Notas iniciais
E aê galera, tava demorando em aparecer alguma nota mas estava esperando uma oportunidade melhor. Bem, aqui estou eu. Primeiro eu gostaria de agradecer a todos que estão acompanhando Destined Souls, cada leitura é extremamente importante pra mim. A narrativa vem se desenvolvendo a cada capítulo e pra comemorar tudo isso hoje lhes trago a concept art de um dos personagens. Lizzie Leamak, a Sábia da Luz. Em breve estarei adicionando as concepts de Roy, Vergil e Cassyeg. Até mais, abraço a todos e uma ótima leitura.

Roamn entrou em um setor exclusivo de espectadores, onde convidados importantes eram recebidos para prestigiar as batalhas no Coliseu dos Grandiosos. Examinou as arquibancadas da arena de formato oval, que estavam lotadas, e sorriu ao ouvir bardos espalhados pela multidão inflamando os inquietos espectadores com cânticos recreativos. O anfiteatro era o maior do Velho Mundo e a cidade capital do Alvorecer tinha orgulho disso. Possuía cerca de vinte metros de altura e chegava a comportar vinte e cinco mil pessoas em suas arquibancadas. O espaço dos embates era completamente aberto e adaptável, sendo capaz de simular vários tipos de terrenos e situações de acordo com as magias utilizadas.

— Está ansioso, Roamn? — perguntou a Rainha da Luz ao passar pelo Primeiro Mestre. Ele se sentiu estonteado pela beleza de sua líder, que viera assistir ao evento trajando um longo vestido de gala branco com detalhes dourados. Tentou desviar o olhar, mas falhou miseravelmente ao fitar os longos cabelos flavos, que estavam soltos a exalar um perfume intenso, lembrando as árvores coníferas dos famosos bosques da região. Voltou a si após alguns segundos, quando Lizzie se sentou em seu lugar de direito, pronta para observar a contenda que logo se iniciaria.

— Não sei do que você está falando. Não tenho motivos para isso — respondeu enquanto caminhava para a borda, escorando-se no parapeito.

— Sei que está. Afinal, hoje é o dia em que Roy surpreenderá a todos — emendou a Sábia, confiante.

— Ainda está com essa ideia estapafúrdia? O garoto não tem sobrenome, Lizzie. Por que não aposta suas fichas em um Descrente, se deseja tanto perder? — debochou.

— Meus olhos nunca me enganaram antes, Roamn, mas deixarei que o garoto lhe restaure a fé perdida.

— Ficaremos sabendo em pouco tempo, logo as partidas terão início. Por falar nisso, Aloe me informou que apenas mais três corajosos se inscreveram. Contando com o seu garoto, ficamos com um total de quatro participantes.

— Convenhamos, isso não é surpresa alguma. Suas competições sempre tiveram um baixo número de inscritos. Além do mais, ameaçar quebrar as pernas de alguém durante uma luta amigável não é encorajador. O que você esperava?

— Como não? O discurso funcionou em mim.

— Sim. Com certeza funcionou. — Lizzie sorriu petulantemente.

— No fim, você tem uma certa razão, Lizzie. Estou ansioso para ver quantos minutos sua pequena aposta vai durar na arena — concordou, finalmente sentando-se ao seu lado.

Aloe apareceu na entrada do setor, carregando sua inseparável pilha de papeis, e acenou respeitosamente para Roamn e Lizzie, pedindo permissão para entrar, que foi concedida com apenas um olhar. Parou ao lado da Sábia, que folheou os documentos até encontrar um em particular. Entregou-lhe e saiu, sua tarefa estava completa.

— Do que se trata, Lizzie?

— Está feito, Roamn. Tenho aqui a confirmação de que Roy foi inscrito com sucesso para ser a Aposta da Nação da Luz. O Conselho Mundial da Magia, assim como todos os outros sete Sábios, está ciente que a nossa nação tem seu representante para o torneio.

— Não fique tão animada, logo você terá de nomear outro para esse papel. Peço a Odin que isso aconteça logo, assim não perderemos tanto tempo.

