Destino Das Fadas

32 Capitulo 32 — Desespero da certeza


Notas iniciais
Olá meus amores! ♥
Não atrasarei essa sexta-feira novamente! KKKKKKKKK Especialmente por você Maya-chan, para viajar com a mente tranquila [ou não] e para vocês amores que me deixaram uma review linda ♥
Estou atrasadíssima com os comentários né? Vou tentar responder tudo hoje tá bom?
Boa leitura ♥

Capitulo 32 — Desespero da certeza

Natsu

O dia estava bonito para se conhecer a mulher com quem eu iria me casar. Não sei se o bastante para apagar certa loira da minha mente, mas o suficiente para tentar ser simpático e não acabar com todo o plano. Estávamos todos na sala de jantar, meu pais, o senhor e senhora Aguria em uma mesa, enquanto eu e Yukino em outra. Eles disseram que iam nos deixar mais a vontade para nos conhecermos, sinto informa-lhes que não estava dando certo. Ela é tímida, cora por qualquer coisa e normalmente só balança a cabeça quando eu digo algo. Pelo menos é bonita, com cabelos brancos curtos, um corpo razoável usando um vestido branco com detalhes em azul. Não sou de ficar reparando nas roupas e muito menos nos detalhes, mas assim dá para entender o quão estranho está sendo conhecê-la.

— Então... — falei quebrando novamente o silêncio entre nós. Um de cada lado da mesa olhando para os lados — O que você gosta de fazer? — perguntei para tentar entendê-la melhor.

Ela nem sequer olhava nos meus olhos. Ficava com a cabeça baixa envergonhada, se encolhendo na cadeira. Estou assustando-a? Será que ainda estou fedendo? Tenho cara de psicopata ou algo do tipo? Se não, realmente estou me sentindo assim.

— Ahn... e-eu... — gaguejou. Agora é certeza. Sou um monstro — gosto de andar a cavalo e... e... — parecia pensar em mais coisas que gostava de fazer, juntando as mãos abaixo da mesa — neve, adoro neve e... esquiar... — completou ainda sem graça.

Cavalo e esquiar? Isso não parece nem um pouco com ela. Tenho que fazê-la se liberar mais. O problema é que... meus pensamentos ainda estão na casa ao lado. O que será que ela está fazendo agora? Será que está bem? Será que também está com dor de cabeça? Será que está pensando em mim do mesmo jeito que estou pensando nela? Eu permanecia nesta luta entre meus sentimentos pela Lucy e pela minha responsabilidade de fazer esse casamento dar certo. Terrível. Nunca vou conseguir ir em frente assim. Talvez nem ela consiga se eu continuar pensando tanto nela.

— E você? Do que gosta?

Da Lucy. Pensei imediatamente como se a pergunta tivesse sido feita por meus pensamentos. Mas logo despertei, tentando dar mais atenção à aquela garota na minha frente. Vou mesmo me casar com ela? Ela não parece ser uma má pessoa, e se fosse ver pelo lado que me casarei de um jeito arranjado, estou feliz por ser com alguém como ela. Esperava uma garota feia, cheia de cicatrizes e espinhas, ou sei lá. NATSU ELA FEZ UMA PERGUNTA SEU IDIOTA! Voltei meu olhar para ela.

— Ah, desculpe, os gnomos invadiram meus pensamentos — brinquei e ela riu. Melhor assim, não quero casar com um robô. Agora sei que ela dá risada. Ri junto com ela e pensei sobre sua pergunta — Sinceramente fico feliz com qualquer coisa — respondi de maneira modesta.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— Qualquer coisa?

— Sim — confirmei — Mas nunca andei a cavalo nem esquiei, talvez você me ensine algum dia — propus e ela sorriu, assentindo com a cabeça.

— Seria ótimo — alargou o sorriso.

Então me lembrei do sorriso dela. A maldita assaltadora de corações. Eu sei que acabou. Deveria me esforçar mais para conquistar a garota que está na minha frente e não ficar distraído a cada segundo pensando na Lucy. Acho que tínhamos um elo mais forte do que imaginei. Vai ser difícil quebrá-lo, ou pior, talvez nunca se quebre.

