Destinos Cruzados
2 Capítulo 2, Surpresa...
Notas iniciais
Sydney, Austrália, 17horas e 35minutos...
Ele estava mais calado. Apesar de que ele sempre o foi. A expressão estava mais fechada que o normal e o olhar distante. Perdido em pensamentos Sasuke estava.
“Sakura” Ele sussurrou o nome dela sem nem ao menos perceber.
Nove anos que ele não a via, nove anos que ele não sabia nada a respeito dela, nove anos em que ela saíra de sua vida, e de repente ela aparecera do nada e agora estava ali, inconsciente, em uma cama no quarto do décimo andar do hospital.
Os médicos disseram que ela não corria risco de vida e que acordaria a qualquer momento. Por sorte a batida não fora forte o suficiente para causar muitos danos.
Coincidência ou destino? Ele se perguntava. Não, ele não acreditava em destino. Talvez, sim, uma grande coincidência ela quase bater no seu carro no meio da estrada com uma criança no banco de trás. Uma criança que era o mesmo que se ver dezenove anos atrás.
Ele se aproximou da cama onde Sakura estava. Ela não havia mudado quase nada durante aqueles anos, ele percebeu... Ela ainda era bonita... Muito bonita. Com os mesmos traços delicados e femininos de quando ainda era adolescente.
Mas ele sabia que aquilo tudo era só fachada, ele sabia que ela não era mais uma menininha inocente. Agora ela era uma mulher, uma mulher que usava identidades falsas e tinha um filho... Um filho no qual tudo indicava que era seu também.
Sasuke havia se responsabilizado por tomar conta do garoto quando a policia chegou para fazer a ocorrência. Claro que ele só conseguira por que havia quebrado “muitos galhos” para o diretor geral da policia local quando era um agente do Serviço Secreto Australiano. Se não fosse por isso, o garoto com certeza estaria esperando a mãe acordar para ir buscá-lo em um orfanato qualquer da cidade.
“Kenshin” Ele falou baixo. Sasuke não sabia o porquê, mas gostava do nome, ele achava que combinava com o garoto.
"Ela é a minha mãe." O garoto dissera em meio às lágrimas quando lhe perguntara quem era a moça dirigindo o veículo. Depois o garoto não falou mais nada.
Sasuke percebeu que o garoto era esperto quando o mesmo se recusara a responder qualquer pergunta sobre si e sua mãe. “Quem é o seu pai?”, “Por que sua mãe estava usando peruca e lentes de contato?”, “E por que ela estava usando um nome que não era dela?” Nenhuma daquelas perguntas o garoto respondeu. Somente dissera que tinha que ligar para sua tia para que ela viesse buscá-los. Sasuke oferecera o seu telefone para o garoto ligar, mas este recusou e usara um aparelho celular que havia dentro da mochila que carregava.
O garoto havia acabado de pegar no sono sobre o sofá quando Shizune chegou. Ele havia ficado o tempo todo ao lado da mãe depois que ela fora liberada para o quarto. Ele não havia tirado os olhos dela nem um segundo sequer, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer momento.
Aquela não era uma criança normal. Sasuke pensou. Ele parecia adulto demais para sua idade.
“Sasuke-san.” Shizune o cumprimentara.
“Shizune.”
“Como Sakura está?” Ela lhe perguntara.
“Duas costelas trincadas, ela deve acordar a qualquer momento.” Sasuke repetiu as palavras do médico.
“Eu agradeço por ter tomado conta de Sakura e Kenshin até agora.” Shizune disse. “Mas agora que eu cheguei você não é mais necessário, eu tomo conta deles daqui em diante.”
Um sorriso sarcástico enfeitou a face de Sasuke quando ele fitou Shizune. “Acha mesmo que irei sair daqui sem ter algumas respostas?” Ele perguntou sério.
“Não há nada que seja da sua conta aqui, Uchiha, cuide de seus assuntos.”
“Esse garoto é assunto meu.”
“Você não vai ter as respostas que procura, Uchiha.”
“Ah, sim, eu vou.” Disse ameaçadoramente. “Nem que eu tenha que arrancá-las.”
***
“Parece que você quer fazer sexo com ela.” A voz irônica de seu irmão Itachi se fez presente no quarto. “Se os médicos te pegarem a olhando assim, vão te colocar pra fora.” Sasuke ignorou a brincadeira. “Onde esta o garoto?” Perguntou.
