Destino Das Fadas
38 Capitulo 36 — Pai VS filha
Notas iniciais
Vim trazer mais um capitulo para vocês. Está bem tenso. Mas estamos chegando ao fim e as coisas ficam tensas não acham?
Quero agradecer imensamente a todos que ouviram minhas suplicas e me deixaram uma review ♥
E claro, à Konie, minha leitora linda que me deixou uma recomendação maravilhosa! *000* Obrigada flor, amei cada palavra e fiquei megamente feliz quando li. Não esperava mesmo! ♥
17 recomendações e beirando os 800 reviews! Autora muito feliz ♥
Boa leitura ♥
Capitulo 36 — Pai VS filha
Natsu
Deixei meu violão de lado e andei lentamente até a janela. Agora eu tinha ainda mais vontade de vê-la do que o normal. Mas é errado. Parei no meio do caminho. É errado. Sei que é. Já nos machucamos demais, para que criar ilusões? Fico criando desculpas para mim mesmo como “vamos apenas conversar”, “não faz mal apenas nos vermos”. Sei bem que não é apenas isso. Apenas alimento meus sentimentos por ela. Crio esperanças para mim mesmo. Chegou ao fim, então porque eu não aceito isso de uma vez?
— Nii-san? — escuto uma voz me chamando e olho para a porta de onde Wendy me olhava sonolenta.
— Acordada ainda pirralha? — falei indo até ela e agachei em sua frente — O que aconteceu? Está sem sono?
— Você estava cantando... — murmurou — Faz tempo que não te escutava cantar — disse com um sorriso.
Senti um calor bom em meu coração. Wendy sempre ficava comigo quando eu cantava e ficou imensamente triste quando eu simplesmente larguei o violão de lado.
— Acordou só por isso? — perguntei sorrindo e ela assentiu com a cabeça — Melhor voltar para a cama então, está tarde e você não pode se atrasar para a aula amanhã — falei pondo a mão em sua cabeça.
— Tá bom — concordou sem entusiasmo. Levantei-me e ela começou a se retirar, mas se virou um pouco antes — Nii-san, você gosta da Yuki-san?
Hm? Uma pergunta com certeza inesperada por uma pessoa completamente improvável. Ela continuou me olhando esperando por uma resposta, enquanto eu tentava pensar em alguma. Gosto da Yuki, gosto mesmo. Aprendi a olhar suas qualidades, que são muitas, e a gostar de sua companhia... Ela é minha noiva, e essa é a parte que pesa. Não deveria ser uma obrigação gostar de alguém, a gente tem que simplesmente gostar.
— Porque pergunta isso? — rebati com outra pergunta já que ainda estava em um conflito interno sobre gostar ou não gostar. Ela ergueu seu olhar para mim.
— Porque você estava cantando a música da Lucy-san
Ai. Essa perfurou meu peito. Porque era verdade. E como essa pirralha se lembra de uma música de tanto tempo atrás?
— Você ainda gosta dela, não gosta? Você não olha para a Yuki-san do mesmo jeito que olhava para a Lucy-san — começou a falar várias comparações sobre como eu me portava perto da Lucy e como eu agia perto da Yukino. Doía só de ouvir, porque era tudo verdade.
— Não é algo que você entenderia Wendy, vá dormir — tentei encerrar aquele assunto que já me incomodava. Coloque a mão em seu ombro tentando guiá-la para fora do quarto.
— Por quê? Ela parece gostar de você também, então porque vocês não ficam juntos? Ela é mais bonita que a Yuki-san também e mais divertida.
Como é que é? Minha irmã tá mesmo me jogando para cima da Lucy? Que cena sobrenatural é essa? Quando eu começo a pensar “Já era, acabou”, uma pirralha aparece para me dar sermão? O que está acontecendo aqui? Fiquei olhando para ela abismado. Se ela soubesse que faço isso por ela e pelo velho, surtaria.
— Wendy, você tem que entender que nem sempre as coisas acontecem como queremos... temos que aceitar e seguir em frente, entende? — falei mantendo a voz calma e a olhando. Ela parecia ainda mais indignada.
— Você ama a Lucy-san?
Porra, porque ela é tão insistente? Isso está me dando nos nervos.
— Amo Wendy, amo o bastante para deixá-la em paz, está feliz agora? — respondi tentando não ficar alterado.
