Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 23

Com um suspiro audível eu me obriguei a voltar a me aprontar para o trabalho. Seria, sem dúvidas, um longo dia.

Não foi, realmente, nenhuma surpresa quando eu me deparei com Edward, na porta do meu closet, ainda assim era um pouco desconcertante saber que ele estava bem ali, me observando, sabe-se lá por quanto tempo.

Eu mordi meu lábio inferior sem saber o que dizer, ou se tinha permissão para dizer algo e senti meu rosto esquentar com o passar dos minutos sem que ele se movesse ou me dissesse algo. Ele continuava ali, displicentemente, recostado a uma parede com seus olhos percorrendo todo o meu corpo, uma e outra vez.

– Prenda o seu cabelo... – Ele, finalmente, se manifestou.

Não hesitei, apenas o obedeci prontamente, mesmo me questionando, internamente, o porquê de sua ordem. Não que ele necessitasse de um motivo para ordenar o que desejasse; ele era o Dom, meu Mestre e enquanto eu usasse a sua coleira, fosse ela a de couro, aço ou apenas a singela pulseira, pertencia a ele e tudo o que poderia oferecê-lo era a minha completa submissão.

E era, exatamente, isso que eu pretendia dar a ele... Sempre que possível. Afinal, estava me agarrando a esperança de conservá-lo ao meu lado, ao menos durante os dias acordados.

Talvez se eu conseguisse passar por esse primeiro fim de semana, regido pelas novas regras do maldito contrato que eu tinha trazido à tona, os próximos se tornassem mais fáceis e prazerosos.

Eu sabia, no fundo do meu ser, que precisava disso. Precisava me submeter, ser dirigida e guiada pelo universo BDSM. Era a minha natureza. Sempre foi. E eu não tinha porque me queixar, não depois de ter deixado para trás do pesadelo que era viver com Jacob. A única coisa que me impedia de ser, completamente, feliz era a necessidade crescente e arrebatadora de ter, além de tudo isso, o coração de Edward. Como ele possuía o meu.

Tudo seria, imensamente, mais fácil se eu fosse, como ele, capaz de separar as coisas.

A presença de Edward, agora colado as minhas costas, os dedos apertando a pele de minha cintura, me trouxe de volta ao presente e no segundo seguinte fui capaz de entender a razão para o meu cabelo ter sido preso em rabo de cavalo frouxo. Seus lábios tocaram a pele exposta do meu pescoço e ele me presenteou com um beijo, a princípio, suave e delicado seguido por um deslizar da língua molhada, me provocando arrepios, até que não fui capaz de reprimir um gemido, após ter a minha pele sugada com ardor.

Foda-se! Eu teria uma marca bastante evidente ali. Uma marca que eu não seria capaz de esconder de ninguém.

E o sorriso torto estampado no rosto de Edward quando ele me virou em sua direção deixou bastante claro que era, exatamente, essa a sua intenção.

...

Após algumas horas tentando, herculeamente, me concentrar no trabalho, eu finalmente consegui desviar meus pensamentos do incomodo e, ainda assim, estimulante plug e da infindável excitação que dominava meu corpo.

Existia muito trabalho com que se ocupar e eu estava tentando o meu melhor para não pensar em nada que não fosse a livraria.

– Está tudo pronto para amanhã? – Perguntei a Angela depois de deixar as planilhas com os gastos e rendimentos do mês de lado e me ocupando com os preparativos para o “Sábado encantado”, mais uma das minhas ideias para chamar a atenção de potencias clientes.

A princípio eu gostaria de ser a responsável e, até mesmo, me sentar no meio da livraria e ler algumas histórias para as crianças, mas, com muito tato, minha gerente me lembrou que alguns pais poderiam não se sentir muito à vontade comigo interagindo com os seus filhos. Então, Angela seria a responsável por contar histórias e distrair as crianças, enquanto os pais se aventurariam – espero eu, pelos corredores de livros, alguns estrategicamente em promoção.

A intenção era aumentar o volume de vendas de livros infantis e, quem sabe, fidelizar alguns clientes.

Era a minha primeira inovação a ser colocada em pratica e eu gostaria que tudo saísse como planejado.

– Não há muito com o que se preocupar... Nós já desocupamos a ala da livraria que você indicou e estamos trabalhando em ornamentá-la de forma que chame a atenção das crianças. – Angela respondeu. – Mas, eu acho que seria interessante incluir alguma oficina de pintura ou algo assim... Para quando a contação de história acabar. O que acha?

– A ideia é boa... – Ponderei por um segundo. – Mas, precisaríamos de mais mão de obra e não temos tempo hábil para conseguir.

– Podemos dar conta de algo pequeno... Só um experimento.

– Tudo é só um experimento... Se der certo, podemos contratar um contador de histórias ou um grupo de fantochistas.

