Destined to be yours.

1 Destined to be yours.


Notas iniciais
Primeiro capítulo.
Tenho pensado nessa história a séculos, mas como tinha perdido minha conta aqui no Nyah! acabei nunca postando. Mas essa história estava queimando dentro de mim, e eis aqui essa beldade. Espero que vocês gostem tanto quanto eu planejei que seria. Um beijo!

Narração por Astoria Greengrass... Quase Malfoy.


Olhei para a janela e observei as pessoas andando de um lado para o outro. Não conhecia metade daquelas pessoas, e não fazia muita questão de conhecer, de qualquer forma. A parte engraçada é que elas estavam ali por causa de mim. Seja por pena de mim, por estar me casando com Draco Malfoy. Ou por querer saber se eu realmente teria coragem de me unir a ele para sempre. Olhando para a minha mãe sentada em um poltrona chique, deprimida e decepcionada demais para me olhar nos olhos, eu percebo que terei coragem.
Não é como se estar me casando com ele fosse a pior coisa do mundo, não é mesmo? Quero dizer, ele é um homem rico. Uma das famílias mais ricas da Inglaterra, seja bruxa ou não. Ele não perdeu nem 1 centavo de sua fortuna com a guerra, já que o seu pai, com muita inteligência, passou tudo para o seu nome — o único que não foi manchado, pelo menos não judicialmente, graças a Harry Potter — antes que tudo ruísse.
Eu terei uma mansão enorme para mim. Uma biblioteca recheada, uma cozinha vasta e tudo o que for luxuoso de existente no mundo. O que mais uma garota de 19 anos iria querer ter na vida? Liberdade de escolher como vai passar o resto da vida, talvez.
Mas nunca me importei muito com isso. Sempre soube que estava destinada a casar-me com ele, mais cedo ou mais tarde. Só não esperava que fosse tão cedo... Achava que ia ter a chance de beijar mais bocas antes disso, ou de pelo menos transar com alguém antes de ser, literalmente, forçada a transar com meu futuro marido. Suspirei. A ideia de transar com ele me dava calafrios, mas permaneci de pé.
Olhei para a minha mãe. Por anos a fio eu a odiei, não acreditava que ela tinha permitido que meu pai fizesse conosco o que ele fez. Não acreditava que ela tinha sido capaz de casar-se com alguém tão sem escrúpulos, e que não tivesse feito nenhum esforço para evitar que minha irmã e eu fôssemos vendidas a homens com os quais nós, definitivamente, não queríamos casar.
Mas, olhando para ela agora, com cabelos brancos arrumados em um coque alto na cabeça, olhos baixos por causa da vergonha, eu apenas consigo sentir pena e desprezo. Dei de ombros, ao menos não mais terei de olhar para seus olhos penosos de quem podia fazer tudo, e acabou não fazendo nada.
— A minha princesa está pronta?- Eis que entrar o homem que dizem ser meu pai. Parei de chamá-lo assim depois que Dafne casou. Observei ele se aproximar de mim de braços abertos, com um sorriso amarelo — por causa do cigarro que ele sempre fumou -, radiante por ver sua última dívida paga.
— Não olhe para mim como se alguém além de você estivesse satisfeito com essa situação.- Eu falei, fechando a cara. Não que antes eu estivesse sorridente, de qualquer forma. Otto Greengrass revirou os olhos para mim, abaixando os braços.
— Não seja ridícula Astoria, um dia você vai me agradecer por ter te dado o melhor futuro que alguém poderia ter! Sabe quantas garotas adorariam estar no seu lugar?- Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha para mim como se eu fosse louca. Mamãe bufou na poltrona, levantando-se e arrumando o vestido, enquanto olhava para ele com desdém.
— Bem, eu passo.- Dei de ombros. Papai deu de ombros também, balançando a cabeça indiferente.
— Não há tempo para voltar atrás. E não tente dar uma de engraçadinha como a louca da sua irmã, e tentar fungir, pois já organizei tudo para que essa possibilidade seja impossível. Apenas termine de se arrumar e case-se.- Ele disse, falando extremamente sério agora. Eu tremi, como uma criancinha. Engoli em seco.
