Destino Das Fadas

37 ♦ BÔNUS — O início e o fim v.2


Notas iniciais
Hello peoples ♥
Estou aqui em pleno sábado postando porque... bom eu não postei ontem achando que ia dar tempo de terminar o capitulo e não deu hihi.
E claro, porque Destino das Fadas ganhou mais uma recomendação *000* MaruChan minha linda, fofa e maravilhosa, muito obrigada! Primeiramente porque você passou a comentar os capitulos com muito esforço *-* e agora uma recomendação? KYA, te amo! HSUIAHSUIAHSA Bom, você me pediu para fazer o bônus pelo ponto de vista do Natsu e aqui estou eu atendendo. Por isso digo que é o capitulo passado só que em outra versão, ok?
Dedicado à você MaruChan, boa leitura ♥
Ps. Tem hiperlink (:

[BÔNUS] O início e o fim v.2

NATSU

Segundo ano do Ensino Médio

Para variar, acordei atrasado para a aula. Eu realmente tento, mas é tão desanimador ir para o colégio, nunca acontece nada demais. Só quando o velhote dá um deslize mental e resolve fazer um festival do além. Vesti meu uniforme às pressas, peguei minha mochila e corri para a cozinha pegar algo de comer.

— Nii-san tá atrasado de novo, papai! — Wendy gritou apontando para mim, assim que passei pela porta da cozinha. Droga, geral tá acordado.

Meu pai me olhou por trás de seu jornal.

— Cala a boca pirralha — falei indiferente passando por eles e indo até a geladeira.

— Pai, ele me mandou calar a boca você ouviu? — disse se fazendo de indignada.

— Natsu, não mande sua irmã calar a boca — meu pai disse enquanto voltava a ler seu jornal normalmente — E não se atrase novamente, poderá estar perdendo matérias importantes.

Sua bronca era bem razoável, não passava disso. Algumas palavras sem nem erguer o tom de voz ou abaixar o jornal. Só o vi bravo de verdade poucas vezes na minha vida, como, por exemplo, quando eu tentei dirigir sem ele saber ou coisas assim. Como sei do que ele é capaz, tento ficar na linha. Mas como eu já sei que ele não liga tanto para meus atrasos ou para minhas brigas rotineiras com a minha irmã, nem me importo mais.

— Estou saindo — gritei ao passar pela porta mordendo uma maçã.

— Vá com cuidado — ouvi sua voz abafada pela distância.

Segui o caminho para a escola, fui o mais devagar possível, quem sabe eu perderia a primeira aula inteira. Chegando perto da escola, vi uma loira saltitante pelas ruas. Cada gente esquisita, melhor ficar longe. Continuei a andar até estar dentro da escola. Não havia mais ninguém nos corredores. Olhei no relógio e vi que não estava tão atrasado assim, então acho que vou enrolar. Comecei a andar pelos corredores sem rumo.

Foi quando vi uma garota olhando para todos os lados, aflita. Parecia perdida, mas isso era o que menos importava. Sinto que por um segundo estive hipnotizado, vendo seus cabelos loiros agitados com o vento, com uma pequena parte amarrada em uma fita vermelha. Além de aquele uniforme ter caído muito bem nela. Aluna nova? Ou apenas um anjo que veio me salvar? Demorei até tomar uma ação. Ela continuava a andar na minha frente. Hora de tentar algo mais útil que ficar olhando-a que nem idiota.

— Ei, tá perdida? — perguntei me aproximando dela. Ela se virou assim que ouviu a minha voz.

Não posso descrever a imensidão de palavrões que me vieram em mente quando a vi de verdade. Ela, com certeza, ultrapassa todos os limites da palavra “anjo”. Tentei não demonstrar o quanto fiquei surpreso. Mas sinto que ela também estava surpresa e nervosa, porque logo após me estendeu sua mão trêmula.

— Oi, meu nome é Lucy — sorriu. E que sorriso. Seu rosto estava levemente corado, o que a deixava ainda mais... sei lá, linda não parece chegar perto do significado que eu gostaria de expressar.

