Destinados
1 Amigos
Notas iniciais
A pequena menina de cabelos loiros de apenas seis anos chorava compulsivamente em frente à sua casa, com a bicicleta rosa atirada do outro lado da rua. A dor no joelho era imensa, sem falar no tamanho do machucado. Sem os pais em casa para lhe socorrer, o que mais podia fazer? As lágrimas vertiam de seus pequenos olhos, seu nariz escorria e não tinha ninguém que pudesse ajuda-la.
— Ei, ei – um garotinho de cabelos castanhos bagunçados aproximou-se dela – O que aconteceu?
— E-eu c-cai – respondeu ela em meio aos soluços – M-meus p-pais n-não e-estão e-em c-casa...
— Opa, calma ai, você é gaga?
— N-não...
— Então fala direito, oras! – disse ele – Como você caiu?
A menina apontou para a bicicleta caída do outro lado rua e para o machucado no joelho, que por um acaso, sangrava bastante.
— Hum... isso aqui está feio, hein? Vem comigo, eu te ajudo.
— Meus pais disseram pra eu não ir pra qualquer lugar com estranhos.
— Ei, não sou um estranho, já nos conhecemos. Além disso, tenho oito anos, moro logo ali – disse ele apontando para uma casa branca perto da esquina, logo ali, outro lado da rua – e, faço aniversário no dia sete de agosto, e sete é meu número da sorte! Confie em mim.
A menina arregalou os olhos.
— Eu também faço aniversário no dia sete! Só que é em dezembro...
— Caramba! Parece que somos sortudos, não?
O garoto estendeu a mão para a pequena menininha, que ainda fungando, aceitou de muito bom grado. O menino era visivelmente mais alto que ela, e isso trouxe uma sensação de ligeiro conforto, proteção, ela não sabia bem o que, mas aconteceu. Enquanto andavam, ela notou que ainda não sabia o nome dele.
— Qual o seu nome?
— Quê? – com certeza a pergunta o pegou desprevenido.
— O seu nome, bobão.
— Ah, é Joshua. Mas pode me chamar de Josh. E o seu?
— Summer.
— Summer? Como o verão?
— É, como o verão – ela sorriu.
Josh corou levemente. “Como o verão...”, pensou ele. Certamente radiante como o verão. Os dois foram de mãos dadas até a casa de Josh, onde a mãe do menino cuidou do joelho machucado de Summer com muito carinho. O sol estava quase se pondo quando Josh deixou a menininha em frente à sua casa, com um enorme sorriso no rosto.
— Obrigada – disse ela.
— De nada!
O menino sorriu também. Mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, os pais de Summer abriram a porta, dando suspiros de alívio ao vê-la e correram para abraça-la. E ela, é claro, correu feliz para os braços deles e, sem uma despedida propriamente dita, Josh foi embora.
Onze anos depois...
— Josh! Josh!
Summer, agora com dezessete anos e o cabelo loiro repleto de mechas azuis em degradê, gritava e jogava pedrinhas na janela do quarto de Josh, esperando sinceramente que ele estivesse acordado. Os dois tinham marcado de tomar café da manhã juntos pelo aniversário do garoto. Josh, supostamente, devia estar pronto às seis da manhã, para que as seis e meia Summer passasse na casa dele. Ele estava pronto? Provavelmente não.
— Saco – murmurou Summer – Agora vou ter que escalar essa porcaria.
A garota se pôs a escalar a parede, apoiando o pé nos parapeitos de janelas e suportes para vasos de jardim até alcançar a janela de Josh, que obviamente, estava aberta.
“Certas coisas nunca mudam...”, pensou ela refletindo sobre o antigo hábito do melhor amigo de deixar a janela aberta todas noites, até mesmo quando estava frio.
Com agilidade ela abriu a janela e entrou no quarto do amigo.
— Hora de acordar, Bela Adormecida! – gritou ela enquanto puxava com força as cobertas de Josh – Tá na hora da gente...
