Despertar de uma sub
24 Capítulo 22
Notas iniciais
Capítulo 22
Essa estava sendo, sem dúvidas, uma longa semana. Longa, cansativa e... Solitária.
Exatamente como eu imaginava, Edward estava me evitando... O máximo que podia. E eu não conseguia encontrar forças para ficar com raiva dele, não depois do maravilhoso presente que ele tinha me dado.
De inicio, ele começou a chegar cada vez mais tarde, e na primeira noite em que ele não dormiu em seu quarto ficou mais que claro que eu não deveria mais ocupá-lo. Obviamente, ele foi delicado ao ponto de não verbalizar mais aquele sinal de afastamento, o que não fez doer menos.
Tanto quanto eu gostaria de estar com ele, eu estava grata por ter a livraria para me ocupar. A quantidade de trabalho era enorme e no final do dia eu não tinha forças para chorar por não tê-lo ao meu lado. Ou talvez, o mais correto seria dizer que eu não chorava muito... Apenas alguns minutos até que eu caísse no sono.
O grande problema é que após alguns dias eu estava praticamente sofrendo uma crise de abstinência. Eu queria vê-lo, ouvir sua voz, sentir o seu toque...
Uma semana depois de nossa volta a Chicago, eu estava praticamente enlouquecendo.
Contrariando a minha vontade e o que ele havia dito, não tínhamos jogado no fim de semana passado e tudo isso aliado ao fato de que eu praticamente não o via me fazia sentir cada vez pior.
Exatos 10 dias após termos estado juntos pela última vez. A manhã de uma quarta-feira me encontrou sobre a cama, com os olhos inchados e vermelhos e por mais que eu me sentisse exausta, eu não tinha conseguido dormir por mais do que alguns minutos. Eu precisei de toda a minha força de vontade e amor próprio para não ir sorrateiramente até o quarto dele e rastejar por sua cama, até que eu estivesse em seus braços.
Eu observei, sem realmente enxergar, os primeiros raios de sol que chegaram ao quarto e gemi ao tentar me mover. Todo meu corpo doía, e eu tinha fome, mas não coragem para me colocar de pé e ir até a cozinha.
Eu nem mesmo sabia se conseguiria ir até a livraria. Eu só queria chafurdar um pouco mais em minha própria miséria.
Eu não tinha me dado ao trabalho de descer para o jantar na noite passada, embora tivesse chegado em casa muito antes do horário habitual. Eu tinha lutado contra uma terrível dor de cabeça durante todo o dia e eu sabia que não o encontraria na sala de jantar. Nos últimos dias, ele nunca estava lá, ou em que qualquer outro lugar que eu pudesse encontrá-lo.
Eu puxei o edredom sobre a minha cabeça, quando o sol se tornou alto o suficiente para iluminar todo o quarto, o que só fez minha dor de cabeça piorar e tentei pensar em qualquer outra coisa que não fosse Edward.
Não é como se eu não tivesse muitas outras coisas com o que me ocupar. Para minha infeliz surpresa, a livraria não estava bem financeiramente e eu precisava encontrar uma forma de reduzir os gastos e aumentar os lucros... Aparentemente eu teria que fazer algumas demissões, eu só não sabia como fazer isso sem que parecesse que eu estava em uma missão de retaliação.
Eu ainda lembrava, claramente, de todos os olhares surpresos quando eu adentrei a livraria e esses mesmo olhares se tornaram chocados quando foi relevado que eu era a nova dona. Mas nada disso me impediu de ouvir os comentários que alguns funcionários faziam a meu respeito. Seria tão mais fácil se esses mesmo funcionários não fossem os mesmo com índice de rendimento praticamente no chão. Como eu poderia demiti-los sem parecer que eu estava me vingando pelas indiretas ou fofocas sobre a minha vida pessoal?
Talvez, eu precisasse de um advogado trabalhista para me auxiliar. O problema é que eu não conhecia um e não estava disposta a pedir a ajuda de Edward... Quero dizer, apenas pareceria que eu estava usando uma desculpa para falar com ele.
E eu precisava, o quanto antes, encontrar um apartamento. Algo próximo à livraria e distante de Edward. Ou eu enlouqueceria. Provavelmente, seria mais fácil ignorar o fato de que ele estava cada vez mais distante se não vivêssemos na mesma casa.
