Destino Das Fadas
14 Capítulo 14 — Adeus orgulho
Notas iniciais
Capitulo 14 — Adeus orgulho
Natsu
Gray me encara com certa incredulidade no olhar após ouvir todas as minhas palavras não formuladas. Tentei ao máximo parecer convincente, mas a verdade é que sempre vai parecer ridículo para quem está ouvindo.
— Você me fez voltar até aqui para isso? — pergunta com as sobrancelhas arqueadas, encostado em seu próprio guarda-roupa — O que eu tenho a ver com a maneira que ela escolhe perder a virgindade dela?
Apesar de ser meu amigo, ele realmente finge muito mal.
Continuo a encará-lo, sentado na cama. Lucy ficou na sala, enquanto eu disse que resolveria o problema. Gray não iria querer escutar de uma garota sobre isso.
— Você sabe exatamente o porquê de estamos aqui tentando te convencer de algo óbvio ao invés de estar fazendo qualquer outra coisa — digo de forma firme, e olho no relógio para me certificar que não vamos nos atrasar — E olha que eu tenho muitas ideias melhores de como se passar meu sábado.
Ele suspira e desvia o olhar.
— Não é simples assim — fala, pensativo e depois volta a me olhar — Diga você que se tornou um dos maiores pegadores de Crocus, por que escolheria uma mulher ao invés de dez?
A resposta é tão clara, Gray.
— Porque... — digo de forma contemplativa — às vezes essa uma, vale por mil.
Gray fixa seu olhar em mim. Nem eu sei de onde essa frase surgiu. Quero dizer, na verdade sei sim. Só escolho não pensar sobre o motivo.
— Quem é você e o que fez com meu amigo? — ironiza e depois ri junto comigo — Cara, pensa comigo. Vocês querem que eu vá lá, diga para ela o que eu talvez sinta, e aí? Vamos começar a namorar, ficar de mãos dadas e fazer essas coisas idiotas de namorados? — pergunta com total sarcasmo.
— Exatamente — debocho — E sabe o pior de tudo? — indago, fazendo-o voltar seu olhar para mim — Você vai gostar.
— O que? Nem pensar! — nega, olhando para o lado.
Reviro os olhos, mas deixo seu pensamento agir por si só. Ficamos em silêncio por alguns minutos, enquanto continuo a olhar para o relógio e vendo os segundos passarem mais rapidamente. Não foi tão fácil quanto imaginei, aliás, não está sendo.
— Por que está metido nisso? — Volta seu olhar para mim. Com isso, já espero por um golpe de sinceridade a caminho — Nem consegue ajeitar a própria vida! E a prova disso é que você está aqui tentando me convencer de algo ridículo, enquanto a garota que você é louco faz anos está lá embaixo, sentada no meu sofá.
Eu sabia. Mas a resposta fica na ponta da língua, juntamente com meus nervos.
— Quer realmente saber, Gray? — pergunto de maneira retórica — Entrei nesse esquema todo, porque você é meu amigo. Você está certo sobre mim. Não consigo resolver porra nenhuma na minha vida, mas ao contrário de você, eu tentei — afirmo sem tirar meu olhar do seu — Eu disse tudo para ela, corri atrás dela feito louco e fiz tudo ao meu alcance. Então mesmo que não estejamos juntos, não vou levar droga nenhuma de arrependimento na minha vida. Porque eu sei que não fui nenhum idiota que guarda tudo para si e espera as coisas caírem do céu.
Ele me olha com certo receio. Ainda sinto um milhão de palavras querendo sair, juntamente com muitos palavrões para enfiar na cabeça dele o quanto está sendo imbecil.
— Minha vida está marcada, Gray — volto ao tom normal — Mas a sua, você ainda pode consertar.
— Não sou nenhum idiota que guarda tudo para mim e espero as coisas caírem do céu — fala após algum tempo — E sua vida só depende de você.
Arqueio as sobrancelhas e me levanto.
— Sério que você só entendeu isso de tudo o que falei? — questiono indignado — Você sempre soube dos sentimentos dela, Gray. E também sempre soube dos seus. Eu só não quero que você passe pelo menos que eu.
