Destinados à Payre
18 Uma rosa vermelha para Alexis
Notas iniciais
Como uma flor podia pesar tanto? Angel olhou para a rosa em sua mão e respirou fundo, precisava controlar o pânico se pretendia seguir em frente com seu plano. Ouvindo um barulho de porta, colou o corpo na parede e esperou ouvir os passos que certamente seguiriam. Assim que a pessoa passou, correu até a porta que dava acesso as escadas. Não podia arriscar pegar o elevador, pois era quase certo que seria vista e barrada, afinal as garotas não podiam acessar o Dormitório Masculino sem autorização.
Frustrada, tocou no corrimão do primeiro degrau e se apoiou para olhar para cima, pelo vão entre os andares. E percebeu que teria uma porrada de escadas para percorrer. Maldito Príncipe! Tinha que ter o quarto logo na cobertura de um prédio de quarenta andares?! Resmungando, começou a longa subida.
Um bom tempo depois, ela chegou ao quadragésimo andar. Cansada, porém usando mais como uma desculpa para adiar o momento inevitável, sentou nos degraus e encostou a cabeça na grade.
Tinha refletido muito antes de tomar aquela decisão. Durantes os últimos dois dias não havia pensado em outra coisa. Fazia um pouco mais de dois meses que estava na Alpha e ainda se sentia estranha com a situação provocada por Alexis. O acordo deles, que já completava um mês, tinha lhe possibilitado sentir-se confortável ali e não apenas isso. Ela estava gostando de ficar naquela escola. Admitia finalmente para si mesma, não era tanto pela liberdade que a proteção do Príncipe proporcionava, ou pelas inúmeras oportunidades que tinha para tocar o terror no bom e velho George. Era ele. O motivo era Alexis. Tal qual ele havia desejado. Só que ele não imaginava que nunca tinha sido por outra coisa.
Antes mesmo do episódio entre ela e Alexis na piscina, Angel já percebia que a parte mais divertida de estar ali era o próprio Príncipe. Embora mostrasse para todos uma incrível frieza e indiferença, Alexis tinha um humor muito interessante, uma forma de agir que a deixava sempre em expectativa do que viria a seguir e era muito quente. E solitário como ela era. Talvez fosse isso, além da química inegável, que atraía um ao outro. Era como se houvesse uma confiança inata entre eles, de forma que Angel tinha tido a coragem de contar coisas que jamais confessaria a alguém. E era grande o esforço que continuadamente fazia para não sair desandando a falar sobre Hye Kyo, sobre seus pais. Sobre suas cicatrizes. Sobre seu coração.
Seu coração... Também tinha refletido muito sobre isso. Suas questões pessoais foram quase todas resolvidas nesse sentido. Ia morrer, era fato, não tinha muito tempo. Sua vida até então tinha sido um mar de lágrimas e desespero. Sério. Um dramalhão mexicano sem fim. Ela se sentia uma verdadeira Maria Angélica Lopes Lorenzo, aguardando descobrir que era filha de algum poderoso local, que estava para morrer, e por isso imploraria seu perdão. Então ela diria que também estava morrendo e eles morreriam juntos, sorrindo, cheios de compaixão e amor um pelo o outro. Angel riu. Deus, como estava nervosa, tanto que tinha começado a viajar apenas para ignorar o que estava por vir. A concretização da decisão tomada.
Depois de ter exposto a questão da sua virgindade e de ter percebido que isso não tinha deixado Alexis menos animadinho com a relação deles, assumiu sem mais hesitação, que nada poderia a impedir de seguir em frente, para curtir o resto dos seus dias descobrindo coisas bem mais empolgantes na sua monótona vidinha de moribunda deprimida.
Ok, podia ser a pior ideia que ela tivera, o que não era pouca coisa, levando em consideração as marcas que ela tinha pelo corpo que serviam para comprovar isso. Quer dizer, no momento ela preferia pensar que Alexis era um pedaço de mau caminho muito suculento, temperado com um charme irresistível e basicamente a sua “última refeição”. Mas, não era isso que a tinha feito chorar feito uma condenada no lago, ou o que a tinha incentivado a se afastar dele quando as coisas começaram a tomar outro rumo entre eles. O medo ainda existia. Ele estava ali, muito presente, quase a fazendo dar meia volta, mas Angel não faria isso. Não podia. Não seria mais possível.