— Isso é o que veremos — Lizzie finalizou a conversa em tom resoluto. Arrumou-se em sua poltrona e resolveu fazer a única coisa que podia no momento, esperar.

Nas ruas da Cidade Capital, a euforia tomava conta de todos. Com o jovem Auror não poderia ser diferente. O grande dia havia chegado e Roy ainda não acreditava que estava prestes a pisar no Coliseu dos Grandiosos para sua primeira batalha oficial. Havia treinado pelo menos dezesseis horas diárias na última semana, com pausas apenas para alimentar-se e dormir. Estava focado em trazer bons resultados e impressionar Lizzie, que havia lhe confiado uma tarefa tão importante.

“As Apostas carregam a esperança de uma nação”, vira essa frase em um livro que relatava as experiências e pontos de vistas de várias Apostas das últimas 100 edições do torneio, desde então não conseguia tirá-la da cabeça. A ansiedade se intensificava à medida que se aproximava do Coliseu, podia ouvir o estardalhaço das milhares de vozes a centenas de metros dali. Seu coração acelerou e pensou que ia saltar pela boca a qualquer momento, até que os gritos da multidão de descrentes que andava pelas ruas o fez olhar em volta.

— Mas que diabos?!

Uma sombra sobrepujou a visão do garoto, que, assustado, deu dois passos para trás. Tampou os ouvidos em seguida, que doeram ao escutar o grito raivoso da besta, uma espécie de ogro que vivia no território do Redemoinho, mas era comumente capturado com os mais diversos intuitos. Roy já tinha visto um antes, mas nunca tão de perto. As Criaturas e Monstros Mágicos eram classificados em ranks que variavam do F ao SS. Existem 8 ranks que crescem partindo do F e passam pelo E, D, C, B e A. Acima disso chegam as categorias mais altas que são representadas pelas letras S e SS, caracterizando as ameaças em ordem crescente de periculosidade, inteligência e força. Aquele monstro era conhecido de Roy. Eram chamados de Crias da Montanha, ogros que chegavam a atingir quatro metros de altura e podiam facilmente causar grandes estragos com seu porte físico avantajado.

— VAMOS, HOMENS, CERQUEM O MALDITO! — gritou o Sentinela Capitão.

O monstro se sentiu acuado e debateu os braços gigantes, atingindo a todos que o cercavam. Os sentinelas, em sua grande maioria, não tinham condições de enfrentar um monstro de Rank B. Eram treinados para conter confusões de rua e manter a ordem entre os Descrentes, se continuassem assim seriam totalmente massacrados. Roy se concentrou e fez seu Fôlego Espiritual fluir pela ponta de seus dedos. A energia se manifestou e o arco abençoado pela magia da luz tomou forma. Puxou a tênue linha formando uma flecha e atirou na direção da Cria da Montanha, o projétil explodiu ao atingir em cheio o rosto do bicho.

“O treinamento surtiu efeito!”, comemorou brevemente ao conseguir não só materializar rapidamente, como acertar de fato um ataque. A materialização da luz era diferente das demais, já que as flechas disparadas pelos Aurores tinham a propriedade de explodir, emitindo a energia que carregavam em pequena escala, ou de perfurar, se assim fosse desejado. A alegria do sucesso teve breve duração, o ataque não tinha surtido grande efeito e o enorme monstro correu em sua direção. O ogro desferiu um soco, procurando atingir o garoto, que conseguiu se esquivar. No entanto, o golpe provocou uma onda de vento e poeira que desequilibrou o aprendiz de Auror, levando-o ao chão.

— CUIDADO! — gritou um sentinela, que atirava flechas de aço com seu arco composto. Roy olhou para o lado, procurando a criatura, que ainda estava no mesmo lugar. O ogro não poderia ser tão veloz assim, mas o aviso não dizia respeito a ele, e sim a outro monstro bem em seu encalço. Sentiu o vento deslocar-se fortemente em sua direção devido o balançar do membro gigante do monstro. O garoto cessou a materialização, cerrou os punhos e elevou os braços para defender-se, mas o golpe não o atingiu.

