Despertar de uma sub
38 Capítulo XXXIII
Notas iniciais
"Sinto muito
Se isso te machucou
Mas eu tentei manter o que nós tivemos uma vez
Eu estava errada
(...)
Você não escutou
Você não me ouviu
Quando eu disse "eu quero mais"
Eu não tive mais
Você estava me levando para longe
(...)
Todas as memórias
Que nós estamos perdendo
Todo o tempo que passei com você todos os dias
Eu acho que está escorrendo pelo ralo
Eu estou sentindo
Que nós estamos desaparecendo
Não torne isso tão difícil
Como você acha que seria
É muito mais fácil
Do que parece
Não é suficiente
Não é suficiente
Para me dar
O que eu quero
Não é o suficiente
Não é o suficiente
Para me dar
Tudo que eu preciso
Eu, eu gostaria que fosse
Eu acho que é hora de desistir
E eu posso senti-lo cair
Devagar, devagar
Eu posso vê-lo começar a se afogar
Não posso parar agora
Eu posso ver isso queimando
Então me mostre, me mostre
Como você vai reverter isso
Porque
Não é suficiente
Me dar
Não é suficiente
Não é suficiente
Para mim"
Avril Lavigne — Not Enough
Bella Swan
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Eu podia sentir todo o meu corpo dolorido pela posição nada confortável em que eu estava há horas, ainda assim, sufocando um gemido, eu me obriguei a me colocar de pé, quando as batidas na porta retornaram.
– Droga, Bella! Abra a maldita porta!
Eu soltei um suspiro e olhei pelo olho mágico apenas para encontrá-lo com a testa encostada na madeira, ignorando o porteiro que, provavelmente, tentava tirá-lo do prédio.
Era isso que eu queria, não era? Que ele fosse embora? Então, porque eu me senti irritada quando vi o porteiro segurar o braço dele e tentar arrastá-lo para fora do prédio?
A porta estava aberta antes que eu pudesse pensar direito no que estava fazendo.
Eu senti mais do que vi quando o corpo de Edward se chocou com o meu. Eu devo ter ficado em choque por um ou dois segundos, mas em seguida, meu corpo agiu por conta própria e eu tinha meus braços em volta de seu pescoço, embora não soubesse exatamente o que fazer em seguida.
– Senhorita Swan... – O porteiro começou a dizer.
– Está tudo bem. – Eu disse resignada.
Eu sabia que se eu quisesse ele colocaria Edward para fora, mas mesmo não desejando ter a maldita conversa que, certamente, quebraria um pouco mais o meu coração, eu também não deseja ver alguém tão imponente quanto meu Ex Mestre sendo colocado para fora do prédio como um delinquente qualquer.
– É melhor entrarmos... – Eu sussurrei.
A cabeça de Edward tombou de encontro ao meu ombro.
– Obrigado! – A sua respiração em contato com a minha pele me causou arrepios e um aperto no peito.
Eu o afastei de mim e segui para dentro do apartamento sabendo que ele me acompanharia.
...
O silêncio era incomodo. Tão incomodo quanto as tentativas frustradas de Edward de iniciar uma conversa
Eu não tinha a menor ideia do que dizer e Edward estava, claramente, bêbado demais para conseguir formar uma frase completa.
– Eu... – Ele voltou a balbuciar. – Não é... Eu só.
– Ok! – Eu disse irritada. – Você precisa de um café e, talvez, um banho ou vamos ficar nisso a noite toda ou o pouco que resta da noite.
Eu me sentia física e mentalmente exausta. Tudo o que queria era me jogar em minha cama – embora soubesse que não conseguiria dormir – até que amanhecesse, mas isso seria, aparentemente, impossível.
– O banheiro é por ali... – Apontei em direção ao pequeno corredor que levaria ao único quarto: o meu e, consequentemente, ao banheiro.
Ele me lançou um olhar que eu, honestamente, nem mesmo tentei interpretar e logo em seguida cambaleou até o corredor. Eu adentrei a pequena cozinha e liguei a cafeteira.
Lancei um rápido olhar ao relógio na parede.
Ótimo! 3:40h! Eu, certamente, teria olheiras – mais do que o habitual -, um corpo dolorido e reclamações dos vizinhos para digerir pela manhã.
...
– Edward? – Eu chamei caminhando pelo corredor, após ouvir um barulho. – O que aconteceu?
A porta do banheiro estava aberta, o terno e os sapatos que ele usava jogado ao chão e, encolhido contra o azulejo, dentro do box estava Edward.
Eu soltei um suspiro ao ver que ele estava debaixo do chuveiro ainda usando boa parte de suas roupas.
– Está tudo bem? – Perguntei timidamente da porta.
– Eu sinto muito. – Foi tudo o que ele disse.
– Você caiu? Se machucou? Eu ouvi um barulho e...
