Destinos Cruzados
1 Capítulo 1, Coincidência...
Notas iniciais
Cairns, Austrália, 00h05min da madrugada...
Ás vezes ela se perguntava o porquê de sua vida não ser diferente. O porquê de não ter terminado o segundo grau e não ter ido para uma faculdade prestigiada fazer sua tão sonhada Medicina e o porquê de não ter uma vida normal, o porquê de não estar casada com o amor de sua vida. Mas, então, ela pensava que o melhor era não se perguntar, por que no final nada mudaria. No final ela continuaria sentido falta do que poderia ter sido e não era; no final ela continuaria sentindo a falta dele. E também ela já sabia as respostas para todas aquelas perguntas. Ela sabia quem era o culpado. A pessoa que causara todos os seus problemas. Ele possuía um nome, um rosto e um só objetivo: Destruir sua vida. Mas ela só não entendia o porquê dele, Sasori, ter essa obsessão doentia por ela. Ela não era especial, ela não se sentia especial. Ela sempre fora tão normal... Comum demais até, exceto, talvez, por seus cabelos róseos e sua testa um pouco grande demais. Claro que as pessoas falavam que ela era bonita, elas até diziam que ela era linda... Parecida com uma boneca de porcelana delicada... Eles diziam. Mas ela não dava atenção... Ela nunca dera atenção, exceto, talvez, quando ele dissera. Ele, o único homem de sua vida... De seu coração. Sasuke Uchiha. Ela se lembrava com nitidez quando ele lhe dirigira a palavra pela primeira vez. Era como se revivesse aquela cena cada vez que se lembrava. Ela estava na sétima serie do primeiro grau e ele no segundo ano do segundo grau. Ela estava sozinha na biblioteca da escola estudando, e ele chegara e trancara a porta, ela havia ficado com medo na ocasião, então ele a olhara com olhos negros misteriosos e lhe dissera com um sorriso prepotente nos cantos dos lábios que ela era... Bonita... Diferente... E que ele a queria para si. Ela se sentira tão feliz, por que ela também o queria. Ela sempre o quisera, desde de seus dez anos de idade, quando o via passar pela rua onde morava... Ela era apaixonada por ele desde a primeira vez que o vira. Ela vivera um conto de fadas ao lado dele, então num passe de mágica tudo se acabara. Ele fora embora sem dizer adeus ou se explicar, e ela ficara sozinha. Era estranho o modo como ainda se lembrava dele. De cada detalhe dele. Já havia se passado tanto tempo, nove anos para ser exata, nove anos desde a última vez que se falaram. Mas talvez não fosse tão estranho assim, por que afinal ela tinha do seu lado uma cópia exata dele. Com os mesmos cabelos negros e rebeldes, olhos ônix e pele clara, chegava até ser engraçado o modo como até o humor deles eram parecidos. Calados e irritadiços...
O telefone na sala tocou. O toque era baixo. Mas ela escutou, ela sempre escutava. No quinto toque ela atendeu e o que ouviu a fez gelar. “Ele a encontrou... Dez horas até que ele chegue a vocês” — Uma voz baixa falou ao telefone. – “Seus passaportes e passagens estão na “gaveta”, seja rápida”. Sakura estava tremendo quando desligou o telefone celular. “Não, isso não poderia estar acontecendo...” Ela havia feito tudo direito, as identidades falsas, as lentes de contato, a peruca... Ele não podia tê-la encontrado. Aquele pesadelo não deveria mais acontecer, ela havia acreditado que o disfarce era perfeito, ela havia acreditado que ele desistiria, que ele a deixaria em paz depois de três anos. Mas não, o pesadelo era real e estava mais próximo do que nunca. Exigindo o próprio autocontrole, ela voltou para o quarto e olhou para a cama. Seu medo se transformou em obstinação quando fitou o ser sobre ela. Seu filho. Sua única razão de viver. Era por ele que ela vivia de cidade em cidade, era só por ele que ela trocara de nome, era só por ele que ela vivia fugindo como se fosse uma criminosa. Era só por ele que ela não desistia e por ele ela nunca desistiria. “Kenshin...” Ela o chamou apressadamente. Ele abriu os olhos negros sonolentos e a fitou confuso. “Temos que ir... Pegue sua mochila depressa.”. Ao contrário do que se espera de uma criança de nove anos, ele não se queixou ou perguntou o porquê de estar se levantando tão tarde. Como se estivesse habituado àquela rotina, ele se levantou e seguiu direto para o banheiro. Trinta minutos depois eles pegavam um taxi em direção à estação de trem.