Um jovem corpulento de cabeça raspada se colocou na frente da pancada, seus pés marcaram o solo com sinais de arrasto devido a força do impacto.

— Criaturas horrendas essas que vocês domesticam por aqui.

Roy estranhou a conversa, mas não reclamou pela sua aparição abrupta. O rapaz gritou e fez força, uma veia saltou em sua testa a medida em que se esforçava para afastar o braço da criatura numa batalha de puro vigor. A criatura usou ainda mais de sua potência, foi quando o garoto desferiu o golpe de mestre. Ao dar um passo lateral, deixou o peso do inimigo fazer todo o trabalho. O gigantesco punho do ogro afundou alguns centímetros no chão, deixando o pescoço vulnerável a um ataque direto. Roy viu o braço do garoto emitir uma energia avermelhada e constatou o aumento repentino do seu fôlego. Em seguida, sentiu o calor emitido e observou o golpe que derrubou o ogro.

A multidão continuava a correr e esconder-se, ainda não havia acabado.

— CHAMEM OS ARREBATADORES, A SITUAÇÃO SAIU DO CONTROLE! TUDO QUE PODEMOS FAZER AGORA É TIRAR OS DESCRENTES DAS RUAS! VAMOS, HOMENS, NÃO FIQUEM AÍ PARADOS — berrou o Capitão dos Sentinelas para os soldados que ainda estavam conscientes.

As Crias da Montanha eram uma raça unida e tinham um poder mágico peculiar, assim como inúmeras outras bestas. O desespero do capitão se deu quando identificou a Letargia dos Caídos manifestando-se, um estado onde a dor de sua perda os fazia ganhar um grande poder momentaneamente. A Cria da Montanha começou a esmurrar o chão, sua pele ficou avermelhada, os olhos esbugalharam, quase saltando das cavidades oculares, e os músculos desenvolveram-se de maneira tão descomunal que seu peso fez a criatura ganhar a aparência corcunda, como um símio. Ignorando o jovem auror, o monstro mágico partiu em direção ao intruso. Roy materializou seu arco mais uma vez e disparou várias flechas, que não explodiram dessa vez, e sim empalaram o gigante enfurecido. No entanto, ele continuou deslocando-se a passos largos diretamente ao algoz de seu congênere.

— Tem mais um? Não tem problema… Eu sei bem o que você quer — sussurrou enquanto puxava do bolso um rosário enegrecido. Juntou as mãos, canalizando o fôlego espiritual que necessitava para o próximo movimento, mas não foi preciso.Vislumbrou uma figura aparecer inesperadamente, assim como ele há alguns minutos. O homem de cabeleira negra e vestes esbranquiçadas com um único chute na têmpora derrubou a besta, cuja aparência retrocedeu devido a potência do golpe.

— Ainda não está morto — disse o jovem careca ao examinar o pescoço do monstro mágico, procurando por sinais vitais. Fez menção de atacar, mas foi interrompido.

— Por favor, não faça isso. De antemão peço perdão pelos problemas, mas agora preciso levar esses corpos para a corporação responsável. O teste dos Arrebatadores fugiu um pouco do controle.

Os gritos ovacionaram os três guerreiros que livraram as ruas do perigo. O Sentinela Capitão se apressou a apertar a mão do guerreiro que apareceu por último, cumprimentando-lhe fervorosamente.

— Se o senhor não tivesse aparecido, não sei se esses garotos teriam conseguido. Muito obrigado, senhor Gabriel Celeste.

— Não diga isso, Baraquiel. Temos aqui nada mais nada menos que a Aposta da Nação da Luz e um promissor Monge Lúgubre, tenho certeza que eles seriam mais do que capazes. — Piscou para os dois jovens de forma descontraída. — Vamos, junte seus soldados e me ajudem a bolar uma maneira de carregar essas bestas de volta. Os garotos estão com pressa, eles têm um grande dia pela frente no Coliseu. Aproveite a estadia na cidade do Alvorecer, jovem Monge, espero que se sinta em casa. Quanto a você, Roy, espero que faça uma boa luta. Até mais — Gabriel Celeste se despediu e deu as costas, voltando sua atenção para os sentinelas caídos. Baraquiel finalmente cumprimentou os dois jovens, tomando por verdade o que Gabriel havia falado, e então o seguiu.

