Destino Das Fadas
54 Capítulo 51 — Nunca mais
Notas iniciais
Capítulo 51 — Nunca mais
Desespero nem chega a definir o que eu senti nos próximos segundos — que para mim pareceram horas — quando aqueles olhos inquietantes me fitavam. Meu corpo petrificou enquanto meu coração batia em um ritmo que eu nunca imaginei que poderia se chegar. Podia sentir minha mão suando fria sobre o lençol da cama em que estava pousada. Meus olhos mal piscavam, ficaram hipnotizados pela intensidade daquele olhar direcionado para mim. Diante do meu temor iminente eu tentava com todas minhas poucas forças decifrar aquele olhar perturbado.
Ele sabe? Não sabe? Descobriu? Levy contou? As enfermeiras contaram? Está zangado? Devo me explicar? Explicar o que? O que devo fazer?
Minha mente estava tão agitada quanto o resto de meus órgãos internos. Podia sentir minhas pernas tremendo abaixo do fino tecido. Meus dedos dos pés se contraindo em desespero. Minha mão que se fechava lentamente, sentindo o suor em decorrer dessa agitação. Por um momento não parecia existir mais nada, além de Natsu, eu, e claro, meu medo.
Natsu deu um passo em frente que fez meu corpo todo arrepiar. Um tipo de alarme começou a soar por meus pensamentos. Ele sabe! Ele sabe! Repete-se inúmeras vezes em um ciclo que faz meu coração acelerar ainda mais. De repente um ataque cardíaco não seria assim tão ruim. Deve ser mil vezes menos doloroso do que essa angústia e dúvida que me perfuram a cada batida descontrolada. Nossos olhares não se desviaram e apenas percebo que não estamos sozinhos quando Sting aperta minha mão — provavelmente percebendo o quão paralisada eu estava.
— Hey — Natsu sibila para mim. Sua voz carrega alguma sensação estranha que não me é comum. Engulo seco apenas repetindo um “Hey” fraco e arrastado.
Após isso ele finalmente deixa meus olhos e se direciona para Sting que não deixa meu lado.
— Preciso falar com ela a sós — diz dando ênfase na última parte, que absolutamente não parece agradar Sting.
Esse pedido apenas aguça meus sentidos e faz o alarme ficar ainda mais perturbador. Sting fica em silêncio por alguns minutos parecendo certo que não iria a lugar algum. Depois me olha procurando alguma resposta ao pedido. Minha expressão não deve tê-lo ajudado. Nem eu mesma sei o que eu deveria fazer. Um lado meu diz fortemente que não devo ficar sozinha com Natsu devido as circunstancias. Aquele mesmo lado que sempre me faz fugir dessas situações. Porém outro lado diz que devo escutá-lo, que ele deve saber. Um lado fraco, porém persistente. O mesmo lado que mantém aquela esperança... de tê-lo para mim.
— Tudo bem — murmuro ainda incerta. Sting aperta ainda mais minha mão, insatisfeito com a minha conclusão — É apenas uma conversa, não faz mal a ninguém não é?
Minha fala sai mais nervosa e trêmula do que deveria. Apenas uma conversa. E provavelmente a conversa mais tensa do que qualquer uma do que tive em minha vida. Algumas das conversas complicadas que já tive com Natsu começam a rodear minha mente. Nenhuma chega perto do pavor que sinto com esta que está por vir. Na verdade as outras parecem não mais que poeira sem importância.
Sting levanta relutante, encarando Natsu e depois sai pela porta deixando bem claro que estaria perto dali para qualquer ocasião. Restando assim, Natsu e eu. O nervosismo que eu sentia antes não é nada comparado ao de agora. Com Sting aqui eu tinha uma desculpa para não falar, um escudo para me defender. Mas sozinha? Isso se eu ainda souber como falar. Minha garganta está tão seca que tenho dúvidas se alguma palavra possa ser pronunciada.
Natsu anda lentamente até o banco que Sting se encontrava, e se senta. Sua expressão parece tão confusa quanto a minha e me pergunto quem começará a conversa. Ele deve estar tão nervoso... por eu ter escondido isso dele. Não foi por maldade. Eu pensei nele também, pensei na felicidade dele, em sua família, em seu futuro. Mas agora diante de seu olhar tudo isso não parece nada além de desculpas criadas pelo meu medo. Esconder um filho parece ser a pior coisa que eu poderia fazer. Não tem perdão. Não tem volta. E a culpa me consome.