Dou-lhe um olhar significativo e fico em silêncio para deixa-lo com os próprios pensamentos. Ele precisa agir por si próprio, senão não adiantará. Cruzo os braços, quando vejo Lucy entrar no quarto. Nós dois olhamos para sua presença repentina.
— Não queria atrapalhar, mas a Levy acabou de ligar — explica e depois comprime a boca — Juvia já chegou lá.
Após sua fala, um clima estranho se forma no cômodo. Ela olha para mim e depois para Gray. Olho para Gray e ele continua a fitar o chão.
— Hum, te espero na sala então — ela fala novamente e se retira.
Dou alguns passos em direção a porta.
— Agora é com você — digo, pegando minha jaqueta no banco de seu quarto — Só para te dizer — viro para ele pela última vez — Nunca me arrependi por ter contado o que eu sentia. Só me arrependo por não poder tentar mais.
Saio do quarto e vou até a sala de encontro com Lucy. Ela está sentada no sofá, impaciente. Assim que apareço, ela me olha com expectativa. Apenas balanço a cabeça em resposta por não ter a mínima ideia do que Gray irá resolver fazer. Ela suspira desanimada.
Gray aparece logo após atrás de mim, e Lucy se levanta rapidamente.
— Gray... — murmura num tom calmo, esperando por alguma resposta positiva.
Faço o mesmo e olho para ele.
Ele olha de um para o outro e depois revira os olhos.
— Por que estão me olhando? Me deixem em paz — fala, dando de ombros.
Apenas dou um sorriso de canto por ver sua reação a tudo isso. Gray nunca foi bom para lidar com assuntos assim.
— Vamos, Lucy — digo, pegando a chave do carro com ela.
— 5º andar, quarto 36, Millenium Palace — Lucy indica antes de se virar para a porta.
Andamos até o carro, Gray ficou na porta, esperando que nós saíssemos. Lucy parecia mais nervosa do que ele com toda essa história. É engraçado vê-la assim.
Volto meu olhar para Gray, enquanto Lucy vai até o carro.
— Espero que faça a coisa certa — digo com um sorriso e ele faz o mesmo.
— Você também — fala antes de fechar a porta — Devia contar a ela.
— É, devia — respondo sem tirar o sorriso do rosto e dou de ombros.
Ando até o carro, vendo que Lucy já me espera. Eu queria poder fazer a coisa certa. Mas descobri que tem certas coisas... que não podemos mudar.
—♥—
Gray
Por que todo mundo fica me perturbando o tempo todo para ir atrás dela? Querem a todo instante me fazer falar o que eu sinto, como se eu soubesse. Só porque ela me causa sentimentos que eu não sinto com outra, não quer dizer que eu goste dela. Estou cansado disso tudo. Eu a ajudei porque não queria ficar com um peso desses na consciência.
Jogo-me contra o sofá.
Juvia. Nesse instante, ela está em um quarto de motel, esperando que Lyon chegue e tire sua virgindade. E por algum motivo do além, todos meus amigos querem que eu impeça isso. Tudo bem, já foi uma surpresa muito grande saber que ela ainda é virgem. Porque convenhamos, ela é gostosa.
Mas que diabos?
Se ela está lá, é porque ela quer. Por que tinham que me colocar no meio de toda essa confusão? E se ela me ama tanto quanto dizem, porque passou a namorar outra cara que não sou eu? Por que estou me perguntando algo assim? Estou ficando louco. É isso.
Paro uns minutos e passo a pensar na minha vida. Eu sei que não é exatamente normal sair com uma garota a cada semana sem nem saber seu nome. Mas não consigo me imaginar com a mesma pessoa, tipo, para sempre. Nunca nem me imaginei casando ou tendo filhos. Essa história de amor é a maior besteira.
Natsu está maluco. Não é possível preferir uma ao invés de várias.
Olho para o relógio. Faltam quinze minutos...
Droga, eu não vou fazer parte desse plano idiota.
—♥—
Lucy
Volto para o carro e permaneço lá até Natsu chegar. Sinto-me ansiosa, com o coração acelerado. Estava curiosa e não me sentindo nada culpada. Eu sei que ouvir a conversa dos outros é feio, mas não pude resistir.
