
Novos personagens estão por vir. Comentem!! E pra quem não tem conta é só nos perguntar por face :D Beijinhos ~~Melissa Velarc~~