E foda-se se o sofrimento seria um inferno. E foda-se se se os seus sentimentos acabassem se aprofundando e piorando tudo, se é que isso já não tinha acontecido e ela estava apenas encarando uma fase de negação. Foda-se tudo! Era o momento de descobrir o que levava as pessoas a buscarem tanto a vida, já que ela nunca soube, talvez fosse a hora. Ela queria ter a chance de pensar que toda sua existência naquele mundo não tinha sido em vão. Queria, pelo menos, dar o seu suspiro final nos braços de um príncipe tudo de bom que se importava, mesmo que um pouco, com ela. Não era pedir de mais. Deus já a tinha sacaneado além da conta, podia ser legal pelo menos uma vez. Uma espécie de presente de despedida.
Respirando fundo, levantou-se e foi para o corredor. Não tinha planejado a sua invasão tão bem quanto gostaria, podia culpar o nervosismo, por isso não sabia para qual lado ficava o quarto que pretendia ir. Olhando para os dois lados, mordeu o lábio inferior. Caramba, como tinha esquecido de descobrir algo tão básico quanto isso? E agora? Irritada com a própria incompetência, foi para a direita, andou quase toda extensão, encontrando apenas quatro portas. Realmente, a realeza era bem paparicada naquela escola. Aquele andar só era ocupado por príncipes e princesas herdeiros, ou seja, os futuros reis e rainhas de suas nações. Isso explicava todo o luxo daquele andar e o fato de não ter tantos quartos como acontecia nos outros.
Quando estava voltando, tentando repensar suas táticas, uma porta abriu bem do seu lado. Precisaria ter superpoderes de velocidade para não ser pega, o que não era o caso. Por isso foi logo fazendo a cara mais inocente do mundo. “Desculpe, me perdi”. Mas quando a pessoa saiu, seu rosto ficou quente.
–- Acho que nosso acordo tinha algo sobre “nada de ser pega em situações comprometedoras”.
Angel ergueu a cabeça, para exibir orgulho e também para poder enxergar melhor o rosto de Alexis. O primeiro motivo era meio que prejudicado pelo segundo, mas tudo bem.
–- Eu não estou fazendo nada de mais, apenas visitando.
–- Quem?
–- Você. Posso entrar ou vamos ficar batendo papo no corredor até alguém nos ver?
–- Só eu ocupo esse andar no momento. O único outro ocupante se formou no último ano.
–- Então, estamos em falta de gente por aqui, hein?
–- O nascimento de herdeiros da realeza, primeiros na linha de sucessão, não é algo assim tão comum.
–- Nossa, como você é especial! – ela ironizou.
–- Devo ser mesmo, para fazê-la se esgueirar até aqui a essa hora. – ele abriu espaço e indicou que ela entrasse no seu quarto.
A garota nem hesitou, passou por ele e foi pelo caminho indicado. Já na entrada, Angel parou surpresa. Não era um quarto luxuoso de forma ostensiva como se poderia imaginar os aposentos de um Príncipe com o status dele. E por ele ser de origem árabe, ela, de certa forma, havia antecipado uma decoração dourada e vermelha, com tapeçarias e coberturas em ouro. Mas não, enquanto caminhava, olhando abertamente o lugar, notou a austeridade, muito semelhante a sala da presidência do GEA.
Era requintado, mas sóbrio. As cores eram frias e neutras, do branco, cinza ao preto, com alguns toques em azul. Havia uma sala enorme, com um sofá em “L” branco e uma TV gigantesca. Do lado esquerdo era possível identificar uma espécie de ilha, na qual uma mesa em meio circulo formava um escritório, à direita estava uma pequena cozinha americana, toda em aço preto, com uma bancada em mármore branco. Ao fundo estava a imagem mais impressionante. Em um formato oval, janelas cobriam toda a parede e era possível ver o mar que cercava a ilha, com uma cidade lindamente iluminada bem ao fundo, naquela noite iluminada por uma enorme lua amarelada. A suave luminosidade, além de criar uma imagem tão bela que chegava a parecer quase surreal, cobria a cama, também arredondada, localizada em frente às janelas, tão grande que poderia comportar umas sete pessoas. Uma linda colcha azul, com detalhes em prata a cobria. Era o item mais “enfeitado” do lugar, pois exibia intrincados bordados de aves e flores.
