Destino abstrato
2 O psicológo
Notas iniciais
Ao abrir seus olhos Aislin deparou-se com um tom de azul muito limpo, ela estava deitada sobre uma grama alta e macia, haviam muitas árvores, flores e frutos, o que deixava aquele lugar mais belo; era como se ela estivesse em uma floresta mágica, em um mundo que não poderia ser real.
A garota levantou a fim de explorar o local que se encontrava. Crianças brincavam por toda a parte, apenas não brincavam entre as árvores mais ao centro do local, onde havia uma grande trilha; curiosa ela decidiu pegar o caminho da trilha e trombou com um senhor que estava parado em uma fila imensa, não podia-se ver o inicio dela. Curiosa questionou o homem:
— Por que tem tanta gente nessa fila? — O homem apenas sorriu e permaneceu em silêncio.
— Eu não entendi, você poderia por gentileza me dizer o porquê está nessa fila? — Ela tentou manter a calma com o desconhecido, apesar de ser pavio curto.
Logo atrás dela chegou um garoto próximo da sua idade, seu rosto expressava melancolia extrema, seus olhos pareciam cansados e estavam prestes a transbordar. Aislin tentou se comunicar com o garoto, mas ele apenas continuou com seus olhos fixos no nada, era como se estivesse imerso em pensamentos. Ele lhe transmitia uma sensação ruim, era como se ela entendesse completamente todo o sofrimento dele, esse sentimento a consumia aos poucos sem ao menos ela entender o porquê.
De repente notou que todos na fila olhavam o garoto que passava, ele tinha cabelos pretos, uma pele extremamente clara, seus olhos eram da cor do mel mais puro, ele era magro e alto; ao contrário do garoto atrás dela, ele transmitia grande energia e força, mas o mesmo tempo sua expressão fria a intimidava.
— Você está no lugar errado pequena alma atormentada, estou cheio de serviço. Então apenas mandarei alguém te guiar até o caminho certo. — "Ele é um Deus ou algo assim?" esses eram os pensamentos dela na hora, afinal todos o olhavam admirados e ele chamou o garoto de "alma atormentada."
— Moço de óculos me dá uma ajuda aqui, eu to perdida. Onde é que eu estou? — Ela puxou a manga da camiseta branca do "garoto Deus" e todos olharam a cena com espanto.
— Primeiramente eu sou um guia, quero respeito de uma novata. Segunda coisa: Não me toque.— O garoto bruscamente mexeu o ombro para que ela soltasse.
— Ah sim, então senhor guia esquentadinho me responda agora! Onde é que eu estou?
— Terá que esperar como todos para fazer sua pergunta. Na verdade, por seu comportamento você vai guiar essa alma até o abismo. — Ele colocou o garoto instantaneamente dentro de um vidro estranho, o que certamente a assustou. Agora tinha certeza de que estava em um sonho depois do que presenciou.
— Agora além de guia é iludido. Que parte do "Onde é que eu estou?" você não entendeu? — Aislin sem paciência começou a falar ironicamente e aumentando o tom de voz, o que só irritou mais o guia.
— Depois que eu atender todos eu respondo sua pergunta, agora vá até o inicio da trilha e jogue esse vidro no abismo. Estou sendo educado, deveria me agradecer; agora se me dá licença eu preciso atender toda essa gente. — O garoto não deu chance para que ela o respondesse. Então respirou fundo e foi procurar o abismo.
O caminho parecia mais longo, o que logo a fez pensar que o guia o aumentou para que ela caminhasse mais. No caminho atentamente observava o vidro em suas mãos onde aquele garoto estava e mesmo sem vê-lo seu peito doía, sua visão ficava turva toda vez que lembrava do olhar que o menino carregava consigo. Depois de dez minutos andando caiu de joelhos extremamente ofegante, não estava cansada, mas algo simplesmente consumia toda sua energia; estranhamente já havia anoitecido e tudo parecia perder o sentido para Aislin. "O dia teria passado em vinte minutos?" "Por que o garoto da garrava me fez querer chorar?". Essas perguntas ecoavam em sua mente sem parar enquanto estava no chão sem forças para continuar.
— Eu sabia. — O guia surgiu de trás de uma árvore. — Você morreu como ele. — Ele pegou o frasco caído no chão e levou para o abismo que surgiu no nada.