— Lucy — Sua voz me arranca do meu mundo de pavor.
Olho-o um pouco hesitante, com medo que esse desespero me vença e que eu comece a falar coisas que eu não deveria. Devo deixá-lo começar. Devo deixá-lo descontar toda sua raiva e decepção sobre em mim. Apenas aguardo angustiosamente por seu julgamento. Eu errei e mereço as palavras que estão por vir. Mas afinal, o que mudaria? Ele desistiria do casamento e de sua família por mim? Nos casaríamos e viveríamos uma vida feliz a custa da felicidade dos outros? De repente minha decisão de ocultar esse “detalhe” não parece ter sido assim tão errada. Mas tampouco correta.
Ele respirou fundo parecendo escolher suas palavras. Seus olhos estavam confusos em onde manter seu foco, indo de meus olhos até a cama. Sua mão chegou perto da minha, mas parou antes de tocá-la, parecendo perdido e hesitante se deveria ou não fazer isso. Ele está nervoso. E isso me deixa ainda mais nervosa. Por fim decidiu olhar para baixo, mexendo seus dedos da mão freneticamente. Será que ele percebeu que está fazendo isso?
— Você... — decidiu falar. E apenas esse começo de frase fez meu coração quase pular para fora de meu corpo. O QUE EU VOU FAZER? Seus olhos voltaram-se para os meus — Você confia em mim?
Hm? Essa pergunta foi tão inesperada que me deixou sem reação. Eu esperava um “Como pode esconder isso de mim?” ou até mesmo “Grávida? Está louca?”, qualquer coisa bizarra e desconfortável, menos isso. Devo dizer que não sei o que responder. Confiança. Essa é uma palavra forte, ainda mais em nosso histórico embaralhado. Chego a me perguntar o que seria confiar em alguém. Faço uma lista mental de momentos e fatos que me fazem pensar que eu confio nele. Mas não demora muito para um desfecho aparecer diante da lista.
É claro que eu confio nele. Desde o início. Desde que o encontrei na escola e ele me ajudou. Graças a ele, eu fiz amigos, tive bons momentos e dei boas risadas. Confiei nele quando ele se aproximou para me beijar na primeira vez. Eu poderia ter virado, mas não. Meus lábios confiavam naqueles lábios macios. Eu confiava tanto nele que deixava a janela aberta para que ele entrasse. Eu confio em seus braços para me acalmar como nenhum outro consegue. Confiei minhas lágrimas guardadas. Confio meus sentimentos, minhas angústias. Até mesmo confiei nele quando... Lisanna o beijou. É estranho pensar nisso agora, não foi falta de confiança, foi mesmo é muito orgulho. E essa confiança só se faz mais forte, sabendo que estou esperando um filho seu. Porque além de confiar minha amizade, meu corpo, meu passado, eu lhe confio meu destino.
Com isso tudo se formando em minha mente, só consigo o olhar, segurando com todas minhas forças as lágrimas que querem escapar. Não sei porque agora. Sempre que relembro tudo o que passamos uma pontada perfura meu coração. Apenas junto toda minha coragem restante para olhá-lo bem no fundo de seus olhos com toda minha sinceridade. Do mesmo modo que ele sempre me olha. Tão honesto, puro e sincero. Quando digo puro não me refiro à malícia, pois sempre a encontro em seu olhar divertido e safado, mas à algo muito mais forte e intenso. Não consigo explicar o que é, mas sempre está ali, quando cruzamos nossos olhares. Aquela pureza, aquele brilho, alguma força inexplicável que me lê por inteiro.
— Claro que confio Natsu — respondo sem deixar de escapar um sorriso bobo com os pensamentos que me atingem.
Ele parece confuso com a minha resposta e minha expressão. Eu sei, é claro que ele esperava ouvir qualquer outra coisa. Porque em todas nossas idas e vindas o que eu mais fiz foi afastá-lo e fingir indiferença. Mas ao contrário do que eu imaginei, ele não sorriu. Meu coração se apertou. E me sinto em dúvida se fiz o correto. Meu sorriso se desmanchou aos poucos.
— Então, você não mentiria para mim, mentiria? — indagou.
