Notas iniciais
Amores! Me desculpem, deu treta aqui na internet, enfrentei um bloqueio criativo que durou quase dois dias, um gato com heterocromia apareceu aqui em casa e bagunçou tudo, mas estou de volta! Minha ideia era de postar dois capítulos hoje para compensar, mas como eu tive um bloqueio criativo muito malvado, só consegui escrever um, desculpem de novo, boa leitura pra vocês, espero que gostem. :3

Acordei, eram seis horas, tinha combinado com o Enzo de me encontrar com ele na portaria as seis e meia para podermos ir a escolas juntos, nós já íamos juntos, só que nunca combinávamos, tive que tomar banho correndo, meu uniforme reserva estava em algum lugar do guarda-roupa, a camisa estava amassada tive que passar, a saia quase não fechava, fazia quase um ano que eu não a usava, na volta tinha que passar na casa da Senhorita Yuuko, para pegar o uniforme que ela concertou, vou comprar um bolo pra agradecer a ela já que não tive como agradecer ontem, quando acabei de me vestir já eram seis e vinte e cinco. Café da manhã? Um copo de suco de laranja de caixinha e uma torrada, levemente queimada, com geleia de uva, desci as escadas correndo com a torrada na boca, cliché mas aconteceu, no segundo andar eu, literalmente, trombei com o Enzo e o derrubei, ele e eu moramos no quinto andar. Me desculpei e ajudei ele a levantar, minha torrada caiu no chão, lamentável, perdi metade do meu café da manhã, saímos juntos do prédio até a escola, quando passei na frente da casa da senhorita Yuuko tive a impressão de ter visto um gato branco felpudo que nunca tinha visto lá antes, não lembro de ela ter gatos brancos, só pretos e cinzas um amarelo muito fofo que eu gosto de chamar de Len.

Como sempre fomos andando pra escola, conversando sobre como o professor de Matemática era legal em comparação ao assunto que ele ensinava, o Enzo deveria ir a uma viagem de campo no fim do ano junto com toda turma do terceiro ano, ou seja, Emily e suas ovelhas, e metade dos atletas dos clubes do colégio, mas ele não sabia se iria, a viagem é de avião e ele tem medo de altura, então só de imaginar voar ele fica tonto, tentei falar a ele que não é ruim, exceto pelas turbulências, mas acho que não ajudei muito, quando estávamos chegando na frente do colégio a Emily passou por nós de bicicleta e literalmente me atropelou, ela me derrubou e caiu também, acho que ela esperava que o Enzo fosse ajudá-la, mas ele perguntou a ela se ela era cega e me ajudou a levantar, não que eu precisasse de ajuda, apenas por cavalheirismo. A Emily estava tão vermelha que eu achei que ela fosse explodir, ela pegou a bicicleta e saiu correndo ao lado dela em direção a escola sem nem se desculpar, qual o problema dessa garota?

Assim que Entrei no prédio principal da escola percebi que todos as pessoas que estavam no pátio estavam olhando para mim, ou para o Enzo, fomos aos armários juntos como fazíamos todos os dias, e eu podia jurar que eu ouvir alguém falar meu nome pra outra pessoa e falar alguma coisa sobre eu trabalhar com homens, estranho. Me despedi do Enzo e fui ao banheiro, quando eu estava lá, dentro da segunda cabine, duas meninas da minha sala entraram no banheiro falando de mim.

“Como o Enzo tem coragem de andar com ela?”

“A Emily me disse que ele faltou ontem por que ela teve uma crise e ele teve que socorrê-la por que ele é um uma pessoa boa e ela não tem ninguém por aqui pra cuidar dela.”

“Deve ter sido expulsa de casa quando os pais souberam o que ela faz, crise de que?”

“Sei lá, qual a doença que as prostitutas pegam?”