Primeiramente fiquei iludido por seu sorriso, mas despertei quando a mesma recolheu sua mão e pareceu ficar em um conflito interno. Ela olhava para o chão, para os lados e segurava uma mão na outra nervosamente. Será que ela se deu conta disso?

— Q-quero dizer, estou mesma perdida, a-acabei de me mudar para a cidade e... — disse as palavras de maneira gaguejada e nervosa. Caramba, deixo ela tão nervosa assim? Não pude agüentar e desatei a rir.

— Você é estranha — afirmei devido aos seus atos. Ela me olhou e pude ver seu rosto avermelhar. Estranha Natsu? Sério? Grande conquistador você. Tentei concertar dizendo: — Meu nome é Natsu Dragneel, quer ser minha amiga?

Sorri da melhor maneira possível. “Quer ser minha amiga?”, eu sou o que? De um grupo de apoio? Que frase ridícula. Parece que tenho 10 anos e não 16. Mas apesar de tudo ela respondeu:

— Seria um prazer.

Opa. Pelo jeito não foi tão ridículo quanto pensei que seria. Fui ao seu lado e começamos a andar pelos corredores.

— Qual é a sua sala? — perguntei como quem não quer nada — Espero que seja a mesma que a minha daí podíamos fazer os trabalhos juntos né? — olhei para ela e sorri. Na verdade era impossível não sorrir na presença dela. Que sensação estranha.

Pude ver suas bochechas corarem novamente. Esse ato fez meu coração dar uma acelerada anormal. Tem algo muito estranho acontecendo aqui.

— S-sala 2A — Não acredito.

— Sério? — perguntei animado e ela assentiu com a cabeça um pouco sem graça — Olha só, deve ser o destino, é a mesma sala que a minha — sorri.

Fazia tempos que eu não me sentia tão feliz. Para ser sincero, desde que minha mãe se foi, dificilmente me lembro de sorrir tanto. Por quê? Sinto que tenho que estar perto dela. Peguei em seu pulso e comecei a puxá-la empolgado.

— Vamos, estamos atrasados — me apressei para irmos para sala.

Foi então que percebi que havia realmente algo acontecendo. Lembrando: Eu nunca quero ir para a sala.

“Lucy, querida Lucy... será que desde sempre até hoje, você será a minha maior motivação?”

—♥—

Tudo continuou normal, a diferença era que eu tinha um motivo maior para ir à escola agora. Nem eu entendo o porquê, mas ter a Lucy na minha sala tornava tudo mais interessante. Eu gosto de estar ali, vendo ela fazendo amigos e sorrindo. Mais precisamente eu adoro seu sorriso. Ele simplesmente me fascina. Sinto que tenho uma ligação com ela e me sinto feliz por ser seu amigo.

Mas ainda tem certas coisas que me irritam. Como toda vez que olho para ela meu coração dá uma acelerada tosca. Ou como tenho vontade de estar ao lado dela o tempo todo. É claro que não faço isso, não sou nenhum chiclete da vida. Mas essa vontade ridícula não passa.

— Tudo bem alunos, se juntem em duplas para o trabalho que passarei agora — a professora disse.

Sempre faço trabalhos com pessoas diferentes. Se duvidar já fiz trabalho com todos da sala. Mas hoje em especial eu queria fazer com certo alguém. Todos começaram a se organizar em duplas, enquanto eu ainda fitava as costas da loirinha. VAI NATSU, é só um trabalho, não um pedido de namoro. Pensei em cutucá-la como normalmente faço, quando ela começou a escrever o trabalho. Ela parecia querer fazer sozinha. Droga. Olhei para o lado e vi Gray me fazendo um sinal de “VAI LOGO SEU IDIOTA”, e apontando para Lucy. Caralho.

Coloquei a mão em seu ombro. Ela se virou e me olhou. Primeira parte realizada com sucesso. E agora?

— E aí Luigi, quer fazer trabalho comigo? — perguntei sorridente. Uma piadinha com o nome dela? Ótima maneira de conseguir a atenção em? Odeio esse nervosismo que sinto quando vou falar com ela.

