Destino Das Fadas

16 Capítulo 16 — Aqueles tempos...


Notas iniciais
Oi meus leitores lindos, como vocês estão?
Estou de volta com mais um capitulo para vocês *000*
Muito obrigada pelos comentários, e quero agradecer imensamente a TheStrangeGurl pela recomendação *----* Amei, amei, amei, muito obrigada ♥
Boa leitura pessoas (;

Capítulo 16 Aqueles tempos...


O dia amanheceu gelado, senti a brisa entrando pela fresta que havia na janela, a ponta do meu nariz parecia congelar, me encolhi na cama puxando o cobertor para mais perto de meu rosto, tirando-o sem querer de cima de meus pés. Mas que droga. Comecei a chutar a coberta para meus pés e ela não ia, insistia em me chatear.


— AAH, estamos no verão, porque diabos está frio? — grito me erguendo irritada na cama. Agora estou gritando comigo mesma, bem normal. Suspiro.

Parece que é o dia que tudo parece me irritar e nem estou de TPM. Ainda bem que é domingo, quanto menos pessoas eu ver, menos irei me irritar e magoá-las. Calço meu chinelo rosa, me espreguiço na beira da cama e finalmente me levanto. Vou andando tranquilamente até o banheiro quando tropeço em meus próprios bichinhos de pelúcia que jogo no chão quando vou dormir.

— KYA! — caio de bunda no chão. Definitivamente deveria ficar na cama e só sair de lá quando for outro dia. Droga de dia, droga de vida.

— Ei Lucy — uma voz soa perto de minha porta.

— QUE É? — digo irritada devido às circunstancias. Olho para a porta e vejo Natsu me olhando um tanto assustado.

— Caramba, é com esse humor que você acorda em um domingo? — debocha com um sorrisinho no canto dos lábios.

NATSU! Sentia algo gritar o nome dele dentro de mim. Me lembrando o quão doce ele tem sido comigo. Engoli a seco e dei uma risada sem graça, pondo a mão atrás da cabeça.

— Gomem ne, não comecei o dia muito bem — fui sincera e ele veio em minha direção.

— Como não? Já está me vendo! — brincou com um largo sorriso e me estendeu a mão para ajudar a levantar.

— E já tenho que ouvir suas piadinhas? Poxa, acabei de acordar, dá um desconto — entrei na brincadeira pegando em sua mão para me levantar.

— Verdade né? Eu estava nos seus sonhos até agora, é muito de mim para uma pessoa só — disse brincalhão mais uma vez fazendo pose de “fodão”, apenas o olhei inconformada — Brincadeira senhorita mau-humorada-quando-acorda, só vim te trazer isso — me estendeu minha jaqueta. Só agora me dei conta que havia deixado em seu carro.

— Ah, obrigada — pego de sua mão um pouco corada sem entender o motivo.

— É isso — olhou para os lados — Vou com a minha família no zoológico agora — sorriu.

Zoológico, isso me traz boas lembranças da gente matando aula pra ficar juntos, ver os animais, ficar de mãos dadas, ver o show com golfinhos, um dos poucos momentos que tivemos como um verdadeiro casal apesar de poucas pessoas saberem disso. Perdia-me nas recordações, me sentia feliz com elas, mas tão triste ao mesmo tempo.

— Lucy? Você tá bem? — A voz de Natsu me puxou de volta do mundo de lembranças, olhei para ele confusa, sem perceber quanto tempo fiquei viajando.

— Ah, oi? — falo voltando a realidade, triste realidade. Ele começou a dar risada, depois parou e me olhou.

— Quer ir também? Meu pai tá me obrigando a ir — disse com um sorriso fofo. Sinto que fiquei um tempo sem reação.

Ele está me chamando para ir junto? É isso mesmo? Acho que ainda não levantei da cama e assim que a melhor parte chegar eu vou acordar, não vou me iludir, só pode ser isso. Ele ficou me olhando esperando uma resposta, e eu parada, balancei a cabeça tentando dispersar esses pensamentos ridículos.

— Tudo bem, não tenho o que fazer mesmo — comecei a ir até o guarda-roupa — Mas tenho que me arrumar, não demoro — abri a porta para escolher alguma roupa e ele se sentou na minha cama.

— Não tem o que fazer? Caramba me senti até prioridade agora — brincou.

— Besta — mostrei a língua, peguei uma meia-calça vermelha, uma saia marrom, uma blusinha bege de manga longa, e me direcionei para o banheiro.


Natsu


Fiquei sentando em sua cama por um tempo, cheguei até a deitar e depois levantar de novo. Ouvi o som do chuveiro ligando. E começo a me perguntar “O que diabos estou fazendo?”, chamei ela para ir junto? Comigo e com minha família? O que tem de errado com a minha cabeça? Devo ter batido muito forte ela em algum lugar. Ainda mais o zoológico, isso traz lembranças.