Roy desejava permanecer ali para ajudar, mas o incidente havia atrasado demais os seus planos e ele sabia o quanto Lizzie detestava atrasos. Partiu em direção ao Coliseu, a poucas ruas dali, mas sentiu um braço tocar-lhe o ombro.

— Que sorte a minha, toda essa ação somente no primeiro dia — iniciou a conversa.

— Onde eu estava com a cabeça? Perdoe-me pelas minhas maneiras, quase esqueci de agradecer a grande ajuda que você me deu. — Estendeu a mão e cumprimentou o Monge. — Meu nome é Roy Hector, muito prazer.

— É um prazer conhecê-lo, meu nome é Brad Danloes. Não há necessidade de agradecer, eu entendo sua pressa. Na verdade, estou na mesma situação. É minha primeira vez na Cidade Capital e eu viajei um longo caminho para chegar aqui, mas acabei me perdendo nas incontáveis diferenças entre o Novo e o Velho Mundo.

As divergências entre os dois lados da muralha eram tão gritantes que eram dignas de serem consideradas características de dois mundos diferentes, mesmo que existissem no mesmo continente. A exemplo, poderiam ser citados os Monges Lúgubres, Guerreiros Elementais abençoados pelo F.E. de Fogo da Deusa Hela, senhora de Helheim, onde os mortos tomavam nova morada. Berço de Lava era a Cidade Capital da Nação do Fogo, que, dentre as Oito Nações, era a única que aplicava um sistema de governo quase completamente totalitário. O Sábio não reconhecia limites à sua autoridade, esforçando-se ao máximo para regulamentar todos os aspectos da vida pública e privada de seus soldados. Inclusive, possuía um sistema de leis vigentes que divergia do restante do mundo, propiciando uma espécie de terreno neutro para os criminosos.

— Devemos apressar-nos, se você pegar essa rua logo chegaremos.

— Tudo bem. Estou ansioso para finalmente pisar no Coliseu, é um sonho para mim. Você quis dizer esta rua? — Apontou e já partiu em velocidade, sem esperar pela resposta.

— Ei, espera aí! — Roy seguiu o jovem monge, que não lhe deu ouvidos.

A medida em que encurtavam a distância que os separava do Coliseu, Roy analisava o jovem Monge dos pés a cabeça, já que nunca tinha visto um adepto daquela cultura assim tão de perto. Apesar de conhecer inúmeros guerreiros elementais que utilizavam apenas as magias do fogo, era diferente testemunhar as diferenças culturais que ele tinha lido nos livros de história e ouvido nas conversas chatíssimas entre Cassyeg e Vergil.

Os Monges Lúgubres ganharam esse nome pela total devoção a Deusa do Submundo, Hela, pela qual abdicaram de todos os costumes mundanos. Seus corpos eram totalmente desprovidos de pêlos, a começar pelas suas cabeças, raspadas em sinal de respeito durante um famoso ritual, onde pulavam em uma grande cachoeira isolada que sugeria o vínculo mundano com a morte. Andavam descalços, para provar que poderiam superar qualquer obstáculo, meditavam e oravam por pelo menos uma hora por dia, a fim de enaltecer sua cultura, e carregavam um rosário enegrecido, sinal de respeito máximo que inferia o vínculo supremo com a entidade. Para eles, abandonar o rosário significava perder a fé.

