Destinados à Payre
19 Gelo queima
Notas iniciais
{Payre}
–- Majestade, a filha do Rei Tack de Nagtar foi sequestrada pelos Meiruus.
Erak voltou-se para o informante que lhe trazia a má notícia.
–- Quando isso aconteceu?
–- Há poucas horas.
–- O que o Rei fez até agora sobre isso?
O Alicano hesitou, mas diante do olhar duro de seu Rei, disse em tom de desalento:
–- Mandou uma tropa atrás dos sequestradores. Ele foi informado que a princesa Tarany está a caminho de Narty, provavelmente será negociada pelos Miruus com os Deiroons.
–- Esses malditos Deiroons! – Erak bateu com o punho fechado na lateral do corpo.
Essa era uma situação muito delicada, já tinha problemas constantes com os Duques de Nagtar, especialmente com o Duque de Horn. Agora que a princesa havia sido sequestrada, isso só tendia a piorar as coisas. Não podia arriscar perder aliados que seu pai havia levado séculos para conquistar. Seria uma desonra para a memória dele e poderia levá-los a derrota. Não tinha dúvida, Khor iria usar a princesa Tarany para obrigar os Oberohs a fazerem aliança com os Deiroons. Precisava evitar isso a qualquer custo.
–- Chame os Duques e Duquesas do Reino. Enviarei Esan, o Duque de Huur e a Duquesa de Cahi para resgatar a princesa Oberoh.
O outro ficou absolutamente surpreso, tanto que não conseguiu conter suas palavras:
–- Mas Majestade, são três dos guerreiros mais fortes do Reino! E Esan é um dos Guardiões!
O Rei olhou o homem com raiva. Seu temperamento explosivo despontando, reforçado pelas circunstancias em que estava.
–- Está questionando as minhas ordens?!
–- C-claro que não, Majestade! Já estou indo chamar a todos!
Erak deu-lhe as costas e se preparou para enfrentar um grupo de onze pessoas muito indignadas. Sabia que os governantes dos ducados de Sylesth seriam totalmente contrários ao seu plano. Não achariam prudente arriscar a vida de três poderosos guerreiros, e importantes figuras naquela longa batalha, para resgatar uma princesa raptada. Em qualquer outra situação ele também acharia a ideia absurda, mas não era o caso. Se Khor conseguisse convencer o Rei Tack através da filha, os Deiroons teriam do seu lado, além dos Darkanos e dos Meirrus, os Oberohs. Não que Erak duvidasse do ódio dos Oberohs pelos seus inimigos em comum, mas filhos, em Payre, eram muito sagrados para seus pais. Crianças não nasciam facilmente e desde a morte da Rainha, o Rei Tack, embora poderoso, como eram todos os governantes supremos dos Reinos, já não exercia suas funções como deveria. Talvez fosse mais por sua própria incompetência que tantos Oberohs vinham morrendo, do que por astúcia dos inimigos. E isso era algo que o maldito Duque de Horn jamais admitiria.
Em meio a isso tudo, só lhe restava confiar na capacidade de seu primo e amigo, Esan, em trazer a princesa a salvo. E sobreviver para fazer isso.
***
{Terra}
Angel, que tinha achado até aquele momento os beijos de Alexis uma perdição, percebeu que estivera o tempo todo enganada. Não eram uma perdição e sim uma grande e deliciosa descoberta, que fazia sua cabeça girar e o corpo todo ficar sensível ao mais leve toque dele. E como ele tocava! As mãos grandes e morenas passavam por sua cintura em carícias, ora de forma suave, ora como se quisessem marcar a sua pele profundamente. Então a beijava, contornava a sua boca com a língua e mordiscava seu lábio, fazendo-a enrolar as pernas na cintura dele, cada vez mais forte, com maior ansiedade e desespero.
Alexis a tinha deitado na enorme cama com a colcha de seda azul. A sensação do tecido frio contra sua pele quente, esmagada sob outro corpo, tão ou mais abrasador que o seu, despertava nela a vontade de livrar-se do jeans, para poder sentir aquele contraste excitante em todas as partes ardentes da sua pele. Como que percebendo seus anseios, Alexis desabotoou sua calça e com a ajuda dela, a passou por suas pernas. Agora Angel estava apenas com um conjunto de lingerie vermelha, mas ele, para sua enorme frustação, ainda estava praticamente todo vestido, exceto pela camisa que ela tinha aberto antes.