— Morri?! — Aislin estranhamente recuperada levantou-se rindo. — Você é mesmo um garoto engraçado, eu estou sonhando e não estou morta.
— Bem vinda a vida após a morte, você terá que aguardar para renascer. — O guia disse sorridente.
— Ah claro, e aqui é o paraíso?! Você é um anjo?! Meu Deus, que sonho louco...
— Você não percebeu até agora? Sua voz é outra, seu corpo é outro, seu cabelo; tudo em você é da sua próxima vida.
— Ah claro, eu super me olhei em um espelho no meio do nada. Além disso, eu posso sonhar que sou outra pessoa.
— Tão teimosa. Eu até mesmo adiei minhas consultas para observar uma suicida, já que não é comum que almas atormentadas venham para cá. — Ele respirou fundo. — Qual é seu nome?
— Eu não tenho interesse em caras como você, nem tente puxar assunto! — Ela riu.
— Não me interesso por pirralhas, apenas diga seu nome. — Seu olhar tornou-se mais sério, o que a assustou um pouco.
Ao tentar dizer seu nome as palavras não saíam, ela não se lembrava de seu nome. Tentou então lembrar outras coisas e nada chegava a sua mente, estava completamente assustada, seus olhos logo de encheram de lágrimas e sem reação apenas voltou a sentar na grama macia; começou a olhar para o guia e repetiu em voz alta:
— É um sonho, é apenas um sonho. Eu estou viva, eu estou feliz com as pessoas que amo. — A cada palavra que dizia era como falar adeus para sua sanidade, estava enlouquecendo.
O garoto aproximou-se dela e com seu dedo indicador tocou levemente sua testa, o que instantaneamente lhe trouxe algumas imagens perturbadoras. Havia muito sangue, lençóis completamente manchados, uma faca e uma garota morrendo aos poucos.
— O anjo, ele soltou minha mão. — Os olhos dela estavam ainda completo de sentimentos ruins e confusão. — Até mesmo ele.
— Todos culpam seu anjo da guarda quando chegam aqui, mas na verdade quem os empurram são os demônios. Não precisa ter medo, você é uma exceção; raramente quem se mata acaba tendo a chance de estar aqui.
—Ele não era um anjo, ele era alguém. Não me lembro do rosto dele, não me lembro nem da sua voz... eu quero vê-lo novamente.
— Esse é seu desejo? — Ele sorriu e a levantou gentilmente.
— Eu acho que sim, eu penso que pode ser ele o motivo de eu estar sonhando com tudo isso.
— Acho que a realidade ainda é difícil de aceitar. — Suspirou.— De qualquer forma, eu sou um psicólogo e posso te ajudar com isso, desde que prometa ouvir minha história.
— Psicólogo? Pensei que era um guia.
— Eu guio as pessoas para sua próxima vida ao ouvir o que elas se lembram de sua antiga vida, que geralmente é sobre um sonho que não foi realizado, mas todos somem antes que eu conte minha história. Como você não se lembra bem, acho que pode me ajudar.
— Então você é só um garoto como eu? Por que esse tratamento todo especial?! — Ela estava desconfiada, pensava que aquilo era como nos filmes onde os heróis escondiam sua identidade
— Estou há tanto tempo sem renascer que acabei sendo nomeado guia e psicólogo, muitos acreditam que eu nunca terei meu sonho realizado, e como castigo pela eternidade verei as pessoas indo para a próxima vida realizarem seus sonhos e eu ficarei para trás.
— Não sei se Deus seria tão cruel com você... mas qual o seu sonho?
— Eu quero encontrar um anjo também, mas para isso preciso te contar tudo o que sei. Você promete não sumir? — O olhar dele tornou-se ainda mais sério.
— Como esse é meu sonho e eu mando em tudo, então eu te ajudo sim. Além disso, te darei um nome, seu nome será Thomas. — Ela estava sorrindo novamente, voltando a sentir-se calma com a ideia de que tudo era apenas um sonho.
— Se eu aceitar ser um personagem seu me ajudar, feito. Sou Thomas a partir de agora.
— Quero que me chame de Lana, gosto do nome! Acabei de pensar nele.
— Tanto faz isso, não é uma peça de teatro para dar nome a tudo. Vou começar a contar, e por favor não sinta pena da minha miserável história de vida.
~Continua~
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