“Nunca me arrependi por ter contado o que eu sentia. Só me arrependo por não poder tentar mais”
Fico imaginando o que deveria pensar sobre essa frase. Ou se é melhor apenas não pensar em nada. Tive que descer correndo depois ao ouvir os passos de Natsu e foi por pouco que não passo muita vergonha.
Natsu abre a porta e se senta, colocando o cinto. Não sei com que expressão devo estar, mas não sou boa em disfarçar. Ele me olha com as sobrancelhas arqueadas como se tivesse algo em meu rosto. Será meu sorriso?
— O que foi? — pergunta, confuso.
— Nada — respondo rápido, sem deixar de sorrir.
— Você não deixa de ser estranha — comenta ao dar partida no carro.
Fiz bico, olhando para frente como se essa frase me afetasse. Ele diz isso desde que me conheceu. Sei que não é uma maneira de me ofender.
— Você não deixa de ser chato — rebato, fazendo ele rir.
— Você não deixa de ficar linda, emburrada — replica, olhando para mim com seu sorriso bobo.
Sinto meu rosto ruborizar no mesmo instante, mas me recomponho.
— Desse jeito, vai parecer que está dando em cima de mim — digo brava.
— Então está dando certo? — pergunta rindo, fazendo com que eu fique ainda mais sem graça — Estou brincando, calma.
Ele pisca para mim com seu jeito charmoso de sempre e o carro começa a se movimentar. Apenas fico quieta no meu canto para não dar bandeira.
— E aí? — fala casualmente — Quer jantar?
—♥—
Juvia
Sinto meu coração acelerado e meus nervos parecem estourar o limite de ansiedade. Eu realmente vou fazer isso. E não vou me arrepender, me convenci disso o dia todo, não vou falhar agora.
Respiro fundo e conto até dez pela milésima vez. Olho para o relógio e vejo que falta apenas dez minutos para o horário combinado. Logo, Lyon estará aqui.
Melhor me preparar. Corro até o banheiro e dou alguns tapas em meu rosto. Olho para o espelho e vejo minha pele clara ainda mais clara. Vai ficar tudo bem Juvia. Lyon nunca me machucaria. Ele me ama e eu vou amá-lo, assim como deve ser. E depois de hoje serei a mulher mais feliz do mundo.
Olho para meu corpo, vendo o espartilho preto com detalhes em renda e com ligas que se prendem às meias. Faz algum tempo que comprei, apenas para aguar minha primeira vez. Parece provocante demais, e realmente não me sinto confortável vestindo algo assim. Mas... eu quero parecer bonita. Quero me sentir mulher.
Os minutos se passam ainda mais rápido.
Deito na cama e penso se deveria recebe-lo com uma pose sensual. Fico fazendo poses para mim mesma e pensando na reação dele ao entrar.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhh! Isso não vai dar certo!
Não deveria ter concordado com isso. Vai dar tudo errado, eu vou começar a chorar e... Não é hora de voltar atrás. Algum dia isso vai acontecer. Então que mal tem em ser com alguém que me ama? Por que estou tão confusa?
Vejo que ele está um pouco atrasado. Será que também está nervoso? Não acho que ele se atrasaria para a primeira vez.
A maçaneta vira. É ele.
Deito na cama, tentando ser o mais sexy possível. Sinto meu coração quase explodindo dentro de mim. Minha respiração acelera anormalmente.
É agora, não vou fugir.
—♥—
Lucy
Chegamos em um restaurante reconhecido da cidade. É a primeira vez que entro nele, mesmo meu pai adorando o lugar por ser sofisticado. As luzes são fracas, as mesas levemente decoradas, dando um ar romântico. É tudo tão elegante, mas é estranho estar aqui com ele. Ainda mais depois de toda nossa história e quando estamos tentando ao máximo sermos apenas amigos.
Escolhemos uma mesa ao lado de uma grande janela, onde podemos enxergar a rua tranquila de fora.
— Lugar bonito — digo, olhando em volta — Você tem me apresentado à lugares maravilhosos ultimamente.
Ele sorri.
— Fico feliz por isso.
Sinto meu celular vibrar e o pego na bolsa para ver o que é. Talvez seja algo em relação ao nosso plano. Vendo quem é, tenho certeza disso.