Eu alcancei o meu celular e, sem me importar com o horário, disquei o número de Angela. Ela ainda era a gerente da livraria, e permaneceria assim... Independente do que tenha acontecido entre nós, ela era boa no que fazia e eu não podia me dar ao luxo de perdê-la. Veja, eu posso ser profissional.
Bom, não estou dizendo que tenha sido fácil esquecer tudo o que ela tinha me dito. Eu nem mesmo tinha chegado a esquecer, mas eu ignorava todo o resto e me concentrava apenas no que interessava: o trabalho. Angela, conhecia o funcionamento da livraria muito melhor do que eu e se trabalhássemos juntas nas ideias que eu tinha, talvez conseguíssemos fazer da livraria um sucesso... Tal como Edward tinha me dito no dia em que me presenteou com ela.
Merda! E cá estava eu pensando nele novamente.
– Bella? – A voz sonolenta de Angela soou através do telefone. – Há algo errado?
– Eu sinto muito se a acordei, Angela. – Disse. – Mas, eu gostaria de avisar que não estarei na livraria hoje, então se você puder cuidar de tudo, eu agradeceria.
– Você não precisa pedir. É meu trabalho, Bella. E bom, você sabe o antigo dono mal aparecia na livraria.
– Talvez seja por isso que estávamos perto da falência e nem mesmo sabíamos. – Retruquei.
– Eu... Eu não lidava com essa parte do negócio e...
– Eu não estou dizendo que era sua culpa, Angela. Me desculpe, se pareceu isso. – Soltei um suspiro e fechei os olhos. – Eu acredito que se você tem um negócio, deve mantê-lo sobre os seus olhos. Eu estarei lá, todos os dias, exceto se precisar resolver alguma outra coisa. Como hoje.
Era uma mentira. Eu até tinha coisas a resolver, mas o que me impedia de ir, era o fato de me sentir doente, graças a falta que Edward me fazia.
– Como está sua cabeça? – Ela me perguntou docemente.
– Tão terrível quanto ontem. – Com a ponta dos dedos massageie minhas têmporas. – Mas você pode me ligar se tiver algum problema ou precisar de algo.
– Okay... – Ela respondeu. – Você também. Se precisar de qualquer coisa é só...
– Obrigada, Angela. Eu vou ficar bem.
Eu encerrei a ligação e mantive meus olhos fechados. Seria um dia de merda.
...
Eu estava me obrigando a criar coragem de sair da cama quando toques suaves na porta chamaram a minha atenção. Voltei a me encolher desejando não falar com ninguém.
– Entre. – Disse alto o suficiente para a pessoa do outro lado da porta ouvir e estremeci com o latejar na minha cabeça.
Era, provavelmente, Marie tentando me convencer a tomar o café da manhã, como ela fazia sempre. Talvez, hoje eu aceitasse, se ela fosse gentil o suficiente para trazê-lo até o quarto.
Eu não me dei ao trabalho de me virar em direção à porta, então quando o voz melodioso chegou aos meus ouvidos, eu fui surpreendida.
– Bella? – A voz de Edward parecia ainda mais linda do que eu me lembrava. – Está tudo bem?
Eu poderia mentir e dizer que estava perfeitamente bem, mas ele sempre teve o poder de ver além das minhas palavras. Ainda seria assim?
– Apenas uma dor de cabeça leve... – Sussurrei. Uma meia mentira, vamos testar seu conhecimento sobre mim, Sr. Cullen.
– Você mente tão mal. – Ele respondeu e se sentou ao meu lado na cama. – Você precisa de algo?
Sim, Edward. Eu preciso. De você.
– Não... Apenas mais alguns minutos na cama e eu estarei bem.
Sua mão tocou a minha testa e eu estremeci.
– Marie me disse que você chegou cedo ontem porque não se sentia bem e como você não desceu para o jantar, eu deduziu que...
– Você estava em casa para o jantar? – Minha voz era uma mistura de incredulidade e irritação.
Ele havia evitado o jantar durante todos esses dias, por que mudar isso logo no dia em que eu decidir desistir de esperá-lo?
– Eu esperava conversar com você...
– Conversar comigo? – Eu estava sendo sarcástica, mas não conseguia evitar. – Sinto muito se o deixei esperando... Mas como poderia imaginar que você aparecia?
