Destino
35 Capítulo 35
Notas iniciais
– D-desculpe, Senhor Uchiha. – A mulher tremia mais que um porco indo para o abate. – Eu bati algumas vezes, mas como o senhor não respondeu...
Sasuke respirou fundo, controlando a vontade de gritar com Rose, por finalmente ter Sakura entregue em seus braços. Já Sakura não sabia mais o que fazer, queria correr o mais rápido para longe de Sasuke, e por seus pensamentos em ordem. O que tinha acabado de acontecer? Aquela não era ela, não mesmo.
– Tudo bem, Rose, mas fale logo o que quer.
O moreno caminhou até a sua mesa, mas antes lançou um olhar profundo para Sakura.
– Alguns fornecedores estão demorando com as entregas, e Gaara precisa saber quando os produtos estarão prontos.
Sasuke sentiu a irritação o invadir, e o sentimento de paz que sentira há poucos segundos com Sakura se extinguir. Era só passar alguns dias foras que tudo ficava de cabeça para o alto, precisava ter uma conversinha com seus fornecedores.
Sakura percebera a face de Sasuke mudar rapidamente ao ouvir falar de sua empresa, era impressionante como ele havia mudado tanto, agora era um homem admiravelmente responsável e dedicado ao seu trabalho.
– Sasuke.
Sasuke dirigira seu olhar para Sakura, com um pedido mudo para que ela continuasse.
– Obrigada pelo tour, mas agora tenho que resolver algumas coisas.
Sasuke a olhou pacífico, escondendo sua irritação crescente ao ouvi-la falar que iria embora. Queria poder mostrar o resto da sua empresa, desfrutar de sua companhia, mas como sempre não podia.
– Eu a levo. – declarou firme.
– Nada disso, você tem seu trabalho, posso pegar um táxi.
Sasuke lhe lançou um olhar reprovador, discando alguns números em seu telefone.
– Senhor Uchiha?
– Quero que leve a senhorita Haruno para onde ela desejar, mesmo que ela negue.
Sakura lhe lançou um olhar irritado, enquanto exibia uma face emburrada.
– Claro, Senhor, deseja algo mais?
– Não, hoje só quero que sirva os desejos da Senhorita Haruno.
Rose olhava para Sasuke e para Sakura, tentando esconder o sorriso que formava em seu rosto, nunca vira seu chefe tão descontraído.
– Eu não preciso de babá.
– Rose, avise ao Gaara que até o fim da tarde estará tudo resolvido.
Mordeu o lábio reprimindo a vontade de gritar com Sasuke, como ele tinha a cara de pau de ignora-la?
– Sim, Senhor Uchiha, com licença.
Sasuke esperara a mulher sair, para dirigir sua atenção para Sakura. Sabia que pelas bochechas infladas, e o olhar fulminante que a rosada lhe lançava, ela estaria pronta para uma briga.
– Sasuke, para de me tratar como criança! Eu sei me cuidar. – Exclamou, exasperada.
– Estou lhe fazendo um favor e você só pensa em me julgar, devo ficar magoado? – O cinismo de Sasuke podia ser visto a quilômetros.
– Limpa aqui ô, acho que está escorrendo um pouco de deboche.
Sasuke ao ouvir a ironia nas palavras de Sakura, e rira com vontade, sabia o jeito perfeito de convencê-la.
– O que acha de conversarmos sobre o que acabara de acontecer a alguns minutos?
Sakura sentiu seu coração acelerar, e suas pernas bambearem, não estava preparada para isso, não queria falar sobre isso, não agora.
– Obrigada pela carona Sasuke, mas já estou indo. – Apressou-se rapidamente em chegar à porta, mas parara ao ouvir a voz de Sasuke.
– Sakura.
Virou para o rosto para trás, podendo ver um sorriso de canto brincando nos lábios de Sasuke, porque não conseguia desviar a atenção daqueles lábios pecaminosos?
– Você fica linda descabelada.
Arregalou os olhos surpresa, passando as mãos nervosamente pelos cabelos, saindo rapidamente da sala. Onde iria enfiar seu constrangimento naquele momento? Ao olhar para frente pôde ser ver o olhar curioso de Rose, fazendo-a lembrar de que fora a mulher a interromper seu beijo com Sasuke.
Desviou o olhar, envergonhada, balançando a cabeça em uma forma de despedida, passando rapidamente pela mesa da mulher. Sentiu os olhares curiosos das pessoas a sua volta, e principalmente dos homens. Instantaneamente passou as mãos pelos cabelos outra vez, lembrando-se das palavras do moreno.
Conseguia ouvir a risada debochada de Sasuke em sua mente, divertindo-se com sua situação, mas preocupara-se em sair rapidamente daquela empresa, ignorando os olhares das pessoas. Abriu sua bolsa ainda nervosa, procurando seu celular, olhou-se na câmera de seu celular percebendo seu batom borrado e seus lábios avermelhados. Sentiu a vergonha lhe consumir, ao lembrar o motivo de seu estado, ou melhor, o causador de seu estado.