Voltando a olhar ao redor, Angel reparou em uma escada em espiral que tinha ao lado do escritório, provavelmente por ser a cobertura existia alguma piscina lá em cima. Também notou três portas no cômodo. Certamente eram o banheiro e o closet. A terceira estava semiaberta, mas como estava escuro lá dentro, não foi possível descobrir o que era. Mais uma vez percebeu a falta de detalhes pessoais, como na sala do GEA. Não tinha visto nenhum retrato, nada fora do lugar, era total a ausência de objetos que exibissem a personalidade de Alexis, exceto pelos vários livros, dispostos em diferentes prateleiras pelo quarto. E algumas pinturas. Angel se aproximou de uma que estava na parede ao lado da ilha do escritório. Era uma pintura linda. Parecia o retrato de um mundo fantástico, pois era possível identificar dois sóis, um amarelo e um laranja, estavam se pondo ao fundo de uma cidade com formas diversas, embora só fosse possível notar a silhueta dela, era facilmente percebido que não era uma cidade comum. No quadro imperavam cores fortes e vibrantes, como vermelho, laranja e amarelo, mas ainda assim, percebia-se certa melancolia. Como se aquele fosse o último dia. Transmitia despedida. Ou saudade.
Um sentimento estranho a tomou, suas mãos sentiram uma necessidade desconhecida de tocar as linhas, como se fosse essencial memorizar aquele lugar. Um cheiro de sol, tinta e outro que ela não pode identificar a fez fechar os olhos de dor. Sentiu sua garganta se fechar e seu coração se contraiu tão forte, que ela respirou fundo pela boca. Então na sua mente viu uma luz, sentiu algo macio tocar seu rosto e um toque quente em sua testa. E o cheiro familiar, mas desconhecido, preencheu suas narinas, quase a sufocando.
–- Quem é o artista? – ela perguntou a Alexis, abrindo novamente seus olhos, dissipando aquelas sensações. — Não vejo o nome na obra.
–- Se chama Alexis.
Angel o olhou rapidamente, com desconfiança.
–- Você que pintou esse quadro?
–- Está surpresa por eu pintar, ou por ter feito essa pintura em particular?
–- As duas coisas, acho. – ela o observou de alto a baixo, parecendo muito impressionada, mas dessa vez, não era somente com a aparência do príncipe. – Realmente, chega a ser chato lidar com você. Inteligente, lindo, podre de rico, bom esportista, um príncipe herdeiro do trono, e agora vejo, um pintor incrivelmente talentoso. Também sabe cantar, dançar e é um verdadeiro chef francês, por acaso?
–- Tenho uma voz decente. Tive aulas de dança desde a infância. Minha avó paterna era francesa e adorava cozinhar, me ensinou o básico. – ele respondeu, de forma propositadamente arrogante.
–- Sério. Como pode ser tão irritante?
–- Ninguém é perfeito. Eu sou apenas, quase.
Angel revirou os olhos para o alto, bufando.
–- Entenda, estou bastante satisfeito em recebê-la. Muito mesmo. Mas, — Alexis estreitou seus olhos zuis em uma expressão intrigada. – o que está fazendo aqui, às quase onze horas da noite?
Angel puxou o capuz que cobria sua cabeça e o encarou. Em um gesto lento, colocou a mão no bolso do moletom e retirou de lá uma rosa. Uma delicada rosa vermelha.
***
Alexis observou a flor que Angel lhe estendia, um tanto aturdido. Tinha feito o convite para o Baile no almoço de dois dias atrás, com a esperança de receber um sim. Sabia que o seu gesto não fora dos mais normais, tinha consciência de que poderia ter dado um tiro no pé. Com uma bazuca. Mas o sorriso que ela tinha mostrado naquele dia o fez ter certeza de uma resposta positiva. Só que essa confiança, com o passar daqueles dias, tinha se evaporado. Já tinha até planejado como tentar convencê-la, caso ficasse sem resposta pelos próximos dias. Diria que ela poderia ir de jeans e tênis no Baile, pois ele também iria assim, para acompanhá-la. Isso certamente causaria uma grande comoção, tanto com o avô dela, quanto com seu pai. E isso seria muito divertido. Mas, ali estava Angel, com uma rosa vermelha na mão, tão linda e encabulada.
Antes que ela pudesse mudar de ideia, Alexis pegou a flor. Sentiu que sorria feito um idiota, mas que se dane, não era nenhuma novidade para ela que ele agia de forma meio estranha ao lado dela. Pelo amor de Alá, se ela ainda tinha alguma dúvida sobre isso, as mais de sessenta rosas já teriam dado conta de mostrar a que ponto ele era capaz de ir por ela. Na verdade tinha sido tão simples que ele próprio tinha um certo receio sobre o que isso poderia significar. O que estimulou a sua curiosidade sobre a vinda dela ali.
–- Obviamente que não vou questionar a situação, mas confesso minha surpresa. Presumi certo trabalho antes de conseguir arrancar essa flor de você.
Angel colocou as mãos nos bolsos, para então de responder:
–- Ora, eu já citei a sua imensa lista de qualidades, que tipo de garota deixaria um partidão desses dando sopa por ai?
–- A mesma que acertou um soco nesse “partidão”?