– Talvez seja melhor conversarmos depois... – Eu ainda não tinha olhado diretamente para ele, então posicionei minha cabeça de forma que nossos olhares se encontrassem.
Eu o vi perder uma respiração e me odiei por isso. Ótimo Bella, agora ele pode ver o quão ruim você está. Assim como eu podia ver que ele continuava tão belo como sempre foi.
Eu briguei contra as cobertas e me coloquei de pé, tencionando fugir da sua análise. Não foi uma boa ideia, já que meu corpo oscilou de um lado ou outro, e eu teria ido ao chão se Edward não estivesse ao meu lado em menos de um segundo e me segurasse.
Eu pude sentir a poderosa descarga elétrica de volta. Eu tinha sentido falta dela, como de todo o resto.
– É melhor que você continue deitada... – Ele sussurrou em meu ouvido e me pegou no colo apenas para voltar a me deitar sobre a cama. – Você precisa comer algo. Eu vou pedir a Marie que traga o seu café.
– Muito gentil da sua parte, Edward. – Eu deveria ter me mantido calada, mas era difícil demais não demonstrar o quanto estava magoada. – Mas não se dê ao trabalho, eu estou sem fome.
Ele me olhou por um segundo e apenas se levantou e deixou o quarto.
– Merda! – Eu xinguei baixo e voltei a me colocar de pé, mais devagar dessa vez, afinal não existia ninguém ali para me segurar e caminhei até o banheiro. Eu evitei o espelho não querendo ver as olheiras e a forma como meu rosto estava mais fino e apenas me enfiei sob o chuveiro.
Foi um banho rápido e a única coisa que eu me permiti pensar durante o tempo que permanecia no boxer era por onde eu deveria começar a busca por um apartamento. Seria uma tarefa difícil e dolorosa, então eu cheguei à conclusão que pediria a ajuda de Alice. Eu confiava o suficientemente nela para isso.
Eu não me dei ao trabalho de usar o secador de cabelo, apenas o prendi, úmido mesmo, em um rabo de cavalo e deixei o banheiro enrolada em uma toalha.
Edward estava de volta ao quarto, com cara de poucos amigos e eu me encolhi diante da sua inspeção.
– Coma! – Ele disse apontando para uma bandeja farta sobre a cama.
A primeira coisa que notei, junto a enorme quantidade de comida ali contida, foi a delicada pulseira que até pouco tempo atrás era minha coleira, e foi impossível não estremecer diante da possibilidade de não mais poder usá-la.
– Eu, realmente, não est... – Comecei a dizer, apenas para ser interrompida por ele.
– Coma, Isabella! – Ele repetiu. – Você não poderá me servir se estiver doente.
– Servir você? – Eu cruzei os braços e o encarei. – E como isso vai acontecer com você me evitando?
– No final de semana, se você estiver de acordo com tudo o que está descrito aqui... – Ele jogou algumas folhas sobre a cama, próximo a bandeja. — Eu pretendia esperar até a noite para conversarmos, mas seu humor não está dos meus melhores, e confesso que o meu também não, então sente-se e coma, enquanto eu falo.
Eu pensei em desafiá-lo e lhe dizer que ele não poderia me dar ordens quando eu não estava usando a sua coleira, mas ele estava usando o tom Dom de voz e mesmo se não fosse assim, eu sempre o obedecia.
– Devo colocar minha coleira então, Mestre?
Pude ver um pequeno sorriso surgir em seus lábios, e obviamente, meu corpo estremeceu em resposta. Não era preciso que ele me desse uma ordem direta. Imediatamente, tomei a delicada peça em minhas mãos, prendendo-a ao redor de meu pulso esquerdo.
Com um movimento de cabeça, Edward me indicou a cama e eu me acomodei a cabeceira, em seguida ele colocou abandeja sobre meu colo e se sentou de forma que ficasse a minha frente. Eu mantive minha cabeça baixa, não apenas por submissão, mas porque era doloroso olhar para ele.
Eu me obriguei a apanhar um morango quando ele se manteve em silencio e mesmo sentindo meu estomago protestar o comi.
Eu vi Edward apanhar o contrato que continuava sobre a cama e alisar as folhas.