– Senhorita Haruno?
Fora puxada de seus pensamentos pelo motorista de Sasuke, que lhe sorrira gentil. Mas estranhamente não gostara daquele sorriso, não parecia um sorriso profissional, mas sim um ousado. Sentia o olhar do homem percorrendo seu corpo, deixando-a incomodada. Onde estava o antigo motorista e amigo de Sasuke?
– Entre, Senhorita Haruno, a levarei onde deseja.
Agradeceu com um aceno de cabeça, ao ver o homem abrindo a porta do carro para si.
– Onde deseja que eu a leve?
– Para o apartamento de Sasuke. – respondeu simplesmente.
– Do senhor uchiha? Não sabia que se dirigia a ele dessa forma.
Sakura franziu o cenho, estranhando a pergunta, precisava mesmo dar satisfação de como tratava Sasuke?
– Nunca vi nenhum funcionário do Senhor Uchiha trata-lo dessa maneira.
– Não sou funcionária. – respondeu incomodada pelas perguntas.
Pôde sentir o homem olha-la por alguns segundos pelo retrovisor, mas resolveu ignora-lo, discando o número de Ino.
– Sakura?
– Preciso vê-la em quinze minutos.
– Estou ocupada babando pelo Klaus enquanto como brigadeiro, o que quer?
– Sasuke, beijo, agora.
Desligou antes de ser bombardeadas por perguntas e ficar surda pelos gritos histéricos de Ino, sorriu imaginando o surto que Ino estaria dando naquele exato momento. Levantou o olhar encontrando o olhar do motorista em si, deixando-a mais desconfortável. Porque aquele homem não tirava os olhos de si?
Resolvendo fingir que não estava percebendo os olhares, colocara seus fones, fechando os olhos, esperando chegar a seu destino.
–*–
– Chegamos, Senhorita Haruno.
Sakura distraída com a música não percebera o motorista de Sasuke a chamar, até senti-lo tocar sua perna. Encolheu-se assustada tirando seus fones imediatamente, odiava contato, e odiava principalmente contato com estranhos.
– Desculpe a assustei?
Sakura conseguia identificar a malicia naquelas palavras, mas nenhum pingo de arrependimento. Não estava gostando daquilo, aquele homem era muito suspeito.
– Não, obrigada pela carona. – tentou abrir a porta rapidamente, mas ao força-la percebeu que a mesma permanecia travada.
– Que descuido o meu, pode sair, Senhorita Haruno. – o homem lhe sorria, destravando o carro.
Abriu a porta impulsionando seu corpo para fora com tanta pressa que mal conseguiu ficar em pé.
– Deseja meus serviços mais tarde?
O duplo sentido naquela frase era perceptível, mas não era um duplo sentido como o de Sasuke, era um duplo sentido sujo e malicioso.
– Não, se eu quiser sair ligo para Sasuke. – Informou virando, andando rapidamente para dentro do prédio.
Não virou em nenhum momento para trás, mas sentia-se observada, a mesma sensação incomoda que sentia com Jesse parecia voltar. Colocou sua mão em seu coração, o sentindo acelerado, porque se sentia assim? Estava enlouquecendo? Não sabia se seu sexto sentido estava correto, mas sabia que estava com medo daquele homem.
Apertou o botão do elevador, escorando seu corpo, nunca desejou tanto estar sendo observada pelos intensos ônix que tiravam seu sono, queria Sasuke ao seu lado. Mesmo difícil admitir, só Sasuke lhe permitia se sentir segura. Fechou os olhos tocando seu lábio, o mordendo inconsciente. A sensação de frenesi permanecia em seus lábios, como a sensação de combustão em seu corpo. Sentia vontade de gritar, e de sorrir ao mesmo tempo, o que eram aquelas sensações que se apossavam de seu corpo, o que eram aqueles pensamentos que se apossavam de sua mente?
Ainda conseguia sentir o corpo de Sasuke tão próximo ao seu, o calor transmitido por aquele corpo tão másculo e viril. Agradecia ao moreno por tê-la mantido em seus braços, pois sabia que ao tocar aqueles lábios tão tentadores, perdera seu chão. Sasuke a estava fazendo sentir sensações nunca antes sentidas, e não sabia o que fazer, não sabia como se portar a isso.
Uma parte sua agradecera a Rose por tê-los atrapalhados naquele momento tão insano, mas ao mesmo tempo tão lucido. Mas outra parte sua desejou que Rose sumisse, para continuar sentindo aquela corrente elétrica passando por seu corpo, o formigamento onde Sasuke com suas mãos grandes e fortes tocavam, o delírio que seus lábios proibidos lhe causavam. Estava a um passo de enlouquecer, não conseguia mais negar, não era mais a mesma, tinha plena consciência disso.
