Destino Das Fadas
13 Capítulo 13 — Operação Cupido
Notas iniciais
Capitulo 13 — Operação Cupido
— Deixa eu ver se entendi — Natsu diz pensativo com a mão no queixo — Você quer dizer que a Juvia ainda ama o Gray, mesmo estando com a Lyon a quase um ano, mas como Gray não dá bola para ela, então ela vai lá perder a virgindade com o Lyon. E você e a Levy querem impedir isso.
Ele me olha com as sobrancelhas arqueadas após seu pequeno resumo de tudo o que falei. Ok, falando assim parece ser bem mais ridículo. Ainda mais em nossa atual situação. Estamos sentados um de frente com o outro em uma cafeteria conhecida na cidade.
— Isso mesmo — falo com expectativa, mesmo percebendo como parece mesmo idiota ocultando a parte sobre o pai de Juvia.
Esqueci de mencionar que estamos sozinhos. Graças a minha melhor traíra amiga, que resolveu me abandonar.
Flashback on — celular
— Alô? — a voz doce dela soa rapidamente depois de alguns toques.
— Oi amiga — digo, sorrindo — Você já está indo para a cafeteria que combinamos com o Natsu?
Liguei para ela assim que sai de casa. Eu voltei da Fairy Hills bem cedo para minha casa por causa desse encontro. Por sorte não me encontrei com meu pai logo de manhã.
— Sabe o que é, Lu-chan — começa a falar e meu coração já acelera prevendo desastres — Não vai dar para eu ir.
— O que? — grito ao telefone.
— Mas aproveita lá, tá bom? E me liga qualquer coisa!
Baixinha do capeta.
— Levy-chan, você não pode me deixar lá sozinha com... — tento suplicar. Mesmo sabendo que seria em vão.
— Ganbatte ne! — diz com um falso sorriso, aposto — Ah! — exclama como se lembrasse de algo — Aproveite e ache um plano para vocês dois se resolverem logo, o que acha?
Ela ri como uma psicopata enquanto continuo pasma como minha melhor amiga pode ser sacana.
— Não precisa me agradecer! Beijos.
Então a ligação caiu e eu continuei na frente de casa com o celular em mãos.
Traidora.
Flashback off
— Vocês têm certeza que querem se meter na vida dos outros assim? — Natsu pergunta, cruzando os braços e olhando sério para mim.
Homens são tão cegos que me dá raiva.
— Não é se meter na vida dos outros! — tento argumentar — Estamos apenas... sendo solidárias — continuo da forma mais convincente que consigo.
Ele continua me olhando como se eu fosse louca. Respiro fundo.
— Qual é Natsu! — estouro — Você é amigo dele, deve saber como ele se sente em relação à ela! Está tão claro!
Natsu ri baixinho de algo que não explica depois, então apenas suspira e volta a me olhar. Fico intrigada com sua reação, mas não sei se quero mesmo saber o que se passou em seus pensamentos.
— Eu sei que ele não gosta de pessoas interferindo em seu modo de vida — fala como se fosse óbvio.
Estou pronta para rebater, mas a garçonete aparece.
— Aqui estão — coloca-se no meio da mesa com uma bandeja e separando nossos pedidos.
— Aquilo não é um modo de vida — rebato ao ver a garçonete se afastar — Ele só sai... transando com qualquer uma. Vai me dizer que você acha isso normal? — pergunto indignada.
Ele toma um gole de sua bebida, enquanto pega um guardanapo para pegar um dos pães de queijo. Continuo a fuzilá-lo com o olhar. Recuso-me a acreditar que ele pode achar isso normal.
— Caramba, isso parece bom! — aponta para minha bebida — O que você pediu?
Desvio meu olhar dele para minha bebida e estendo a taça em sua direção.
— Cappuccino gelado, quer? — ofereço amigavelmente — E não mude de assunto. Você realmente acha isso normal? — questiono ainda mais pasma por ele tentar desviar de assunto e puxo minha taça de volta antes que ele pegue.
Natsu suspira vendo que não conseguirá me despistar.
— Não é isso — fala desviando o olhar — Mas para ele é normal. Não é como se eu já não tivesse tentado tirar dessa vagabundice que ele chama de vida — se explica, puxando minha taça — Agora deixe eu provar isso.
Arqueio as sobrancelhas sem acreditar muito em suas palavras. Só de pensar que ele tenha levado a vida do mesmo jeito em Crocus, sinto meu sangue ferver. Mas somos só amigos. Então controle-se.