–- Naquela época eu desconhecia todos os seus talentos.
–- Ah, percebeu como eu beijo bem, finalmente? — Alexis se fez de desentendido.
Mas dessa vez Angel não retrucou, apenas olhou novamente para o quadro, em silêncio. Achando a atitude dela meio inusitada, o Príncipe se aproximou e dobrou o corpo para frente, bloqueando a visão dela da pintura. Depois de alguns instantes, os olhos violetas se fixaram nos dele, muito irados.
–- Não está vendo que estou tentando tomar uma decisão, aqui? Preciso de espaço!
–- Decisão sobre o que? Se eu beijo bem ou não?
–- Algo assim.
–- Posso ajudar?
Ele riu quando ela lhe lançou um olhar ainda mais irritado. Com uma voz calculadamente sedutora, Alexis aproximou o rosto do dela, falando em seu ouvido:
–- Se eu beijá-la, apenas por solidariedade ao seu problema, vou levar um soco novamente?
O príncipe ficou parado, ainda com a boca próxima a orelha feminina, sentindo o cheiro de Jasmim que emanava dela.
–- Qual é o perfume que usa? Adoro esse cheiro.
–- Não uso perfume. Sério, acha mesmo que eu vou cair nesse papo de “ah, então é o cheiro da sua pele que me atrai”?
–- Alguém já falou sobre seu perfume?
–- Sim. Um cara veio me dizer que eu cheirava a Jasmim. – Angel preferiu não acrescentar que naquele dia ela estava especialmente sensível, pois seu avô tinha mandado Hye Kyo embora. — Ele acordou algumas horas depois, na enfermaria e eu me livrei da quarta escola.
–- Hum.
Angel virou a cabeça na direção dele. Seus rostos ficaram a centímetros de distância. Alexis conseguiu até mesmo perceber algumas sardas minúsculas, na ponta do nariz pequenino. Mais um detalhe atrativo sobre ela.
–- O que foi esse “Hum”? – ela indagou.
–- Foi um “Ok, melhor ficar quieto e não comentar que eu também sinto cheiro de Jasmim nela, porque se não, posso acabar indo parar na enfermaria”.
–- Sério? Jasmim?
–- Sério.
Ela hesitou um pouco, então falou.
–- Você tem cheiro de sol.
Alexis, que já estava meio distraído, olhando para a boca dela, encarou os olhos violetas, com perplexidade.
–- Minha avó me chamava de “Petit Soleil”. Eu achava que fosse uma brincadeira com o antigo rei francês, mas um dia ela me disse que não, o motivo é que, quando eu nasci, ela sentiu claramente um cheiro que associou ao sol, mesmo sem entender bem o motivo. Mas foi apenas naquele momento.
–- Bem, eu sinto o tempo todo. Percebo até mesmo quando está se aproximando, por que o cheiro logo surge.
–- Assim como seu perfume de Jasmim.
Os dois passaram a se olhar e como em tantas outras vezes, sentiram a ligação indecifrável que existia entre eles. Com naturalidade, Alexis tocou a face macia e passou os dedos ao longo da bochecha rosada, rindo quando esta ficou ainda mais avermelhada. Ainda com os olhos fixos nos dela, contornou a boca com seus dedos. Sentiu seu calor e sua textura de pêssego. Angel era tão linda, que às vezes ele se percebia fechando as mãos com força, para não tocá-la, como fazia naquele momento. Nunca tinha sentido aquele tipo de atração. Era quase incontrolável a vontade de apenas passar a mão por seu rosto, mas então isso já não era suficiente, queria beijá-la, e ao beijá-la seu corpo todo queria estar em contato com o dela. Quando a abraçava seu coração ficava mais calmo. Mas também mais rápido. E mais quente.
Pensando nisso, Alexis substituiu a seus dedos, por sua própria boca. E tudo o mais desapareceu. Exceto ela. O seu anjo endiabrado.
Erguendo Angel nos braços, Alexis a colocou sentada sobre a mesa do escritório, ouviu algo cair no chão, o barulho de metal e vidro quebrando, mas não ligou. Nada tinha tanta importância quanto a garota que correspondia aos seus carinhos com tanto ardor. Algo dentro dele dizia que era melhor ir com mais calma, mas era difícil pensar quando sentia as mãos pequenas e delicadas puxarem sua camisa e tocarem seu peito, arranhando de leve e parecendo cada vez mais impacientes para senti-lo. Alexis compreendia esse desespero, por isso suas próprias mãos ansiosas vagavam por baixo do moletom, acariciando a pele sedosa das costas e da cintura.
