Destino Das Fadas
33 Capitulo 33 — Rival do amor?
Notas iniciais
Capitulo 33 — Rival do amor?
Algumas semanas se passaram. Eu voltei para a faculdade, e foi ainda mais estranho encontrar Natsu. Sinto que nos distanciamos. Talvez não seja bom ficar de papo com a ex-namorada quando se está prestes a casar. Foram raras as vezes que conversamos, e quando acontecia era sobre trabalhos da faculdade. Seria mentira dizer que isso não me magoa. Cada vez que nos olhamos é uma tortura. Ainda posso sentir no nosso cruzar de olhos aquele sentimento forte e persistente batendo no meu coração.
O amor é uma droga mesmo. Todo dia me pergunto se não há nada que eu possa fazer, e quando penso nisso, percebo que talvez ele não queira fazer nada. A noiva dele é bonita, parece simpática, e pelo menos mil vezes mais dócil do que eu jamais poderia ser. Acho que está na hora de aceitar, Natsu pode estar mesmo gostando dela.
Ainda assim, tentei falar com meu pai. Ele simplesmente viajou sem dizer nada, faz muito tempo que não o encontro. A última vez foi quando brigamos, apesar de isso sempre acontecer quando deparamos um com o outro. Procurei qualquer pista que fosse para cancelar esse maldito processo, mas não encontrei. O advogado particular de meu pai me deu as costas também, por mais que eu implorasse. Não queria pensar nisso, mas... a palavra desistir tem se aproximado cada vez mais de mim. Vejo-me cada dia com menos escolhas.
— Lu-chan? — Levy me despertou.
Olhei para ela ainda perdida em pensamentos. Estávamos na Fairy Hills, combinamos de fazer um jantar para comemorar o noivado de Erza e Jellal. Noivados... me lembram casamentos, e casamentos me lembram NATSU. Droga de vida. Mas não vou me deixar abater.
— Desculpe, acho que me distraí — respondi, voltando minha atenção para o monte de arroz em minha frente.
— Você é realmente boa nisso Lucy, meus oniguiris saem todos de tamanhos diferentes — Erza reclamou.
— Como eu não tinha muitos amigos, eu vivia com os empregados na mansão, daí acabei aprendendo — sorri.
Molhei minhas mãos com água e sal, coloquei um montinho de arroz na mão e comecei a moldá-lo até formar um triângulo com as pontas arredondadas. Peguei uma pequena parte de folha de nori e pus em volta. Perfeito! Mais um.
— Nossa Lu-chan, o cara que casar com você vai ser o mais sortudo do mundo — Levy brincou olhando com admiração o meu trabalho.
— Vai mesmo — Uma voz soou atrás de nós.
Viramos-nos e lá estava ele, sorrindo para mim. O partidor de corações. Corei com seu comentário e voltei a fazer oniguiris. Não queria encontrá-lo assim tão casualmente. E como ele faz um comentário desses? Senti uma mão no meu ombro.
— Ei, não vai me dar oi chatinha? — disse sorridente, se aproximando para me dar um beijo na bochecha.
O mais estranho foi sentir seus lábios em minhas bochechas. Espera aí, não é normal cumprimentar as pessoas assim? Deveria ser. Mas não foi. Percebi que não era a única ali que pensou isso, quando ele se afastou e me olhou. E ali dei adeus à consciência, me perdendo em seus olhos. Tinha tanto a perguntar.
— Licença, você é a Erza? Parabéns pelo noivado! — Então a vi, logo atrás dele. Sua noiva. Ele a trouxe.
Pensei em milhões de coisas ao mesmo tempo. Quanto eles já estavam íntimos para ele trazê-la aqui? Idiota, eles estão noivos! Mas eles já estão tão apegados assim? Parece que sim. Isso só aumenta minhas suspeitas, ele pode mesmo estar gostando dela. Não posso nem culpá-la, deveria é dar um prêmio por tê-lo conquistado.
— Oi Lucy, nos encontramos novamente — Ela se aproximou me dando um abraço que me pegou de surpresa.
— Ah, oi Yukino, como está? — tentei sorrir.
— Estou ótima, fiquei super feliz quando Natsu me chamou para um jantar com os amigos dele! — respondeu animada.
— Que bom — falei com a voz mais baixa do que o normal.
Logo ela começou a conversar com a Erza sobre casamentos e isso meio que me deixou triste. Ainda mais quando ela disse “Que bom conhecer alguém que vai se casar também”, parece que as coisas estão indo melhores do que eu imaginei entre eles. Melhor eu sair daqui, antes que eu me sinta ainda pior. Peguei uma bandeja com oniguiris para levar lá fora para os garotos.
— Servidos? — ofereci quando me aproximei deles.
Sentados em volta da mesa estava Gajeel, Gray, Juvia, Cana, Jellal e Natsu. Todos me olharam ao mesmo tempo. Sinto que meu rosto começou a queimar de vergonha. Natsu estendeu a mão para pegar um e mordeu.
— Está ótimo, obrigado — sorriu.