— Meu nome é Lucy — ela me corrigiu parecendo irritada.

Eu sei. Sou apenas um idiota que não sabe como chamar uma garota para fazer trabalho comigo. E a única maneira que meu cérebro idiota processou foi de fazer uma piada tosca. Sinto muito, é o que tem para hoje. O mais incrível é que toda vez que tento falar com ela, falo algo idiota. Ela deve me achar o cara mais estúpido e irritante do mundo.

Puxei minha carteira até a dela. Agora vem a parte difícil. Nesse tempo percebi que ela é o tipo de garota que estuda DEMAIS. Ela sempre fica quietinha, prestando atenção no que os professores dizem e anota tudo. Enquanto eu, mato aula, converso, faço briga de aviãozinho e taco papel para todos os lados. Hora de mudar. Se ela perceber que eu sou um inútil nunca mais faz trabalho comigo.

— O que tem que fazer? — perguntei para parecer interessado, até olhei no quadro para ver o que a professora estava passando.

— Alguns exercícios do livro e responder em uma folha separada — respondeu e abriu seu caderno para pegar uma folha. Nossa, a letra dela é perfeitinha. Vish, deveria ter feito meus cadernos de caligrafia.

Peguei o livro e comecei a ver as perguntas que tínhamos que responder. O livro estava simplesmente em grego para mim. Cérebro, por favor, só hoje traduza esse livro para mim! Olhei as perguntas e engoli a seco, sem demonstrar para ela que eu não sabia merda nenhuma.

— Eu posso fazer as perguntas ímpares e você as pares, pode ser? — sugeri. E ela me respondeu com um sorriso maravilhoso.

— Claro.

Eu diria que só por esse sorriso já valeria a pena o que estava por vir. Estava disposto a fazer o trabalho de maneira correta pelo menos uma vez na vida. Mas não era tão difícil quanto pensei, estava fácil encontrar as respostas. Tentei escrever com a minha melhor letra para ela não me achar um analfabeto. E fomos revisando quem escrevia as respostas assim como o planejado. Pouco tempo depois estava feito. EU CONSEGUI! Gritei. Em mente, claro.

— Nossa, foi rápido — ela disse segurando o papel entre suas mãos. Parecia feliz ao ver nosso trabalho bem feito.

— Fazemos uma bela equipe não acha? — falei com um sorriso.

“Não me arrependo até hoje por ter começado a me esforçar no colégio. Primeiramente, porque a partir daí fiz todos meus trabalhos com a Lucy, e a maioria tirávamos notas máximas. E segundo, porque eu poderia estar ao lado dela. Descobri que se eu pudesse ver seu sorriso, eu era capaz de tudo.”

—♥—

Passado alguns dias, muita coisa mudou. Eu e Lucy nos tornamos ainda mais amigos e próximos. Ela estava se soltando cada vez mais. E eu adorava saber que ela não tinha mais medo de ser ela mesma comigo. Eu sempre a cutuco, ou conto alguma piada que a faz rir escandalosamente. Aquela garota tímida e quietinha? Não existe mais. Admito, sou culpado. Mas não me arrependo. Ela apenas se tornou mais encantadora aos meus olhos. Percebi que eu adorava vê-la rir sem impedimento, adorava quando ela batia em mim depois de levar bronca, porque sabia que era brincadeira, adorava poder conversar com ela e adorava ainda mais saber que ela também gostava da minha presença.

Estávamos levando muitas broncas, então passei a conversar com ela por papelzinho. Apesar de alguns professores já terem pego alguns. Isso eu culpo ela. Eu sempre pegava um pedaço de folha qualquer, escrevia, amassava e jogava na carteira dela. Mas ela, pelo jeito não mandava muitos bilhetinhos antes daqui. Ela simplesmente jogava uma folha INTEIRA do caderno dela na minha carteira. A primeira vez que ela fez isso e eu olhei aquela página enorme na minha frente comecei a rir. Foi quando pegaram nosso primeiro bilhetinho. Por isso para nossa segurança, normalmente era eu quem começava com as conversas por papel.