Sakura usava uma peruca de cabelos longos e negros e escondia os expressivos olhos verdes com um par de lentes de contato na cor marrom. Chegando à estação de trem, Sakura pegou os passaportes e identidades com nomes falsos que estavam guardados nos cofres públicos e seguiram para o Aeroporto de Cairns para embarcarem em direção à cidade de Sydney. Três horas depois desembarcava, tensa, com um Kenshin sonolento ao seu lado e seguia em direção a uma locadora de automóveis.
“Para onde vamos?” A voz baixa e infantil de Kenshin a fez desviar a atenção da estrada para olhar pelo retrovisor e fitá-lo. “Vamos ficar com Shizune-san por um tempo” Disse. Ela reparou pelo retrovisor quando os olhos escuros de Kenshin se cerraram em desaprovação. “Não acredito que não esteja com saudades da Shizune-san, ela vai ficar muito feliz ao te ver.”. “Ele não irá nos achar de novo, não é mesmo, mamãe...?” O medo na voz dele fez o coração de Sakura se apertar, e ela quase deixou as lágrimas rolarem por sua face. A primeira vez que Sasori a havia descoberto Kenshin tinha cinco anos de idade, Sasori lhe dissera que deixaria o garoto ir, contanto que ela ficasse com ele, no dia aceitara a oferta na hora. Ela nunca colocaria a vida de seu filho em risco. Uns dos capangas de Shizune levara Kenshin para um local seguro enquanto Sasori a levava para sua mansão. Sakura só conseguira fugir de Sasori duas semanas depois. Quando tivera certeza que Kenshin estava seguro. Ela nunca contara a ninguém o que havia acontecido durante as semanas em que ficara sob a mercê dele. Ela se lembrava muito bem de como Kenshin ficara abalado quando a viu. Ela estava muito machucada, e ele muito assustado, com medo de que ela o deixasse de novo ele a fez prometer que nunca o deixaria sozinho novamente. E ela prometera. Ela iria cumprir essa promessa, custasse o que custasse. “Não, ele não irá nos achar.” Ela sussurrou. E lhe deu um pequeno sorriso. Como se o destino zombasse de suas palavras, Sakura percebeu quando um carro preto começou a segui-la. Ela tinha certeza que deveria ser algum dos homens de Sasori. Aumentou a velocidade do carro e quase agradeceu por a estrada estar vazia àquela hora da madrugada. “Kenshin, quero que fique abaixado.” Mandou. “A mamãe vai correr.” Em um momento ela estava deixando seu perseguidor para trás e no outro ele estava esbarrando no seu carro, tentando jogá-la para fora da pista. Ela pisou com mais força no acelerador, aumentando a distância entre os carros. Cem metros a frente havia uma curva extremamente
perigosa que dava para um precipício. Ela conhecia aquela curva, muito bem por sinal, e foi por isto que ela acelerou mais. O carro derrapou quando entrou na curva a mais de 180km por hora, indo parar na contra mão e por pouco ela não caíra lá em baixo. Entretanto, seu perseguidor não teve a mesma sorte ao tentar fazer a curva em alta velocidade e caíra no precipício. “Você está bem?” Sakura perguntou, enquanto sentia a adrenalina correr por suas veias e reduzia a velocidade do carro. “Sim...” “Isso é bom por que nós estamos...” Não teve tempo de terminar a frase, pois seu carro quase colidiu com outro que vinha em sentido contrário ao seu. No desespero em desviar acabou saindo da pista e batendo em uma árvore. “Kenshin...” Foi a única coisa que conseguiu pronunciar antes de tudo se apagar. *** Sydney, Austrália, 04h30min da madrugada.... Sasuke Uchiha não estava em um dia bom, ou em uma madrugada boa. Estava retornando da festa de aniversário que seu irmão Itachi havia preparado para ele quando de repente um carro que vinha na contra mão quase colidiu com o seu. Freou o carro bruscamente quando viu que o outro veículo bateu contra uma árvore. Em instantes ele estava fora de seu carro, acionando o resgate, enquanto seguia em direção ao carro acidentado. Com a ajuda de uma lanterna ele conseguiu ver o interior do carro. “Droga...” Praguejou quando viu que havia uma criança no banco de trás, lutando contra o cinto que o prendia seguramente no banco. O garoto gritava, ele percebeu. No banco da frente havia uma mulher, ele não conseguia enxergá-la direito por causa do aibarg, ele conseguia ver parcialmente fios rosas misturados a negros. Aquele tom de rosa no cabelo dela... “Sakura... ”.
Continua...
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