Quando suas bocas se separaram, apenas o suficiente para respirarem, estavam tão próximos ainda, que ele sentia o ar que saia, em golfadas rápidas dos lábios dela, tocarem os seus. Apoiou a testa na dela e sorriu ao perceber que nenhum deles tinha tomado a iniciativa de tirar as mãos um do outro. As mãos dela ainda apertavam suas costas. As mãos dele faziam movimentos circulares na cintura dela, por sob a roupa que ela usava.
–- Acho que quebramos alguma coisa. – Angel comentou, sem se afastar.
–- Que se dane.
–- É.
Como se em total sincronia, buscaram novamente os lábios um do outro. Dessa vez ela não se conteve, foi com surpresa e prazer que Alexis sentiu sua camisa ser aberta com tanta força que os botões voaram longe. Inspirado com a atitude dela, rindo ele se afastou e tirou o moletom que ela vestia, com um único puxão. Agora havia apenas uma fina regata branca entre suas peles. Animado com a ideia, o príncipe aproximou-se para voltar a beijá-la, mas Angel afastou o rosto para o lado. Intrigado ele a encarou, para logo em seguida agarrar com força as bordas da mesa. A pequena diabinha evitou o seu beijo para, sem qualquer cerimônia, lamber seu pescoço e descer lentamente até seu coração, entre pequenas mordidas e beijos por sua pele. Enquanto isso suas mãos desciam, ousadamente, para o cós de suas calças, fazendo um leve carinho por sobre o tecido. Sentindo o membro reagir à investida dela, Alexis gemeu:
–- Angel... Droga, Angel!
Ela parou seu caminho, mas permaneceu com a bochecha colada no peito dele e a mão pousada em sua coxa.
–- Não está gostando?
–- Não é esse o problema.
–- Então...?
–- Já falei. Não podemos forçar tanto a barra. Não sou a porcaria de um cubo de gelo, apesar do que dizem.
Angel se afastou para poder vê-lo melhor.
–- Ainda estou bem vestida. Aquela vez na piscina eu estava nua, então achei que aguantava bem mais do que isso.
Alexis passou as mãos pelos cabelos, que ela em algum momento, já havia bagunçado.
–- Até parece que não notou que eu não estava assim tão controlado sob aquela água. Se não tivesse me parado, era óbvio que teria tido a sua primeira vez em uma piscina. E eu teria me culpado por isso.
–- Pensando dessa forma, aquela cama enorme ali me parece bem mais confortável.
Ele a observou, estreitando seus olhos azuis, muito escuros naquele momento.
–- Essa súbita visita, tão tarde da noite, não foi mero acaso pelo que percebo.
–- Não. Não foi. Eu vim seduzi-lo e assim poder conseguir a minha primeira transa.
–- Não vou fazer isso apenas para saciar uma curiosidade sua, ou para que se livre de algo que passou a incomodá-la.
–- Funcionaria melhor se eu admitisse que, antes de conhecê-lo, nunca tive curiosidade sobre isso, sexo não me importava e minha virgindade não me incomodava? Talvez queira saber que, depois que o beijei pela primeira vez, só pensei em como seria terminar o que começamos naquele dia. Consegue perceber que só vim aqui, depois de refletir muito sobre tudo isso? Acha mesmo que, alguém tão desconfiada quanto eu sou, confiaria tão facilmente? Eu sei exatamente o que eu quero. Eu quero estar naquela cama com você.
Dizendo isso, ela levou às mãos a blusa e a tirou pela cabeça. Alexis tentou com todas as forças, mas não conseguiu deixar de admirar os seios redondos e fartos, cobertos por uma peça de renda vermelha, terrivelmente sedutora. Seus olhos, com esforço, voltaram para os olhos violetas e notaram o riso que havia neles. Aquela garota era uma peste. Rosas vermelhas. Lingerie vermelha. Ela própria era a resposta a uma outra questão do relacionamento deles. E sim era a resposta que ela estava dando a ele.
Mas ainda assim, ele precisava deixar algo bem claro:
–- Eu disse que não haveria arrependimentos e desculpas depois. Se você resolver ter um chilique e tentar ir embora amanhã, fique sabendo que eu vou ir atrás, seja lá onde for, e vou trazê-la de volta.
–- Eu não vou me arrepender.
–- Vou garantir que não se arrependa mesmo.
Dizendo isso, ele voltou a beijar a boca dela, sem qualquer hesitação, apenas com paixão e desespero. Passou as pernas femininas por sua cintura e a ergueu da mesa. Segurando-a pelos quadris, sem interromper o beijo, foi em direção à cama coberta por seda azul e iluminada pela lua dourada.
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