Destinos Incertos
4 Hi! I'm Dilan
Notas iniciais
───Ashley on───
Quando eu acordei estava tudo em silêncio. Nenhuma voz, nada. Apenas o som de pássaros cantando. Acreditei que tudo havia sido um sonho e para me convencer disso continuei com os olhos fechados, aproveitando o silêncio em minha mente.
Quando eu achei que já tinha aproveitado o suficiente abri meus olhos, esperando ver meu quarto com o meu pôster bem na minha frente, mas tudo o que eu encontrei foi uma parede em branco. Me sentei e olhei ao redor, não estava em meu quarto e tinha um cobertor rosa choque me cobrindo. Franzindo o rosto, continuei a olhar o quarto.
O quarto onde eu estava era um tanto diferente do outro; enquanto aquele era bem clean, este era mais moderno. Suas paredes eram de um verde oliva muito bonito e o piso era de mogno bem envernizado. Tinha dois armários brancos de correr com dois espelhos de cada lado e camas arrumadas combinando.
“Estava bom de mais para ser verdade" pensei.
Me joguei de volta na cama e percebi que não estava com as mesmas roupas do outro dia. Estava com uma calça preta de moletom bem confortável e uma blusa branca básica.
– Pelo menos não é rosa — falei pra mim mesma
– O que não é rosa? — ouvi alguém perguntar.
Olhei para o lado e me espantei ao ver uma mulher sentada ao meu lado definitivamente me encarando com curiosidade.
Ela tinha compridos cabelos escuros e olhos curiosos, estava vestida com uma túnica cinza e seus gestos demonstravam uma graça incomum.
"Como pude não percebe-la aqui?", pensei ao ver a beleza dela.
– Não se assuste, estou aqui para ajudá-la.
– Quem é você?
– Sou Melissa Velarc, sua Mentora e professora da Academia de Londres.
– O que estou fazendo aqui? — perguntei, sentindo as lágrimas voltarem, sem consentimento nenhum, aos meus olhos.
– Olha, você não é mais a mesma garota que era ha alguns dias atrás.- ela falou.
"É claro que não, agora eu ouço vozes" pensei, mas não falei nada.
– Como assim? — perguntei, tentando desesperadamente controlar as lágrimas.
– Você foi transformada, querida — disse ela suavemente e com calma e, apesar de que minha vontade era de pedir pra ela ir direto ao ponto, me mantive quieta.
– E o que eu sou agora? — as lágrimas pararam, eu tinha conseguido. Yes! Ponto pra mim.
– Uma vampira — disse ela. Não tinha sido a primeira a me dizer isso, mas eu não conseguia entender.
– Não, deve ter algum engano. Eu sou normal! Apenas uma garota normal! — coloquei minhas mãos na cabeça, tentando pensar direito. Me lembrei do dia anterior, de Zenon, o diretor Corey e tudo o que conversamos.
– Pequena — sussurrou Melissa, colocando sua mão nas minhas costas. — Você tem que aceitar esse fato, dentro de alguns meses ninguém se lembrará de você. Seremos sua única ajuda quando isso ocorrer.
– Tudo bem — não sei no que eu estava pensando, mas se essa mulher quer me ajudar, eu não vou negar. — Então, isso é uma escola ou o que?
– É como se fosse uma escola — ela sorriu — Aqui, Novatos como você aprendem tudo o que precisam para sobreviver nesse mundo...
Ela me explicou como funcionava o sistema de horários, uniformes e me disse que esse era o meu quarto. Meu e de mais uma menina vampira que estava em aula. Quando ela me pediu pra falar sobre a minha vida antes daqui, eu contei as coisas básicas a ela, mas não dei detalhes. Minha mãe sempre dizia pra mim não contar nada da minha vida para estranhos e, pelo menos por enquanto, Melissa é uma estranha.
– Mas Melissa, por que eu escuto vozes? – perguntei depois de algum tempo.
– Vozes? – pergunta ela me olhando confusa.
– Com você não acontece mas ontem, eu encontrei um garoto vampiro em algum lugar daqui e eu conseguia ouvir ele falando, antes que ele falasse.
– Não estou entendendo, Ashley. Como assim? – disse-me curiosa.
– É como se eu pudesse ouvir os pensamentos dele.
– Bom, teremos que falar com o Diretor sobre isso. – disse ela pensativa.
"Que beleza, nem ela sabe! E agora?"
Ela saiu do quarto afirmando que iria falar com Corey e mandou que eu esperasse meu “guia” aqui. Ele iria me mostrar a Academia e eu estava mais ou menos ansiosa. Melissa me contou que ele se chamava Dilan e era o Novato de sua irmã, Layla, a qual eu conheceria no jantar.
Como não haviam muitos Novatos na escola eu teria aula junto com o pessoal que estava ali há um ano, e teria aulas particulares com Melissa, sobre os assuntos que eu "perdi" nesse primeiro ano.
Perguntei para ela o que mais existia aqui e ela me explicou que existem quatro tipos de Sobrenaturais: Os vampiros, os bruxos, os lobisomens e as fadas. E que aqui eu teria aula tanto apenas com vampiros quanto com os outros Sobrenaturais.