— Bom, já que está tudo pré-organizado. Vou descer para avisar que a noiva está pronta e acabar logo com essa palhaçada.- Mamãe falou, indo até a porta sem olhar para trás. Ela ficou um pouco mais irritadiça depois que Dafne se foi também.
— Vamos aguardar alguns instantes e depois descemos, ok Astoria?- Papai perguntou, eu dei de ombros, me virando para olhar-me no espelho.
Eu sou uma mulher bonita. Tenho seios fartos, minha cintura é fina e minhas pernas são delineadas. Minha pele é de um tom branco bronzeado, quase dourado. Meus olhos são verdes e grandes. Meus lábios são carnudos e qualquer cor de batom ficam perfeitos. Meus cabelos são grandes e de um castanho escuro quase preto, que fazem com que meus olhos verdes e meu tom de pele fiquem cada vez mais destacados. Eu sou uma mulher espetacular. Suspirei. Não acredito que estou desperdiçando tudo isso com o homem loiro que está a alguns andares abaixo de mim.
— Acho que já está na nossa hora.- Otto falou, estendendo a mão para mim, um gesto ensaiado. Ignorei a mão dele, segurando o longo vestido branco nas mãos e andando na direção da porta. Me esperando estavam duas mulheres que seriam minhas damas de honra. Nunca as vi na vida. Uma delas segurava meu buquê. O qual também não escolhi.
— Certo, vamos lá.- Eu disse, dando de ombros e pegando o buquê. Papai veio atrás de mim e eu segurei o seu braço.
De onde eu estava, conseguia ver o enorme salão da mansão Malfoy repleto de pessoas distribuídas em cadeiras douradas. O enorme tapete branco por onde eu passaria até Draco Malfoy, que parecia impaciente. Talvez ele estivesse odiando tanto isso quando eu. Respirei fundo. Minhas mãos estavam começando a suar, mas era tarde demais para isso.
A marcha nupcial começou a tocar, as damas de honra começaram a andar na minha frente, eu comecei a ficar enjoada, e a vontade de sair correndo pelo lado oposto foi me consumindo, mas eu comecei a andar na direção do meu noivo.
Tudo isso parecia tão errado, tudo em mim gritava para que eu fugisse para qualquer lugar que não fossem os braços de Draco Malfoy. Porém, quando desci as escadas e fiquei frente a frente com ele pela primeira vez depois de anos, algo dentro de mim pareceu se aquietar. Talvez fosse por encontrar no olhar dele o mesmo desespero que o meu, talvez fosse por relembrar momentos de uma infância bonita e ingênua que não volta mais.
Respirei fundo, senti minha mão apertar o braço do meu pai. Ele me olhou de canto de olho, e eu entendi o olhar dele como reprovador. Percebi que eu deveria estar parecendo uma maluca, meus olhos estavam arregalados e minha respiração estava ofegante. Eu engoli em seco, observando todas aquelas pessoas olharem para mim. O olhar de pena e surpresa estavam ali, mas o que me espantou foi ver que algumas pessoas pareciam feliz por mim. Respirei fundo novamente, olhando para Draco.
Ele parecia impaciente, e conseguia ver todos os seus neurônios pensando em uma forma de fugir daquela merda toda em que tinham nos metido. Ele não estava tendo sucesso, e sua perna esquerda balançava em ansiedade. As mãos dele estavam cruzadas na frente do seu corpo, outro gesto ensaiado. Percebi que observar o nervosismo dele diminuia o meu. Respirei fundo.
Mais alguns passos e eu estarei ao seu lado. Não queria estar ali, não queria ouvir aquele padre falar todas aquelas coisas como se nós dois tívessemos mesmo alguma chance de ser felizes juntos. Sério? Vocês acham? Quis revirar os olhos, mas não era educado. E eu não ia conseguir ser mal educada com todos aqueles olhares gaviosos sobre mim. Não sei nem se a palavra gaviosos existe.
