Despertar de uma sub
55 Capítulo XLIX
Notas iniciais
É engraçado o que o ciúme é capaz de fazer com uma pessoa. Em um momento, eu estava desesperada pra encontrar Edward, me jogar em seus braços e receber uma dose cavalar da força que ele sempre conseguia me passar, mas no minuto seguinte, eu estava parada na porta do seu escritório, com meus olhos cravados sobre ele e Tanya, lutando para não ceder ao desejo que me consumia: arrancá-la dos braços dele a força.
Não era falta de confiança. Longe disso. Pelo menos, não falta de confiança em Edward. Eu sabia, por conhecer bem o meu noivo que ele estava, como sempre, apenas tentando resolver seja lá qual fosse o problema da ex-namorada, mas isso não quer dizer que eu não tenha me sentido deixada de fora, em segundo plano.
E, sendo bastante honesta, as lágrimas e lamurias de Tanya não tinham sobre mim o mesmo efeito que parecia ter sobre Edward. Talvez eu estivesse magoada demais por sua mudança no depoimento contra Jacob, talvez fosse insegurança devido ao passado que ela havia compartilhado com Edward, mas o fato é que nela eu não conseguia confiar.
Eu precisei respirar fundo, empurrando as imagens do pesadelo recente para o fundo da minha mente e tentando me convencer de que fazer uma cena não adiantaria de nada. Mas foi a mão firme de Collin no meu ombro que me fez encontrar alguma calma. Ele tentou, sem nada dizer, me tirar dali, mas eu não ia apenas sair de fininho, como se eu fosse a pessoa agindo erroneamente. Um rápido olhar o fez me soltar e me fez perceber que apesar da aparente calma, ele não tinha gostado nenhum pouco do que tinha presenciado, assim como eu.
– Uauu... – Eu disse baixo, lutando contra a vontade de fazer um escândalo. – Essa é uma bela cena... Espero não atrapalhar.
Os braços ao redor de Tanya a deixaram e, tão rápido quanto um piscar de olhos, Edward estava de pé, pronto para vir em minha direção. Eu adentrei o escritório, mas fiz questão de me manter longe dele. Confiar que o que eu tinha acabado de presenciar não fosse uma traição, não era o mesmo de não estar chateada com ele.
Eu pensei que ele havia aprendido a lição e, no entanto, aqui estava ele, mais uma vez, escondendo as suas decisões e atitudes de mim.
– Você sabe... – Eu continuei a dizer, meus olhos cravados sobre o meu noivo. – Encontros inoportunos no meio da noite abrem margens para algumas suspeitas. Relembrando os velhos tempos?
Eu podia dizer, pelo olhar de Edward, que a minha insinuação o tinha abalado, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a voz rouca e falha de Tanya roubou nossa atenção.
– Nós estávamos apenas conversando.
Eu me orgulho em ser complacente, mas ao ouvir o som da voz dela me fez desejar deixar toda a minha gentileza de lado e é o que eu teria feito se meu noivo não decidisse intervir.
– Vamos conversar... – Ele tocou o meu braço, com a clara intenção de me tirar do escritório.
– É claro! – Eu o afastei, irritada demais para agir com sutileza. – Vamos conversar... nós três.
–Bella...
– Então, Tanya, já que você está aqui... Me diz porque agiu como uma vadia traidora depois de termos lhe ajudado.
– Eu não estou aqui porque quero. – Foi toda a resposta que ela me deu e eu precisei, mais uma vez, me obrigar a não perder a calma. – Acredite em mim, eu preferiria estar em qualquer outro lugar, longe dessa situação desconfortável.
Eu mantive meu olhar preso ao dela enquanto me aproximava o suficiente para estar parada a sua frente. Ela podia manter a pose de inabalável, mas eu podia ver nos seus olhos que ela estava muito mais do que abalada.
– É mesmo? Você me pareceu bastante confortável quando eu cheguei. Vamos lá, deixe cair a máscara, é isso o que você quer, não é? A atenção dele? Estar nos braços dele? Estar no meu lugar. Você é patética, armando todo esse circo por um romance que está morto e enterrado. Como o filho de vocês.
No momento em que as últimas palavras escaparam por meus lábios, eu me arrependi. Eu estava chateada, mas me pareceu baixo demais usar algo que eu sabia que era doloroso demais não só para Tanya como para o meu noivo.
– Isabella! – Edward voltou a se apossar do meu braço. Dessa vez com mais força. E seu tom de voz não deixava dúvidas de que ele estava me repreendendo.