Acabei de admitir meus sentimentos para minha irmã? Muito autocontrole você em Natsu. Ela ficou me olhando e depois sorriu largamente.
— Ai que lindo! Meu irmão tá amando! — gritou animada — Mas nii-san, e se ela não quiser ser deixada em paz?
QUE?
— Chega Wendy, vai dormir, tenho que acordar cedo amanhã também — falei a empurrando para fora de uma vez. Fala sério, o que foi tudo isso? E do nada?
— Mas Natsu-nii... — ia começar a falar novamente, quando a coloquei para fora do quarto e fechei a porta.
Kami-sama, misericórdia! Não basta o mundo inteiro falando o que tenho ou não que fazer. Mas a minha irmã? Isso já foi demais. Pensei confuso com toda essa conversa de amar ou não. Olhei para a janela uma última vez. Tem quem diga que precisamos de meses e anos para amar alguém. Mas eu... não precisei de poucos minutos para isso. E agora as coisas estão assim. Olhei para o outro lado e vi o calendário. Mais um dia se passou. Cada vez mais perto de me casar. Essa palavra chega a me assustar.
Joguei-me na cama e coloquei os braços atrás da cabeça. Ao meu lado estava a escrivaninha com a aliança em cima. Peguei-a entre meus dedos e a olhei por um bom tempo. Lembro de quando a fui comprar, me sentindo o cara mais feliz existente. Eu tinha tudo o que queria para ser feliz: Lucy. Apenas ela, seu sorriso e seu coração. Deveria ter cuidado melhor dela quando a tinha. Arrependimento e mais arrependimentos, não chegarei a lugar algum assim. Abri a gaveta, joguei o bilhete e a aliança dentro e a fechei. Seguir em frente... seguir em frente...
—♥—
Acordei com uma dor de cabeça terrível. Mal me lembro de como dormi. Levantei-me sem muito ânimo e me arrumei para o trabalho. Coloquei uma camisa qualquer, dobrei a manga, coloquei uma calça jeans mais escura e um tênis mais esporte fino. Desci as escadas e fui à cozinha, tomar café da manhã. E me surpreendo quando passo pela porta.
— Oi amor, está com fome? — Yuki diz me olhando sorrindo. O que diabos ela está fazendo aqui? Estava perto do fogão preparando alguma coisa.
— O...i? — falei um pouco surpreso e travado. Sentei em uma das cadeiras e a olhei.
— Sua irmã saiu mais cedo hoje, então pensei em fazer algo para você comer antes de trabalhar — disse enquanto ia de um lado à outra pela cozinha — Quero cuidar do meu futuro marido desde já.
Estranhamente me senti envergonhado. Como ela fala sobre isso com tanta naturalidade? Eu deveria fazer isso também? Sorria Natsu, sorria.
— Ah, que ótimo — tentei demonstrar entusiasmo — não precisava fazer algo assim.
— Claro que precisava, falta menos de um mês para nos casarmos, é bom se acostumar com isso — disse animada. Suas palavras meio que me cortaram ao meio. “Se acostumar com isso”? Não sei se vai ser tão fácil assim.
Alguns minutos depois, ela colocou na mesa algumas frutas já cortadas, pedaços de bolos, pães, recheios e tudo o que havia direito. Ela acha que um batalhão vai comer aqui? Mesmo assim olhei para a mesa, surpreendido.
— Eu ainda não sei do que você gosta, então preparei um pouco de tudo — sorriu orgulhosa por seu serviço — Ah, ainda falta algo — disse parecendo se lembrar de algo, olhei para ela confuso, quando ela me beijou — Bom dia querido!
Tá bom. Isso ainda me surpreende mais do que uma mesa cheia. Apesar de ela estar fazendo muito disso ultimamente. Me beijar do nada. Nada que passe de um selinho, mas ainda assim é estranho. Não tem química. Não mesmo. Não para mim.
— Ah, bom dia — respondi sem demonstrar o quanto isso me incomodava.
Foi realmente uma surpresa quando ela fez isso da primeira vez. Porque eu esperava sentir algo a mais. É com ela que vou me casar, e se for parar para pensar, um dia a gente vai... Sou homem, tenho desejos e tudo mais. Mas como vou fazer isso se não sinto nada quando a beijo? Penso se meus sentimentos pela Lucy me impedem tanto assim de sentir desejo por outra mulher. Isso vai ser um problema.