Acredito que a minha apreensão ficou evidente em mim voz, já que Angela me disse:

– Eu tenho certeza que vai dar certo, Bella. É algo bem simples, mas que vai chamar a atenção.

– É o que eu espero...

– O que você acha de dar uma olhada para ver como está ficando a nossa nova ala infantil?

Eu assenti e me coloquei de pé.

Sorri, verdadeiramente, assim que meus olhos pousaram nos muitos puffs coloridos espalhados pelo chão e nas prateleiras repletas de livros infantis. Era aconchegante, colorido e emanava alegria. Eu não poderia ter gostado mais.

– Nós podemos colocar pequenas mesas e cadeiras naquele canto... – Angela apontou para o canto oposto, completamente vago. – E distribuir papel e lápis de cor.

Eu até mesmo podia imaginar as crianças sentadas, desenhando ou amontoadas ao redor de Angela ouvindo a história.

Gostaria de poder participar, mas além do fato de que impor a minha presença em um evento infantil, nas atuais circunstâncias, não era uma boa ideia, ainda existia o fato de ser fim de semana e eu deveria estar em casa, ou onde quer que meu Mestre desejasse, o servindo.

Pensar em Edward fez meu corpo se contorcer involuntariamente quando a lembrança do plug e do gel em minha intimidade veio, novamente, à tona.

Tentando me concentrar, mais uma vez, no trabalho, acertei os últimos detalhes com Angela, antes de me decidir por voltar ao escritório.

Felizmente, até o momento, não tive nenhum problema com clientes que tenham me reconhecido. Os poucos que tinham se lembrado do meu rosto, apenas me lançaram olhares preconceituosos e/ou maliciosos, mas eu não estava disposta a aumentar esse número e como Angela dizia, era melhor esperar que a poeira abaixasse de vez.

– Noite intensa, Chefe? ­– A voz irritante de Jessica soou próxima demais do meu ouvido e eu lancei um olhar de advertência a ela.

O me olhar apenas a divertiu, já que ela sorriu para mim e se recostou no balcão do caixa, aumentando a minha irritação.

– Você não tem trabalho algum para fazer, Jéssica? – Disse entre os dentes. – Porque se esse for o caso eu posso encontrar algo para ser feito ou, quem sabe, diminuir a mão de obra já que meus funcionários estão com tempo ocioso demais.

Tudo o que ela fez foi fixar seu olhar em meu pescoço e murmurar:

– Seu dono gosta de demarcar território, mas não de deixá-la de bom humor?

Eu levei uma de minhas mãos ao meu pescoço tampando, inutilmente, a marca que Edward tinha feito pela manhã.

– Quantas vezes eu vou precisar repetir que a vida pessoal da sua patroa não é da sua conta? – Ouvi Angela dizer, parando ao meu lado.

– Ahh vamos lá... – Jessica continuou. – Todo mundo já sabe das suas preferências... – Ela sorriu debochadamente. – O que custa nos contar um pouco mais? Eu estou curiosa... Ele a espanca todos os dias? Ou só quando você é uma mã menina? É como sexo casual, não é? Nada de envolvimento sentimental, apenas ele te fodendo como uma cadela no cio...

– Já chega! – Eu disse um pouco mais alto do que pretendia e, felizmente, Angela se colocou a minha frente, ou eu teria usado minha mão para acertar o rosto debochado de Jessica.

O ato me traria bastante prazer, assim como muitos problemas.

– Eu sei, a verdade machuca não é, Bella? Eu só me pergunto por que você aceita isso... Talvez porque nenhum homem se interessaria por você de outra forma ou...

– Eu quero você fora da minha livraria... – Disse, usando de toda a minha força de vontade para manter alguma calma. – Agora!

Eu podia sentir meus olhos ardendo o que significava que eu desmoronaria em breve, então dei as costas a Jessica depois de dizer a Angela que providenciasse a sua demissão.

Foi apenas o tempo de chegar ao meu escritório. Quando me sentei na confortável poltrona, as lágrimas já escorriam.

Não eram as ofensas de Jessica que me magoavam, mas a verdade por trás delas. Nada de envolvimento sentimental para mim... Eu estava destinada a amar sem ser amada. Tudo o que eu teria em troca era ser fodida como uma cadela no cio, exatamente como minha ex-funcionária salientou.

Esse era apenas o primeiro final de semana e eu já estava em desespero.

Não daria certo. Mais cedo ou mais tarde, chegaria ao fim e eu desmoronaria de vez.

– O seu celular está tocando... – Angela estava a minha frente, sem que eu a tivesse visto entrar no escritório, mas eu a ignorei, assim como estava fazendo com o incessante toque telefônico. – Bella?

– Eu preciso de um tempo sozinha, Angela. – Respondi e, com um movimento brusco, joguei o celular dentro de uma gaveta.

...