Tento encontrar qualquer sinal de divertimento em seu olhar, mas não há. Ele está bravo? Sinto vontade de chorar e me seguro mais uma vez. Já menti tantas vezes. Todas elas com algum motivo, nenhum que valha o tempo explicando. Como por exemplo, quando ele perguntou “Tem alguma chance de você se apaixonar por mim?”, e eu respondi “Não”. Dependendo do modo que eu pense não é tanta mentira assim. Não havia chances, porque eu já estava apaixonada por ele. Mas diante de seus olhos tão intensamente me encarando, buscando finalmente uma verdade, vejo que talvez seja a hora. De contar todas as verdades.
— Porque está perguntando isso? — replico. Nem eu mesma sei o que estou fazendo. Penso em algo e faço outra. Meu modo defensivo está ativado.
— Porque você disse que confia em mim — disse prontamente — Se você confia em mim, você não precisaria mentir, certo? — Ele se apóia na cama e se aproxima. Seu olhar parece perfurar dentro de mim.
— E se eu tivesse muitos motivos convincentes para que eu tenha que mentir? Confiança nem sempre se trata de mentir e não mentir — digo tudo que me vem em mente.
Ele arqueia as sobrancelhas sem entender porque estou tão exaltada e volta a se afastar.
— Motivos convincentes... — repetiu para si mesmo.
Um silêncio se prolongou a partir dessa última frase. Meu corpo todo parecia tremer. Por sorte estou deitada, senão já teria desmaiado novamente. Porque estou gritando com ele novamente? Não era para ser assim. Estou exasperada, e ele ainda nem citou o bebê. Isso está me matando.
— Eu sempre te disse — sua voz retornou, seu olhar estava baixo — Você é importante para mim, então acho que nesse caso confiança é não mentir — Voltou a me olhar, mas agora eu podia vê-lo novamente. Não havia mais nada estranho em seu olhar, apenas Natsu — Lucy, se algo estiver acontecendo com você... você tem que me contar.
Contar? Ele quer que parta de mim? Esse foi meu primeiro pensamento. Mas após algum momento de reflexão notei algo muito maior. Natsu não sabe. Não sabe. Eu o conheço, e se ele soubesse não estaria assim tão tranquilo. Quero dizer, nunca o vi sabendo que seria pai, mas posso imaginar. E se eu escondesse tal fato dele, ele estaria surtando. Seria o normal. Começo a pensar comigo mesma. Se eu continuar a ser cautelosa, ele ainda não saberia. Porém também penso, até quando vou conseguir esconder isso dele. Preciso me certificar disso.
— Alguém te contou algo? — murmuro com a voz baixa, pensando se esse foi o melhor modo de descobrir.
— Porque Lucy? — retrucou rapidamente — Alguém tem algo a me contar?
Droga. Ele tem seu próprio jogo. Mas isso apenas o aproxima para o lado que não sabe de nada. Ele já teria mencionado. Eu acho.
— Não minta — disse com a voz rígida que fez meu coração acelerar. Não sei se por medo ou pressão, só sei que não gostei disso.
— Não Natsu, não há nada — falei em defesa — Porque haveria?
Ele relaxou os ombros e respirou fundo, o que foi uma reação estranha aos meus olhos. E finalmente depois de todos esses instantes de tensão, ele sorriu. Um sorriso sincero e doce.
— Porque está sorrindo? — pergunto um pouco indignada.
— É difícil falar sério com você — alargou o sorriso — Mas achei que fosse bom. Sabe... desde o dia que você desmaiou, você parece me afastar naturalmente. E ninguém nunca quis me dizer o que aconteceu. Corri que nem louco atrás da Levy e ela, é claro, não em contou nada. Eu teria que saber por você — disse com o olhar um pouco vago — Tive tanto medo... achei que você estivesse doente.
Olhei para seu rosto, e vi o quão sincero ele estava sendo. Era isso? Medo que eu estivesse para morrer? Sou tão idiota. Tão medrosa. Vê-lo triste assim por algo como isso faz a culpa subir sobre mim.
— Não estou doente, não se preocupe — foi o que consegui falar para tentar aliviar a tristeza em seu olhar. Nada sobre gravidez, nada que o fizesse surtar de verdade.
— Fico feliz — sorriu e segurou minha mão — Não poderia perder minha melhor amiga perto do casamento, né?