—♥—

Lucy

“— Natsu, por favor, não vá! Não conseguirei fazer isso sozinha!

Porque estou gritando? Porque ele não olha pra mim? Estou chorando? Ele se vira, mas não mostra o seu rosto. O que está acontecendo?

— Lucy, irei me casar logo e sou feliz com ela, não é amor?


Quem ele está abraçando? Amor? Ele se apaixonou mesmo por ela? E eu? E nós?

Acabou.”

Acordei de maneira totalmente imprevisível. Meu sono se foi de uma hora para outra e meus olhos se abriram. Meu coração estava acelerado. Estava tendo um pesadelo. Mas não me lembro muito bem, só de algumas cenas entrecortadas. Ergui meu corpo, encostando minhas costas na cabeceira da cama. Minha cabeça dói, meu corpo inteiro dói. Que droga foi essa?

Olhei em direção a janela do meu quarto. A essa hora ele já deve ter conhecido sua noiva. Tentei me preparar psicologicamente para isso. Para o fato dele se apaixonar mesmo por ela. E seria bom, ele seria feliz. Mas uma parte de mim se recusa a aceitar isso. Se recusa. Meus olhos queriam se encher de lágrimas.

“Eu te amo Lucy Heartfilia, sempre amei”

Ele me ama. Ele disse com todas as palavras que me amava. Que me amou esse tempo todo. Como fui idiota.

Lágrimas rolaram de meus olhos.

Odeio me sentir assim. Sou culpada. Não deveria ter o deixado ir embora naquele dia. Ele só queria um motivo para ficar, e eu dei milhões de motivos para ele ir. Nunca deveríamos ter nos separados. Porque não podemos ficar juntos? Nunca imaginei qualquer outro homem do meu lado que não fosse o Natsu. Nunca me entreguei para ninguém que não fosse ele. Só ele. Eu o amo. E o perdi.

[...]

Tomei um banho para aliviar o estresse. Problema: Minhas pernas mal conseguiam se movimentar. Praticamente me rastejei até o banheiro. Maldito. Sai da minha vida e não sai do meu corpo. Enchi a banheira de água e entrei nela. Minhas pernas tremiam. E ali bem no meio delas, ardia e muito. Brutamontes desgraçado. Droga. Já é difícil tentar não pensar nele. Mas com o meu corpo latejando o tempo todo por causa dele, é ainda pior.

— Lu-chan?

Uma voz me chamava pelo lado de fora do banheiro. Apenas duas pessoas me chamam assim. E apenas uma viria na minha casa num domingo.

— Pode entrar Levy-chan! Estou no banheiro!

Logo a porta é aberta e a dona daquela voz apareceu. Esperava encontrá-la com um sorriso no rosto, mas ao em vez disso estava com um olhar de pânico e tristeza. Arqueei as sobrancelhas.

— Está tudo bem amiga? — perguntei preocupada. Ela fechou a tampa da patente e se sentou em cima com as mãos nos joelhos.

— Lu-chan, preciso de ajuda! — seus olhos se encheram de lágrimas. E isso se tornava cada vez mais estranho.

Inclinei-me na banheira e me aproximei dela, encostando minha mão em seu joelho. Pude ver seus olhos já vermelhos. Ela estava chorando antes, sem sombra de dúvidas.

— Qualquer coisa, o que está acontecendo?

Ela me olhou finalmente nos olhos. As lágrimas escorriam por sua face.

— Acho que estou grávida!

Não sei se eram as dores que eu já sentia, ou se era por estar muito tempo na banheira, mas minha respiração quase parou. Grávida. Minha amiga está grávida. Sinto que meus olhos estavam arregalados. Apesar de eu já ter desconfiado, é completamente diferente quando se tem certeza. Mas neste momento ela precisava da minha ajuda.

— Isso é maravilhoso Levy-chan! — falei sinceramente. Pode ser inesperado, mas ela tem um namoro firme há tempos e seria uma ótima mãe. Talvez um pouco perseguidora e assustadora, mas também dócil e amigável.

