Destinos Incertos
5 Why Just Her?
Notas iniciais
──Dilan on──
Depois que sai do dormitório, eu me sentei em um banco, no meio da grama verde, e comecei a sorrir ao lembrar do que a Ashley havia me dito : "Garotas como eu te beijariam" . Não entendi direito; Se garotas como ela me beijariam, por que ela não me beijou? Com isso na cabeça, o tempo passou e o sinal bateu para o intervalo. Fui em direção ao refeitório e lá estava cheio de gente, como sempre estava a esse horário.
– Hey Dilan — ouvi uma voz feminina me chamar. Me virei para e cumprimentei a dona da tal voz.
– Oi Scarlet — falei — Como foram suas aulas?
Pelo que eu me lembrava, nós tínhamos duas aulas juntos hoje, provavelmente vai me perguntar por que é que eu não apareci.
– Tranquilo. A Senhorita Stone passou um trabalho em grupo, se deu mal por faltar, bonitão. — ela riu e bateu em minhas costas enquanto Megan se aproximava da gente.
– Hey Dilan — disse, me cumprimentando também.
– Oi Meg. Como foi sua aula?
– Tranquila. Tem tarefa da aula de Astronomia.
Scarlet e Megan são primas, mas não é fácil contar a história dessas duas. Se a mãe delas fosse a mesma mulher, seriam gêmeas. Elas chegaram à Academia dois meses depois de mim, e se conheceram ali, no portão. Elas dividem o quarto e seus horários são iguais. Megan tem a pele bronzeada, seus olhos são negros assim como os cabelos e morou na Califórnia durante toda a sua vida. Scarlet é "pálida" devido aos anos passados em Liverpool, seus olhos são igualmente negros e seus cabelos castanhos chegam um pouco abaixo do ombro.
O Dimon de Megan era uma coruja chamada Morgan, cinza clara com pequenas pintinhas negras em suas plumas, seus olhos eram cor de gelo, realmente linda, enquanto o de Scarlet era uma cobra píton, de nome Molly, amarela e de olhos vermelhos penetrantes. Ambos os Dimons estavam com elas naquele momento, a cobra enrolada em sua dona e a coruja voando ao redor da sua.
Os Dimons são como se fossem animais de verdade, mas que podem se comunicar conosco, dando-nos conselhos e sendo nossos verdadeiros companheiros a qualquer hora, tanto do dia como da noite.
Cada Novato aprende desde que entra na Academia sobre os Dimons, mas só pode vê-los caso não tenham "donos", até o momento que um se conecta a você, criando um forte laço psíquico incapaz de se quebrar. A partir daí, o Novato vê qualquer Dimon de qualquer outra pessoa.
Os Dimons tem a capacidade de aumentar e diminuir seu tamanho a hora que quiserem, além de que cada um viverá o tempo de vida que o seu dono viver.
Eu, por já estar na Academia há um tempo relativamente grande, já tenho o meu; Trevor tem a aparência e o jeito de um forte Husky Siberiano, de olhos verdes e pelo mesclado entre marrom, preto e branco; além de ser um amigo e tanto, era astuto e divertido, o que nos deixava ainda mais próximos.
Elas são estudantes normais, apesar de tudo. Em seu horário constam aulas como magia, poções, voo de vassoura e coisas assim além das aulas comuns entre os Novatos.
Fiquei conversando com elas e nem percebi quando Niall apareceu do meu lado.
– E ai Dilan! – disse. Ele tem cabelos curtos e loiros, seus olhos são azuis e tem um rosto é como o de uma criança. É um feiticeiro muito poderoso, apesar de ser bem subestimado.
– Tudo certo? – perguntei por educação. Niall é daquelas pessoas em que não existe tempo ruim. Ele está aqui desde que eu cheguei e é meu colega de quarto. Conheço-o melhor do que qualquer outra pessoa. Ele consegue ser extremamente gentil com qualquer pessoa que passe por ele, até mesmo com vampiros. (Argh!)
Além de ter magia percorrendo o seu sangue, ele pode criar qualquer coisa que você queira em forma de pintura, sem se esforçar muito. Seus desenhos são realmente incríveis e é considerado o seu Dom.