Ao levar as mãos à musculatura do peito liso dele, Angel o sentiu se afastar. Alexis ficou de joelhos na cama, colocando um de cada lado das pernas dela, simplesmente a admirando. Ela viu extasiada a figura alta sobre ela, o dourado da pele acentuado pelo luar que entrava pelas janelas, os cabelos negros, em desalinho caindo sobre a testa larga. Os olhos brilhantes, no mais profundo azul que ela já vira, olhos que a devoravam, que observavam seu corpo com evidente deslumbramento e terminavam por capturar seu olhar de uma forma que a fazia ter pequenos arrepios de antecipação. Os olhos do príncipe pareciam cheios de segredos e de uma emoção que ela não era capaz de definir, mas o desejo existente neles era tão claro e nítido que não deixava qualquer brecha para equívocos.
Alexis apertou o tecido azul da cama com força, precisava de controle para tornar aquele momento realmente especial para ela. Mas ao observar a garota em sua cama, seus cabelos prateados espalhados em ondas rebeldes, sua pele pálida e macia, coberta por uma minúscula renda escarlate, as curvas exuberantes expostas sob a iluminação natural da lua, o fazia pensar se teria condições de se segurar tanto quanto necessitava. Ela não era apenas linda, era algo mais impactante do que isso. Mais profundo.
Ele tirou a camisa, que já estava aberta, e sorriu, percebendo os olhos violetas acompanharem seu movimento com expectativa. Angel era sempre uma surpresa para ele. Não havia uma sombra de dúvida nos lindos olhos da garota, vislumbrava apenas curiosidade e desejo. Ele já ia inclinar-se sobre ela novamente, quando Angel estendeu a mão em sinal de “pare”. Alexis ficou imóvel no mesmo momento.
–- Não mesmo!
–- Algum problema, Ange?
Ela olhou detidamente para a calça que ele vestia e em seguida par si mesma, voltando a encará-lo.
–- Estou percebendo uma desvantagem aqui, chaton. Garota com dois pedaços de panos minúsculos. Garoto sem camisa e ponto.
Ele riu.
–- Ainda está curiosa para ver se eu tenho um traseiro tão bom quanto imagina?
Ela cruzou os braços, sem perceber que isso fez seus seios quase saltarem para fora da sugestiva peça vermelha. Alexis por outro lado, não perdeu um segundo do movimento.
–- Eu disse que tenho uma queda por traseiros masculinos.
Alexis sorriu de forma maliciosa e se ergueu, ficando em pé sobre a cama. Angel arqueou as duas sobrancelhas.
–- O que está fazendo?
Ele não respondeu, abriu o botão e o zíper da calça.
A garota arregalou os olhos e engoliu em seco. Quando Alexis passava pelas garotas, todas, sem exceção, viravam para admirá-lo. Se ele andasse pelos corredores como estava naquele momento, certamente teria que manter seguranças a sua volta, para impedir o assédio de meninas loucas para tocar naquele corpo pecaminosamente moreno.
Seu coração batia como louco, vendo o rapaz inclinar-se para frente, flexionando os músculos do abdômen, enquanto, em movimentos calculadamente lentos, passava a calça pelos pés. Quando ele voltou a se erguer, Angel ficou sem fala. Todos os um e oitenta e cinco metros estavam na mais perfeita forma, os músculos das pernas, barriga, peito e braços eram definidos e tinham a cor tentadora do caramelo. A cueca tipo boxer preta, aderia às coxas e não escondia o efeito que ela, em sua sexy lingerie, havia provocado no chamado “príncipe de gelo”.
–- Satisfeita?
Angel tinha medo de responder e gaguejar. Seria um tanto vergonhoso e, ora, não seria nada surpreendente, por isso, limitou-se a balançar a cabeça negativamente e a levantar o dedo indicador, girando-o no ar.
Alexis entendeu o gesto e ainda sorrindo, deu uma volta, mas para surpresa da garota, ao terminar o movimento, com a agilidade que lhe era característica, ele se jogou na cama ao lado dela e a pegou pela cintura, colocando-a em cima dele. Na nova posição, o Príncipe pressionou a nuca feminina com a mão, esmagando sua boca com a dele, enquanto a outra mão contornava sua bunda em movimentos circulares. Angel sentia a pressão das coxas e do membro claramente excitado contra sua virilha, o que lhe despertava uma ânsia quase dolorosa.