Entretanto minhas palavras não pareceram surtir efeito porque ela continuava a chorar. Tentei me levantar para sair da banheira e poder abraçá-la. Minhas pernas quase me abandonam. Cambaleando alcancei minha toalha e me cobri com ela. Fiquei agachada — de um modo bem dolorido diga-se de passagem — na frente dela e a abracei.

— O que está sentindo Levy-chan? Pode me contar — tentei convencê-la de por seus sentimentos em palavras. Queira ou não, um desabafo sempre alivia um grande peso.

Ela apertou nosso abraço enquanto soluçava, e depois se afastou para me olhar.

— Eu tenho 19 anos Lu-chan! E nem sou casada! Não sei cuidar nem de mim, como vou cuidar de uma criança? E se o Gaj me abandonar? E se ele não querer? Nunca conversamos sobre isso, e agora que estávamos começando a falar sobre casamento! — suas palavras saiam seguidas uma atrás da outra, mostrando seu desespero.

Deve ser mesmo desesperante. Engravidar sem esperar por isso. Eu não sabia o que falar. Nunca estive grávida — ainda bem — para saber o que fazer quando se vê a melhor amiga arruinada.

— Você ainda não contou para o Gajeel?

— Estou com medo! — respondeu rapidamente, sem parar de chorar — Eu o amo Lu-chan! — suas palavras eram fortes e sinceras — O que eu faria se o perdesse?

Ficaria igual a mim, em pedaços e sem rumo. Mas duvido que isso aconteça, já não consigo enxergar Levy sem Gajeel ou Gajeel sem Levy. Eles são um só. Começo a pensar em Natsu novamente e em como chegamos onde estamos. Separados e se amando. É uma realidade muito dura e triste.

Coloquei a mão no ombro de Levy.

— Você não vai perdê-lo, ele te ama Levy, imagina todas as coisas que ele mudou no jeito de ser por você! Se não é amor não sei o que é — a consolei com a voz calma e seu choro foi cessando — Aposto que ele vai sorrir igual a um bobo, vai te mimar, e vocês serão os pais mais lindos do mundo.

Ela abriu um sorriso fraco que já aliviou meu coração.

— Você é a melhor amiga do mundo Lu-chan — disse me abraçando novamente — Desculpa ter te deixado sozinha ontem, e nem te perguntei como você está, que egoísta eu sou — se culpou e voltou seu olhar para mim — Como você está?

Ótima pergunta.

— Não se importe comigo, você e — coloquei a mão em sua barriga — esse bebê são os mais importantes agora — sorri e ela sorriu também.

— Sempre quis ser mãe, sabia? — perguntou com um olhar sonhador, enquanto passava a mão pela própria barriga.

— Sério? — me deixei levar por sua conversa, pude ver que ela já estava um pouco melhor.

Ela assentiu com a cabeça e continuou distante em pensamentos até começar a explicar esse sonho.

— Imagina aquelas mãozinhas fofas e delicadas querendo as minhas. A voz de criança me chamando, pedindo socorro. Ver aquela miniatura crescendo e pensar que foi fruto do meu amor e do Gaj — disse com um sorriso estampado no rosto.

— Que lindo Levy-chan — falei encantada.

Nunca a tinha visto assim. Tive vontade de chorar. Ver minha amiga, praticamente irmã falando como uma adulta responsável. O tempo passou tão rápido, e fico muito feliz por saber que aquela minha amiga de colegial cresceu e está para formar uma família.

— Amiga, pode ir comigo na farmácia?

— Claro, vamos sim — falei. Porém dois segundos após minhas pernas desabaram no chão gelado do banheiro.

Ai! Levy me olhou preocupada e depois começou a rir.

— Você está mesmo bem? Parece dolorida — disse com ar sugestivo.

— Há há há, estou ótima — falei sem me dar por vencida.

Para ser sincera eu só não queria falar disso. Não queria nem lembrar. Mas a todo momento eu pensava nele. No seu cheiro, no seu toque, no seu calor, na sua voz, na sua pele, no seu olhar, nas suas palavras, no seu jeito e no seu Adeus. Isso parecia estilhaçar meu coração como nunca. O destino é mesmo malvado quando quer.