Summer queria poder apenas apagar da sua mente a imagem de Cadie Simons, a vadia morena da escola, nua, abraçada e espremida a um Josh também nu, na cama de solteiro do garoto. Cadie se levantou num salto, tentando cobrir suas partes com as mãos, enquanto Josh, ainda meio grogue de sono, tentava raciocinar o que estava acontecendo.
— Eu não sei como eu não imaginei isso – disse ela em tom sarcástico.
— Summer! – Josh exclamou, finalmente percebendo o que estava acontecendo e o que havia feito – E-eu...
— Apenas se vista, babaca – respondeu ela enquanto abria a gaveta de cuecas dele e o alcançava uma box branca – Use essa, é a minha favorita.
Summer piscou para Cadie, que ficou vermelha como um pimentão quase que instantaneamente, saltando da cama a procura de suas roupas, vestindo-as apressadamente e correndo porta afora. Assim que a garota saiu, Summer começou a rir descontroladamente da situação, mas ao olhar para Josh viu que ele não estava nem um pouco feliz.
— Por que você sempre tem que arranjar um jeito de espantar as garotas da minha cama?
— Cadie Simons é uma vadia, além de não ser para o seu bico.
Josh riu e fez uma cara de deboche.
— Se ela não é “para o meu bico”, por que diabos ela estava nua, bem aqui, na minha cama?
— Justamente por ser uma vadia – respondeu Summer – Agora anda, bota isso que você chama de pênis para dentro da cueca e se vista para a gente poder sair.
Ele levantou uma sobrancelha e botou a cueca branca que Summer lhe alcançara. Se levantou e catou no chão seu jeans e sua camiseta azul marinho. É claro Summer já vira Josh nu muitas vezes: quando eles eram crianças e nas vezes em que ela acidentalmente entrou no banheiro enquanto ele tomava banho, e isso nunca incomodou nenhum dos dois. O que andava incomodando mesmo, era o fato de Josh ter uma garota diferente na cama na maioria das noites, e todas elas eram vadias sem amor próprio, que igualmente estavam com um cara diferente na maioria das noites. De certo modo, Summer não culpava essas ditas vadias por quererem dormir com seu melhor amigo, afinal, ele realmente era muito bonito, tinha uma aparência bem singular: cabelos castanhos e olhos verdes, nariz fino e rosto quadrado, sem falar no corpo que ele vinha adquirindo ao longo dos anos. Ele não tinha um tanquinho propriamente dito, mas era bem... na medida certa.
— Onde vamos? – perguntou ele.
— É surpresa. Não vai sair de pé descalço na rua e pegar um resfriado.
Josh olhou para baixo, notando que ainda não tinha posto suas meias e tênis.
— É verdade – ele sorriu – Mas não é você quem vai cuidar de mim se isso acontecer.
Dessa vez foi Summer quem levantou a sobrancelha.
— É claro que vai ser eu, quem mais? Sua mãe trabalha o dia inteiro. E é por isso que você consegue fazer tantas garotas abrirem as pernas para você.
— Ei!
— Calado. Só coloque os tênis.
Josh fez o que Summer disse, mas antes que pudessem sair se lembrou de algo.
— Ah, Summer...
— O que?
— A cueca branca é realmente sua preferida?
— Cala a boca, idiota.
Ele riu da resposta da amiga e, antes que ela pudesse xingar ele de mais alguma outra coisa, se dirigiu com ela até a porta da frente. A garota tirou de uma moita uma legítima cesta de piquenique, com toalha xadrez e um cheiro maravilhoso de bacon e ovos, e botando-a nos braços disse:
— Hoje, eu irei recepcionar seu café da manhã, por favor me acompanhe até o seu assento – brincalhona, ela estendeu seu braço para Josh.
— Não devia ser o contrário?
— Sim, mas...
— Eu sou um cavalheiro minha cara Summer, e, de forma alguma eu poderia submeter uma dama a tal situação – disse ele estendendo o braço para ela, que relutante o aceitou.
— Me guie, por favor.
— Claro – ela sorriu – Será um prazer.
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