Essa história começa ainda na infância de Thomas, com uma inocente amizade que com o passar do tempo tornou-se uma obsessão. O motivo de sua obsessão tinha cabelos negros, curtos e levemente ondulados, tinha uma pele levemente bronzeada, olhos castanhos esverdeados, ela era magra e baixa; vamos chamá-la de Ana, já que ele não se lembra do nome dela.

A amizade deles começou cedo, eles eram a única companhia um do outro desde o jardim de infância já que tinham muito em comum. Ambos amavam explorar e descobrir um pouco do universo ao seu redor, seus professores sofriam para explicar o porquê de todas questões que ambos tinham. A infância deles sem dúvidas foi muito abençoada, mas todo esse paraíso começou a desmoronar conforme o tempo passava. Com onze anos começaram a se afastar devido a comentários dos colegas de classes dizendo que eles eram doentes e estranhos por ficarem juntos dessa forma e que aquilo não era certo; no fundo do seu coração Thomas era consumido pela culpa de ser próximo daquela forma de Ana, ele sabia que aquele seu sentimento não era normal, ele não apenas a queria por perto como queria ser o único na vida da garota.

Afastados aos poucos e entrando na fase mais confusa de suas vidas, viviam em conflitos. Ele tinha certeza de que Ana também sofria com a distância criada entre eles pelo estranhamento das pessoas ao seu redor, mas sempre que tentava se aproximar ela fugia, a garota preocupava-se muito com o que as pessoas pensavam; ao contrário dele ela nunca soube lidar com a culpa que sentia por ter tal proximidade, assim como ele estar perto machucava, e sempre que tentava se aproximar as palavras negativas das pessoas vinham a sua cabeça e cada vez ecoavam mais alto.

Quando completaram quatorze anos quase completamente afastados decidiram manter aquela amizade em segredo das pessoas. Aos finais de semana dormiam na mesma casa e seus pais adoravam aquele vínculo entre os dois, assim como na infância o final de semana era como um paraíso. Ambos com o passar do tempo queriam cada vez ficarem próximos, queriam poder sorrir juntos e caminhar lado a lado sem ouvir que a relação que tinham era estranha, mas esse sonho estava cada vez mais caminhando para tornar-se um pesadelo.

Chegaram ao primeiro colegial, turmas separadas e a amizade secreta ainda era mantida. Um dia antes das aulas voltarem Ana combinou de saírem da escola juntos, o que Thomas não esperava era a notícia que receberia aquela noite; as palavras que ouviu foram como levar um tiro, e nem mesmo ele entendia porquê aquilo o machucou tanto.

— Eu dei meu primeiro beijo com o Nicholas. — Ele era vizinho dela, eles tinham certa proximidade devido a esse fator, mas a vontade de Thomas ao ouvir tais palavras era de socar a primeira coisa que visse, ele nem ao menos conseguia mais encarar Ana.

— Parabéns. Estão namorando? — Ele nem ao menos sorriu ou olhou para o rosto dela, estava engolindo todas as palavras que queria dizer enquanto sua mente entrava em colapso.

— Não, foi apenas para matarmos a curiosidade. É engraçado porque os dentes batem, mas foi bem estranho. — Ela fez uma pausa. — Agora só falta você, escolha bem a garota, de preferência uma experiente para que não seja ruim como o meu foi.

— Eu não ligo pra essas coisas, estou no colegial agora. Se eu quiser me dar bem na vida meu único objetivo tem que ser entrar em uma boa faculdade. —Ele permaneceu sério. Isso a intrigou muito, então que decidiu mudar de assunto ao perceber o clima estranho que havia criado ao dizer tais palavras.

— Desculpa, eu não queria te deixar bravo. — Sua voz tornou-se triste, ela odiava quando as expressões felizes que geralmente eram predominantes nele iam embora por sua causa.

—Não se preocupe, você é minha melhor amiga. Dá próxima me conte também quando transar, me conte até as posições que fez. — Ele falou em um tom grosseiro e a cada palavra seu tom de voz aumentava.

— O que está acontecendo contigo?! Eu apenas quis compartilhar com você porque é meu melhor amigo, qual o problema em eu sair com outros garotos?

— Nenhum, faça a porra que você quiser. —Ele deu as costas para ela.

— Foi por isso que eu me afastei de você, você pensa que é dono da minha vida. Esqueça amanhã e todos os outros dias... —Ela tentava conter as lágrimas. — Thomas voltou para trás e a envolveu com um abraço, ficaram ali no silêncio abraçados por um tempo. As discussões sempre acabavam assim, com um abraço, com uma demonstração de afeto e por fim o silêncio.

As aulas iniciaram e nada havia mudado, assim como no ensino fundamental eles eram próximos apenas aos finais de semana. Tudo estava ocorrendo bem, até que chegou certo final de semana, era março e como de costume dormiam na mesma casa, falavam coisas sem sentido um ao outro devido a bebida que roubavam de seus pais; naquela noite foram ditas as palavras que Thomas jamais esqueceria.

— Thomas, eu quero muito... — Ela se aproximou dele que estava deitado na cama olhando para o teto, e deitou-se ao seu lado.

— Você é fraca com bebida. — Ele riu e começou a fazer um cafuné em seus cabelos. — Suas expressões quando eu faço cafuné são as mesmas de quando éramos crianças.

— Eu não sou mais criança, eu estou crescendo... — Ela deitou-se sobre o peito dele fechando os olhos.

— Para os lados, porque você continua pequena. — O silêncio predominou, provavelmente ela havia dormido.

— Eu gosto de você. — Ela disse com uma voz sonolenta enquanto agarrava forte a blusa que ele usava.

— Eu também gosto de você. — Thomas sorriu enquanto fitava o rosto cansado dela.

— Não assim. — Ela subiu em cima dele ficando em uma posição que o deixou sem reação. —Eu estou apaixonada, não é óbvio?!

— É óbvio que você está bêbada, isso sim! — Thomas tentava disfarçar, mas aquelas palavras fizeram seu corpo todo arrepiar, seu coração acelerar e aquele sentimento de culpa o consumia, ele acreditava ter estragado a vida dela ao ouvir tais palavras.

— Eu posso dizer isso até amanhã, eu sei que é verdade. — O silêncio novamente preencheu o quarto. quando se deram conta estavam envolvidos em um beijo profundo, suas mãos estavam entrelaçadas, lágrimas caíam dos olhos da garota, era a culpa de estarem envolvidos de tal forma. O beijo que era pra ser doce logo tornou-se amargo e nojento para ambos que se afastaram com expressões tristes.

~continua~

Notas finais
Até o próximo cap ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.