—♥—

Almoçamos e depois fomos à farmácia, ela comprou o teste para ter certeza de que estava grávida, depois foi para casa, dizendo que gostaria de ficar sozinha. Não achei certo pensando no seu estado emocional, mas ela já estava um pouco melhor. Disse que iria pensar em como falar com o Gajeel. Fico pensando em sua reação do tipo “Eu vou ser pai?”. Engraçado pensar nessas coisas. Imagino que Natsu seria um bom pai... Hã? Quando passei de Gajeel para Natsu?

Amizade é mesmo algo forte e resistente. Se não fosse pela Levy-chan eu com certeza ficaria em casa me recuperando. Minhas pernas doem e agora tenho que voltar para a casa assim. Olhei para o céu e vi sua coloração começar a mudar para o avermelhado, não acredito que passei a tarde toda só indo de uma farmácia para outra até ela ter coragem de entrar em uma e comprar o maldito teste. Para esquecer a dor e o tempo passar mais rápido, caminhei olhando para algumas lojas. Acho que preciso de novas roupas, sempre preciso.

Distraída com as roupas, mal reparei quando bati com tudo em alguém e esse alguém me segurou pelo pulso para não cair.

— Opa, me desculpa, eu...

Natsu. De tantas pessoas no mundo, esbarrei com ele. Pude sentir a tensão se formar entre nós. Os flashbacks de ontem vieram com tudo.

— Eu que te devo desculpas, não prestei atenção por onde andava — ele disse sem graça.

Então voltamos a nos olhar. Queria me jogar em seus braços, e não soltá-lo nunca mais. Mas logo penso que é tarde demais. Sua mão ainda não tinha soltado meu pulso. Só esse toque já fez meus sentimentos se embaralharem. Quero chorar, mas não posso. É como meu pesadelo. Acabou.

— Tudo bem... — murmurei de volta após um tempo.

Podia notar seu olhar profundo sobre mim. Queria perguntar sobre sua noiva. Queria perguntar se ela era uma boa pessoa. Mas sei que estaria perguntando isso por querer ser melhor que ela e não pelo bem dele. Não posso ser assim. Quero o melhor para ele. É tão ruim assim querer ser esse melhor para ele?

Um instante depois uma garota albina se aproximou e pegou no braço de Natsu sorridente.

— Desculpa, faz tempo que não encontrava aquela minha amiga — disse de maneira dócil e depois me olhou.

Meu olhar parecia tirar todas as informações possíveis dela. Natsu soltou meu pulso. É ela. A noiva. E eles já estão caminhando pela cidade como um casal feliz. Minhas pernas tremiam, meu coração acelerava. Natsu me olhava como se tentasse decifrar todas essas sensações. Mas a garota foi mais rápida me estendendo a mão.

— Você é amiga do Natsu? Eu sou a Yukino, noiva dele — não tinha qualquer indicio de convencimento na sua frase. Mesmo assim, doeu ouvir isso.

— Sou a Lucy — falei com a voz falhada. Assim como meu coração estava no momento, fraco e sem reação.

Natsu continuava sem saber o que falar. Eu apertei na mão dela. Ela parece ser doce e gentil. E desta vez de modo sincero pensei o quanto isso era bom para a felicidade dele. Tentei demonstrar isso com um sorriso, quando senti que as lágrimas queriam vir.

— T-tenho que ir — falei como um sussurro e passei por eles. Foi neste instante que minhas lágrimas caíram e meu coração se despedaçou.

Agora eu tinha certeza. Ele não era mais meu.


Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância. E o pior de tudo é ter que compreender sem querer.


Notas finais
É isso aí, esse capitulo foi light, mas os próximos viram com altas tretas como vocês dizem! KKKKKKKKKKKKK
Foi só para mostrar o começo do noivado do Natsu, a Levy grávida, e a Lucy desolada. Quem tem teorias sobre o que vai rolar?
Só para constar, eu gosto da Yukino *00*
Kissus ♥
Me deixem reviews~♥
Ps. Mudei a capa finalmente, o que acharam? *00*