“Está com Naruto, aquele desmiolado tem jeito com crianças.”
“E Shizune, onde está?”
“Estou aqui.” Os dois pares de olhos ônix se viraram para encarar a mulher de olhos amendoados. “Uchiha-san...” Ela disse.
“É melhor você me deixar ficar com Kenshin enquanto Sakura se recupera, ela irá preferir assim...”
“Você não vai levá-lo.” Sasuke a cortou. “Ele vai ficar comigo.”
“O que te faz pensar que tem algum direito sobre...”
“Ele é meu filho.” Sasuke rosnou. “Quero você e sua corja de mafiosos longe dele...”
“Eu e minha corja de mafiosos somos o que manteve Sakura e seu filho vivo até hoje...” Ela rebateu no mesmo tom, se arrependendo no mesmo instante. “Maldito Uchiha.” Ela praguejou alto quando percebeu que havia mordido a isca.
Sakura nunca iria perdoá-la se soubesse que revelara seu segredo para ninguém menos que Sasuke Uchiha.
“Em que Sakura está metida para precisar da proteção de mafiosos para si e para meu filho?”
“Isso não é da sua conta e nem da sua responsabilidade.”
“Ele é minha responsabilidade a parti de agora.”
“Sakura não irá aceitar isso...”
“Sakura perdeu o direito assim que bateu naquela árvore com o meu filho dentro do carro.”
“É melhor vocês se retirarem” A enfermeira disse quando entrou no quarto. “A paciente precisa descansar e vocês estão falando muito alto.”
Sasuke tinha um sorriso prepotente e sem humor nos lábios enquanto saía do quarto em direção ao saguão do hospital. Um filho... Ele tinha um filho. Um garoto... Seu garoto... Kenshin.
Ele não sabia o que sentir com aquela constatação. Não sabia se sentia-se feliz... Ou irado... Irado com Sakura. Com que direito ela lhe escondera durante todos aqueles anos a existência do filho...? De seu filho... O filho deles.
“Acha mesmo que o garoto é seu?” Itachi perguntou enquanto seguia o irmão.
“O que você acha?” Sasuke ironizou.
“Um DNA resolveria essa questão rapidamente.”
“Eu só preciso da confirmação da mãe dele para ter certeza que ele é meu.”
“A arrogância e o mau gênio são idênticos ao seu, fora a aparência.”
“Hn...”
“O que você pretende fazer em relação ao garoto?”
“Se o garoto for um Uchiha, ele ficara com a família Uchiha.”
“Em relação à mãe dele, o que você pretende?” Sasuke inspirou profundamente antes de responder a pergunta de seu irmão.
“Não sei.” Mentiu. Na realidade ele sabia muito bem o que fazer. Ele já sabia o que fazer antes mesmo de ter a certeza que Kenshin era seu.
***
Sydney, Austrália, 19 horas e 07 minutos...
Quando abriu os olhos, estranhou o local. Branco. Tudo era branco, e havia também um cheiro forte e desagradável. Cheiro de hospital.
Quando ela se deu conta que estava em um hospital tudo que havia acontecido veio em sua mente como em um filme: A ligação, os passaportes, perucas, lentes de contato, viagem, a locação do carro, a perseguição e o... Acidente.
“Kenshin” Foi a primeira palavra que ela disse quando se lembrou do acidente. Com medo do que poderia ter acontecido a seu filho ela tentou se sentar, mas foi impedida por mãos firmes.
“Acalme-se, Sakura-chan.” Shizune pediu. “Você não pode se mover tão depressa, você acabou de acordar de um acidente e...”
“Kenshin...” Sakura a cortou. “Onde está Kenshin?” Perguntou, entrando em desespero.
“Ele está bem...” Shizune tentou tranquilizá-la.
“Onde está meu filho, Shizune?”
“...”
O silêncio de Shizune quase a enlouqueceu.
“Onde está meu filho, Shizune?” Gritou.
“Ele está comigo.”
Sakura desviou sua atenção para a porta ao ouvir a voz da pessoa que ela nunca havia esquecido, e que nunca pensou que fosse encontrar novamente.
“Sasuke...”
Continua...
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