Quando sua respiração se tornou quase impossível, Alexis girou o corpo, ficando por cima dela. Deixou a boca inchada pelos beijos e percorreu a pele macia do pescoço com lambidas e afagos, provando seu sabor. Na altura dos seios, ergueu a cabeça e a fitou, seus olhos azuis brilhando na parca luz sobre a cama. Com os olhos fixos no dela, abriu o fecho do sutiã e lambeu a ponta do mamilo rosado, lentamente no início, para em seguida, sugá-lo com força. Angel gemeu, quebrando o contato ao jogar a cabeça para trás. Seus sons de prazer se tornaram ainda mais altos quando ele, ainda explorando seus seios, passou a acariciá-la na região sensível entre as pernas.
Era atordoante! Ela queria tocá-lo também, mas as ondas de prazer que sentia eram tão poderosas que mal era capaz de respirar. Suas mãos limitavam-se a segurar os cabelos negros com força, incentivando as caricias sedutoras. Quando a boca quente começou a percorrer suas costelas e contornou seu umbigo, Angel pensou que seu coração fosse explodir. Só foi capaz de agradecer o seu bom senso por ter tomado o remédio naquela manhã, caso contrário, estaria à beira da morte com toda certeza!
Percebeu sua calcinha ser rasgada, mas não teve tempo de sentir alguma surpresa, pois Alexis tocou seu sexo, já inchado e úmido, com a língua. Desesperada, a garota ergueu os braços e levantou o quadril em busca de mais. Mais toques, mais carícias, mais prazer, mais... ! Alexis a atendeu, sua língua a torturando em movimentos rápidos e firmes, a mão livre percorrendo suas curvas, os dedos contornando e pressionando seus seios que pareciam duros como pedras.
Era quente e alucinante. Um prazer incontrolável que a fazia soltar pequenos gritos entrecortados a cada investida da boca do príncipe em suas dobras intimas. Não conseguia pensar direito. Queria mais. Tinha que chegar a algum lugar, mas não sabia qual. Então seu corpo começou a tremer, abriu os olhos e focou a cabeça com sedosos cabelos negros, entre suas pernas. Ele a observou também. Olhando para aqueles olhos azuis, Angel sentiu como se todo o seu ser estivesse queimando, um calor a tomou e provocou sua subida a alturas onde só havia prazer. Só existia a língua penetrando seu sexo vibrante e aqueles olhos azuis que a devoravam. Seu corpo convulsionou e explodiu em ondas de gozo, que a impediram de respirar por um tempo que ela foi incapaz de determinar.
Quando iniciava seu retorno à realidade, percebeu Alexis completamente nu, pressionando-se contra sua pele, ainda febril. Ele a beijou docemente nos lábios antes de se afastar. Ela ouviu o barulho de algo rasgando, era um preservativo. Caramba, ela nem tinha pensado nisso! Quando ele voltou para o seu lado, por um momento Angel foi incapaz de desviar os olhos do sexo dele, ereto e grande. Mas seus olhos logo foram atraídos pela pele, coberta por uma leve camada de suor que a fazia brilhar sensualmente. Sentindo seu coração voltar a bater enlouquecidamente e a boca secar diante daquela visão, Angel passou a língua pelos lábios e se sentiu como um gato observando um delicioso canário. Deus, como ele era lindo!
Alexis voltou a beijá-la e logo ela percebeu que apenas isso foi o suficiente para fazer seu corpo reavivar, parecendo ainda mais desejoso do que antes, pois agora ela sabia do prazer que ele era capaz de lhe dar. Assim, quando os dedos masculinos a tocaram intimamente, ela já estava encharcada e pronta para aceitá-lo dentro de si. Mais do que pronta, aliás. Estava enlouquecida por isso. Ciente disso, Alexis passou a beijá-la mais profundamente, enquanto separava suas pernas, e passava a penetrar lentamente. Angel sentiu certo desconforto, mas estava tão imersa no prazer daquele momento, que não chegava a doer realmente. Então ele, numa investida rápida, a preencheu por completo e parou completamente. A garota respirou fundo com a pontada de dor sentida.
–- Você está bem?
Angel mal foi capaz de reconhecer a voz rouca e baixa de Alexis. Percebendo que não seria capaz de responder a pergunta feita por ele, Angel simplesmente passou os braços pelo pescoço do príncipe e o beijou, tão profunda e desesperadamente que sentiu lágrimas quentes correrem por seus olhos fechados. Ela não estava machucada, ela estava feliz.