– Nós estaremos discutindo o contrato, Isabella. Você pode falar livremente, desde que mantenha o respeito. – Ele me olhou por um segundo e tudo o que eu fiz foi assentir. — “Pelo presente contrato que está sendo firmado de comum acordo e de livre e espontânea vontade entre as partes: Edward Anthony Cullen, americano, solteiro...” Segue os números dos meus documentos. – Edward começou a ler. – “...doravante intitulado “Mestre e Senhor” e Isabella Marie Swan, americana, solteira...” Segue os números dos seus documentos.
– Você tem o número dos meus documentos? – Interrompi e deixei o café da manhã de lado.
Edward levantou seu olhar e me encarou e arqueou uma sobrancelha.
– Ok. É uma pergunta idiota, se levarmos em consideração que você colocou uma livraria em meu nome há menos de duas semanas. O que eu quis dizer é: como você teve acesso aos meus documentos?
–Eu sei tudo o que eu preciso saber sobre as minhas submissas... – Ele respondeu indiferente.
As suas submissas. Eu odiei ouvir o plural! O que era uma coisa bastante estúpida. É obvio que Edward teve outras submissas antes de mim, e eu sempre soube disso, mas ainda me sentia doente em pensar que ele esteve, de forma tão intima, com outra pessoa. E me deixava ainda mais doente saber que ele, provavelmente, chamaria assim a próxima mulher que vier depois de mim.
– Agora volte a comer. – Ele ordenou e eu revirei os olhos. Eu vi como ele apertou os papeis em suas mãos, mas nada disse. Eu apanhei um novo morango e ele continuou. – “... doravante intitulada “submissa” no dia de o7 do mês de julho deste corrente ano. O presente Contrato refere-se ao total controle do Mestre e submissão da submissa em seu relacionamento, tratando dos aspectos da rotina, incluindo conjuntos de regras, Direitos e Deveres, atribuídos nos seguintes pontos:”
Eu não consegui evitar uma risada. Isso tudo me parecia tão estúpido. Algo tão formal que estava apenas nos distanciando ainda mais.
Edward voltou a me olhar de aparente mau humor.
– Sinto muito se o interrompi, Mestre. – Disse entre risos. – Por favor, continue... – Antes que ele me desse uma nova ordem, eu agarrei uma torrada e a levei a boca.
Ele decidiu me ignorar. Nenhuma novidade nisso.
– “Artigo 1°: A submissa possui o INALIENÁVEL DIREITO DE DEIXAR DE SER SUBMISSA QUANDO QUISER, porém, enquanto estiver sob o domínio do Mestre deverá obedecer a todas as suas ordens e desejos, proporcionando-lhe todo o tipo de distração, prazer e conforto.” Alguma dúvida até aqui?
Eu respondi com um movimento negativo de cabeça enquanto pensava que odiava esse contrato tanto quanto odiava a forma como Edward e eu estávamos agindo. Mas, bem, a culpa dele existir era minha, então eu tinha que me manter calada e aceitar o pouco que tinha.
– Artigo 2º: A submissa se compromete em confiar no Mestre, fazendo sempre as suas vontades e que passam a serem também as da submissa; O Mestre se compromete a sempre pensar no bem estar físico, psicológico e social da submissa...” – Ele prosseguiu. – “Artigo 3º: A submissa declara aqui ser fiel de corpo e alma. Artigo 4º: A submissa...”
– Espere. – Eu disse, deixando a torrada praticamente intocada de lado. — Artigo 3º: A submissa e o Mestre declaram aqui serem fieis de corpo e alma. Isso é o que deveria estar escrito aí...
Eu esperei por um arquear de sobrancelha ou uma resposta mal humorada, mas tudo que Edward fez foi sorrir levemente e apanhar uma caneta do bolso do terno azul marinho que usava.
– Completamente justo, baby. – Ele sussurrou rabiscando algo no papel que tinha em mãos.
Eu senti meus lábios se contorcerem em seu próprio sorriso e revirei os olhos para mim mesma. Por que eu estava contente por ler ter concordado com algo que já estava combinado? Ou seria o fato de ele ter me chamado de baby?
– “Artigo 3º: A submissa e o Mestre declaram aqui serem fieis de corpo e alma.” – Edward repetiu, e meu sorriso se tornou um pouco maior. – “Artigo 4°: A submissa declara que jamais contestará ou desafiará uma ordem de Seu Mestre, obedecendo-as prontamente ou aceitando os castigos que ele a impor por sua desobediência. Artigo 5°: A submissa estará inteiramente exposta ao domínio do Mestre por três dias por semana sendo eles: sextas-feiras, sábados e domingos; O Mestre declara que sempre ouvirá a submissa e saberá a seu modo ser compreensivo com suas suplicas.”