— Então Natsu, você tem que nos ajudar! — volto a suplicar, tentando deixar o assunto de lado — Pela Juvia para não perder a virgindade com alguém que ela não ama e se arrepender depois. E também por Gray que é idiota e egoísta demais para não ter confessado seus sentimentos até agora! Fazem dois anos! Além disso... — fecho a boca antes que fale sobre o que eu não deveria falar.
Natsu repara e para de beber apenas para me encarar.
— O que foi isso? — pergunta diretamente por eu ter parado de falar de repente.
Olho para os lados. Não adianta mentir para ele, 80% das vezes, Natsu sempre descobre.
— Não posso te contar — digo, comprimindo meus lábios.
Ele parece bufar diante dessa frase.
— Gray não pode me contar, você não pode me contar. Mas que raios de melhores amigos são esses?
Mordo o lábio e olho para baixo me sentindo reprimida. Apesar de certa alegria ter tomado conta de mim ao ouvir a palavra “melhores amigos”. Ele me considera sua melhor amiga de novo?
— Nossa, isso é muito bom! — Ele troca de assunto ao devolver minha taça pela metade — Vou pedir para mim também.
Fico inconformada por ele ter tido essa coragem.
— É bom pedir mesmo! Você tomou metade do meu — continuo a olhar minha taça, incrédula.
— Quanto a Gray... — retoma o assunto — Ele é mesmo um cretino, mas não o critique tanto na minha frente. E cara, o Lyon é namorado da Juvia, não seria mais do que normal perder a virgindade com ele?
Um garçom passa ao nosso lado e ele faz o pedido do segundo cappuccino.
— Eu não era sua namorada quando perdi a minha — murmuro baixinho sem consegui me conter.
Mas me arrependi no momento que olhei para frente e reparei que ele escutou. Natsu me fita com seus olhos profundos e intensos que sempre me hipnotizam. Às vezes sinto que ele faz isso de propósito. Mantendo seus olhos fixos em mim, ele se inclina em minha direção.
— Você realmente perder a virgindade comigo? — sussurra.
O que?
Que tipo de pergunta é essa para se fazer no meio de uma cafeteria? Sinto meu rosto corar rapidamente, enquanto seus olhos continuam a me fitar. Natsu nem ao menos sorri ao me ver tão vermelha. Ele está falando sério.
— O... q-q-que, não viemos aqui para falar disso — gaguejo, levando minha mão até minha bochecha para ter certeza que não irei explodir.
Desvio meu olhar e como meu pão de queijo desesperadamente. Sinto meu coração a mil por hora nesse instante. E acelera ainda mais quando sinto sua mão tocar na minha em cima da mesa.
— Me responda, por favor — insiste.
Paro de comer imediatamente e volto a olhá-lo.
— C-claro, seu idiota! — grito sem graça e abaixo o tom da minha voz novamente — Tenho cara que sai fazendo isso com qualquer um?
Natsu parece paralisado por alguns instantes e depois sorri, me deixando ainda pior. Estou louca para perguntar sobre essa sua curiosidade óbvia.
— Tem razão — fala, jogando-se para trás — Não viemos aqui para falar disso.
Agora que eu já respondi algo completamente constrangedor, ele fala isso. Maldito. O garçom logo aparece com seu pedido, deixando a taça na mesa e e rapidamente a pego para beber.
— Ei, isso é meu! — fica no vácuo ao tentar pegar sua taça.
— Perdeu — digo, bebendo um pouco mais — Huuum, isso está tão bom!
Natsu arqueia a sobrancelha.
— Fala sério — murmura, apoiando-se na mesa para me encarar — Se gemer assim de novo, você pode se arrepender.
Paro de beber e devolvo a taça no mesmo instante, sentindo meu rosto esquentar de novo. Ele pega a taça de minhas mãos e ri com a vitória. Como conviver com um melhor amigo, que já foi seu ex-namorado, te provocando sobre assuntos que você tem certeza dele ser muito bom?
— Estou pensando... — corta o silêncio novamente — Vamos testar Gray. Então isso vai definir se devemos entrar na confusão ou não.
— Testar? — pergunto sem compreender.
— Sim — responde com simplicidade — Que horas Juvia vai ser encontrar com Lyon?
Tento lembrar das conversas de ontem.
— Acho que oito horas da noite — falo vagamente sem entender o rumo dessa conversa.