As tradições de Berço de Lava não paravam por aí. Os guerreiros elementais eram segregados em facções, os Lúgubres e os Aleivosos. Por mais poderosos que fossem, os Aleivosos acabavam perdendo respeito dentro de sua cúpula territorial pela simples dádiva de dominar um outro elemento que não fosse o Fogo. Os Lúgubres, em sua esmagadora maioria, julgavam que este era o maior pecado de todos, iniciando uma discussão que datava dos mais antigos tomos da história da magia. A vestimenta era outra maneira de separar as duas facções. Os farsantes Aleivosos eram proibidos, por decreto real, de usar roupas como as de Brad, que vestia duas túnicas. O Donka era a parte anterior, alaranjada, que se estendia até as canelas, deixando à mostra uma parte do peitoral. A abertura em formato de V no pescoço simbolizava as mandíbulas da entidade morte, para lembrar-lhe que poderia partir do plano terreno a qualquer momento. Já a veste posterior era chamada de Chogu e cobria o corpo a medida em que o Monge adquiria experiência de vida, simbolizando os ensinamentos e provações pelas quais passou.

— Se tens alguma pergunta para fazer, faça. Sua inquietação está deixando-me sem jeito desde que saímos — disse o monge, percebendo os anseios de Roy.

— Vocês é um Monge Lúgubre, correto? — perguntou o jovem auror.

— Sim. Mas essa não é a pergunta, é? — rebateu prontamente.

— Você não parece nada com o que eu ouvi falar, com exceção das roupas. Os Monges Lúgubres são retratados em sua maioria pela rispidez e temperamento odioso ao discriminar as outras culturas, mas você não é assim. Tem certeza que é um deles?

O monge desacelerou o passo, haviam chegado ao portão principal do Coliseu dos Grandiosos. A monumental estrutura era cercada por construções comerciais e ruas estreitas, que estavam abarrotadas de comerciantes vendendo seus produtos aos turistas de todo o continente.

— Olhe a sua volta, Roy. Odin não nos criou para partilhar esse mundo maravilhoso? Não está cansado de tantas guerras e secessão por onde passa? Muros que separam a mesma raça, elementos que distinguem a fé das pessoas… Eu estou cansado disso. — O jovem deu um longo suspiro, pausando seu discurso, até que continuou a andar, adentrando no recinto com o Auror seguindo-lhe de perto. — O Coliseu dos Grandiosos é um ótimo ponto de início, não acha?

— Você não faz ideia.

Um homem de barba comprida e olhos estreitos, elegantemente vestido, atendeu os dois jovens. Apressado, chamou dois subordinados e os encarregou de acompanhá-los entre o emaranhado de túneis do Coliseu, para que não se perdessem.

— Finalmente vocês chegaram, bem em cima da hora! Estávamos pensando que tinham desistido. Vamos, vamos, andem! Será que não estão ansiosos, escutem as vozes do turbilhão de espectadores que os aguarda!

— Vejo você em alguns minutos, Roy. Até já. — O jovem careca se despediu brevemente e foi levado para o lado oposto do auror, logo misturando-se em meio a grande quantidade de empregados. Roy caminhou acompanhado em direção a arena e, a cada passo escutava, mais vividamente a parte final de uma famosa poesia de guerra pronunciada pelas milhares de vozes dentro do Coliseu ao som dos Bardos.

Pelo plano dos homens caminharei

Pela lâmina de Odin lhe protegerei

Eterno eu serei e

Nenhum mal temerei

Confio na sabedoria

Do Deus que me guia

E sem nenhuma agonia

Eu me entregaria

A Freya, nossa valquíria

Juntos oraremos, lutaremos

Venceremos e o expulsaremos

Pouco importa a forma do obstáculo

Seja lobo, serpente, dragão ou oráculo

Apenas seu corpo de tola peste

Voltará acabado de onde vieste

O garoto entreviu finalmente uma luz no fim do túnel, que anunciava a entrada da arena. Jogou o braço por cima do rosto, cobrindo-o do sol, e continuou caminhando, seguindo as vozes com a certeza de que sua batalha enfim se iniciaria. Parou por um breve momento e esperou a visão acostumar-se a claridade.

— As Apostas carregam a esperança de uma nação. — Deu os dois passos mais firmes de sua vida enquanto sussurrava aquelas palavras de peso descomunal. — Eu não os decepcionarei!