“Lu-chan! O Lyon está aqui!!!!!!!!!! Cadê o imbecil do Gray? Juro que vou estrangulá-lo se ele não aparecer. E dou as tripas dele para seu cachorro!” — De Levy-chan.
Argh. Que cena nojenta de se imaginar.
— Você acha que o Gray vai aparecer no motel? Nossa espiã está surtando aqui — pergunto, apontando para meu celular.
Natsu olha para mim, enquanto mexe em seu celular também e sorri.
— Ele vai sim — diz calmo, chamando o garçom para fazer os pedidos.
Fico me perguntando como ele pode permanecer tão sereno com todo nosso esquema em jogo.
— Como pode ter tanta certeza? — pergunto irritada, deixando meu celular ao lado na mesa.
Ele volta a me olhar, então pega seu celular e o coloca na minha frente.
— Por causa disso.
“Porra, qual era o nome do motel?” — De Gray Fullbuster
Leio com atenção e depois começo a rir.
— Queria estar lá para ver isso.
—♥—
Gray
Depois de voar de moto até aqui, corro para a entrada do motel. Meu coração está acelerado e imagino se é pelo esforço ou pelo motivo de estar aqui. Espero que seja pela primeira opção. Apesar de ter quase certeza que é pela segunda.
Assim que me encontro na fachada do local, apoio-me sobre os joelhos, arfando. Então sinto uma presença atrás de mim. Olho para trás e quase pulo com o susto.
— Você está atrasado! — Levy grita, usando um casaco. Está calor! — O Lyon já está lá dentro, imbecil! — Continua falando sem parar e começa a me empurrar para dentro.
O que diabos?
Tento ignorar toda esquisitice e corro para dentro. Estou mesmo atrasado. Continuo correndo até encontrar um elevador, mas vou desacelerando ao ver Lyon encostado ao lado na parede. Ele me observa até estar a poucos passos dele.
— Lyon — digo em um misto de cumprimento e surpresa.
Ele desencosta da parede e suspira fundo.
— Eu sabia que você viria — fala, desviando seu olhar e dando mais alguns passos para estar de frente comigo.
Não consigo nem imaginar o que isso pode significar. Ele estava me esperando?
— O que... — começo a murmurar, mas paro ao sentir sua mão em meu ombro.
— Você sempre foi orgulhoso, Gray — continua com a voz calma — Então é bom cuidar bem dela dessa vez.
Após a fala, Lyon continua a andar. Eu me viro, sem entender nada.
— O que está acontecendo? — praticamente grito para fazê-lo parar.
Ele para e se vira depois de algum tempo. Sua expressão exprime dor, mesmo com a fala tão serena. Não entendo o que está acontecendo. Mas ele não a deixaria por mim. Eu acho.
— É tão difícil assim presumir, imbecil? — responde irritado — Você a ama?
Engasgo comigo mesmo ao ouvir a pergunta. Que raios de pergunta é essa? Sinto que fico sem ar com isso. Mas Lyon continua tão sério que imagino não ser horas para piadinhas. Eles ficam o tempo todo fazendo com que eu fale, aquilo que não quero falar e nem saber.
— Eu amo — digo, engolindo em seco.
Lyon me encara e depois de vira de novo.
— Ótimo.
— Mas eu não queria tirá-la de você — continuo a falar.
Mesmo com nossas intrigas de sempre. Eu nunca pensaria em magoá-lo. Porque de alguma forma, sei que ele nunca faria isso comigo.
— Não vai tirar — ele responde ainda de costas — Porque ela sempre foi sua.
Fico sem palavras ao ouvir isso. Eu sempre soube. Ele também sempre soube. Por que de tantas garotas tínhamos que gostar da mesma?
Desculpe, Lyon.
— Ah — ele exclama antes de sair e se vira para mim — Mas se a magoar, eu quebro a sua cara — diz com um sorriso.
— Vou me lembrar disso — abro um sorriso também.
Então ele se foi e eu entrei no elevador. E quanto a porta se fechou e eu não o enxerguei mais, soube que não poderia voltar atrás.
[...]