Meu pai parou, pegando a minha mão e colocando sobre a de Draco, já estendida. Eles se olharam por uns segundos, o desprezo de Draco por meu pai era quase palpável, chegava a incomodar. Virei-me para o meu pai, deixando que ele beijasse a minha testa. Bem, essa seria provavelmente a última vez na vida que eu veria ele, finalmente, então não dou a mínima para o seu fingimento barato. É tarde demais.
Olhei para Draco, ele me olhou por um segundo até virar para o padre e me puxar junto. A dama de honra que eu nunca vi na vida se aproximou, pedindo o buquê. Eu entreguei, e me ajoelhei.
Eu não faço a menor ideia do que o padre falou, eu só conseguia pensar no braço de Draco Malfoy entrelaçado com o meu. Cada centímetro do meu corpo começou a ficar com medo ao lembrar que em algumas horas todo o meu corpo estaria entrelaçado com ele.
Perder a virgindade nunca foi um problema para mim. Não sou o tipo de mulher que acredita que vai acontecer alguma coisa mágica nesse momento, eu apenas não desejava que fosse com um completo estranho. Será que seria pedir demais se eu dissesse a ele que não ia rolar? Comecei a planejar uma forma de fugir do momento, e então Draco começou a se levantar. Imaginei que esse fosse o momento em que trocaríamos alianças, e levantei também.
Nesse momento, não dava para fugir e eu precisei ficar olhando nos olhos dele. O padrinho dele, que era um garoto que eu tenho certeza de que já vi, mas não faço a menor ideia de quem seja, se aproximou com as alianças. Eram bonitas e pareciam ter custado uma fortuna.
— Repita comigo, Astoria.- O padre falou, e eu tive certeza de que essa foi a primeira vez que ele falou comigo durante a cerimônia. Ele tinha uma expressão de quem não queria estar ali.
Eu repeti tudo o que ele falou, sentindo nojo por estar prometendo algo que não cumpriria. Amar e respeitar? Ser fiel, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe? Bem, então torço para que nos separe logo.
Draco também repetiu, a voz dele era grossa e grave. Masculina o suficiente para arrepiar os pêlos da minha nuca. O olhar azul penetrante dele me deixava desconcertada. Bem, eu teria que dar um jeito de me acostumar, certo?
Colocamos as alianças um na mão do outro, fiquei surpresa ao perceber que minhas mãos não tremiam, apesar de eu tremer completamente por dentro.
Após o gesto, o padre permitiu que Draco me beijasse. O rapaz loiro e alto a minha frente inclinou sua cabeça e encostou seus lábios nos meus por alguns segundos. Os lábios eram frios, porém macios. Nos afastamos rápido, aplausos foram seguidos de muitos apertos de mãos e abraços. Eu não conhecia ninguém.
A noite se seguiu da mesma maneira: Pessoas que eu não conhecia me abraçando, dando-me conselhos e elogiando meu vestido, cabelo e tudo o resto que estava visível. Nenhum rosto amigo, nenhum sorriso sincero.
Em momento algum Draco saiu de perto de mim. Quase como se dissesse que não ia suportar isso sozinho, e eu também não ia, ficamos grudados um no outro a noite toda. Quem quisesse falar com um, acabava falando com o outro. O que foi meio desconcertante, porque algumas garotas estavam claramente desejando estar sozinha com o meu marido (estranho falar dessa forma), mas eu estava sempre grudada nele, o que me rendia alguns olhares com ódio. Imaginei que seria assim para sempre, já que ele era tão bonito!
Quando cortamos o bolo, os convidados pediram por mais um beijo. Nós não negamos, e Draco me deu outro selinho, dessa vez durou um pouco mais, e nós tínhamos acabado de beber uma taça de champanhe. Bem, tomara que ele não fique alegre demais, não quero que ele acredite que algo vai acontecer esta noite.
Logo após, tratei de fazer a minha maior cara de cansaço do mundo. Parte para que fôssemos embora logo, parte para que ele sentisse pena e não tentasse transar comigo hoje. Amanhã eu arranjava outra desculpa.
