Destino. - Vida Atual
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Capitulo 5
Ele acordou uns cinco minutos depois que sentei do lado dele, ele não tinha um olho roxo, mas ele tinha heterocromia, um olho era azul-claro e o outro era azul mais escuro, com pequenos losangos marrons ao redor da pupila do olho azul-escuro, assim que ele viu que eu tava sentada do lao dele, ele levantou e veio para o meu colo, onde eu passei quase dois minutos alisando ele, até ele resolver sair e ir a um corredor dentro da escola, o diretor ia ter um ataque se visse ele la dentro, então fui atrás dele pra tentar botar ele pra fora, só que o danadinho entrou em uma sala, e entrou no armário de vassouras da sala, sala que aliás, eu nunca tinha reparado na em quase dois anos estudando naquela escola. Assim que eu entrei na sala ouvi o Eric no corredor, falando a Emily que tinha visto eu entrar na sala, e eu por minha vez, imitei o gato e entrei no armário, assim que eu fechei a porta eles entraram na sala, ai que saco.
“Você disse que ela tinha entrado aqui, onde ela está?” No armário eu conseguia ouvi-los mas não vê-los, e o gato que devia estar dentro do armário comigo já não estava mais lá, não sei como, nem onde ele tinha ido parar. “Caralho, garota você é muito chata não me admira o Enzo não querer nada com você” Que a Emily gosta do Enzo eu já sabia, ela e todas as outras meninas da escola, mas porquê ela tá me procurando com o Eric? “Eu fiz minha parte seu idiota, você devia consolar ela e fazer ela gostar de você para que ela deixe o Enzo em paz!” Ela acha que eu corro atrás do Enzo? Quase nunca falo com ele na escola, ela não deveria me ver como ameaça, gosto do Enzo como amigo e agora tenho uma divida com ele mas é só. Calma aí, era pra o Eric me consolar? Ele acha que me oferecer dinheiro em troca de sexo é consolo? Nossa, ele deve ser tão idiota quanto a Emily, os dois se merecem. “Mas o Enzo sabe a verdade sua burra, você acha mesmo que se ele estiver gostando dela ele vai parar e vai gostar de você? Mesmo sabendo que foi você que espalhou todas essas mentiras por aí?” Os dois se xingam tanto que parece que eles são irmãos, mas ele pensa um pouco mais que ela, pelo jeito ele não é tão idiota quanto eu pensei. “Mas eu acho mesmo que ela é uma puta! Ela estava no beco se agarrando um com homem! Que parecia bem mais velho que ela.” A voz que ela fez pra falar isso me deixou enojada, ela falava como uma garotinha mimada que quer muito uma coisa e quase chora pra conseguir e sinceramente não acredito nela. “Qual é Emy!? Você me disse que ela tava chorando, você não pode ser tão louca assim.” Isso aí! Me defende mesmo que eu não vá agradecer a você por isso depois! Acho que ele encostou no em uma mesa porque ouvi o barulho de alguma coisa arrastando no chão. “Sei lá, vai que fazia parte da fantasia do cara que tava com ela?” Percebi que ela estava na frente do armário e não aguentei, era minha única chance de fazer algo com ela na escola sem me encrencar com o diretor depois, abri a porta e acertei ela com tanta força que ela caiu não chão. “Oh! Desculpe, não sabia que você estava aí” Ouvi o Eric, que tinha sentado na mesa do professor, rir e o Enzo entrou na sala seguindo o gato, o que há de errado com esses gatos? Pisei no pé dela que estava de lado e deve ter doido muito por que ela gritou tão alto que se alguém ouvisse ia achar que eu a estava matando, pena que eu não estava de salto, ia doer muito mais. Não ajudei a Emily a levantar, nem olhei para ela, eu apenas sorri. E sabia que esse meu ato inconsequente poderia começar uma guerra e eu estaria em desvantagem, mas isso também poderia ensinar a ela a não se meter comigo, a primeira opção era a mais provável.
Não devo ter pisado com tanta força no pé dela por que ela levantou e puxou meu cabelo e antes que o Enzo, que estava vindo com o Eric separar a possível briga que estava para começar, pudesse me impedir eu peguei uma das vassouras que estava dividindo espaço comigo no armário e bati na Emily, o que fez se apoiar em uma cadeira ela cair de novo só que dessa vez por cima da cadeira batendo com as costelas no encosto de lado, se o Eric não tivesse tirado a vassoura da minha mão eu teria batido nela mais umas setenta vezes, não percebi com quanta raiva eu estava dela até começar a extravasar, o Enzo me afastou da Emily e o Eric levou ela pra enfermaria, acho que bati forte demais com a vassoura, ela começou a tossir e a chorar, agora minha fama de prostituta com Aids vai se transformar na fama de prostituta, louca, violenta com Aids. Amanhã é sábado e eu não estou nem ligando para o meu status de segunda melhor aluna da escola por que amanhã tudo que eu quero é cama e televisão e videogame, e talvez eu chame o Enzo para falar que a culpa de toda essa confusão é ele, só que não.