Isso, obviamente, me surpreendeu.
– Estaremos jogando na sexta-feira?
– Se você estiver de acordo...
– Mas e o escritório e a livraria?
– Esse é o ponto. Mostrá-la que você pode e deve cumprir com o desejo do seu Mestre mesmo se estivermos longe. Nós jogaremos de forma diferente nas sextas-feiras, mas você ainda irá ser minha. É claro que não existirá nada que posso colocá-la em problemas, se esse for o seu medo.
– Algo como quando você esteve em Londres? – Perguntei sentindo minha bochecha esquentar. – Mensagens e ligações?
– Eu espero um pouco mais do que isso, Isabella. Você estará almoçando comigo na sexta-feira, e irá vestir, ou não, o que eu ordenar e claro, sempre estará pronta para mim. Talvez eu a surpreenda com uma visita surpresa. Eu acho que apreciaria uma visita ao seu estoque.
Foda-se! Sexo no estoque na livraria... Isso soa quente.
–Eu acho que posso lidar com isso... – Respondi.
– É claro que você pode.
Eu mordi o lábio inferior e senti a inconfundível excitação que ele sempre me fazia sentir. Eu me remexi inquieta e, extremamente, necessitada.
–Você não comeu quase nada... – Ele voltou a falar. – Continue enquanto eu leio.
– Por que você não come algo também? – Lhe ofereci o pote de morangos, com a intenção de recuperar um pouco do que costumávamos ter, quando ainda havia um tanto de carinho entre nós, mesmo quando eu usava a sua coleira. – Tem comida demais aqui só para mim.
Ele apenas me olhou por um momento, mas por fim, apanhou um morango e o levou a boca. Com demasiada atenção eu vi a fruta ser mordida e a poupa escorrer pelos lábios dele. Eu precisei sufocar um gemido.
Lentamente, eu levei um novo morango a minha boca, intimamente, desejando que fossem os dedos de Edward a roçar os meus lábios.
– “Artigo 6°: A submissa...” – Ele voltou a sua atenção para a leitura. – “concorda em ser punida cada vez que for insolente, desobediente, ou falhar em alguma tarefa, entendendo que a punição será sempre justa e para seu próprio aprimoramento como submissa, sem esquecer-se jamais de agradecer ao Seu Mestre pela punição aplicada.”.
Eu estremeci diante da possibilidade de ser punida e mentalmente me prometi ser o mais obediente possível. Algo me dizia que as novas punições não seriam tão amenas quanto às antigas.
– “Artigo 7°: A submissa, onde apropriado, poderá se utilizar das palavras de segurança, anteriormente acordadas entre as partes, podendo assim finalizar qualquer cena que a mesma julgue fora de seus limites. Artigo 8º. A submissa se compromete a sempre que dirigir a palavra ao seu Mestre deverá fazê-lo chamando-o de “Mestre”, quando sozinhos ou em presença de outros praticantes BDSM ou “Senhor” quando em presença de outras pessoas alheias ao estilo de vida que ambos mantém, assim como aceitar que o Mestre a chame da maneira que bem entender, quando estiverem a sós ou na presença de outros BDSM, inclusive chamando-a de pet, cadela e etc”. – Edward fez uma pausa e quando seus olhos procuraram por mim, eu vi uma pequena sombra de luxuria neles e um sorriso claramente devasso. – É uma boa coisa que você não tenha mais problemas com isso, não é? Eu quero uma garota safada na minha cama, Isabella... E é exatamente o que eu vou ter.
Se ele não parasse, logo, de me provocar, eu teria que voltar para o banheiro e providenciar um novo banho e fazer algo que há anos não fazia, cuidar de minhas próprias necessidades físicas.
Eu ouvi a risada baixa e contida de Edward quando eu afastei o edredom que cobria minhas pernas e me contorci tanto que precisei segurar a bandeja sobre meu colo evitando que todo o conteúdo fosse derramado sobre a cama. Eu queria nada menos que me agarrar a ele, mas não podia.