Talvez eu tivesse me calado, permitido que ele me levasse para longe de Tanya, mas a forma como ela prendeu seu olhar no dele, me fez fincar os pés no chão. Não só irritada, mas temerosa de que o que quer que ela estivesse fazendo para conseguir a atenção de meu noivo desse certo.
– Você está com ciúmes. – Ela me disse, ainda com o olhar preso em Edward, me deixando enjoada pela forma como ela deixava claro que, de fato, gostaria de estar no meu lugar. – Por isso eu vou ignorar o que disse.
– Não seja tão generosa. – Eu rebati com ironia.
– Me desculpe, Edward. Mas o que você tem aqui não passa de uma vadia egoísta, que não enxerga além do próprio umbigo, que tem a ilusão de ser melhor dos que os outros, de que seus problemas são maiores, mais importantes do que o de qualquer outra pessoa.
– Você não me conhece. – Eu retruquei, achando as acusações injustas demais. Eu tenho muitos defeitos, como qualquer um, mas se fosse egoísta como ela me acusava não teria a ajudado, não quando eu tinha que lidar com o medo do que a sua presença, novamente na vida de Edward, poderia desencadear.
– Eu te digo o mesmo. Você não sabe nada sobre mim. Você tem a ilusão de que eu te devo alguma coisa, que tenho a obrigação de ser leal... Mas eu fui a única a salvar a sua vida, em troca de destruir a minha.
– Chega, Tanya. – Mais uma vez, Edward tentou encerrar a discussão e me puxou um pouco mais em direção ao seu corpo, de forma que minhas costas encontrassem seu tórax, mas as comportas foram abertas e Tanya não parecia disposta a se calar.
– Você vive em um mundo cor-de-rosa. – Ela deu um passo à frente, nos colocando mais uma vez frente a frente. – Como uma princesa dentro da sua fortaleza, protegida, inalcançável... E esquece que lá fora, no mundo real, tem pessoas lutando as suas batalhas, nas mãos do seu monstro. É a você que ele quer e enquanto você está aqui, brincando de se esconder, eu estou perdendo uma guerra que não é, nunca foi, minha.
– Você poderia ter tudo o que me acusa de desfrutar agora. Você foi a única a jogar fora todas as oportunidades que apareceram...
– Isso é um conselho? Talvez eu deva fazer como você: abrir minhas pernas para o primeiro Dom que aparecer. Engravidar em seguida...
Antes que eu pudesse pensar sobre o que estava fazendo, a palma da minha mão atingiu, com força, o rosto alvo a minha frente. Ela teria devolvido a agressão, se Edward não tivesse me soltado e interrompido o movimento do braço da ex-namorada.
– Nem pense nisso. – Ele disse duramente, com o pulso de Tanya preso entre seus dedos.
– Você quer mantê-la a salvo? – Eu me obriguei a respirar fundo, tentando acalmar a respiração que havia se tornado ofegante e lutando contra uma dor de cabeça que despontava. As lágrimas que passaram a escorrer pelo rosto de Tanya, só me fizeram sentir ainda mais doente. – Então a mantenha longe de mim.
– Isso é uma ameaça? – Meu noivo questionou, sem aumentar o tom de voz.
– É um conselho. – Ela respondeu e lutou para se soltar. – Quando você deixou de ser inteligente? Eu sou a isca, Edward. Ela é o grande peixe. Ele vai pescá-la, mais cedo ou mais tarde. E, a partir de hoje, a isca vai parar de se contorcer inutilmente.
***
Eu desabei sobre o sofá em que tinha flagrado Tanya e Edward assim que ela foi arrastada para fora por um Colin atordoado e claramente em confronto consigo mesmo.
Uma discussão como a que tinha acabado de ocorrer não era o que eu imaginava ser o final de noite perfeito. E o olhar que Edward me lançou assim que ficamos sozinhos me deixou saber que ainda não tinha acabado.
– Quantas vezes mais vamos voltar a questionar a sua confiança em mim?
– Confiança é uma via de mão dupla, Edward. – Eu respondi, com a voz baixa, enquanto me recostava e tentava manter o mal-estar que se apossava do meu corpo sob controle. – Eu já te disse isso.
Eu respirei fundo e o encarei.
– Não importa o que eu diga, não importa o que aconteça... Você continua a agir por conta própria, pelas minhas costas. Essa é a sua forma de demonstrar que confia em mim?