Ele apontou para os meus produtos de higiene jogados ao chão e deu de ombros. Eu observei os cacos de vidro provenientes do suporte que deveria estar preso à parede e tentei não me importar. Eu tinha problemas maiores no momento.
– É melhor você sair daí antes que acabe se cortando. – Eu sugeri, porém meu aviso chegou atrasado. Como uma expressão que seria cômica se não fosse trágica, ele me amostrou a palma da sua mão esquerda e eu pude ver o sangue escorrer de um corte feio.
Ele ainda cambaleava, mas menos do que antes, ainda assim eu corri para ajudá-lo quando o vi se aproximar demais dos cacos de vidro.
– Vem... – Chamei abrindo o box e lhe estendendo a minha mão. – Você pode se enrolar em uma toalha enquanto eu coloco as suas roupas para...
Tudo o que eu pretendia dizer se perdeu no momento em que ele, em vez de sair debaixo do chuveiro, me puxou para mais perto de si.
Eu senti a água morna cair sobre a minha cabeça.
–Merda! – Praguejei. A intenção era, sim, xingá-lo, mas tudo o que eu fiz foi agir por reflexo e puxá-lo para longe dos vidros no chão e, consequentemente, grudá-lo em mim. – Eu acho que você deve abolir qualquer bebida alcoólica da sua dieta.
Ele me ofereceu um sorriso envergonhado e usou a ponta dos dedos para afastar uma mecha do meu cabelo que grudava em meu rosto.
Eu afastei o meu rosto. Seu toque me despertava. Mais do que deveria.
Eu fechei o registro e o puxei para fora do box, sem me importar com a água que escorria por nossos corpos.
– É melhor tirar essa roupa molhada... Só, por favor, tente não quebrar mais nada ou se machucar, okay? – Eu apanhei duas toalhas brancas, enrolei uma em sua mão, cobrindo o corte e lhe entreguei a outra. – O café já deve estar pronto, então... Basta ir até a cozinha. Eu preciso me trocar. – E tão rápido quanto o Diabo fugiria da cruz, eu fugi dele e do quanto a sua presença mexia comigo.
...
Eu, realmente, não entendia, ou não queria admitir, porque estava agindo como agia. Eu não deveria me importar com a bebedeira de Edward ou com o seu maldito corte na mão ou com o que quer que ele pense que precisa me dizer. No entanto, lá estava eu, sentada a sua frente, lhe fazendo um curativo e tentando muito duramente não dar atenção ao fato de que ele estava bem a minha frente, trajando apenas uma toalha em volta da cintura e com a pele ainda úmida do banho.
Deus! Eu podia sentir o acelerar da minha pulsação só por estar tão perto dele. E isso não podia acontecer. Não existia mais nada entre nós e me deixar levar como eu estava fazendo só me deixaria ainda mais deprimida no momento em que ele cruzasse a minha porta, provavelmente em busca dela.
– Você vai sobreviver. – Disse ríspida. Não era bem com ele que eu estava irritada, mas comigo mesma.
Eu me levantei a tempo de fugir do seu olhar e me odiei por sentir meus olhos marejarem. A cada segundo que eu passava ao lado dele era como uma nova dose da minha droga predileta e eu a usaria até chegar à overdose. O problema é que essa mesma droga em algum momento me viraria às costas e, então, eu teria que lidar com a abstinência sozinha.
Eu me refugiei na cozinha por alguns segundos até conseguir, mais uma vez, controlar a vontade massacrante de chorar.
Finja que é qualquer outra pessoa. – Aconselhei a mim mesma mentalmente, mas o conselho de nada adiantou quando eu voltei à sala com uma xícara generosa de café e o entreguei. Era impossível ignorar a sua presença. Era impossível fingir se tratar de qualquer outra pessoa. E era impossível aquietar o meu coração que batia descompassado apenas por olhá-lo.
Eu queria ser capaz de esquecer o que eu julgava ser o certo a se fazer, eu queria se capaz de ignorar o fato de que ele era apaixonado por outra pessoa e eu queria voltar a me entregar sem medo de me machucar. Eu queria ser dele mais uma vez... Todos os dias.
Mas eu não podia ter ou ser nada disso. Então, eu me apeguei à única coisa que eu poderia fazer: expulsá-lo da minha vida de uma vez.
– Eu coloquei a sua roupa para secar... Só mais alguns minutos e então você poderá ir. – Eu me recostei em uma parede, cruzei os braços e evitei olhá-lo. – Talvez seja uma boa ideia chamar um taxi.
– Essa é a sua forma de me mandar embora?
– Não. – Respondi. – Eu fiz isso quando estive em seu escritório, mas você claramente ignorou o que eu lhe disse.
– Bella... – Ele se aproximou. – Me diga por quê.
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