O sinal tocou e fui com o Enzo para minha classe, a sala dele fica no fim do mesmo corredor onde fica a minha, não sei como ele conseguiu meu número, acho que com o Enzo, mas o Eric me mandou uma mensagem falando que eu estava salva e que ele tinha convencido a Emily a falar para a enfermeira que ela tinha caído no banheiro, aparentemente ela tinha deslocado uma costela e isso me deixaria sem ela para me perturbar por pelo menos uma semana, me senti mal com isso, mas lembrei de tudo que ela tinha feito comigo até agora e minha culpa diminuiu um pouco. Assisti as últimas três aulas normalmente, como sempre ninguém falou comigo, mas todos ainda estavam falando de mim. Na última aula, o professor de inglês, que também era o professor responsável pela nossa classe veio falar comigo enquanto as outras pessoas na sala tentavam traduzir um texto que eu já havia traduzido a séculos. Por isso ele era meu professor favorito, ele perguntou como eu estava, perguntou como aqueles boatos começaram e disse que não acreditava neles, porque vivia na rua onde as prostitutas fazem ponto e nunca me viu por lá, ele estava tentando me fazer rir e conseguiu, ele percebeu o quanto eu estava tensa e resolveu vir me animar, eu poderia abraçá-lo se isso não fosse fazer as pessoas fofocarem ainda mais sobre mim.
A última aula acabou e eu que não tinha clube nenhum nem aulas a tarde hoje fui para casa, não diretamente, eu ia comprar o bolo para levar pra Yuuko, tive que passar pela passarela onde o cara de azul estava aquele dia, só que hoje não tinha ninguém lá, para o meu alívio, quando cheguei na loja lembrei que não sabia se a senhorita Yuuko gostava de bolo, e se eu levasse algum bolo de fruta e ela fosse alérgica eu me sentiria péssima, terminei comprando duas fatias de bolo de morangos, e fui a uma loja de conveniência perto de casa e comprei um conjunto de porcelana para chá, daria as duas coisas a ela.
Não precisei nem chamá-la, ela estava me esperando na frente de casa como se soubesse que eu estava chegando, aos pés dela estava o Len e um filhote de persa preto que brincava com as franjas da saia dela que voavam com o vento, ela me convidou para entrar e agradeceu pelos presentes, apesar de dizer que eu não precisava agradecer, depois de uns dez minutos de conversa ela resolveu pegar minha roupa, a que ela havia levado para concertar, assim que ela saiu da sala um gato branco apareceu, eu sabia que tinha visto um aqui de manhã, ele veio até mim e sentou no meu colo, ele também tinha heterocromia, ele tinha um olho azul e outro verde, percebi nele as mesmas marcas em forma de losango que vi no gato que estava na escola mais cedo, só que elas estavam no olho verde.
Quando a Yuuko voltou com minhas roupas embaladas num pacote feito com papel pardo ela olhou diretamente para o gato em meu colo e disse algo sobre como ele adora causar problemas, no começo eu não entendi muito bem, perguntei a ela o motivo, ela disse que era muito complicado pra explicar, e que talvez eu não acreditasse mas ela ia tentar explicar.
“Esse gato, é… como eu posso dizer… a materialização de uma promessa. Num passado muito distante duas pessoas que se amaram muito fizeram uma promessa, elas prometeram pouco antes de morrer que em suas próximas vidas eles sempre iriam se encontrar, não importava o país ou a situação que eles vivessem, suas almas sempre dariam um jeito de se descobrir no meio da multidão. Depois de quase um século reencarnando sem que eles voltassem a se ver os Deuses decidiram ajudá-los e enviaram para a terra um ser que os ajudaria a se reencontrar, ele os colocaria nas piores situações mas os juntaria. E com as ajuda dos Deuses, se eles estivessem em países separados eles iriam se encontrar no país que eles ajudaram a salvar na encarnação onde eles se apaixonaram pela primeira vez. E eu fiquei responsável por cuidar ele nessa encarnação, por isso o nome dele é Destino.”
Ela estava certa quando falou que eu não ia acreditar, mas pensando bem, o que eu havia passado seguindo um gato isso explicaria muita coisa, só não explicaria o motivo do “gato mágico” trocar a cor do olho, e o por que ele levava o Enzo para me encontrar se eu não sentia nada por ele além de amizade. Falei a ela sobre ele ter me levado para o beco onde fui atacada, e ela disse que já sabia, que já sabia que eu era quem o gato estava procurando, mas ela não podia interferir, só me ajudar, e ela não ia me dizer o motivo ainda só quando ela descobrisse mais algumas coisas que deveriam se encaixar na história de como eu e supostamente o Enzo nós apaixonamos pela primeira vez.
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