Despertar de uma sub
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Capítulo 16
Tudo isso só me faria sentir ainda pior quando ele me mandasse embora.
Ainda assim, me agarrei a ele e encaixei minha cabeça no vão de seu pescoço.
...
Edward não me soltou. Nem mesmo quando ele se sentou no sofá da sala ou quando Marie veio correndo até nós, nos perguntando qual era o problema.
Embora eu soubesse que eu deveria fazer o primeiro movimento, eu não conseguia me afastar. Eu não conseguia soltá-lo.
– Eu explico... Depois. – Ele respondeu, suavemente, tentando acalmar a governanta que continuava nos cercando. – Agora, você pode, por favor, trazer um copo d’água?
Eu senti seus dedos se infiltrarem em meu cabelo.
– Nós teremos que dizer a ela... Em algum momento. – Ele sussurrou em meu ouvido. – Eu prefiro que ela saiba por nós do que por outra pessoa.
Eu assenti, sem largá-lo ou olhar em sua direção. Assenti, porque sabia que ele estava certo – como sempre, e embora, eu não me sentisse preparada para receber acusações de mais uma pessoa, eu não poderia evitar que Marie, em algum momento soubesse.
A essa altura, todas as pessoas que eu conhecia ou que alguma vez me viram, já deveriam ter assistido ao vídeo. Eu poderia encontrar apoio em alguma delas? Ou todos, sem exceção, prefeririam me afastar, como Angela fez?
– Eu... – Comecei a dizer. – Eu não sei como dizer isso... Como explicar ou...
– Será mais fácil se eu disser?
Eu estava a ponto de dizê-lo que sim, seria mais fácil. Mas eu não poderia pedir isso a ele. Era meu problema. Consequências das minhas escolhas. Eu deveria lidar com isso. Mas, nosso quase monologo foi interrompido pelo som da campainha e, logo em seguida, pela presença de Marie que se apressou em abrir a porta.
– Bella?! – A voz de Alice preencheu todo o apartamento e eu me encolhi mais um pouco no colo de Edward.
– Eu posso mandá-la embora, se você quiser...
Eu neguei com um movimento de cabeça. Cedo ou tarde, eu teria que enfrentar isso... Então, era melhor começar logo.
Eu me obriguei a me mover e me afastei. No momento em que eu me acomodei no espaçoso sofá, eu já sentia falta do contato que há pouco mantinha.
Eu tentei uma respiração profunda antes de levantar a minha cabeça. Eu olhei ao redor, e minha vontade de chorar retornou. Todos os amigos de Edward estavam ali: Emmett e Rose, Alice e Jasper. No certo, todos tinham ido prestar solidariedade a ele, pela exposição, mesmo que indireta, que ele teria... Eu desejei, intensamente, que existisse alguém para fazer o mesmo por mim.
Eu me movi, intencionando deixar a sala, mas Alice me impediu, me envolvendo em um abraço que me surpreendeu.
– Eu sinto muito, Bella! – Ela sussurrou em meu ouvido.
Eu não tinha palavras então, apenas a abracei de volta.
– Está tudo bem, Bella... – Alice continuou a dizer. – Nós vamos encontrar uma solução.
– Como? – Foi tudo que consegui dizer, antes de minhas lágrimas voltarem a me calar.
Alice não teve tempo de me responder. Marie voltou a sala e, delicadamente, me entregou um copo d’água que eu precisei me obrigar a beber.
– Edward... – Eu pude ouvir Jasper dizer com a voz baixa. – Alguns sócios já entraram em...
– Agora não, Jasper! – Eu estremeci ao ouvir o tom de Edward e desejei olha-lo para tentar decifrar o que se passava em sua mente, mas tinha medo do que poderia encontrar em seu olhar... Direcionado a mim.
Alice retirou uma mecha de meu cabelo que caia sobre meu rosto e me deu um sorriso tranquilizador.
– Você não quer descansar um pouco?
Eu senti a mão forte de Edward repousar sobre meu ombro.
–Vá com Alice... Nós conversamos depois. – Sua respiração me atingiu e eu fechei meus olhos.
Estava atordoada demais para saber se ele tinha me dado uma ordem ou sugestão então, apenas assenti, antes de aceitar a mão que Alice me oferecia.
– E você precisa religar o celular... Seu pai já me deixou algumas mensagens. – Foi a última coisa que ouvi, antes de deixar a sala.
...
Vagamente, eu sabia que Alice estava me conduzindo escadas acima, mas eu não estava muito atenta a nada do que ela fazia ou dizia. Eu, simplesmente, não conseguia parar de rever todas aquelas imagens em minha mente e me como tudo isso poderia me afetar... E principalmente, como isso poderia afetar Edward.
No momento em que Alice e eu adentramos o quarto, eu parei e olhei ao redor e inalei profundamente. Embora, Edward tenha estado uma semana fora, seu cheiro ainda estava presente em cada canto do cômodo.
Meu coração se quebrou um pouco mais o me dar conta que em algum momento, em breve, eu não teria acesso nem mesmo ao seu perfume.
– Bella... – Alice me chamou.
– Eu... – Tentei dizer. – Eu não sei se consigo.
Não sem ele. – Completei mentalmente.
Edward ainda não tinha me dito para ir, mas eu sabia que as palavras viriam... Em algum momento. E, sendo justa, não poderia culpá-lo por isso. Ele tinha uma reputação a zelar, uma empresa para comandar, sócios para prestar contas, familiares que sairiam magoados... Eu não podia esperar – embora desejasse, que ele colocasse tudo isso e muito mais a perder por mim.
Eu dirigi meu olhar até Alice e sussurrei.
– Eu preciso ir... Ir embora. Por ele.
E pela primeira vez, desde que meus olhos posaram em Edward, eu soube como definir o turbilhão de sentimentos que tinha por ele.
A inexplicável confiança, o desejo avassalador, a saudade esmagadora... Tudo isso poderia ser resumido em um aniquilador sentimento: amor.
Eu o amava. E por amá-lo, teria que deixá-lo.
Fale com o autor