Ela se sentou do meu lado, começamos a comer e conversar. Nada fora do comum. Ela me perguntava como eu estava, como meus amigos estavam, como estava a faculdade e meu trabalho. Depois começava a falar sobre os preparativos do casamento. Eu tentava parecer animado e participativo. Mesmo que por dentro esse assunto me destruísse.
— Estou saindo, obrigada pela comida — agradeci já na porta de casa. Ela ficou me olhando por um tempo como se esperasse algo. Eu sabia o que era. Respirei fundo e me aproximei para beijá-la.
— Vai com cuidado, bom trabalho amor — disse sorridente. Era legal saber que ela ficava feliz em me beijar. Talvez eu consiga fazer isso. Tenho que conseguir...
—♥—
Lucy
Acordei com uma tontura anormal e uma cólica terrível. Estava completamente sem vontade de nada, ainda mais de trabalhar. Mas hoje eu iria, tinha um assunto muito importante a tratar. Levantei-me um pouco desajeitada e fui cambaleando até o banheiro. Minha cabeça está rodando. Que estranho. Me arrumei rapidamente e fui ao trabalho junto com Taurus.
Passei pela secretaria, onde Biska me olhou sorridente.
— Bom dia senhorita Heartfilia, como está?
— Bom dia Biska, com um dor insuportável e tontura, mas vivendo — respondi sarcástica e ela riu.
— Seu pai voltou de viagem — avisou-me e meu coração até saltou — e também irá adorar o que foi entregue hoje aqui para você! — disse sorrindo.
— Ah é, o que seria? — perguntei curiosa. Ela mexeu nas gavetas, tirando de lá um cartão. Hm? O que é isso?
— Aqui está — disse me estendendo a mão — Uma festa para ir, que beleza hein?
Meu mundo desmoronou.
Não culpo Biska por me entregar isso animada. Ela não sabe que Natsu é o cara por quem sou apaixonada, apesar de suspeitar agora que estou segurando o convite com as mãos trêmulas e com uma vontade insuportável de chorar. Isso não vai me abater. Respirei fundo.
— Obrigada Biska, vou ao escritório de meu pai agora — tentei sorrir.
Sai dali com o coração em pedaços. Guardei o convite na bolsa. Uma dor insuportável tomou posse de mim. As lágrimas queriam cair. Era tudo apenas uma ilusão quando apenas na teoria, mas ver esse convite me mostra como é real. Ele vai mesmo se casar. Aposto que aquela música era para ela também. Tentei com todo esforço pensar em outra coisa para não chorar ali.
Apressei os passos. Agora eu teria que ser corajosa e forte. Nada de chorar. Quando percebi já estava na frente do escritório de meu pai. Inspira, expira, inspira de novo. Meu coração já estava na garganta. Tomei força e entrei sem aviso prévio. Ele estava atrás de sua mesa, e logo direcionou seu olhar de reprovação de sempre para mim.
— Não aprendeu a bater na porta ainda, Lucy? — disse colocando os papéis que segurava na mesa.
Andei a passos firmes até sua mesa, o olhando com desdém. Ele some, processa o homem da minha vida, acaba com a minha vida e quando volta me dá essa recepção? Ele tem que aprender a se portar como um pai e eu vou ensiná-lo.
— Não aprendeu a dar oi para a sua filha ainda, Jude? — repliquei sem medo. Ele me olhou um pouco surpreendido com a resposta, mas não desfez de seu ar superior.
— O que quer? Estou ocupado, acabei de voltar de viagem e tenho que por os negócios em dia, coisa que você não tem feito — voltou a olhar seus papéis, ignorando minha presença. Eu não o deixaria fazer isso. Tirei os papéis de sua mão e os bati na mesa.
— Se ainda não entendeu, tenho muito a te falar e quero que ouça — demonstrei poder. Querendo ou não, eu tenho direitos dentro dessa empresa. Ele não pode simplesmente me ignorar.
— Quem você pensa que... — estava pronto para me fazer calar, mas eu o fiz antes com ele.
— Ordeno que retire o processo contra a empresa dos Dragneels! — falei ainda com as mãos em cima de sua mesa. Encarava-o com raiva e coragem. Porém ele não parecia nada intimidado.
— Está louca? — respondeu com um sorriso irônico no rosto — Esse processo pode nos render uma ótima grana, não pensa nisso?