Me sentei na cama, pensando em como seria a minha colega de quarto. Ela estava em aula agora e pelo que Melissa me informou ela era americana também. Me senti aliviada, afinal não estaria sozinha. Passou-se alguns minutos até que eu ouvi:
"Como está meu cabelo? Será que ela vai notar? Não Dilan, se concentre, é apenas mais uma garota. Mas o que eu tenho que dizer? A sim! Oi eu sou o Dilan..."
Eu revirei os olhos sorrindo e me aproximei da porta. Os pensamentos pararam no mesmo momento em que eu abri a porta. Parei e olhei para ele. Dilan era um garoto muito bonito e sensual, com seus olhos verdes e cabelos escuros. Seus braços eram definidos por perfeitos músculos que ficavam expostos com sua camisa regata branca. E ele tinha um jeito arrogante, além da confiança estar presente em seu olhar. E em seus pensamentos também.
" Nossa, ela está ainda mais linda"
– O-oi, eu sou — ele limpou a garganta e me estendeu sua mão — Ahn eu sou Dilan.
– Ashley — apertei sua mão e sorri.
" Que sorriso lindo"
– Então, você é o meu guia? — perguntei.
"Sim"
– Foi o que me disseram — ele puxou os cabelos para trás e riu.
– Ótimo. — falei, eu não sabia o que dizer!
"E agora?"
– Ótimo.
– Ahn, vamos? — perguntei.
"Olha que cabelo mais lindo, e esse rosto, parece uma boneca"
– Ah, claro — ele respondeu depois que interrompi seus pensamentos. Que graça, ele está sem jeito. Fechei minha porta e sem perceber joguei meu cabelo para trás, era meio que um costume. E ele reparou nisso.
"Vou descobrir mais sobre ela."
– Então, Ashley você era daqui de Londres?
– Não, eu sou de Boston.
"Sabia!"
– E como é a vida lá na América?
– É diferente — ri com a pergunta dele. Ele se arrepiou com a minha risada.
– Diferente bom ou diferente ruim? — ele era curioso, já planejava as próximas perguntas.
– Hmm, acho que bom. Eu vim para Londres com uma excursão do meu antigo colégio, adoro pop e rock e minha cor favorita é azul. — respondi às próximas perguntas dele o surpreendendo. Estávamos andando e descendo escadas. Nao perguntei nada a ele, pois sabia que aqui era o prédio dos dormitórios, e que o meu andar era o quatro e o apartamento 44. Ele havia pensado tudo isso, então eu já sabia.
– Nossa. — ele disse um pouco confuso. Ele não sabia do meu dom, assim como não sabia nada sobre mim. Terminamos de descer as escadas e passamos por uma porta de vidro. Só então eu vi o céu e parei. Estava de noite e o céu estava escuro. Não se via uma estrela no céu e a lua brilhava atras de algumas nuvens. Encarei aquela linda cena e me esqueci que estava acompanhada.
"Porque ela parou?"
Olhei ao redor e o campo, como Dilan chamou esse lugar, estava vazio. Agradeci por ser horário de aula.
– Tudo bem? — ele perguntou e eu simplesmente assenti
Ele me explicou que esse pátio nada mais era do que isso: um pátio. ele me explicou onde ficava cada sala de aula e cada parte da escola e depois do tour me entregou um mapa e o meu horario de aula.
– E pelo visto nós iremos nos ver bastante — ele comentou — Temos três aulas por semana juntos, se você não for fazer nenhuma Extra
– Extra? — eu ri — O que é isso?
– São algumas matérias que você escolhe se vai fazer ou não — ele riu.
– Entendi — concordei ainda rindo. Ainda não tinha me acostumado com a aparência dele, mas sua voz já estava gravada em meu cérebro.
"Vamos lá, fale algo inteligente" ele pensou e eu ri. Estávamos andando de volta para o dormitório e ele estava mais próximo do que antes. Eu estava perdida olhando em seus olhos e não vi uma pedra e quase caí, me segurando nele.
– Opa — disse ele — Cuidado.
– Ahn.. Obrigada — falei, sentindo minhas bochechas corarem. O que foi isso? Eu nunca fui desastrada e vergonha? Sério, pra que? Eu estava indignada comigo mesma.
"Ela está tão perto que eu poderia beijá-la"
Ele se aproximou ainda mais de mim, seu olhar estava focado em meus lábios. Virei meu rosto e ele me ajudou a levantar
"No que você estava pensando, seu idiota, alguém como ela jamais lhe beijaria nessa situação"
Fingi que não escutei e continuamos nosso caminho até o dormitório em silêncio. Bom, quase.
" Por que ela não me olha?"
"Será que ela ficou brava?"
"Pelo menos estamos chegando"
Esses eram exemplos de pensamentos que eu tentava ignorar, afinal ele nem me conhece direito e já quer me beijar! Que absurdo!
Chegamos ao prédio e eu perguntei se ele queria subir, assim só por educação.
– Não, obrigado — ele disse e eu o olhei desconfiada — Sua colega de quarto, temos uma pequena "richa" por assim dizer.
Ele se despediu e foi saindo do prédio e eu tive que dizer:
– Ei Dilan — ele se virou e eu não sabia o que estava fazendo — Você estava errado. Garotas como eu te beijariam.
E subi as escadas correndo. Não acreditei que tinha dito isso e não consegui ficar ali por mais tempo, mas antes se sair juro que vi um sorriso em seus lábios.
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