Nossa... é assim tão terrível ainda me derreter completamente com seu sorriso? Ele me traz tanta segurança, tanta confiança e tanto...
— Lucy? — Juvia me fez acordar, tentando tirar a bandeja de minhas mãos para por em cima da mesa.
— Desculpa, eu... eu... — tentei explicar, mas ela deu uma piscadinha como se entendesse exatamente o que aconteceu.
Droga, o que está acontecendo comigo? Não adianta nada ficar sonhando acordada.
— Senta aí Lucy, venha beber com a gente! — Cana disse batendo no banco vazio ao seu lado.
— Só você está bebendo Cana — Gajeel disse olhando para a garota que apenas começou a gargalhar.
Ela nunca mudará. Ouvi alguns passos atrás de mim e me virei.
— Amor, a Erza disse que vai me ajudar com o casamento! — Yukino gritou acenando.
Amor? Olhei para ela e depois para Natsu. Natsu me olhou. Todo mundo se olhou e ficou quieto. Certo Lucy, seja forte. Esse coração destroçado não é nada.
—♥—
O tempo se passou, comemos, bebemos, conversamos, rimos — mais precisamente: eles riram —, Cana contou piadas, Erza e Jellal estavam radiantes, podia imaginar a felicidade deles. Mesmo assim, ver Natsu abraçado à Yukino, me deixava mal. Odeio parecer uma criança idiota que não controla as emoções, mas acho que ninguém pode controlá-las.
— Eu já volto — falei me retirando assim que vi Yukino se virar para Natsu piscando um olho e ele retornando. Eles pareciam namorados. Ah, espera aí, eles são noivos. Odeio admitir, mas isso me chateava.
Sai dali, vendo todos me observarem. Não sou boa de esconder minhas expressões, e com certeza quando sai dali estava com a expressão de choro. Apenas ignorei tudo e fui para o quarto da Levy-chan onde estavam minhas coisas.
Cheguei ao quarto e me sentei na cama. Preciso me acalmar. Seguir em frente. Eu realmente achei que se tentasse o máximo cancelar esse processo tudo daria certo. Mas acho que não vai ser fácil assim. Não achei que ele pudesse se apaixonar por outra pessoa que não fosse eu. Como fui idiota e egoísta. Senti as lágrimas virem e comecei a chorar silenciosamente naquele quarto escuro. É isso... eu desis...
[acende a luz]
Hã? Levanto minha cabeça assustada.
— Porque está chorando? — perguntou encostado na porta.
Meu coração acelerou. Limpei as lágrimas rapidamente, envergonhada. É inútil, as lágrimas não param e vê-lo ali me olhando torna as coisas piores. Droga, não era para ele me ver assim. Ele suspirou e começou a se aproximar aos poucos, enquanto eu ainda tentava conter as lágrimas. Sentou-se do meu lado sem me olhar.
— Sabe, ainda é difícil te ver chorar — murmurou olhando para o chão.
— Então não venha me ver chorar, quero ficar sozinha — repliquei escondendo meu rosto com a face avermelhada por causa do choro.
Isso é ruim. Porque ele está aqui? Essa aproximação me incomoda. Não queria parecer rude, mas não tenho outra escolha. Aliás só de vê-lo meu coração ainda dispara.
— Grossa — retrucou.
— Idiota
— Chata
— Tonto
Olhamo-nos por alguns segundos, irritados e depois rimos baixinho com a situação. Isso lembra os velhos tempos. Quando éramos melhores amigos.
— Parece que não mudamos tanto assim desde o ensino médio — me olhou sorrindo.
— Verdade — sorri de volta, de modo mais fraco e voltei a fitar o chão.
Ficamos em silêncio um pouco com os próprios pensamentos. No meu caso, me recordava de tudo o que passamos no colégio. E meus pensamentos pararam naquele nosso primeiro beijo sem pensar no baile da viagem. Lembro que fiquei tão confusa, o mais popular do colégio queria ficar comigo e meu melhor amigo me beijou. Mas acho que estava claro desde o início, sempre gostei mais do beijo do Natsu.
— Acho que não foi só isso que não mudou desde o ensino médio... — ele sussurrou com o olhar baixo. Virei-me para ele confusa.
— O que quer dizer com isso?
— Ah! Vocês estavam aqui, que susto! — Yukino apareceu na porta do quarto, me fazendo quase pular de espanto. Ainda bem que não estávamos fazendo nada estranho.
— Desculpa, te preocupei? — Natsu perguntou sorrindo e se levantou.
— Um pouco, você disse que ia ao banheiro, mas demorou para voltar — Ela disse pegando no braço dele.
— Encontrei a Lucy aqui e acabamos conversando — respondeu.
— O pessoal vai começar a guardar e lavar as coisas, vamos? — ela sorriu.
Por um momento senti como se nem existisse mais... Ela começou a sair na frente e Natsu logo atrás, quando parou na porta e se virou para mim.
— Lucy... — me chamou com a voz baixa.
— Oi? — levantei minha cabeça rapidamente.