— Ótimo, apareça as seis em casa — diz calmamente — Lembrando que estou fazendo isso por Gray.
— Hai hai — dou-me por vencida.
Aliás ele era o único que podia falar com Gray. Ou melhor, o único que Gray talvez escutaria. Finalmente Natsu entendeu algo do que eu disse. Gray e Juvia se amam e devem ficar juntos. Ponto.
Espera aí... na casa dele?
—♥—
Mesmo sendo sábado, resolvo ir à empresa para não deixar o trabalho acumular. Ainda não encontrei meu pai e nem quero. Tenho que pensar algum jeito para fazer ele mudar, ou para receber minha herança antes da hora. Não posso deixar o esforço da mamãe em vão.
Tento resolver os problemas dos outros se nem consigo resolver os meus.
Suspiro. Vai ver que os meus não tem solução.
Entro em me escritório e logo tomo meu lugar atrás de toda aquela papelada. Com o mundo digital de hoje ainda tenho que mexer com tanto papel e caneta. Chega de reclamar, hora de trabalhar.
O tempo não passa e a papelada também não acaba. Olho para minha mesa, onde há um bloco todo visto e assinado e outro que ainda tenho que terminar. Não foi nem a metade. Ninguém merece. Afasto a cadeira para poder respirar um pouco e a mesa vibra por causa de meu celular. Olho para ele ao lado e vejo ser uma nova mensagem.
“Oi Lucy, como você está? Faz algum tempo que não conversamos. Será que podemos, sei lá, sair para jantar hoje? Pense com carinho. Beijos” — De Loki
Loki...
É verdade, não temos conversado muito, nem na faculdade. Não queria que um clima estranho se formasse entre nós, mas também não quero lhe dar esperanças. Por isso tenho andado com as garotas ultimamente, e com Natsu.
Isso deve estar deixando Loki abalado. Ele não entenderia nossa relação complexa. Amantes em um dia, inimigos no outro e amigos logo após. Para dizer a verdade, nem eu entendo. Ninguém deve entender. Brigamos com a professora por nos colocar em dupla e de repente começamos a conversar normal.
Argh, odeio minha vida.
Voltando ao ponto. Jantar? Acho que está na hora de voltar a falar com Loki. Mas não sei como vai se desenrolar a história da Juvia. Loki é um bom rapaz. E tudo estava ótimo antes de Natsu voltar. Nem dá para acreditar que agora nem ao menos consigo imaginá-lo como ficante.
“Oi Loki, estou bem e você? Tem razão, faz algum tempo. Hoje tenho alguns compromissos e não sei se dará tempo. Será que podemos combinar algo amanhã? Desculpe por isso. Beijos”
Respiro fundo ao enviar.
Não quero magoá-lo, não quero magoar ninguém e também não quero me magoar. Talvez eu deva passar o resto da vida sozinha para não correr o risco. Mesmo com meus sonhos sobre casamento. Tenho minhas dúvidas se isso, um dia, irá acontecer.
—♥—
Por volta das dezessete horas, volto para casa. Tenho que tomar banho antes de ir para a casa de Natsu. Mas não estou com pressa, aliás ele é meu vizinho.
Pego um vestido casual, e uma toalha, enquanto deixo a banheira enchendo. Faço um coque e me afundo na água. A sensação é ótima ao sentir a sensação morna sobre meu corpo. Tudo o que eu precisava depois de tanto estresse em poucos dias.
Ouço o ranger da porta e logo abaixo Plue aparece, invadindo o banheiro.
— Oi bebezinho — falo com a voz de mãe boba.
Dei um meio sorriso ao vê-lo abanar o rabo, mas quando ergui meu olhar, senti meus olhos arregalarem. Minha respiração falha e meu rosto esquenta automaticamente.
— Kyaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! — grito, puxando minha toalha — Saí daqui agora!
Natsu olha para minha situação com um sorriso irônico nos lábios.
— Foi mal — fala calmamente, deixando o banheiro.
— O que você pensa que está fazendo? E fecha essa maldita porta!
Sinto-me ofegante por isso. Natsu já me viu sem roupa, mas agora somos amigos e esse tipo de coisa não deveria acontecer.
— Sua empregada deixou eu entrar — começa a contar do outro lado da porta — Então eu vi a porta do banheiro aberta e... Por que diabos você toma banho de porta aberta? — Eleva o tom de voz na última parte.