Depois de algum tempo, não ficávamos tão grudados assim. Primeiramente, muitos achavam estranho esse nosso grude. E também porque ela fez amizade fácil com as garotas. Não posso deixar de me sentir triste por perdê-la, mas ainda assim me sentia muito feliz por ela ter sido aceita no meu grupo de amigos. Não teria como ser diferente. Tem como não ficar completamente enfeitiçado por ela? Ainda acredito que não existe uma maneira para isso.

Esses dias quando voltava da escola, a vi indo embora e entrando em um prédio. Aquele prédio era exatamente no mesmo caminho que a minha casa. Sempre passava por ali, nunca imaginei que ela morasse naquele lugar. Tão perto da escola e mesmo assim sempre chega atrasada, fala sério. Com isso, tive um plano perfeito. Perfeito para mim claro. Assim que as aulas acabaram, comecei a guardar meu material e logo fui procurá-la. Mas ela não estava mais na sala. Que diabos...? Como pode ser tão rápida?

Corri o mais rápido que pude para alcançá-la. Finalmente a enxerguei. Corri ainda mais, quando ela simplesmente parou. Tentei parar, mas só tive tempo de vê-la virar e me olhar assustada, antes de cair em cima dela.

— Ai Natsu, está louco? — ela disse abaixo de mim passando a mão na cabeça, logo após me olhou.

Se eu seguisse meus impulsos a teria beijado. A distância entre a gente era totalmente certa para isso. Mas não segui meus instintos, infelizmente. Então me levantei e estendi a mão para ela.

— Desculpa, é que você saiu tão rápida da sala que achei que não daria tempo.

Ela pegou em minha mão e ajeitou seu uniforme.

— O que queria comigo chatinho? — perguntou um tanto indiferente.

Já falei que adoro quando ela me chama assim? Parece ridículo, mas sinto até certo afeto nesse seu apelido.

— Ah! É que eu te vi entrando no seu apartamento esses dias, e descobri que é pelo mesmo caminho que a minha casa, poderíamos ir juntos né? — propus sem muita embolação. Suas bochechas coraram.

Ela pareceu bem pensativa, mas logo respondeu com um sorriso.

— Ai que legal, daí eu não vou mais sozinha e não me atraso.

Depois disso voltamos para a casa juntos. Conversamos, rimos, a irritei como sempre e ela me batia como sempre. Poderia dormir feliz agora. Era sempre bom estar com ela. Ainda tento entender o porquê de todas essas sensações que se passam pelo meu corpo quando estava com ela. Também agradeço ao destino todo dia, por ter me atrasado naquele dia que a conheci. Foi com certeza a melhor coisa que já fiz na minha vida.

“Pode ser que tudo esteja desmoronando agora, ainda assim agradeço. Agradeço por ter ela na minha vida. Por ter tido chance de passar tanto tempo ao seu lado e ver seu sorriso tantas vezes. Agradeço por saber que pelo menos por um breve momento fui parte da vida dela e a dei motivos para ela sorrir. Por que agora, só a faço chorar.”

—♥—

Alguns dias antes da festa Hanami. Estava voltando da escola, me despedi de Lucy como sempre e continuei o caminho até a minha casa. Passei pela porta da frente.

— Tadaima — falei animado. Nem sei explicar tal animação, minha vida simplesmente se tornou divertida e melhor.

— Vem Natsu, vem ver! — Minha irmã brotou de algum lugar e começou a me puxar até meu quarto.

— O que foi Wendy? — perguntei sem entender sua exaltação.

Entrei no quarto e vejo um objeto em cima da minha cama. Mais especificamente um violão. Tá, o que isso tá fazendo aqui? E porque a macaca da minha irmã está tão animada?

— Que isso? — perguntei sem muito ânimo.

— Um violão — ela respondeu com os olhos brilhando. Continuei a olhá-la para que ela dissesse algo que não fosse óbvio. Ela respirou fundo e voltou a sorrir — Eu achei, é para você tocar!

— Nem pensar — neguei rapidamente a tirando do meu braço. Comecei a andar até o guarda-roupa para procurar uma roupa. Percebi que ela ainda não havia saído do meu quarto. Olhei para ela e a vi quase chorar — Ei, o que foi? — perguntei preocupado.