Grana? Ele disse isso mesmo? Tive vontade de pular em seu pescoço, até me lembrar que ele era meu pai e meu patrão, apesar de tudo.
— Grana? Você está tirando o trabalho duro de uma família! Eles podem perder tudo! — retruquei inconformada.
— E o que eu tenho a ver com isso Lucy? — gritou se levantando e me encarando, cara a cara — Seria apenas mais uma empresa que não deu certo! Eles estavam se reerguendo demais e isso poderia nos afetar também, vai que retiramos nossa aliança com eles quando estavam falindo! Essa é a hora de atacar!
Sua arrogância e ignorância não tinham fim. Eu realmente achei que poderia vir aqui e fazê-lo mudar de ideia por piedade? Percebi que teria que jogar diferente. Essa briga estava me dando uma tontura sem igual.
— Você é um monstro — falei pasma, mas ele não parecia ligar — Retire o processo — falei sem alterar o tom de voz e comecei a me retirar. Virei-me para ele da porta — Se não retirar, irei retirar a minha parte desta empresa — ameacei, e agora sim ele pareceu surpreendido.
— O que está dizendo? — perguntou agora interessado. Peguei em seu ponto fraco papai?
— Isso o que escutou. Mamãe me deixou grande parte de sua herança, toda investida nesta empresa. Não é o único que tem poder aqui senhor. E não deixarei que a parte de minha mãe faça parte desta palhaçada — continuei a falar. Tentando manter minha voz firme e ameaçadora. Não poderia fraquejar agora. O olhar intimidador dele não faria efeito agora.
— Enlouqueceu filha ingrata? — gritou alterado, mas continuei a olhá-lo sem responder — Pois bem... — disse com a voz mais relaxada. Consegui? Ele vai retirar o processo? Pensei animada — Tente — completou. O QUE? Abriu um sorriso singelo e andou em minha direção — Vamos lá, vamos ver quem vai ganhar, está mesmo disposta a perder sua herança por um garoto irresponsável?
Me insultar, ok. Me tratar com ignorância, ok. Ser o pior pai do mundo, ok. Falar mal do Natsu? Não mesmo.
— Você não chega aos pés dele! Você sim é um irresponsável — gritei, e ele pareceu um pouco assustado, apesar de não demonstrar — Que homem você é, se nem ao menos sabe cuidar de sua filha? É ignorante, arrogante, pensa apenas em poder e dinheiro! Minha mãe foi uma infeliz de te ter ao...
Ia terminar a frase quando senti meu corpo sendo atirado no chão e uma ardência no rosto. Ele fez isso de novo? Não acredito.
— Cale a boca, saia já daqui, está despedida — disse me olhando de maneira assustadora.
Levantei-me com esforço. Não choraria. Não estava assustada. Estava abismada. Ele não era meu pai. E eu não o veria mais como tal.
— Aguarde meu processo Jude — falei, arrumando minha roupa — Mamãe está comigo, não vou perder.
Assim que sai de seu escritório, pude ouvir a porta ser fechada com violência em minhas costas. Fiz o certo? Ir tão longe por um amor que talvez não dê certo? Se for parar para pensar, não era apenas por isso. Era por minha mãe. Por mim. Não poderia continuar vivendo desta maneira. Vou por um fim nisso. Preciso de um advogado. Me orgulho por ter guardado dinheiro esse tempo todo.
Sai aos tropeços dali. Não havia percebido como minha vista estava turva até tentar me movimentar. Minha cabeça dói. Passei pela secretaria totalmente inconsciente. Algo está errado. Senti uma cólica infernal. Biska tentou falar comigo, mas eu passei reto, não iria conseguir responder. Passei pelo portão de entrada. Coloquei a mão na cabeça e tentei me manter de pé.
Preciso de um advogado. Preciso acabar com isso. Apoiei meu corpo nas paredes ali perto. Não estou passando bem. Tentei respirar fundo, mas não adiantava. O que está acontecendo? Minha visão começou a escurecer. Droga, vou desmaiar. Como faço isso parar? Com todo esforço tentei me manter de pé, mas logo senti meu corpo atingir o chão com tudo.
Só pude ouvir...
— Lucy? Lucy! Você está bem?
Continue...
Notas finais
Me deixem reviews lindas ~ ♥
Até quarta!
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