– Sempre né? – disse ele e cumprimentou as meninas; pude notar que Scarlet ficou ruborizada, mas não comentei nada, só fingi que não vi.
Niall, como todos os feiticeiros, nasceu assim. Ele morava em Mullingar, na Irlanda e seus pais continuam lá até hoje. A Academia de Dublin sofreu um ataque algum tempo atrás e deixou de existir, desde então Niall estuda aqui em Londres. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu em Dublin, mas o que aconteceu lá terminou lá; só sabemos que foi grave quando todas as Academias do mundo dobraram a segurança de seus alunos e de seus campus.
– Ahn, Scarlet, eu fiz pra você – ele disse lhe entregando um papel. Nele uma rosa vermelha estava desenhada perfeitamente.
– Nossa! É tão linda! — disse, envergonhada — Obrigada.
– Me deixe fazer uma coisa — falou Niall. Ele segurou o papel com uma mão e colocou a outra dentro do papel, me aproximei para ver o que ele estava fazendo e vi a mão dele segurar o cabo da rosa e tirar ela do papel. Ela se tornara real!
– É um feitiço que aprendi hoje — disse ele depois de entregar a rosa para Scarlet, corando muito.
– É tão linda e cheirosa — disse Scarlet, mostrando para Megan que concordou com ela.
– Oi vocês. — disse Justin aparecendo de algum lugar e pegando Megan de surpresa. Justin é um lobisomem, assim como eu, e ele tem cabelos castanhos e olhos escuros e todas as meninas morrem de amores por ele.
– Vish, eu que não vou ficar aqui! — falei surpreendendo eles. — Muito romantismo pro meu gosto.
– Romantismo? — Scarlet quase gritou ao ouvir isso enquanto eu saia.
Mesmo perdendo o tempo com eles não conseguia para de pensar na pequena vampira Novata, tanto que esbarrei numa fada que saiu pisando duro. Elas são tão pequenas, fofas e delicadas, Argh! E pensar que já namorei com uma...
O nome dela era Perrie. Ela era francesa, tinha os cabelos tão loiros que quase pareciam brancos. Ela foi a primeira fada que eu conheci e eu lembro de ter ficado muito impressionado com a delicadeza e beleza dela.
Eu estudava em um colégio do meu bairro em Paris quando fui transformado e foi lá que nos conhecemos. Seus pequenos olhos claros me encantaram de súbito e eu aproximei dela, puxando papo e acabamos nos tornando amigos.
Com o passar do tempo ela começou a dar sinais de que gostava de mim quando tínhamos 12 anos ambos. Eu estava apaixonado pelo jeito delicado que ela fazia as coisas, tanto que em seu aniversário de 13 anos eu a pedi em namoro, reunindo toda a coragem que pude.
Nosso namoro teve seus altos e baixos; Brigamos muitas vezes, mas eu sempre voltei pra ela e ela voltava para mim.
Mas teve uma briga que foi a última gota. Eu tinha 16 anos e havia acabado de receber a carte da Academia de Paris. Ela estava por acaso dentro da minha mochila no colégio, eu e Perrie estávamos bem naquele dia e ela ficou na sala na hora do recreio, enquanto eu fui jogar bola.
Após o jogo, fiquei por último no vestiário, pois tinha esquecido o casaco lá. E foi aí que tudo começou; Ela entrou no vestiário, pisando forte, e parecia muito nervosa.
– O que foi Perrie? Aconteceu alguma coisa?- perguntei.
– Me diga você — ela disse erguendo a carta — Aconteceu alguma coisa, Sr. Walker?
– Onde você pegou isso? — falei, não acreditando que ela tinha mexido nas minhas coisas.
– Não interessa! — ela gritou. — Você sabe o que diz aqui? Sabe?
– Perrie, olha... Eu...
– Então me escuta — ela gritou de novo — "Nós da Academia de Iniciação de Paris, temos o prazer de informar que o senhor Dilan Louis Walker foi aceito para fazer parte de nosso programa de calouros para jovens lobisomens.”.
– Perrie, por favor, deixe-me explicar — respirei fundo. Claro que sabia o conteúdo da carta, apenas não sabia como reagir ao fato de ela ter descoberto.