Não sei o que mais me deixou pasma. O fato de ele me chamar de melhor amiga ou o fato de vê-lo falando do casamento tão abertamente. Mas por qualquer dessas opções, me senti para baixo novamente. É claro, não demonstrei. Apenas continuei conversando com ele. Ele me contou as coisas que havia acontecido enquanto eu dormia. Rimos, brincamos, tudo como os velhos tempos. Parece bom, mas isso apenas aumentou algum tipo novo de dor no meu peito. Um conforto nada confortável. Como se estivesse certo assim, e por outro lado tão errado. Cheguei a conclusão que apenas seja uma nova etapa de nossas vidas se iniciando. Estamos deixando todas aquelas brincadeiras de crianças para trás e finalmente indo em frente. Separados.
Após um silêncio depois das histórias e risadas. Natsu focou seu olhar para minha mão, apertando a sua contra a minha. Um olhar distante e pensativo com um sorriso fraco nos lábios.
— E pensar que amanhã já é meu noivado e depois o casamento...
— Ansioso? — perguntei com a voz mais fraca do que deveria. Esse assunto ainda me assombra de qualquer modo.
— Se com ansioso, você quer dizer assustado, então sim — respondeu com sua maneira brincalhona para relaxar o ambiente. Embora não tenha causado muito efeito.
Nossas mãos se apertaram ainda mais. Como se quando se largassem nunca mais poderiam se sentir novamente. O que, talvez, não seja uma mentira.
— Ainda me sinto como aquele muleque que entrou para o ensino médio, não como um cara que vai se casar e começar uma vida completamente diferente.
Dei uma risada baixa com seu desabafo, ele me olhou procurando alguma explicação. Mas não me olhava de um jeito estranho, ele de algum modo estava feliz.
— Você ainda tem o mesmo olhar... — falei de um modo pensativo e depois o olhei — O mesmo olhar daquele muleque do ensino médio.
Ele sorriu com minha frase. E passamos a nos olhar. Não precisávamos falar nada, apenas isso era suficiente. Não era mentira o que eu disse. Ele tem mesmo aquele olhar, aquela mistura de mistério, sinceridade, intensidade, profundidade, que me perco todas as vezes. Me dizem tantas coisas, me fazem tantas promessas incertas. E que sempre faz meu coração acelerar. Não um acelerar de nervosismo ou como se eu fosse ter um ataque cardíaco, uma sensação gostosa, como se eu não precisasse de mais nada. Apenas dele. E de algum modo eu sabia, que essa sensação era mútua.
—♥—
Depois de um tempo, as enfermeiras vieram para me dar alta. Disseram para me cuidar. E eu tremi com medo que elas dissessem algo comprometedor na frente de Natsu, que ficou comigo o resto da manhã. Mas nada sobre minha gravidez foi dito. Provavelmente Levy e Sting já explicaram minha situação oculta. Saímos daquele quarto e fomos andando pelos corredores. Ele ainda não havia soltado a minha mão, e eu não faria isso. Quando chegamos na recepção ouvimos uma discussão começando. Então, hesitante, ele soltou minha mão.
Apressamos os passos para saber o que estava acontecendo. Era Erza e Jellal. Sempre soube que eles brigavam o tempo todo, mas não esperava vê-os discutindo em alto e bom som no meio da recepção de uma pousada. Fiquei surpreendida. Olhei para Natsu para ver se ele estava tão surpreso quanto eu, mas ele não me olhou, apenas olhava para a cena. Muitos pensamentos pareciam rondar sua mente no momento.
— Vou procurar Yukino — disse após um tempo. Deu um beijo em minha testa — Se cuida.
Vi ele sair dali do mesmo modo que havia chegado. O que foi estranho. Erza correu para um lado chorando e Jellal foi para o outro parecendo magoado. Não entendi o que estava acontecendo. Mas pelo que percebi, Natsu sabia. Tentei não me abalar com tudo o que estava acontecendo. Precisava procurar Levy ou Sting.
Passei por meu quarto que se encontrava vazio, troquei de roupa e voltei a descer. Fui em direção a praia e percebi o dia radiante que estava hoje. Não devo ter perdido tanta coisa afinal. Ontem o dia estava horrível mesmo. Senti o calor gostoso do sol matinal. Estava para me sentir ainda melhor com o céu azulado quando esbarro em alguém por olhar para cima.
— Desculpa — falei rapidamente e depois vi quem era. Yukino.