Correspondendo ao beijo, Alexis voltou a se mover, em movimentos lentos no início, mas quando a própria Angel passou a erguer os quadris, enrolando as pernas em sua cintura, querendo mais, ele intensificou suas investidas. A partir disso ambos não foram capazes de perceber nada mais naquele mundo que não fosse os corpos suados e quentes, se fundindo, se entregando. O cheiro de Jasmim e de sol se mesclando ao ponto de serem apenas um.
Angel percebeu que algo maravilhoso estava para acontecer. Era, para sua surpresa, ainda mais intenso do que antes. Se antes parecerá que virava uma chama, agora era uma chama. O êxtase a tomou de uma forma tão surpreendente que ela não foi capaz de controlar seus gritos. Ele estava fazendo aquilo com ela. Alexis estava mostrando o que significava estar viva. Lágrimas correram por seus olhos quando buscaram os dele. E como sempre, desde que se conheceram, ele a observava. Ele olhava por ela e para ela. Sempre. Soltando um longo gemido que terminou em “Alexis”, Angel ergueu a cabeça e tencionou totalmente o corpo, como se ele fosse pequeno demais para aguentar tanto prazer. Luzes azuis surgiram a sua frente e novamente ela estava mergulhada em algo tão profundo que não havia tempo e espaço para medir.
Mal havia voltado a focar os olhos em Alexis, percebeu ele ficar tenso sobre ela. Ele estremeceu e gemidos saíram da boca masculina que voltou a esmagar a sua. Ele a abraçou tão forte que Angel temeu, por um momento, ser partida ao meio. Soltando sua boca, Alexis mergulhou a cabeça em seus cabelos. E ela sentiu algo quente tomar por completo seu ventre, quando o príncipe soltou algo que mais pareceu um grunhido abafado contra o seu pescoço, voltando a apertá-la de forma desesperada entre seus braços. Mas dessa vez ela correspondeu, o apertando tão fortemente quanto era capaz.
Após alguns minutos, Alexis ergue levemente o corpo, tirando peso de cima dela. Seus olhos procurando os violetas. Quando eles se encontraram, Angel se surpreendeu com a ternura nos azuis. Sem dizer nada, Alexis passou os dedos levemente pelas marcas das lágrimas que ainda estavam nas bochechas dela. E a fitou de forma interrogativa. Ela apenas sorriu, dando de ombros, suas mãos se ergueram para envolver o rosto masculino e então deslizaram pelos cabelos que caiam pela face dele.
–- Sem arrependimentos – ela murmurou.
Alexis sorriu e caiu para o lado, levando-a consigo. Eles dormiram assim, abraçados, Angel ouvindo o coração que batia de forma tranquilizadora, Alexis sentindo a respiração morna dela sobre o seu peito.
***
Angel acordou sentindo suaves beijos em seu pescoço. Abriu parcialmente os olhos, apenas o suficiente para perceber que ainda era noite. Então os fechou novamente. Mas logo seu corpo reagiu, Alexis estava massageando os seus seios. E puxa, aquilo era bom.
–- O que está fazendo? – ela perguntou com voz rouca.
–- Apenas verificando se esta acordada.
–- Não estou.
–- Que pena. – dizendo isso, Alexis substitui as mãos pela boca, lambendo o contorno da pele rosada do bico, e o mordiscando de leve. – Agora está acordada?
Angel não respondeu por um momento, quando foi capaz, sua voz saiu sem fôlego.
–- Não. E não ouse me acordar agora. Estou tendo um sonho erótico com um príncipe árabe muito, muito gostoso.
Alexis riu contra a pele dela, lhe provocando arrepios. Passando as mãos pelos quadris exuberantes, ele lhe sussurrou no ouvido:
–- Mon Ange, depois que eu terminar o que tenho em mente, vai perceber que nem o mais excitante dos sonhos eróticos supera a realidade. Eu sei por experiência. Todos os sonhos que tive com você ao longo desses meses, e que me fizeram tomar inúmeros banhos gelados, não foram páreo para a experiência de tê-la aqui. Mas eu garanto que foram muito... Inspiradores.
Dizendo isso, Alexis tomou a boca macia na sua e engoliu o suspiro suave que saia dela.
***
–- O que está fazendo?
–- Esperando você acordar.
–- Mas o que é esse caderno?
–- É um caderno.
–- Muito engraço, Senhor Espertinho.
Ela estava começando a se erguer, quando Alexis a parou dizendo:
–- Espere! Só mais um instante.
Angel se jogou contra os travesseiros, ignorando o lençol que havia descido, revelando um dos seios nus.
–- Está me desenhando por acaso?