– Talvez você devesse se acostumar, aceitar que isso é quem eu sou.
Eu o olhei por alguns segundos, lendo claramente a expressão em seu rosto que deixava evidente que ele estava falado sério. Pensei em todas as outras vezes em que ele prometeu dividir responsabilidades e decisões comigo e em todas as vezes em que ele tinha quebrado essa promessa... Talvez eu estivesse exigindo demais, talvez eu estivesse, inconscientemente, tentando mudar quem ele é, mas eu não via como recuar diante de um pedido tão simples e ainda assim conseguir fazer com que nós dois, nossa família, desse certo.
– Talvez eu devesse desistir... – Eu disse em um sussurro. – De nós.
***
Dormir estava fora de cogitação. Eu ainda podia sentir a adrenalina correndo por minhas veias, assim como o princípio de uma agonia, tristeza pela forma como uma noite agradável ao lado do homem que amo tinha se tornado em mais um desentendimento.
Eu não pretendia desistir do que tinha ao lado de Edward. Como poderia quando isso significaria desistir da minha felicidade? Mas não me arrependia do que disse. Foi a forma que encontrei para fazê-lo perceber que estávamos destruindo nossas chances de dar certo.
Eu entendo a necessidade de controle que ele tem. Entendo a possessividade. Entendo a personalidade dominante. Mas ele precisa entender que tudo isso precisa ser dosado.
Tudo bem ele manter o total controle sobre uma cena, tomar todas as decisões quando estamos em um playroom... Mas em situações como a que enfrentamos no momento, esse comportamento só nos afasta.
Eu não sei bem o que esperava obter como resposta, mas com certeza não era a forma como ele me olhou, quase como reconhecimento de uma derrota e concordou com o que eu havia dito antes de me deixar sozinha no escritório.
“Talvez devêssemos desistir...”
Essa frase, definitivamente, me assombraria pelo restante da noite. Era uma certeza que se tornou ainda mais forte quando eu me obriguei a seguir Edward até o quarto, apenas para encontrá-lo devidamente vestido e pronto para sair para uma corrida... em plena madrugada.
Eu não disse nada. Ele precisava de um momento sozinho.
Ao contrário dele, eu precisava de companhia, então recuperando algum pudor, eu troquei a camisola minúscula por um conjunto confortável de moletom e voltei a sala de estar.
Um olhar até a porta me fez ciente de que um dos seguranças não estava ao alcance dos olhos, mas o guarda-costas que me interessava estava jogado sobre o sofá, exatamente como eu tinha visto antes de seguir Edward até o nosso quarto.
Collin fingiu não notar a minha presença, possivelmente esperando que eu dissesse algo. Como não sabia ao certo o que dizer, eu me afastei e só voltei alguns minutos depois, munida de uma bandeja com chá quente e biscoitos.
– Chá? – Eu ofereci, observando o meu segurança me lançar um olhar questionador.
Ignorando o olhar, eu enchi uma xícara do liquido fumegante e com um sorriso tímido entreguei para o segurança que continuava de pé ao lado da porta, como se tivesse se transformado em uma estátua de gesso.
– Para espantar o sono... – Eu entreguei a xícara para um homem claramente surpreso. Não era de se espantar, levando em conta a forma como eu tinha, solenemente, ignorado todos os seguranças, depois de ter gritado com eles no início da minha já finalizada “prisão domiciliar”.
Sem esperar por qualquer resposta, eu voltei a me aproximar de Collin. Ele havia deixado a inércia de lado e já bebia do chá que eu preparei.
– Bipolaridade é um sintoma da gravidez? – Ele questionou depois de engolir um biscoito, tentando fazer uma piada.
– Hormônios... – Eu respondi, me permitindo entrar na brincadeira. – E, talvez, eu esteja pensando em substituir o meu segurança pessoal... Estou conhecendo melhor minhas demais opções.
– Eu me preocuparia.... – Collin voltou a se recostar sobre o sofá, como se fizesse isso todos os dias, completamente a vontade. – Se não soubesse de seu amor platônico por mim.
– Ahhh... – Eu suspirei. – Como você descobriu? Eu pensei que estava escondendo meus sentimentos muito bem.
Ele gargalhou, fazendo a brincadeira morrer.
Eu tomei um gole de chá e esperei pelos estrondos que era as risadas de Collin findarem.
– Ela realmente não estava aqui porque queria... – Eu sabia que ele iniciaria a conversa séria em algum momento. Foi bom não ter que esperar muito.
