Destino
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Sasuke mantinha-se sentado a sua cadeira, fitando Sakura sentada em sua mesa, balançando as pernas como uma criança. A inocência de Sakura fazia parte de sua essência, sabia que ela estava se divertindo em se balançar em sua mesa. Suas lembranças vagaram há alguns anos, quando em uma conversa entre seus sócios, Gaara deixara escapar sobre Sakura. Ao ver o ruivo relatar a beleza e a teimosia da rosada, não teve duvidas, era a sua Sakura.
Sentiu o peso de suas responsabilidades naquela época, onde sua maior vontade fora largar tudo e voltar, voltar e ver aqueles fascinantes olhos esverdeados. Deus, como desejou ser aquele adolescente de anos atrás, que não precisava ter responsabilidades como aquelas. Apertou o punho com força, graças a aquele homem teve que largar tudo. Sua adolescência fora arrancada de si, os melhores anos de sua vida se transforam nos piores, e se já não bastasse, tivera que deixar Sakura, sem ao menos se despedir.
Sabia que mesmo que eles não fossem amigos na época, deveria ter se despedido. Imaginara o quanto confusa Sakura ficara ao descobrir sobre seu sumiço. Lembrava-se de sua “despedida”, Sakura não fazia menor ideia que seria a ultima vez que se veriam, mas ele sim. Guardou aquele olhar ferino, e ao mesmo tempo tão puro e inocente. Sentiu o cheiro inebriante de Sakura uma ultima vez, e com ela, deixara um castro beijo em sua testa.
Os anos que passou naquele inferno foram o fortalecendo. E quando pensara que iria cair num abismo sem volta, que viraria o monstro que Sakura sempre falara que era, as lembranças dela o puxavam de volta. Agarrava-se a suas lembranças mais calmas, de suas brigas, suas provocações, e de seus sorrisos. Sakura não sabia, mas quando discutiam, e Sasuke via aquele rosto delicado se emburrar, e proferir insultos a sua pessoa, era seus momentos mais calmos, seu escape ao seu destino já selado.
Ao ir embora naquela noite, sem ao menos se despedir de Sakura, prometera que jamais seria tão covarde como antes, iria se fortalecer e um dia talvez a veria novamente. Sabia que não era justo traze-la de volta para sua vida, ela não merecia uma pessoa como ele, cheia de sombras e amargura. Não era santo, sabia que nunca fora o príncipe para Sakura, estava mais para a fera. Seu comportamento para com a rosada sempre fora arisco, rude, e até mesmo mordaz. Porém, ninguém poderia trata-la daquele jeito, só ele, no entanto quando vira aquele verme ataca-la no intervalo, sentiu um ódio jamais sentido em sua vida, e mesmo não aceitando, descobrira que não a detestava tanto assim. E como vingança, surrara o infeliz, prometendo mata-lo caso o visse perto de Sakura de novo.
Sakura poderia se fingir de forte, mas sabia que ela tão indefesa quanto um filhote longe da mãe. A marra que a rosada mostrava sempre, e o comportamento de uma fera ferida, acabavam afastando os outros de si, mas com ele fora diferente, sentia ímpetos de provoca-la. A satisfação ao vê-la vulnerável quando se aproximava dela, era indescritível. Eram naqueles momentos que via como Sakura era inocente, pois não percebia que jamais se afastaria dela, por mais que ela gritasse como fazia sempre.
Algo que o incomodava bastante, era a falta do brilho arrebatador nos olhos de Sakura. As decepções pareciam ter levado à verdadeira Sakura, deixando para trás uma casca vazia e quebrada. Lembrava-se de sua conversa com Sakura mais cedo, a forma como ela falara de sua adolescência, o descaso, como se estivesse vivendo por viver, esperando o dia que o ciclo de sua vida terminasse. Percebeu que por mais que estivessem afastados um do outro, ambos estavam sofrendo, ambos estavam quebrados.
A amizade que criara com Gaara, lhe permitiu saber mais sobre Sakura. E em uma de suas conversas, Gaara curiosamente lhe perguntou por que tanto interesse em sua querida amiga, e decidiu que já estava na hora de contar que conhecia muito bem aquela teimosa irritante. A reação do ruivo fora logicamente à surpresa, e a desconfiança, mas logo lhe assegurou que desejava somente a segurança de Sakura. Ficara chocado ao descobrir que Sakura corria perigo, e que Gaara escondia isso de si. Voltara uma noite antes de seu reencontro com Sakura, pedindo o endereço da rosada.