–- Estou. — os olhos azuis desceram para a área descoberta de pele e voltaram apressados para o que quer que estivesse fazendo naquelas folhas.
–- Posso ver?
–- Ainda não. Só depois que eu pintar em uma tela.
Ela o observou surpresa.
–- Pretende fazer um quadro?
–- Essa é a ideia.
A garota ergueu uma sobrancelha.
–- O que é isso? Vai virar um tipo de fetiche? Quando dormir com uma garota, vai fazer um quadro dela, como recordação?
Sem tirar os olhos do que rabiscava, Alexis respondeu:
–- Sabe bem que não tenho planos de dormir com garotas por ai. – diante do silencio dela, ele a fitou. – O que foi?
–- Isso é estranho. Como alguém tão, vamos dizer, viril, mantem as mulheres longe dessa forma e fica tranquilo com isso?
Alexis passou os olhos pelo seio alvo e cheio, exposto pela colcha azul, pelos ombros delicados e pelo belo rosto emoldurado por cabelos prateados, espalhados em todas as direções sobre os travesseiros. Apenas olhando para aquela cena, sentia seu corpo reagir, quase dolorosamente.
–- Não vou dizer que não tenha percebido a beleza de algumas mulheres. Mas, perceber essas coisas e sentir atração são fatos distintas. Você deve entender isso, caso contrário não teria chegado até mim ainda intocada.
–- Sim, eu seu sei disso. – ela mordeu os lábios. – Mas, para você influenciou muito mais as experiências passadas com seu pai, não foi?
O príncipe ficou pensativo por um momento, pesando o que dizer.
–- Eu sempre pensei assim também. Achava que por ter essas questões envolvidas, minha mente dominava meus desejos, ou algo assim. E isso me impedia de aceitar os convites, muitas vezes bem explícitos que recebia. Mas, — ele voltou a fitá-la. – agora sei que estava errado. Onde estava esse dito controle quando a conheci? Quando meu corpo reagiu ao tocá-la pela primeira vez?
–- O que isso significa?
Ele a observou com seus olhos azuis, muito atentos. Depois de um longo tempo respondeu, de forma calma, como se temesse assustar algum animal arisco.
–- Não sou do tipo sentimental ou supersticioso. Ou pelo menos não era, mas não consigo deixar de pensar em “destino”. Talvez eu estivesse esperando por você.
Angel empalideceu. Não. Ele não podia pensar dessa forma. Era para ser sua “despedida”, nada de pensamentos profundos e principalmente, que dessem uma ideia de estarem juntos por um longo tempo. Ela não poderia.
Saindo da cama apressadamente, Angel ignorou a própria nudez e caminhou pelo quarto até encontrar suas calças, penduradas ao lado de seu moletom e blusa. Vestindo apressadamente as roupas, foi dizendo rapidamente:
–- Desculpe, mas preciso ir. – Estranhando a falta de reação dele, ela virou-se para olhá-lo.
Alexis estava ainda sentado na cama, observando o sol que nascia através das janelas. Não era possível dizer o que ele estava pensando, pois seus olhos estavam completamente sem expressão, assim como todo seu rosto. Sem saber o que mais dizer, ela começou a ir em direção a porta, quando estava quase a abrindo, ouviu a voz baixa dele.
–- Espere.
Angel parou. Alexis caminhou até ela e estendeu um cartão dourado.
–- Passe ele no elevador e digite zero-um-zero-sete. O elevador vai passar sem parar em qualquer andar e só vai abrir no subsolo.
Colocando o cartão nas mãos dela, ele se virou e foi em direção ao banheiro, fechando a porta atrás de si.
Ao olhar uma última vez para a cama, sentiu seu coração doer, mas de uma forma diferente da dor que sempre a tomava por causa da sua doença. Era mais profunda, mais dilacerante. Sentindo os olhos arderem, ela saiu do quarto do príncipe.
***
Alexis ouviu a porta bater. Apoiando as mãos na pia, olhou para o reflexo de si mesmo no espelho. Como havia se tornado aquele idiota? Era óbvio que ela não estava preparada para ouvir aquele tipo de coisa. Tinha sido precipitado em sua honestidade crua de sempre e totalmente emocional.
Idiota! Idiota! Idiota!
O que faria caso ela se retraísse mais do que nunca agora? E se fugisse dele?
Indo para o chuveiro, o ligou e deixou a água fria escorrer por seu corpo, ignorando a calça que se tornava desconfortável ao ficar cada vez mais molhada.
Precisava pensar em uma forma de trazê-la de volta para ele.
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