Não entendia o porquê não estava gritando, porque não estava surtando e proferindo xingamentos ao moreno por confundi-la tanto. Ao contrario, parecia mais interessada em descobrir quais seriam as próximas sensações que Sasuke lhe proporcionaria, o que mais descobriria com Sasuke.
Apertou a alça da sua bolsa, saindo do elevador, precisava voltar a sua lucidez, mas como faria isso se sua mente parecia mais elétrica do que nunca?
– Como assim você beijou o Sasuke?!
Levantou o olhar encontrando uma exasperada Ino parada em frente à porta do apartamento de Sasuke, e imaginou quanto tempo à loira estava ali. Abriu a boca e a fechou repetidas vezes, não sabia o que responder. Desviou o olhar para o chão, envergonhada, no calor do momento tinha dito aquilo, mas falar com Ino cara a cara parecia muito constrangedor.
– Sakura...
Ino a chamava num tom mais calmo, a loira sabia que para Sakura era difícil assumir essas coisas, nunca havia visto a amiga rosada daquele jeito, tão acanhada e envergonhada.
– Vamos conversar lá dentro.
Sakura abriu o apartamento dando espaço para a loira entrar, entrando em seguida. Respirou fundo trancando a porta, virando para loira em pé em sua frente. Encostou-se a pporta escorregando até o chão, de repente toda sua coragem tinha sumido, suspirou olhando para o chão, murmurando um baixo mais audível:
– E-eu o beijei.
Mordeu o lábio com força, fechando os olhos. Deus, como estava sentindo-se ridícula!
Esperou pelos gritos histéricos da loira, mas esses não vieram. Abriu os olhos vagarosamente, fitando a loira agachada a sua frente.
– Saah, não precisa ficar assim. – sussurrou a olhando ternamente.
– Anda Ino! Grita, acho que será menos estranho para mim se agir em seu modo histérico.
– Saah, estamos em um momento sério, não posso agir como uma louca.
Sakura arqueou uma sobrancelha a olhando, porque de repente Ino havia se tornado tão séria? Porque tudo de repente parecia de cabeça para baixo?
– Mas é assim como você age.
– Saah, eu sou histérica sim, mas quando quero que você enxergue o que só você não vê, e parece que agora eu não preciso mais fazer esse trabalho.
Sakura a olhou surpresa, entendendo as palavras da loira, levantando bruscamente.
– Eu não estou apaixonada por ele! – exclamou indignada.
– Vai negar que está pensando nele nesse exato momento? Vai negar que gostou de beija-lo? Diz para mim Sakura, você o repeliu?
Sakura a olhou assustada, sentindo sua cabeça girar. Porque Ino tinha que fazer tantas perguntas? Porque tinha que complicar tudo?
– E-eu...
– Vai negar que permanece aqui porque gosta da companhia do Sasuke?
– P-para!
Sakura colocara as mãos nos ouvidos, chacoalhando a cabeça, a verdade era assustadora, era dolorosa.
– Você não o odeia, e sabe disso. Sakura, você pode sentir tudo, mas eu te garanto que ódio não é.
– E-eu não quero sentir! Ele vai me deixar, vai me magoar! – a rosada gritava, fechando os olhos com força.
– Sasuke não é ele, Sakura!
– Todos me traíram, ele vai me trair.
Sentiu Ino segurar seus pulsos fortemente, os puxando para baixo. Abriu os olhos, fitando os olhos azuis determinados da loira.
– Não minta. Eu não te traí, sua mãe, seu irmão, Gaara, eles nunca te traíram! – Olhava para a loira surpresa, sentindo seus olhos marejarem.
– Eu vi você se acabar todos esses anos, sua família viu. Vimos você se isolar de todos, e se esconder em seu mundinho frio e sozinho. – uma lagrima escorrera pelo rosto da loira, mas ela não se importara, aquele era o momento de jogar tudo o que queria dizer a amiga por anos.
– Eu esperei por anos ver você sorrir verdadeiramente como faz com Sasuke, esperei seus olhos brilharem como antigamente. Sakura eu esperei você viver!
Sakura sentia seu peito se comprimir, e suas lagrimas escorrerem livremente por seu rosto. Como doía, não queria ouvir a verdade, era muito doloroso, sentimento a destruía.
– Aceite Sakura, Sasuke conseguiu, ele consegui te livrar do seu mundo frio e sozinho, Sasuke conseguiu te libertar.
O primeiro soluço veio, seguido de um choro sofrido. O choro que anos segurou os sentimentos que por anos reprimiu, a angústia parecia sair em forma de soluços desesperados. Sentiu os braços de Ino lhe rodearem, a puxando para um abraço protetor. E em meio à sala de Sasuke, abraçada a sua irmã, permitiu-se chorar como um bebê.
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