— Você parece exausta, querida.- A senhora Malfoy observou, se aproximando de mim com um sorriso no rosto. Ela parecia gentil e feliz. Era a única.
— Eu estou.- Eu disse, tentando sorrir gentil de volta, apesar de não sentir muita vontade de ser gentil com ela. Ela concordou com a cabeça. Essa tinha sido a primeira vez que ela realmente se dirigia a palavra a mim na noite.
— Bem, você não precisa se preocupar. Em algumas horas você vai estar em um paraíso perfeito, e poderá descansar todos os cansaços do mundo. — Ela disse, sorrindo, passando a mão no meu cabelo. Eu concordei com a cabeça.
— Algumas horas? A gente não pode ir embora agora? Mas já cortamos o bolo!- Draco resmungou do meu lado. Narcisa fechou a cara para ele, repreendendo-o por não desejar estar na propria festa de casamento. Bem, ele não era o único.
— Bem, vocês ainda precisam tirar fotos com todos os convidados e dançar, não é mesmo?- Ela ergueu uma sobrancelha. Eu fiz uma careta.
— Astoria não sabe dançar.- Draco falou, sem me perguntar antes. Percebi que ele não queria dançar, e até acho que ele estava tão cansado quanto eu, então apenas concordei com a cabeça. Narcisa olhou para mim, chocada.
— Como não? Uma moça tão bem educada como você não sabe dançar? Bem, mas isso é um casamento, tem que ter valsa dos noivos!- Ela falou, parecendo muito indignada com a possibilidade de não ter valsa. Eu comecei a ficar incomodada, queria dançar só para fazê-la feliz.
— Eu não tinha motivos para desejar fazer dança. Eu não saia muito de casa, não conhecia muitas pessoas. Era só... Um pouco sem sentido.- Eu dei de ombros. Draco pareceu aliviado ao meu lado, por eu sustentar sua versão. Ou talvez ele achasse que eu realmente não dançava. Não fazia diferença para mim.
— Bom, então vou avisar ao maestro que não vai haver valsa, e logo vocês poderão ir. Aguardem só mais um pouco.- Ela falou, virando-se e indo na direção do maestro. Draco se afastou de mim, procurou uma cadeira vazia proxima ao nosso bolo de casamento, e puxou para sentar-se. Fui para perto e sentei na cadeira ao lado.
— Você está mesmo exausta e não sabe dançar?- Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha desconfiado. Eu encolhi os ombros.
— Eu estou mesmo exausta, e não quero dançar. Parte por estar exausta, parte porque simplesmente não quero.- Eu dei de ombros. Ele concordou com a cabeça.
— Você tem alguma noção de pra onde nós vamos?- Ele perguntou, eu olhei para ele assustada.
— Eu pensei que você soubesse de tudo.- Eu falei. Ele negou com a cabeça.
— Eu não quis me envolver em nenhum dos processos de nada disso. Mamãe e a sua mãe é quem resolveram todas as partes organizacionais, e nossos pais, as partes burocráticas e financeiras.- Ele disse, dando de ombros.
— Com "financeiras" você fala só o seu pai, certo? Pois meu pai não tem onde cair morto, é por isso que estamos aqui.- Eu apontei para nós dois. Ele concordou com a cabeça, dando de ombros novamente.
— De qualquer forma, não sei para onde vamos. Espero que não seja nada que envolva sol.- Ele disse, fazendo uma careta. Revirei os olhos.
— Era de se esperar que um branquelo pálido odiasse sol.- Eu pensei alto. Alguns segundos depois percebi que tinha colocado meus pensamentos em voz alta, e nervosa, ri. Ele estreitou os olhos para mim enquanto eu tinha crise de riso. Alguns convidados pararam de conversar para olhar para a gente. Draco, percebendo isso, fez uma careta.
— Pare com isso, estão vindo para cá novamente.- Ele disse apontando com o queixo para um casal que se aproximava. Mas antes que pudessem, Narcisa veio ao nosso encontro e nos mandou sair para a lua de mel.
Tremi.