“Aids” Respondeu a Emily, que tinha acabado de entrar no banheiro. Pelo jeito, ontem ela havia espalhado para toda a escola que eu era prostituta e que tinha Aids, Como ela podia ser tão má? Ela me viu ser atacada e não fez nada para ajudar, e isso eu até podia entender, exceto pelo sorriso, mas como ela pode espalhar mentiras tão ruins sobre mim, o que eu havia feito para ela ter tanta raiva de mim? Eu estava a beira das lágrimas no banheiro quando o sinal tocou, eu não queria ir para a sala de aula, eu queria apenas voltar para casa e me afundar em almofadas enquanto chorava sozinha, os alto-falantes da escola anunciaram que o diretor queria me ver, eu suspirei, com esses boatos rolando por aí era de se esperar que isso fosse acontecer, como todos estavam nas salas foi fácil chegar na diretoria apesar de algumas lágrimas fugirem dos meus olhos, cheguei a diretoria intacta. O diretor me perguntou se o que estavam falando de mim era verdade, sério que ele chegou a acreditar nisso? Eu era a segunda melhor aluna da escola, ele tinha comprovação de que toda minha renda era enviada para mim pela minha irmã mensalmente, e que apesar de emancipada ainda não tinha o visto para poder trabalhar legalmente no país, ainda tinha dezesseis anos, apenas no ano que vem que eu poderia receber o visto. Eu respondi que não, e que se ele não acreditasse em mim perguntasse ao Enzo, mas ele disse que não seria preciso envolver mais alunos nisso, envolver mais alunos? O que esse cara tem de errado? Todos os alunos já estão envolvidos, todos estão falando de mim, no momento eles devem achar que estou sendo expulsa do colégio.

Fui obrigada a falar com a orientadora do colégio, perdi três aulas falando a orientadora que eu estava bem e que não precisava conversar, que já tinha passado o dia de ontem conversando sobre o que eu sentia em relação a minha família e ao que havia acontecido comigo, o que logicamente era mentira, mas talvez assim ela me liberasse mais rápido, eu tive que dizer a ela o que havia acontecido, e como o Enzo tinha me ajudado, só não falei do gato, nem do fato da Emily ser uma vaca, quando finalmente fui liberada já estava na hora do intervalo, perdi três aulas que teria que repor aos sábados se eu ainda quisesse continuar sendo uma das melhores alunas da escola. Fui até a minha sala para deixar minha bolsa e por todo o caminho as pessoas olhavam pra mim como se eu fosse um tipo de monstro, mas graças a minha experiência com meus pais eu havia aprendido a ignorar e até certo ponto aceitar, mas uma coisa eram apenas duas pessoas, outra coisa era a escola toda, todo o ensino médio, três séries com três turmas cada uma, cada série com mais ou menos trinta alunos, o que dá facilmente quase trezentas pessoas se eu contar com os professores e funcionários que estavam acreditando nessa história, mas vendo pelo lado bom, se a Emily espalhou que eu tenho Aids, o que só pra deixar claro, eu não tenho, nenhum engraçadinho virá tentar me “comprar”, certo? Eu também pensei assim, até que um dos meninos do terceiro ano, da turma do Enzo vir falar comigo depois de eu ter deixado minha bolsa na sala.

“Ei Ame! Tá precisando de dinheiro? Eu tenho umas camisinhas na bolsa e cem reais na carteira, e acho que o armário do faxineiro tá aberto” Ouvir essa frase só fez aumentar o meu amor pelos gatos e meu desprezo por alguns humanos. Ele veio de trás de mim correndo para me alcançar. “Não, Já tenho todo dinheiro que eu quero, é Eric, não é?” Eu estava andando na direção do pátio, e ele estava do meu lado me provocando, falando de como ele sempre me achou gostosa mas eu sempre era muito calada e que ele nunca achou que eu fosse dessas, se soubesse teria me pegado antes, ele disse que todos os meninos estavam que nunca se deve julgar uma gatinha pelas suas patas e que a mais quieta sempre era a mais puta, se ele continuasse a falar comigo eu começaria a odiar os homens, minha sorte é que eu havia chegado no pátio e ele saiu de perto de mim, eu o vi falar com o Enzo, que não parecia nada feliz, enquanto todos os meninos ao redor dele estavam rindo e apontando para mim, ele estava olhando para eles como se eles estivessem torturando um gato, a expressão era de desaprovação e raiva.

Como eu não estava com fome fui até um lugar na escola que eu sabia que ninguém ia me chamar de puta, ou achar que eu tinha Aids, no canto do pátio tinha um banco onde sempre tinha um gatinho ou dois esperando por comida ou carinho, hoje tudo que eu tinha a oferecer era carinho, no caminho sentia todo o peso dos olhares e fofocas em mim, pelo menos o Enzo sabia a verdade e deve ter tentado explicar pelo menos a alguns, no banco tinha apenas um gato hoje, um gato branco que eu achei ter visto um parecido na casa da Yuuko mais cedo, ele estava dormindo então só sentei do lado, lembrei do gato que eu havia seguido, ele também era branco, será que era ele? Se fosse seria ótimo se ele continuasse a dormir, não queria que ele me metesse em outro beco.

Notas finais
Vocês gostaram? Querem que eu mate alguém? Hahaha. Revelações estão por vir, e talvez algumas tapas. Como ninguém nunca comenta eu vou parar de pedir pra comentarem. u-u Até a próxima. :3