Minha cabeça doía, graças ao fato de ter ficado remoendo o que Jessica me disse por boa parte do dia. O trabalho não tinha rendido e eu estava mais do que nunca consciente da minha frustração sexual e sentimental.

Pensei em me livrar do plug e do maldito gel que me fazia continuar excitada por horas, em um claro ato de rebeldia, mas no segundo seguinte, a ideia foi descartada.

Não seria inteligente desobedecer, propositalmente, o meu Mestre. Não se eu não quisesse ser castigada e isso era algo que eu, de fato, não desejava.

Tudo só piorou quando Angela voltou ao meu escritório, no final da tarde, me dizendo que Collin Littlesea insistia em falar comigo.

O fato de ter um segurança ainda não me agradava e, provavelmente, jamais agradaria. Mas, eu tinha me resignado ao fato de que não adiantaria discutir com Edward sobre isso. Então, eu pedi a Angela alguns minutos para lavar o rosto, antes de receber Collin.

– Senhorita Swan. – Ele me cumprimentou assim que adentrou o escritório. – Eu devo levá-la ao escritório do Sr. Cullen.

Eu o olhei por alguns segundos, com desconfiança.

– O Sr. Cullen não me informou sobre isso... – Respondi com indiferença. – De qualquer forma, gostando ou não da sua companhia, você poderá me acompanhar até em casa quando o expediente acabar.

Ele sorriu discretamente, após me olhar com o cenho franzido.

– Você tem certeza? Eu estou a sua espera há algum tempo e acabo de receber um telefonema do seu Mestre... – Não me passou despercebido a forma como ele deu ênfase a palavra “Mestre”. – me dizendo que não deveria esperar mais pela senhorita e, sim, vir buscá-la pessoalmente.

Alguma coisa na forma como ele me olhou, me fez desconfiar que não tinham sido bem essas as palavras de Edward. A questão era: tinham sido piores ou melhores do que essa.

Bom, uma rápida ligação para Edward esclareceria tudo.

Eu abri uma das gavetas em minha mesa e apanhei o celular que tinha jogado lá dentro.

– Oh Merda! – Sibilei ao olhar para a tela do meu telefone e encontrar algumas ligações não atendidas de Edward e duas mensagens.

A primeira havia sido enviado há algumas horas e soava bastante com uma ordem dada pelo meu Mestre e eu estremeci ao perceber que não a tinha comprido.

“Em meu escritório, às 13h para o almoço, Pet!”

Eu não precisei procurar saber, exatamente, quantas horas eu estava atrasada. Já era bastante ruim saber que eu tinha conseguido estragar o nosso primeiro dia ao ignorar o toque insistente do meu telefone por conta do que Jessica havia me dito.

Foi com as mãos trêmulas que eu abri a segunda mensagem.

“Você me decepciona, Isabella!”

Ele poderia ter dito muito mais, mas dificilmente qualquer outra declaração, despedaçaria tanto meu coração quanto essa.

Como submissa, nada poderia me ferir mais do que saber que tinha decepcionado o meu Mestre em vez de agradá-lo. Especialmente, no primeiro dia de nosso recomeço nos jogos.

Eu não disse nada a Collin quando passei por ele em direção a porta. Nada disse porque não tinha nada para dizer e porque estava ocupada tentando lutar contra as minhas lagrimas. Elas estavam de volta, mas agora por um motivo totalmente diferente.

– Talvez, você deva avisar que não volta mais hoje... – Collin me disse baixinho antes de adentrarmos o salão da livraria.

Eu assenti porque ele tinha razão.

Eu não sabia como encontraria Edward, mas certamente não seria de bom humor e existiam grandes chances de ser castigada.

Foda-se! Um castigo não era o que esperava ter hoje.

Eu sibilei uma desculpa qualquer a Angela e segui o meu segurança até o carro.

...

O curto caminho até o edifício que abrigava a empresa de Edward foi feito, totalmente, em silêncio e eu me vi relembrando trechos da conversa que havíamos tido na manhã anterior, quando discutimos o contrato.

Ainda não tínhamos assinado o contrato... Eu o tinha lido e concordado com ele – porque não tinha outra escolha, não se desejasse permanecer ao lado de Edward, mas ainda não tínhamos formalizado. Isso não quer dizer que ela já não estava valendo.

Edward não tinha dito claramente, mas eu sabia que estávamos em uma espécie de teste... para ver se conseguiríamos manter um relacionamento estritamente D/s. Bom, parece que eu estava, cada vez mais, deixando claro que não seriamos bem sucedidos.

Talvez fosse a minha inexperiência ou o fato de não conseguir deixar de vê-lo como o Edward por quem me apaixonei. Não importa o quanto eu tentasse, eu não conseguia deixar de demonstrar o que sentia em meu íntimo, assim como não conseguia deixar de desejar se correspondida.

Notas finais
Muito obrigada por todos os comentários e recomendações.Por favor, me deixem saber o que acharam, okay?xoxo