— Achei que você fosse gostar — disse chorosa — Sempre quis ouvir meu irmão cantando — continuou a choramingar. Fala sério. Eu cantando? Em que mundo isso?

— Tá tá, só pare de chorar — falei indo até ela, tentando acalmá-la. Ela abriu um sorriso instantaneamente. Falsa pra caralho hein.

— Sério? Vai tocar mesmo? Eu até comprei uns livros que ensinam a tocar! — disse animada e depois foi para perto da minha escrivaninha, onde havia vários livros. Ela tá mesmo falando sério?

[...]

Bom, ela estava falando sério. Porque depois disso, ela ficou no meu quarto até eu aprender a tocar alguma coisa. E olha que demorou pra caramba. Sou totalmente descoordenado. Mas no fim era até legal. Passei a treinar todos os dias. Na verdade, Wendy me obrigava a treinar todo dia. Porém eu cantava quando estava sozinho em casa, era relaxante. Mas percebi que sempre que eu cantava, eu pensava em Lucy. Talvez por isso fosse relaxante.

— Agora, você pode conquistar uma garota e me dar uma cunhada né? — Wendy disse sorridente ao me ouvir cantar. Como é que é?

Foi estranho, porque certa loira apareceu em minha mente na mesma hora. Pensei até na ideia ridícula de cantar para ela. No máximo iria espantá-la de uma vez. Nem pensar. Não mesmo.

—♥—

No dia da Festa Hanami, passei na casa dela. Dei-lhe um susto entrando pela janela o que era bem engraçado. Depois acabamos nos separando ao chegar lá. Ela ficou com as garotas e eu... fiquei completamente sem rumo por lá. Então encontrei quem eu menos esperava: minha família.

— NII-SAN! — escandalizou minha irmã a me ver. E imagina só o que ela trouxe? O violão. Ela é psicopata só pode.

— O que você está fazendo com isso? — apontei para o violão.

— Para você conquistar a garota, ué — disse em total simplicidade. Olhei para o meu pai buscando refúgio e tudo o que ele fez foi um joinha para mim. Quero um família normal, por favor.

— Tá louca? Que garota? — olhei para ela pasmo.

— Aquela loirinha, você gosta dela não gosta? Você tem voltado mais feliz para casa — explicou sorridente. Sinto que meu organismo me abandonou, fazendo meu rosto avermelhar. Minha irmã é o que? Stalker?

— Esquece, não vou fazer isso — falei indignado. Ela me olhou maliciosamente.

— Então gosta?

Meu cérebro travou. Gosto? Sei lá. Nunca tentei pensar nisso. Estava feliz em ter ela do meu lado e isso é mais que suficiente. É mesmo? Mesmo que não fosse... nunca que eu cantaria para ela. Nunca.

[...]

Digamos que minha irmã é bem convincente. Então pensei em conversar com a Lucy primeiro e talvez... bem talvez cantar alguma coisa. Meus hormônios estavam saltando a pele. Estava chegando a hora de me reencontrar com ela. Falei para minha irmã ficar longe com o violão que se desse certo eu iria buscá-lo. Passei perto da cerejeira central e peguei um flor. Aquela flor me lembrava Lucy. Era linda e radiante. Não sei o que sinto por ela, mas... vou tentar descobrir agora.

Andando até o lugar combinado, a vi sentada em baixo de uma das cerejeiras. Estava com um vestido lindo, e seus cabelos voavam com o vento. Como pode ser tão... diferente? Tentei me acalmar e me aproximei.

— Perfeito, não acha? — perguntei a vendo observar a cerejeira arco-íris. Ela pareceu se assustar com a minha presença e depois voltou a olhar a cerejeira com um sorriso:

— Muito — disse parecendo perdida em pensamentos.

Ok. Eu consigo fazer isso.

— Peguei para você — falei lhe estendendo a flor. Ela me olhou, olhou para minha mão e seu rosto ficou radiante.