Fico em frente a porta, com a mão na maçaneta e me perguntando o que seria da minha vida daqui em diante. Depois daquele dia em que nos beijamos, não pude ser o mesmo. Porque no fundo eu soube que tinha mudado, soube desde aquele momento que eu me apaixonaria por ela. E também que se eu corresse atrás dela, deixaria meu orgulho de lado. Não consegui fazer isso. Preferi esconder.
Dois anos depois e estou aqui, como um garoto amedrontado. Pareço ter voltado ao Ensino Médio para fazer o que devia ter feito há muito tempo atrás.
Respiro fundo, sabendo que ao abrir a porta deixaria de ser aquele personagem que criei para mim mesmo para fugir. Fecho os olhos e giro a maçaneta. Fico ainda assim, segurando a porta meio aberta e querendo sair correndo, deixar tudo isso para lá. É confusão demais para mim.
Mas eu não posso.
Pela primeira vez, eu quero arriscar.
Abro a porta por completo e depois abro os olhos.
Assim que as imagens ficam claras para mim, minha boca se entreabre, imaginando se eu deveria falar algo sobre a cena. Juvia olha para mim, paralisada sobre a cama.
Mas que... caralho, o que ela está usando?
Respiro fundo de novo. Calma Gray. Não é uma boa hora para enfartes.
— O que... — ela murmura, ainda sem entender — O que você está fazendo aqui?
Fecho a porta e me encosto nela, para me proteger de mim mesmo.
— Vim realizar seus sonhos — brinco com um sorriso, mas ela não parecer para piadas agora.
— Cadê Lyon? — pergunta sem dar bola para minhas brincadeiras idiotas.
Ela puxa o lençol da cama para se cobrir, mas não adianta muito. Juvia tem corpo demais para se esconder. Seu olhar continua preso ao meu, porque de alguma forma ela sabe que sei a resposta. Eu a chamava de perseguidora fanática antes, mas nunca deixei de a achar inteligente.
— Ele não vem — digo simplesmente.
— Está blefando — rebate na mesma hora.
Começo a andar em sua direção e ela começa a se afastar até colar na cabeceira da cama. Paro no meio do caminho, pensando no que eu deveria falar. Por que você veio até aqui, idiota? Fale logo! Brigo com minha própria mente para criar coragem e falar.
— Juvia — começo a falar, mesmo sem saber o que — Eu não faço a mínima ideia do que eu deveria falar nessa situação, mas... — confesso, me aproximando um pouco mais — Eu sei que... fui um idiota todo esse tempo. E que te fiz chorar muitas vezes. E também que te ignorei e não valorizei como devia — ela me olha receosa para mim, provavelmente se perguntando onde quero ir com essa conversa — E sei principalmente, que fui eu quem criou essa barreira entre nós dois.
Ando mais um pouco e paro ao lado da cama. Seus olhos não deixam os meus e lembro do momento em que reparei o quanto eles brilham.
— Você não deveria estar aqui — ela replica, olhando para o outro lado.
Caraca, realmente dói ser ignorado depois de tanto tempo criando coragem.
— Tem certeza? — pergunto e me sento na cama, fazendo seu olhar se voltar para mim — Acho que eu não deveria estar em nenhum outro lugar, além daqui.
Ela comprime a boca. Toco em sua mão acima do lençol e a sinto tremer.
— Desculpe por perceber meus sentimentos tão tarde — digo, sentindo minha boca seca — Mas se eu não viesse aqui hoje, não poderia me perdoar.
— Gray... — ela murmura, pensativa.
Começo a me sentir ainda mais nervoso. Sinto que ela está pronta para rebater novamente, tirando minha mão da sua e jogando o lençol para o lado. Reúno o resto da minha coragem e dignidade, para pegar em sua mão novamente e a segurar ali comigo.
— Me solta seu...
— Eu te amo, Juvia.
Ela para no mesmo instante e me olha como se tivesse ouvido errado. Seu corpo relaxa e para de tentar de se livrar de mim. Engulo em seco, pensando no que acabei de dizer. Nem eu consigo acreditar que pude pronunciar essas palavras alguma vez na vida.
Então para tornar tudo ainda pior, vejo uma lágrima escorrendo por seu rosto.
— O que... — ela sussurra, ainda petrificada.