– Você vai continuar a ler ou prefere ficar me provocando? – Respondi de mau humor.
– Ahh Isabella, eu vou adorar dar um jeito na sua insolência amanhã... – Ele ameaçou e eu estremeci, me dando conta que estaríamos jogando em menos de 24 horas.
– Amanhã? – Eu questionei debilmente.
Novamente os risos.
– Assim que seus olhinhos bonitos se abrirem... Você acha que vai estar pronta para mim, Isabella?
Mmm eu estou pronta para você agora.
– Talvez... – Respondi com indiferença o fazendo sorrir um pouco mais.
–“Artigo 9º: A pontualidade deve ser respeitada pela submissa, tendo como castigo base 1 (uma) chicotada para cada minuto de atraso; Artigo 10º: A submissa perde o direito de gozar sem a autorização do Seu Mestre.”
Eu engasguei com o suco que tinha levado aos lábios. Alguma coisa no tom de voz dele me dizia que não seria tão fácil ter a sua autorização.
– Esse será um fim de semana divertido, não acha? – Ele provocou mais um pouco.
– Talvez para você. – Resmunguei, me parecendo mais com uma criança mimada do que com a mulher que estava completamente enlouquecida pelo homem a sua frente.
– Eu posso fazê-lo bastante divertido para você também, Isabella. Se você for uma boa menina. Você ainda não sabe muito bem, mas eu sou um Mestre bastante exigente... Veremos se você pode me agradar.
E lá estava ele me dizendo, mais uma vez, que a partir de agora não haveria mais concessões ou facilidades para mim. Eu senti um pouco da minha excitação ceder lugar à apreensão. Eu poderia agrada-lo, não é? E se eu não pudesse, o que aconteceria?
– O restante do contrato trata das regras, obrigações da educação, treinamento, punição e rotinas... Leia, Isabella. Eu não quero ter que puni-la em nosso primeiro dia por você não ter tido o cuidado de ler atentamente o contrato. Você parece um pouco melhor, ou com um pouco de calor... – O sorriso devasso estava de volta. – Então, eu acho que você vai ficar bem. Eu preciso ir ao escritório agora, se você tiver qualquer coisa a acrescentar ou discutir você pode me dizer a noite... Do contrário, esteja pronta para amanhã.
Ele estendeu sua mão, me entregando os papeis e logo em seguida se ocupou em retirar a minha pulseira. No mesmo instante eu senti o vazio que se formava em meu peito.
Edward se colocou de pé e se afastou da cama. Antes de alcançar a porta ele se virou em minha direção e disse:
– Ah não se incomode em se vestir quando for para a cama hoje à noite, eu quero livre acesso.
Mal a porta tinha sido fechada eu estava de volta ao banheiro, sentindo a água gelada sobre o meu corpo e o deslizar da minha mão sobre minha intimidade.
...
– Por que você está procurando um apartamento? – Alice questionou, talvez, pela 10° vez em poucos minutos.
– Eu já te disse, Alice. Eu quero algo meu... Quer dizer, não é totalmente meu, já que eu estou só alugando, mas...
– Você e Edward brigaram? – Ela precisou correr para me seguir, quando eu apressei meus passos para ela não ver minha expressão.
Eu estava pensando em uma resposta qualquer, mas quando dobramos uma esquina eu dei de cara com um homem alto, moreno e caprichosamente vestido em um terno preto. O mesmo cara que eu já tinha visto algumas vezes próximo à livraria, e que agora eu reconhecia. O chefe de segurança do Club.
Ele me deu as costas, antes que eu pudesse dizer algo, então eu me virei para Alice.
– Era o chefe de segurança do Club, não era?
– Sim. Collin. Collin Littlesea. Estranho que ele não tenha nos cumprimentado, mas talvez ele não tenha nos reconhecido. Ele parecia estar com presa, de qualquer forma.
– Eu o vi outras vezes... – Comentei, voltando a andar em direção ao último apartamento que visitaríamos. – Próximo à livraria. E uma vez quando eu estava voltando para casa, em um dia que fiquei até mais tarde e...
Eu parei por um segundo e estremeci.
– Ele está me seguindo.
– O que? – Alice praticamente gritou. – Por que ele estaria te seguindo, Bella? Isso é loucura! É mais fácil que ele esteja de olho em você... Como uma guarda costa.
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