— Que lindo! — exclamou sorridente. E isso era o bastante para eu conseguir seguir adiante. Me aproximei dela, querendo por a flor em seus cabelos.

— Posso? — pedi permissão e ela assentiu com a cabeça. Coloquei a flor sobre sua orelha. E afastei-me para vê-la. Linda. Como sempre.

— Então como fiquei? — brincou fazendo poses.

— Existe algum jeito de você ficar feia? — deixei escapar de meus pensamentos. Essa era a verdade. Ela era linda de toda forma.

Mas essa minha frase mudou o clima. Ela apenas me ignorou. O que não era uma boa coisa. Sentei ao seu lado e assim ficamos em silêncio apenas observando o movimento. O lugar era perfeito para o que eu estava prestes a perguntar. Então me aproveitei disso.

— Nee Lucy... — a chamei meio sem graça e me aproximei sem avisá-la. Ela me olhou e pareceu espantada com a nossa proximidade. Mas não recuou, apenas me olhou.

— O-oi? — murmurou meio corada e sinto que meu rosto também ficou. Nossos olhares se cruzaram e não se desviaram mais.

— Tem alguma chance... de você se apaixonar por mim? — perguntei e comecei a me aproximar. Não tinha como a resposta ser outra. Podia ver em seus olhos. Ela queria isso tanto quanto eu. Ela ficou pensativa.

Repentinamente sua expressão mudou, ela se afastou de mim e respondeu:

— Não.

“Se for comparar, a dor que senti naquele momento não é nada com a que sinto agora. Mas para um garoto que nunca levou um fora na vida e que já estava completamente confiante que iria ser aceito... é, doeu. Foi a primeira vez, que ela conseguiu despedaçar meu coração. Então eu desisti. Depois de um “Não” desse qualquer um largaria mão. Aceitei ser apenas seu amigo e aos poucos esses sentimentos foram ocultados, mas logo descobri que não o suficiente para serem apagados. Depois de alguns meses reparei que... eu era apaixonado por ela de qualquer forma e se eu a conhecesse de outro jeito, eu iria me apaixonar também.”

—♥—

Dias atuais...

Sei disso porque ainda sou apaixonado por ela. Passei um longo tempo do Ensino Médio confuso sobre meus sentimentos. Ao contrário de hoje, que tenho certeza absoluta sobre eles. Olhar para esse bilhete traz tantas lembranças. Lembranças de quando ganhei um motivo para viver. Li uma última vez o papel em minhas mãos.

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Lembro de ter escrito essa última parte, mas não joguei o papel de volta para ela. O professor estava vindo e... tá, eu não tive coragem. Ainda não mudei essa teoria. Pelo jeito vou morrer tentando agora. Coloquei o bilhete em cima da minha escrivaninha, onde se encontrava uma aliança quase não utilizada.

Será que ela também lembra de todas essas histórias antigas? Meu casamento está se aproximando, e sinto que toda aquela minha vontade de viver está sendo consumida. É algo totalmente gay de se pensar, mas às vezes me pergunto se vou conseguir ser feliz. Sem ela. Sentei na cama respirando fundo e assim que ergui o olhar vi a velha caixa do violão encostado ao guarda-roupa. Nunca mais toquei nele, falei que dava azar para Wendy. Ela chorou muito depois disso. Ri baixinho.

Levantei-me e andei até lá. Estava em um caixa que a Wendy me comprou de aniversário com esperança que eu voltasse a tocar. Peguei-a e coloquei em cima da cama. Abri e lá vi o violão. Só de olhá-lo me lembra da dor de levar um fora. Que ridículo. Junto com ele havia uma letra de música escrita à mão. Lembro-me de ter copiado do computador para treinar. A letra da música é tão ridícula quanto a ideia de cantá-la para Lucy. Música do tempo de colegial, que nostalgia...