Seguir Sakura depois do trabalho lhe permitiu descobrir a mulher forte e decidida que se tornara, não acabando com suas expectativas, sempre soube que ela iria se tornar uma mulher admirável. A fúria que sentiu ao ver a intenção suja daqueles bastardos ao toca-la e o desejo de leva-los todos ao inferno. Não, jamais permitiria que a tocassem e que a machucassem, não tinham esse direito. Porque por mais que as provocações de Sakura o enchessem de fúria em certos momentos, desejando apertar aquele fino pescoço, jamais conseguiria. Era algo inaceitável, como um pecado bárbaro manchar aquela lisa e branquinha pele, que lembrava a seda.
O destino de quem ousasse toca-la seria os mesmo que Sasori e Jesse, o inferno. Os anos que fora treinado adotou uma frieza digna de um assassino sanguinário. Seria uma sombra protetora para Sakura, e um monstro para os algozes de sua adorável irritante. Nunca mais deixaria Sakura se machucar como fora com Jesse, nunca se sentiu tão impotente ao vê-la sangrando, acorrentada aquela cama. Temeu que Jesse a tocasse, sabia que sua sanidade dependia da felicidade de Sakura, e sabia que ela não aguentaria uma violência como aquela. Balançou a cabeça, afastando aqueles pensamentos, Sakura estava segura em seus braços agora, e nada a tocaria, nunca mais.
Levantou de sua cadeira, fitando Sakura, que parecia distraída olhando a vista de sua ampla janela. Aproximou-se da rosada, obtendo sua atenção.
– É muito bonito daqui de cima.
Podia ver o brilho nos olhos inocentes de Sakura, ao olhar a cidade.
– Se trabalhar comigo terá essa visão todos os dias.
Sakura virou o rosto para olha-lo, ao ouvir suas ingênuas palavras. Se trabalhasse com Sasuke, a visão da cidade seria uma mera paisagem perto da escultura grega a sua frente.
– Boa tentativa, mas minha resposta ainda é não.
– Hum.
Murmurou contrariado, não gostando da resposta.
– Mas porque tanto interesse em me ter na sua empresa?
Sakura perguntou, o olhando em curiosidade.
Sasuke em resposta sorriu de canto, olhando para Sakura profundamente. Sakura desviou o olhar para o chão, envergonhada pelo olhar intenso que recebera como resposta. Porque Sasuke a olhava assim?
Sasuke tinha sua resposta, mas não revelaria a Sakura. Não revelaria que queria tocar sua pele macia que o fazia ter pensamentos absurdos, que ansiava por sua presença, que desejava ter a atenção daqueles pequenos e graciosos olhos verdes. Que desejava puxa-la contra se corpo, e beijar seus lábios avermelhados, e sentir o gosto do paraíso mais uma vez. Precisava de Sakura ao seu lado, não só porque a desejava, mas sim por segurança.
Sakura continuava esperando sua resposta, mordia os lábios em ansiedade.
– Existem mulheres mais competentes que eu, porque eu?
Não conseguiu controlar sua língua, sua curiosidade falava mais alto.
– Porque nenhuma delas é você. Não preciso de mulheres fúteis ao meu lado, Sakura. Eu só preciso de alguém irritante como você, alguém de confiança.
Sakura não conseguia esconder a surpresa ao vê-lo falar assim dela, como fazia para parar as batidas frenéticas do seu corpo? Estava se sentindo estranha, iria enfartar com as possíveis batidas de seu coração? Não sabia o que fazer, e mais uma vez as palavras saíram sem permissão de seus lábios trêmulos.
– Como pode confiar tanto em mim? Não acredita que posso trai-lo?
Sasuke sorriu sarcástico, como se tivesse ouvido o maior dos absurdos.
– Quando olho em seus olhos, só consigo ver ternura, não consigo ver traição.
Sasuke falava a olhando intensamente, enquanto segurava seu queixo delicadamente, fazendo alguns movimentos circulares com o polegar.
– Eu confio em você, Sakura, confio a minha vida a você.
Sakura não conseguia absorver a surpresa daquelas palavras, pois ao termina-las, Sasuke cobriu seus lábios com os dele, a levando para outro mundo. Sentiu a língua avida de Sasuke deslizar para dentro de sua boca de uma maneira sensual. Sasuke a beijava com ardor, e Sakura ainda surpresa e envergonhada tentava retribuir. Sentiu Sasuke empresa-la contra a parede, juntando seus corpos. Não conseguiu parar a nostalgia que a atingiu com um soco, fazendo-a se lembrar de anos atrás, quando estavam empresados contra a parede, mas em circunstâncias diferentes.
Sua mente parecia em combustão, varias coisas passava por sua cabeça, sua razão gritava palavras desconexas, mas seu corpo estava mais interessado em retribuir aquela boca fantástica.
– Oh! Minha nossa!
Separaram-se ofegantes e surpresos, ao ver Rose parada na porta com as mãos sobre a boca, os olhando, envergonhada.
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