Ela está... chorando? Mas que porra fiz de errado agora? Solto sua mão, pensando no que devo ter feito para fazê-la chorar de novo. Meu instinto de desconfiança costuma ser muito bom. Quando faço algo errado, sei o que fiz de errado. Mas agora...
— Ah, desculpe...? — murmuro sem saber o que fazer.
— Você é um idiota — Juvia tenta falar sem conseguir controlar as lágrimas.
Com todo o cuidado do mundo, toco em seu ombro.
— Posso ser seu idiota? — pergunto, fazendo seu olhar se levantar para mim.
Ela balança a cabeça.
— Isso não vai dar certo, Gray. O que espera fazendo tudo isso? Você nunca vai conseguir ter um relacionamento sério! Queria vir brincar comigo justo hoje?
Dessa vez sou eu quem fica paralisado. Segundo tapa na cara no mesmo dia. Sinceridade tem sido um método muito utilizado pelo jeito.
— Juvia — falo, respirando fundo — Eu vou te abraçar.
— O que você...
Passo minha outra mão por suas costas e a puxo para mim. Fecho os olhos, sentindo ela em meus braços depois de tanto tempo. O cheiro dela é bom, sua pele é macia e a sensação disso tudo junto é... indescritível.
— Você está fora de si — ela murmura no meu peito.
— Sim — respondo, fazendo Juvia se calar — Enlouqueci. Desde o momento em que uma maluca apareceu e começou a me stalkear.
Ela bufa em meus braços e tenta sair, mas eu a aperto mais.
— Lyon já nos aceitou, então por favor, não me dê o fora. Eu sei que mereço, mas sério, resista a essa tentação — brinco, e sinto ela rir por dentro.
Afasto ela apenas o suficiente para enxergar seus olhos. Mesmo tentando ser forte, um sorriso fraco surge em seus lábios. Ah, quero muito lembrar o sabor deles.
— Diz de novo? — Juvia pede, tocando meu peito.
De novo, o que?
— Do que está falando? — pergunto com as sobrancelhas arqueadas.
Ela ri e me olha com seu jeito esperto.
— As três palavras.
— Ah — exclamo ao finalmente entender.
Fico olhando para ela, sem conseguir formar qualquer outra frase. Eu sei que eu já disse uma vez, mas aquela hora foi um momento de desespero e saiu sem minha autorização. Agora... falar de novo apenas para... e por conta própria?
Juvia arqueia as sobrancelhas na espera.
— Acho que não posso ficar com você — sibila, parecendo se divertindo com isso.
Parecendo não, ela está se divertindo mesmo.
— Chantagista — murmuro com a cara fechada — Vamos fazer assim então.
Levo uma mão até sua cintura para firmá-la ali e a puxo com a outra mão nas costas, tomando sua boca no mesmo instante que colo nossos corpos. Ela fica sem ar e me lembro do motivo de olhar tanto para seus lábios. É diferente de qualquer outra coisa.
Sua mão em meu peito me aperta por alguns segundos até me empurrar com força.
Juvia me olha, furiosa.
— O que você pensa que...
— Eu te amo — replico.
Sua boca para de se mexer, e seu olhar me fita novamente.
— O que? — ela pergunta novamente e eu sei o que significa.
Respiro fundo.
— Eu te amo — repito, mesmo parecendo tirar um pedaço de mim.
Juvia sorri abertamente, como se tivesse ganhado o jogo. E sinceramente, espero que tenha ganho mesmo.
— Ainda não entendi.
Arqueio as sobrancelhas, mas não deixo de sorrir ao vê-la daquela forma. Porque nunca imaginei que dizer isso a alguém, poderia ser motivo de felicidade para a outra pessoa. Ainda mais alguém que mereça muito mais do que sou.
— Amo você — digo, apertando sua cintura — E se me fizer repetir de novo, não vou responder por meus próximos atos.
Juvia ri, e acaricia meu peito de leve.
— Eu também amo você — sussurra perto do meu lábio e me beija.
Depois disso, pareço ter mudado de novo. Como se novas sensações invadissem meu corpo. Lembro da primeira vez que ela disse isso, eu não estava pronto para escutar. Mas agora, não tenho medo dos meus sentimentos.
O pior de tudo... é que estou gostando.
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