— Tudo bem — disse com um sorriso — O céu está mesmo lindo, então acho que é normal se perder olhando para ele.
Sorri de volta. Ela estava linda, com um vestido rodado azul claro. Como o céu. Mas tinha algo em seu sorriso que me incomodava.
— Está melhor? — perguntou educadamente.
— Estou sim.
Silêncio.
— Lucy... — sussurrou — Podemos conversar?
Um vento passou por nós, fazendo um arrepio me atingir. Conversar? Conversar o que? Sobre o que? Engoli a seco, já prevendo uma conversa tensa. Talvez não seja nada. Como de manhã com Natsu. Mas a sensação angustiante não me abandona.
Concordo um pouco relutante e andamos até alguns banquinhos perto da areia, na sombra de uma árvore. Ficamos um bom tempo em silêncio. Apenas sentindo a brisa que vem do mar. Poderia arrancar todas minhas unhas com o nervosismo, mas me contive em apenas balançar a perna de modo frenético.
— Preciso tanto de uma amiga agora — Yukino disse de modo distante e depois me olhou — Estou com tanto medo Lucy.
— Medo do que? — perguntei reflexivamente.
— Do meu casamento.
Senti meus olhos se abrirem. Yukino? Medo do casamento? Essa é nova. Posso ver que ela nota minha surpresa, porque logo começa a falar.
— Eu achei que poderia dar certo, eu realmente me apaixonei por Natsu sabe? — disse com a voz chorosa — Mas ele é tão distante, parece me esconder coisas. Não digo que ele age friamente, ele não consegue ser esse tipo de pessoa, mas é como se ele agisse assim por obrigatoriedade comigo... Às vezes eu penso se seria diferente se nos conhecêssemos como pessoas normais, sem pressão sabe? Penso... se ele poderia me amar também... — Uma lágrima começa escorrer de seus olhos.
Fico sem reação para responder ou consolar. Porque no fundo me sinto culpada. Ela gosta mesmo dele. Ela está sofrendo.
— Ele gosta de você Yukino — tento algo. Muito ruim pelo jeito e percebo como sou idiota. “Gosta” de você? Belo consolo para alguém que quer ser amada pelo próprio noivo que por acaso já foi seu namorado em Lucy?
— Sei que gosta. Mas eu preciso mais que isso, entende? Eu vejo ele com você... ele é tão diferente. Parece tão relaxado. Ou com qualquer outra pessoa, menos comigo. Quando estamos sozinhos e falamos de casamento, sinto como se estivesse tirando algo dele. Algo importante. Ele pode estar ali, mas seu coração está muito distante para conversar comigo.
Seu sofrimento chega a ser palpável. Suas lágrimas não param de cair. E eu não sei o que dizer para animá-la. Então me aproximo e a abraço. Talvez tenha um pedido de desculpas nesse abraço de consolo.
— Ontem... — voltou a falar com a voz entrecortada pelos soluços — Ele me beijou e pareceu diferente sabe... eu fiquei tão feliz... ele parecia mais presente... ele tem estado mais atencioso também... será que estou apenas me iludindo para não lembrar como esse... casamento... é um fracasso?
— Shiiuu — murmuro para que ela se acalme — Não é um fracasso, vocês vão ser felizes — digo mesmo que essa frase perfure meu coração em cheio. Como posso estragar a vida de uma garota como ela? Simplesmente não posso.
— Você acha? — perguntou ainda soluçando.
Então com todo meu sofrimento oculto, um sorriso fraco e com aquela sensação de conforto novamente, eu digo:
— Sim... eu acho. Vão ser felizes — repito deixando uma lágrima escorrer pelo meu rosto — Amanhã quando vocês noivarem. Depois de amanhã quando ele disser sim. E pelo resto da vida. Vocês vão ser felizes.
É isso. Meu tempo esgotou.
Amanhã quando eles noivarem, eu vou sorrir. E quando eles trocarem as alianças, eu vou continuar sorrindo, passando força para eles continuarem. Eu vou ver eles serem felizes e vou ser feliz por isso. E nunca, nunca mais vou imaginar... como seria viver com Natsu. Nunca mais...
Eu sinto falta do som da sua voz
A coisa mais alta na minha cabeça
E me dói lembrar
Todas as violentas, doces, perfeitas palavras que você disse
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