“Quer ir também?”, o que está fazendo Natsu? Isso não vai dar nada certo. Ainda não entendo nem o porquê de ter vindo até aqui, poderia esperar até amanhã e entregar a blusa dela na faculdade. Não estou nem consciente dos próprios atos, e que camisola era aquela que ela estava usando agora a pouco? Puta que pariu, ainda bem que ela foi pro banheiro, aquelas pernas dela de fora, e aquele decote não deixa as coisas nada fáceis. Porque estou pensando nisso?

Razão por favor, não me abandone, meu coração é burro demais para agir sozinho. Respiro fundo e começo a andar pelo quarto, quando vejo uma miniatura adentrar o quarto. Isso é um cachorro? Me agacho para o olhar melhor e ele vem até mim. Que estranho, a cara da Lucy mesmo. Faço carinho nele até sentir meus joelhos doerem e resolvo sentar de uma vez. Ele ficou do meu lado. E a porta do banheiro se abre. Lucy nos olha curiosa e depois sorriu.

— Esse é o Plue — diz apontando para ele e se aproximando e ajoelhando perto de nós — Meu companheiro — sorri com ternura.

— É bonitinho... — digo passando a mão nele — e estranho também — completei. Ela dá risada.

— Não chame meu cachorro de estranho! — briga e começa a passar a mão nele também. Não agüentei e comecei a rir.

— Deve ter puxado a dona — ela ficou emburrada, fica ainda mais linda assim, continuei rindo quando sinto nossas mãos se encostarem. Olhei para ela, ela me olhou também. Me perco tão fácil nesses olhos castanhos.

Se existisse magia, provavelmente seria assim que eu denominaria isso que acontece entre a gente. Sinto que poderia ficar assim por muito tempo, só a olhando. Vejo minha razão indo embora novamente, mas a trago de volta tirando a minha mão de Plue. Ela também recuou sem graça, se levantou corada.

— C-claro que não, vamos? — parecia se recuperar, nem me olhava, me levantei também, passando a mão pela roupa para tirar os pelos do cachorro.

— É, vamos — Antes que eu me arrependa demais por fazer alguma coisa, ou não fazer.

[...]

Fomos para minha casa buscar a pirralha e meu pai, Lucy parecia bem incomodada quando entrou em casa.

— Sua casa é bonita — disse com um sorriso, estava totalmente envergonhada, o que era muito engraçado.

— Voltei, vocês estão prontos? — gritei da porta. Logo vejo a Wendy descendo correndo as escadas.

— Zoológico! EBAAA! — veio até nós, animada, seu olhar parou em Lucy — Olha, a namorada do Natsu-nii também vai! — disse sorridente. Nossa, vou matá-la por isso depois, Lucy estava mais vermelha do que já aparentava.

— O-oi Wendy, quanto tempo — sorriu de volta com seu jeito meigo. Meu pai apareceu, isso vai ser ainda mais estranho. Ele olhou para mim, e depois para Lucy.

— Senhorita Lucy, que prazer revê-la — chegou perto para cumprimentá-la e depois me olhou curioso, apenas ignorei.

— Vamos logo — me virei para sair dali. Sabia que ia acabar fazendo merda.

—♥—

Lucy

Depois de ficar muito sem graça em ir até a casa dele, fomos ao zoológico, e mais estranho ainda foi eu ter ido na frente com Natsu no carro. Parecíamos um casal, isso é muito embaraçoso. Assim que vimos a placa indicando que chegamos, Natsu procurou um lugar para estacionar, o lugar parecia cheio hoje, havia muitos carros e foi difícil achar um estacionamento. Só depois de rodar o local por uns 15 minutos que conseguimos achar uma vaga.

— Nossa, muitas pessoas resolveram ir ao zoológico hoje — falei enquanto tirava o cinto e me preparava para sair.

— Devem ter divulgado que eu viria — ele me olhou com seu jeito brincalhão — Brincadeira, é porque é domingo mesmo — retirou seu cinto também e abriu a porta do carro para sair.

Dei risada de seu convencimento e sai. Desde quando ele é assim? Incrível que caras que são demais, sabem que são demais. Puxei minha bolsa, Igneel e Wendy foram andando em nossa frente, a azulada toda saltitante e contente.

— Sua irmã está muito feliz — olhava para ela animada, Natsu estava andando ao meu lado, olhou para ela também.

— Ela gosta bastante daqui, mas não é sempre que dá para trazer — disse meio sério, mas depois sorriu — A primeira vez que ela veio aqui pareceu com você, com os olhos brilhando — olhou para mim, senti meu rosto corar um pouco, dei um soco fraco em seu ombro.

— Nada a ver, não tenho culpa se é tudo tão legal — sorri.

Continuamos andando, vendo os animais, ver Wendy tão feliz meio que me deixava assim também, mas não conseguia deixar de lembrar de quando eu e Natsu viemos aqui, quando ele me beijou sem se preocupar com nada, dois adolescentes apaixonados. Penso que ainda existe essa adolescente em mim. Olho para Natsu um pouco a frente com sua família, rindo e tentando dar susto em sua irmãzinha. Por um momento ele me olhou percebendo que estava pra trás e sorriu. O problema é que não somos mais adolescentes, e esse tempo não vai voltar.