Suspiro, sem acreditar. Era só o que me faltava para completar o dia. O que ele está fazendo aqui? Eu deixo a porta entreaberta! Se algo me acontecer, alguém vai conseguir me salvar. Nunca tem ninguém em casa!
Olho para Plue, deitado no tapete perto da pia. Ah, o culpado.
— Viu o que você fez? Cachorrinho do mal — digo emburrada, apontando o dedo para ele, como se fosse entender — Como você sai abrindo a porta desse jeito?
— Você está mesmo culpando um cachorro? — A voz caçoada de Natsu surge novamente.
— E você, cala a boca!
—♥—
Termino o banho, me seco e coloco o vestido rapidamente para ir resolver mais essa situação. Arrumo o cabelo e dou alguns tapinhas em meu rosto para melhorar o astral. Saio do banheiro e avisto Natsu jogado na minha cama, parecendo entediado.
Ele escuta o som da porta e se apoia em seus cotovelos para me olhar. Sinto meu rosto corar, mas ignoro.
— O que está fazendo aqui? — pergunto irritada e de braços cruzados.
Natsu sorri.
— Estava sem nada para fazer — responde como se fosse simples assim.
— Ah! — exclamo como se fosse uma boa explicação — E resolveu espionar a vizinha no banho?
Continuo a encará-lo, enquanto ele também me olha com seu sorriso de lado. Como se achasse tudo isso muito divertido.
— Para início de conversa — começa a falar sem tirar o sorriso do rosto — Eu nem sabia que você estava tomando banho. Infelizmente, não tenho bola de cristal para adivinhar quando minhas vizinhas tomam banho e deixam a porta aberta — termina em tom de deboche.
Balanço a cabeça, incrédula.
— Você é um idiota pervertido — resmungo, indo até meu celular.
— E você, uma estranha que deixa a porta aberta para vizinhos gostosos, como eu, invadirem seu banheiro enquanto você toma banho.
Paro no meio do caminho apenas para olhá-lo ainda mais indignada.
— Como é que é? — indago pasma — Acabou de confessar que invadiu meu banheiro enquanto eu tomava banho?
Aponto o dedo em seu rosto e volto a cruzar os braços.
— Acabou de confessar que deixou a porta aberta de propósito? — retruca, rindo.
Abro a boca para replicar, mas nada vem a minha mente. Droga, se eu não dizer nada parece que estou concordando com toda essa palhaçada. Bufo por dentro e o encaro para dizer minha frase de mestre:
— Te odeio — respondo emburrada.
Natsu solta uma gargalhada por me deixar sem palavras.
— Desculpe, eu realmente não sabia — para de rir e me olha com um sorriso sincero.
Olho para ele e apenas respiro fundo.
— Apesar de ser sua cara fazer algo deste tipo, está perdoado — digo, sentando ao seu lado na cama — E aí, qual o plano?
—♥—
Gray
Estava na cama com uma garota, quando escuto meu celular tocar. Tento ignorar a música baixa que toca e continuo a beijá-la, abrindo suas pernas para me dar passagem.
Mas o maldito som persistia. Já tocou três vezes.
Maldição.
Fecho os olhos com pesar e me levanto um pouco para estender minha mão até a escrivaninha onde meu celular se encontra. A garota continua a me olhar, mordendo os lábios e passando suas pernas por mim. Apenas sorrio de leve e olho para a tela do celular. Fala sério. Respiro fundo e saio de cima dela para me sentar.
— O que você quer, maldito? — atendo irritado — Espero que esteja morrendo.
Enquanto isso, a garota, que acredito chamar Yasmin, veio até minhas costas, dando beijos e mordidas de leve.
— Quanta hostilidade hein? — Natsu responde em total sarcasmo.
— Volta aqui, Gray, volta — Yasmin começa a gemer em meu ouvido — Estou pronta para você.
— Cara, você está com uma garota? — Natsu pergunta, provavelmente por ouvir a voz dela.
— Pois é, e como pode ver tive que parar na melhor parte. Dá para falar logo o que você quer, porra?
— É o seguinte — passa a falar — Daqui a dez minutos, estarei na sua casa. Se você ainda se importa com a Juvia, é bom estar lá. Falou — termina e desliga a chamada.
Fico olhando para o celular, sem entender. Quem esse idiota pensa que é? E como assim se eu me importo com a... Será que aconteceu alguma coisa em relação ao pai dela de novo?
— Vem cá, meu gostoso — Yasmin me puxa novamente para a cama.