— Eu... vou me casar daqui a um mês... achei que você deveria saber por mim — disse cabisbaixo e saiu do quarto.
Um mês. Daqui a um mês, o amor da minha vida vai se casar... e com outra. Claro Natsu, é ótimo saber disso.
[...]
Desci as escadas para ir até a cozinha para ajudar a lavar a louça. E sou surpreendida quando encontro apenas a Yukino ali. Não é uma boa ideia ficar com ela, melhor eu ir ajudar em outra coisa. Me virei para sair.
— Lucy, me ajuda aqui? — ela me chamou. Tarde demais. Olhei para ela e sorri.
— Claro — respondi sem devaneios e me pus ao seu lado na pia.
No começo ficamos em silêncio apenas passando pratos de um lado para o outro. Ela lavava e eu enxaguava. Ali entre nós o som da água escorrendo reinava. Comecei a pensar se Natsu teria dito algo sobre mim.
— Ei Lucy, você é bem próxima do Natsu não é?
Surpresa!
— Ahn, é, hm... porque você diz isso? — falei tentando conter meu nervosismo de falar sobre isso. Ainda mais com a noiva dele. Já não era confortável o bastante estar ali com ela, mas falar sobre Natsu? Não dá.
— Ah, porque você vai ser o par dele no casamento da Erza, e ele sempre te olha com admiração, então eu supus que eram bem amigos — sorriu.
Controlei meus nervos respirando fundo. É, ela não parece saber muito de mim. Isso é ao mesmo tempo um alívio e uma tristeza. Natsu não falou nada sobre mim. Me olha com admiração? Isso foi estranho, e ela não parece ligar. Será que está tão confiante assim?
— É... acho que somos bem amigos — falei por fim.
— Poderíamos ser amigas também né? — me olhou sorrindo. Como é? — Não tenho muitos amigos para cá, e é certo que vou me mudar quando casar com o Natsu — explicou voltando a lavar a louça.
Acho que nossa conversa está tomando um rumo estranho e diferente. Mas ao mesmo tempo, ela parece ser mesmo incrível. Se adaptou bem rápido, é sorridente, fofa, e delicada. Apesar de ser aquela que vai se casar com o homem que eu amo, tenho que tirar meu chapéu para ela.
— Parece que você se acostumou rápido com esse casamento arranjado... — joguei verde na expectativa de conseguir alguma informação de como eles ficaram tão íntimos.
— É uma boa observação — ela disse rindo e depois voltou a ficar apenas com um sorriso delicado nos lábios — Sabe... eu sempre soube que iria casar assim, de um jeito arranjado, me preparei para isso a vida toda. Achei que seria terrível na verdade, estar com alguém que nem amo, nem ao menos conheço, mas então conheci o Natsu. — explicava de forma sonhadora.
Seu olhar me mostrava. Ela está apaixonada por ele.
— Achei que teria que casar com um homem arrogante e mimado, mas não. Natsu é simpático, atencioso, carinhoso, compreensivo...
Teimoso, irritante , chato...
— Fiquei muito feliz por ser ele. Comecei a pensar que talvez eu tenha chance de ser feliz sabe? — me olhou para confirmar se eu a escutava.
Claro que eu estava escutando. Cada palavra dela, me fazia me sentir a pior pessoa do mundo. Ela é uma ótima pessoa. Não posso com ela e não devo atrapalhá-los também.
— Além de que ele é incrivelmente lindo não acha? — disse risonha.
— É, ele é mesmo lindo — falei de um jeito mais sonhador do que eu queria. Percebi isso quando ela me olhou confusa. Voltei a minha compostura e a enxaguar pratos.
— Depois que nos conhecemos semana passada, tentei dar o melhor de mim... liguei para ele todas as noites para saber se ele havia chegado bem, e a gente acabava conversando um monte, ele é muito divertido!
Ela realmente consegue enxergar as qualidades dele. Isso é bom. Parece que ela é uma namorada bem melhor do que eu jamais fui. Acho que... agora posso desistir.
— Fico feliz por vocês, espero que sejam muito felizes — falei sinceramente por mais que doesse. Ela sorriu em agradecimento.
— Já sei! — ela disse parecendo ter uma ideia incrível.
— O que foi? — assustei-me com sua reação repentina.
— Você pode ser nossa madrinha de casamento, que tal?
Madrinha de casamento, do casamento que eu queria destruir. Genial. Ela me olhava com expectativa. Não sabia o que responder. É claro que é não. Mas como falar isso?
— Oi meninas, do que estão conversando? — Natsu chegou à cozinha.
Olhei para ele aflita. Ele arqueou as sobrancelhas. Yukino sorriu.
— Amor, o que acha da Lucy ser nossa madrinha de casamento? Não é uma boa ideia? — ela perguntou animada.
Pude ver Natsu engolindo a seco, olhou para ela e depois para mim. Ficamos nos olhando por alguns instantes. Não sei o que ele estava pensando, mas eu estava imaginando que era uma péssima ideia. Principalmente pelo simples fato: Eu queria ser a noiva e não a madrinha.
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