– Você o quê Dilan? Não sabia que era lobisomem? — ela tinha raiva exposta em seus olhos. — Vai me falar o quê agora? Que isso é mentira? Que essas coisas não existem? Fale Dilan!
Antes que eu pudesse sequer pensar numa resposta, ela começou a mudar na minha frente e parecia nem estar notando a mudança; Sua pele adotou um leve tom de rosa de início.
– Vamos Dilan estou esperando — disse, enquanto pequenas partículas luminosas a rodeavam.
– Perrie, você está... — comecei, mas ela não me deixou terminar.
– Não estamos falando sobre mim Dilan. Eu sei que eu sou uma fada! Eu sei que mágica existe e você? Sabia que é um lobisomem? Sabia que se transforma toda lua cheia em um lobo e sai matando as pessoas ao seu redor? SABIA DILAN?
– Sim Perrie eu sabia! — acabo gritando, sem querer, e me estressando com ela. — Não estou entendendo o motivo disso! E daí que eu recebi essa carta? Eu não vou de qualquer forma!
Ela se espantou com o que eu disse e só então percebi suas asas pela primeira vez. Elas eram roxas, grandes e tinham finas espirais prateadas.
– Dilan, você não tem escolha. Isso tá errado... E-eu não posso ficar perto de você por mais tempo, eu sinto muito... — disse-me, retornando a sua aparência humana e saindo, parecendo triste e nervosa ao mesmo tempo.
E, após isso, ela terminou o nosso namoro oficialmente. Claro que eu fui para a Academia... E claro que eu a encontrei lá.
Ela foi cruel comigo, dizendo que eu havia mentido pra ela, e ela foi quebrando meu coração, pouco a pouco, até que me forcei a pedir desculpas pelas minhas atitudes, pois não consegui tirar aquela fada da cabeça...
E é, por esse motivo, que eu as evito ao máximo.
De repente, ao lembrar os delicados olhos claros da Perrie, me veio em mente o rosto da Ashley e eu um pequeno e suave suspiro escapou de meus lábios. Então, sem ao menos perceber o que fazia me vi andando em direção à outra parte do campus, aquela que eu evitava ao máximo, por ser a parte onde os vampiros viviam. Pensando num rosto pálido, suave e angelical, em cabelos longos e macios da cor do cobre e em olhos azuis marcantes, segui rumo ao quarto que, ao que parecia, era o da vampirinha. Usando meu faro apurado, senti o perfume dela e percebi que ela já se mudara da Enfermaria para o quarto. Minha vontade era de abrir a porta, puxa-la e beijar seus macios lábios vermelhos e carnudos.
Mas, se eu fizesse isso, não só estaria infringindo uma ou outra regra da Academia, como também havia um problema, que tinha nome, sobrenome e um cheiro horrível: Celina Edwards.
Essa garota é, simplesmente, a pior de todas as vampiras que poderiam existir. Eu e ela temos uma rixa que começou quando eu cheguei aqui.
Eu entrei para um grupo da Academia, onde todos eram lobisomens, enquanto ela era a líder de um grupo dos vampiros rival. Muitos dos nossos viviam provocando eles, até que um dia Cameron, um lobisomem do nosso grupo, estava provocando um Novato vampiro do grupo deles, o Yukiatsu, e eles iam começar a brigar quando Celina interrompeu.
Me aproximei mais para vê-la desafiando Cam e, não deixando ela fazer o que queria, eu disse que poderia "comprar" a briga dele; afinal, não era justo que ele enfrentasse a melhor vampira do grupo, sendo o Cameron um pouco atrapalhado.
Ela então me desafiou e eu aceitei. Marcamos o lugar e a data; desafio ela escolheria. Então me preparei para qualquer coisa, tudo o que ela pudesse e não pudesse fazer.
Ao chegar lá, ela me propôs um lançamento de facas, o que aceitei na hora; sempre fui bom nisso, desde que aprendi a usa-las, eu aprendi a joga-las também. Jogamos e empatamos, todas as vezes que eu acertava, ela o fazia também. Por não conseguir derrotar Celina, acabei sendo expulso do grupo, assim como ela foi do grupo dela, através de uma votação entre os membros do grupo.
Por que a Celina teve que ser a colega da Ashley?
Por que justo ela?
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