Droga. O que eu faço?
—♥—
Lucy
Escuto Natsu conversando com Gray e logo após desligando em sua cara.
— E agora? — pergunto, olhando para sua expressão desacreditada.
— Vamos ver no que dá — responde, jogando-se novamente na cama.
Balanço a cabeça apenas para dizer que escutei e olho para minhas mãos.
— Ele estava com outra. Tem certeza que vai dar certo?
Natsu usou o viva voz para conversar. E sim, me senti enojada ao ouvir a voz da garota prestes a ter um orgasmo no telefone. Gray não tem jeito mesmo.
— Esse é o ponto — Natsu explica, fitando o teto — Vamos tirar a prova sobre os sentimentos de Gray.
Então ele me olha e em um impulso se levanta da cama. Com um olhar determinado aponta com a cabeça para a porta e sai. Arqueio as sobrancelhas com essa cena. Ele acha que está em um filme? Suspiro, revirando os olhos e pego minha bolsa. Acho que devo segui-lo.
Entramos em seu carro e pegamos o caminho para casa de Gray. Neste caminho, vejo o carro de meu pai passar por nós. Sigo o carro com o olhar até desaparecer. Sinto meu coração em pedaços por isso. Apesar de tudo, ele é meu pai. E por mais que ele não mereça esse título, não tenho escolhas.
— Está tudo bem? — Natsu pergunta, preocupado.
Tento disfarçar minha expressão de tristeza e abro um sorriso.
— Claro, tudo certo — respondo rápido.
— Hum — murmura — Não posso me virar para ver seu rosto, mas sua voz me diz que está tudo ao contrário do que você respondeu — fala tranquilamente com as mãos no volante.
Olho para ele e vejo que realmente não está olhando para mim.
— Como pode saber? — questiono, sem tirar meus olhos dele.
Natsu sorri com a pergunta.
— Nosso elo me permite isso.
Ele me olha apenas para sorrir e volta a olhar para frente. Fico paralisada ainda o olhando. Sinto meu rosto corar. Como pode falar coisas assim tão normalmente? Isso não te machuca, idiota?
Limpo a garganta, incomodada com o rumo da conversa.
— Você acha que Gray irá voltar? — mudo de assunto.
— Não sei — responde rápido — Ele é bem orgulhoso. Se ele voltasse, estaria confessando que se importa com a Juvia. E se odiaria por isso.
Natsu tem razão. Gray se escondeu por dois anos para não ter que admitir seus erros. Ele viria?
Chegamos em frente à casa de Gray. Tudo está silencioso e as janelas estão fechadas. Como se não houvesse ninguém ali dentro. Respiro fundo para descer do carro, sentindo meu coração disparado por Juvia.
— Hora da verdade — Natsu fala ao fechar a porta do carro.
Andamos até a porta, onde Natsu respira fundo ao bater. Ele também parece nervoso. Acho que todos esperam que eles se ajeitem logo. Os segundos se prolongam, enquanto nenhum mínimo som de passos era ouvido dentro da casa. Engulo em seco e bato na porta outra vez, mais forte.
Atende Gray, atende!
Nada, nem mesmo um ruído.
— Ele não veio — sussurro, triste.
Natsu bate de novo, quase quebrando a porta. Tão indignado quanto eu.
— Não pode ser — pragueja baixinho — Ele tem que vir!
Continuamos a olhar para a porta por mais alguns minutos. Sinto meu coração se apertar ao lembrar de Juvia. Acho que nem todos podem ter seus sonhos realizados mesmo.
— Acho que nos enganamos sobre os sentimentos de Gray — Natsu murmura, parecendo bravo e se vira para voltar ao carro.
Olho para a porta mais um pouco. Sinto muito, Juvia. Nós tentamos. Olho para o relógio que marcava dezessete horas e dez minutos e volto meu olhar para a porta. Ele realmente não apareceu.
No fim, ele só era um pervertido sem sentimentos. Penso revoltada.
Suspiro, dando-me por vencida. Dou a volta e vou em direção em carro, olhando desanimada para Natsu. Ele já está encostado ao carro e volta seu olhar para mim por ver que ainda não tinha desistido. Está de braços cruzados, pensativo. Então olhou para mim e sorriu. Fico sem entender, até reparar que o sorriso não era para mim.
Viro-me rapidamente e vejo Gray, apoiado na porta.
Não acredito.
— É bom ser importante — fala com os braços cruzados.
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