— Vai ficar para trás assim — disse assim que me aproximei deles novamente.

— Nee-san olha aquele pássaro, ele não é lindo? — Wendy disse se aproximando de mim, apontando para dentro de uma jaula, onde havia uma arara azul.

Nee-san? Essa frase acendeu algo em mim, até esqueço como é estar em uma família, sorri igual a uma boba, olhei para além das grades.

— É sim, muito lindo — respondi.

— Será que ele não se sente limitado nessa jaula? — perguntou inocentemente com um olhar distante.

— Com certeza, mas se tratando de um pássaro destes, é bem perigoso o mundo afora também, com tantos caçadores ilegais tentando pegá-lo — Não faço a mínima idéia do motivo para estar falando coisas assim para uma garotinha. Ela se virou para mim, seu olhar parecia um pouco triste.

— Ei Nee-san, você ainda gosta do Natsu-nii? — Senti minha expressão facial ficar totalmente espantada. Fiquei a olhando, apenas piscando os olhos, tentando pensar em alguma coisa que não fosse “Mas O que?” — Sabe... — disse cabisbaixa — Ele te olha daquele jeito diferente, que não vejo olhar para mais ninguém.

Meu coração disparou na hora, o que ela está dizendo? O que eu digo? E porque estamos falando de coisas assim? Comecei a me sentir tensa quando senti um braço em volta do meu ombro.

— E aí, vamos continuar andando? — Natsu apareceu, Wendy voltou a sorrir como se nada tivesse acontecido e eu continuei com meus milhões de pensamentos. Ainda bem que ele apareceu, não saberia reagir.

Andamos entre todos os setores, pássaros, cobras, macacos, mamíferos, mas não conseguia prestar atenção em mais nada, só nele. Tentando decifrar aquelas frases da Wendy. Vai ver ela só estava pregando uma peça em mim, cai direitinho hein? Pensava comigo mesma.

— GOLFINHOS! — Ouvi a Wendy gritar histericamente apontando para uma placa.

— Olha Lucy... aquele mesmo show... — Natsu disse olhando para onde Wendy apontava. Cheguei perto tentando enxergar também. E era mesmo, o mesmo show de quando viemos. Me surpreendo com o tanto de situações que o destino nos coloca e que insistimos em chamar de coincidência.

—♥—

Assistimos ao show normalmente, sem ficar abraçados como da ultima vez, claro e infelizmente, mas foi muito bom. Saímos de lá, Igneel e Wendy foram para algum lugar dizendo que nos deixaria aproveitar um pouco sozinhos, não entendi o porquê.

— Sua família é mesmo muito legal — falei olhando para minhas próprias mãos abaixo de mim. Andávamos sem rumo um ao lado do outro.

— É sim — sorriu — A Wendy parece gostar de você, o que é incrível porque aquela pirralha não gosta de ninguém — disse com as mãos no bolso.

— Não fala assim dela, ela parece se preocupar com você... — começo a me lembrar dela falando comigo, balanço a cabeça para afastar esses pensamentos.

— Passamos por muitas situações já, ela só tenta se fazer de forte, mas normalmente ela chora muito sozinha — sua voz era baixa e calma, parecia se lembrar de coisas ruins por sua expressão triste. Começo a me sentir culpada, fiquei em silêncio e então peguei em seu braço.

— Ei, vamos tomar um sorvete? — olhei para ele sorrindo, e ele voltou a sorrir.

— Claro, vamos sim.

Pegamos nossas casquinhas e nos sentamos em alguns bancos, vendo o sol querendo sair de cena aos poucos. Ficamos tanto tempo assim aqui? Porque o tempo não parece ter tanta importância assim quando estou com ele? Só com ele.

[...]

Assim que o relógio marcou 17hrs40 nos encontramos novamente com sua família, e fomos embora. Natsu parou em casa primeiro, Igneel insistiu para que eu jantasse com eles, mas não me sentiria bem.

— Então até amanhã — Natsu disse dando uma piscadinha para mim.

— Até — falei fechando a porta do carro e vendo ele entrando pelo portão da casa ao lado.

—♥—

Natsu

Sai do carro, acionei o alarme assim que Wendy e meu pai saíram do carro. Wendy saiu correndo para dentro de casa contente, meu pai me olhava estranho ainda, até me parar na entrada de casa.

— Filho, você... — Já sabia aonde isso tudo iria levar.

— Não se preocupe, não sinto mais nada por ela — falei antes dele terminar a frase.

— Está tentando convencer a mim ou a você mesmo? — me olhava um tanto preocupado.

— Pai, ela é só minha amiga agora tá? Já disse que fiz minha escolha, não vou dar para trás — tentei me manter firme e convincente.

— Não quero que se arrependa, você merece ser feliz!

— Não vou me arrepender pai — falei o olhando e depois continuei andando até meu quarto.

Fechei a porta e fui até a minha janela, vendo a janela de Lucy fechada.

Não vou...

Notas finais
O que será que tá rolando com o Natsu hein?
Sem pedradas meus amores ><'
Espero que tenham gostado e espero as reviews~♥