Narradora

Natsu continuou a olhar para aquela letra. Trazia muitas lembranças. Ele cantava aquela letra todo dia lembrando-se de sua loirinha, depois da escola. No fim, nem pode cantá-la para Lucy, e agora nunca mais iria também. O rosado pegou o violão em suas mãos e uma foto velha dos dois caiu sobre a cama. Uma sensação de saudade lhe atingiu. Como queria voltar à aqueles tempos... e fazer tudo diferente. Talvez mesmo que fizesse não mudaria seu destino. A empresa de seu pai faliria de qualquer forma. Não era algo que se pudesse mudar naquela época.

Instintivamente, Natsu se sentou na cama para o lado da janela e apoiou seu violão na perna. Talvez ela não escutasse essa música, mas ele queria tocar apenas mais uma vez. Então passou seus dedos pelas cordas... e a letra daquela antiga música começou a se passar por sua mente... Logo um som começou a se formar...

— “Meu coração tem um sonho antigo...
Ter sempre alguém comigo, pertinho de mim
Compartilhar meus segredos, meus medos
Meus sonhos, meus desejos..."

Fechava os olhos sentindo cada palavra e tentando direcioná-las mesmo que telepaticamente para certa loira. Continuou a cantar, lembrando de todos seus momentos juntos, dando adeus à eles...

Perto dali...

Lucy entrou pelo seu quarto e começou a ouvir uma melodia ser tocada. “De onde vem?” Se perguntava e logo percebeu que era da janela de Natsu. Sentou-se perto de sua janela para que não fosse vista e passou a escutar a música. Era uma música que escutava muito no colegial...

— “E se amar você é um crime
Eu aceito a sentença
Porque amar você é um crime
É um crime
Que compensa...”

Ouvia a voz de seu amor pelas janelas que os ligava. Fechou os olhos e começou a sussurrar baixinho:

— “Mas não vou viver fugindo, eu me rendo,
Eu me entrego, fico preso em teu sorriso,
Preso em teu olhar sincero...”

Essa música lhe retomava as épocas de escola. Quando havia acabado de entrar na Fairy Tail... Mais precisamente... lhe lembrava Natsu. Porque ele estava cantando essa música?

Enquanto isso Natsu continuava a cantar em seu quarto. Seu coração acelerava só por lembrar. Se lembrava do sorriso de Lucy, de sua risada, de seus carinhos... tinha saudade, vontade de tê-la de volta e ter sua motivação novamente.

Seu coração tem muito haver comigo
É muito parecido gosta de sonhar
Mas pra você, sou seu melhor amigo
E de outra maneira não consegue me olhar
E todo dia, toda hora, em todo lugar
Tão confidentes, tão amigos, pra rir ou chorar
E tanta gente, tanta gente, cansou de falar
Bem lá no fundo, eu sabia, mas eu temia acreditar...”

Sem perceber os dois a cantavam juntos. Essa música tinha tanto a ver com eles naquela época... Suas brincadeiras, sua amizade, seus segredos... e o medo de se declarar. Carregavam juntos, os arrependimentos do tempo desperdiçado. Lucy deixou escapar uma lágrima, enquanto Natsu se segurava ao máximo apenas fechando seus olhos e cantando a música que saia de seu coração.

[...]

Natsu

— Porque amar você é um crime, mas aceito a sentença... — Comecei a parar de tocar aos poucos. Pude ouvir alguém a continuar, meu coração acelerou e rapidamente olhei pela janela. Ela está ali. Sei que está. Sorri sozinho.

Eu aceito a sentença, e você Lucy?

Você sabe que você é tudo para mim

E eu não poderia nunca ver nós dois separados

Você sabe que eu me dou para você

E não importa o que você faça, eu te prometo meu coração.

Notas finais
Bom, gostaria de dizer algumas palavrinhas, como por exemplo a música. Resolvi por uma em português, eu gosto de todo tipo de música apesar de normalmente colocar J-rock. Acho a letra super fofa e eu ouvi muito quando estava no fundamental *-*
Também quero dizer... CADÊ MEUS COMENTÁRIOS? Gente do céu, enjoaram da fanfic? Tsc tsc. Apareçam fantasminhas e antigos leitores, tem uma autora querendo ser incentivada! u_ú Hunf. É isso HSAHSUIAHSA
Esperando as reviews para tentar postar segunda feira a continuação huhu ♥