– Se você vai defendê-la...
Collin levantou as duas mãos, em gesto fingido de rendição.
– Só estou dizendo que, talvez, eu a tenha forçado a vir aqui.
Foi a minha vez de olhá-lo em questionamento.
– Olha, vocês duas disseram algumas coisas bem pesadas lá dentro... – Ele fez uma pausa e, tentando não dar importância demais ao que falávamos, rolou os olhos com desdém. – Eu estava esperando pelos puxões de cabelo... Que pena que Edward interrompeu o show.
– Por que você a trouxe? – Eu ignorei propositalmente a nova tentativa de piada. – Ela se jogou nos braços dele a força também?
A forma como meu segurança trincou o maxilar me disse que eu tinha, enfim, tocado na ferida.
– Eles tem a porra de um passado. – Ele disse. – Eu não posso mudar isso. Você não pode mudar isso. Edward se sente culpado. Sempre vai se sentir. Ela se sente segura com ele por perto... Tem coisas que não podemos mudar.
– Você realmente acredita em tudo o que acabou de dizer?
– Se você quer saber se eu gosto disso, eu não gosto. Mas não há nada que eu possa fazer. Eu não sou nada além do segurança inconveniente que o ex-namorado dela colocou para persegui-la.
– Eu pensei que vocês estivessem juntos...
– Poderíamos estar... – A forma como a frase foi colocada me fez olhar para Collin para vê-lo visivelmente magoado. – Mas Tanya... Ela é... Complicada.
– Não me diga... – Zombei.
– Você também é.
– Sou? – Eu deixei meu chá de lado e cruzei os braços.
– Me desculpe, mas Tanya está certa sobre uma coisa: Você está em uma redoma, Bella. Cercada por proteção por todos os lados. Ela está no fogo cruzado, sozinha, no seu lugar.
– Eu não pedi por isso.
– Não pediu. – O meu segurança concordou. – Mas isso não muda nada. Você não sabe como é para ela.
– E você sabe? – Eu não queria uma nova discussão, mas quando foi que eu me tornei a megera e Tanya a mocinha?
Ele não respondeu, apenas voltou a se recostar e manteve seu olhar longe de mim.
Ficamos em silencio, até que eu, subitamente, entendi a sombra que via em seus olhos.
– Você sabe. – Eu acusei. – Sabe por que ela mudou o depoimento. Você sabe.
Um aceno minúsculo e eu tive a confirmação.
– Por que não nos contou?
– Não é meu segredo para contar.
– O que? – Eu me coloquei de pé e o encarrei acusadoramente. – Jacob pode ser absolvido por conta disso. Ele pode continuar livre para me atormentar, para atormentar Tanya e quem mais ele queira... E você acha que guardar um segredo, para conquistá-la, é mais importante do que fazer justiça?
– Eu gosto de você, Bella. – Collin respondeu calmamente. — De verdade. E vou fazer o que precisar para te proteger, não só porque é meu trabalho. Mas vou fazer o mesmo por Tanya porque eu a amo.
– Mas se você tiver que escolher a quem proteger... De nós duas, será ela. É isso que você está me dizendo?
– Não! – Foi a vez dele se colocar de pé. – Eu não concordo com o que ela fez. Particularmente, acho uma burrice, mas entendo porque ela agiu como agiu. Você faria o mesmo, ou pior, no lugar dela. – Ele fez uma pausa e respirou fundo. – Eu não tenho que escolher entre vocês duas porque vocês não são inimigas. É isso que você precisa entender. Tanya está tentando ajudar. Da única forma como ela acha que é possível, mas está tentando.
– Então... – Eu voltei a dizer com certa amargura em minha voz. – Se eu sou a princesa em uma redoma e ela a mártir em apuros, você deveria estar lá, com ela, e não aqui.
Um suspiro cansado de Collin me fez sentir infantil pela forma como estava agindo. Tanya é a mulher por quem ele se apaixonou, eu sou, na melhor das hipóteses, uma amiga... Mesmo que ele escolhesse protegê-la no meu lugar, eu não poderia me sentir no direito de acusá-lo. Era como me pedir para ficar contra Edward, a favor do meu segurança.
– Eu posso ficar de olho nas duas. – Ele voltou a falar e com um empurrão leve me fez voltar a me sentar.
Alcançando uma mochila jogada ao lado do sofá, ele apanhou um notebook, o abriu e colocou sobre o meu colo.
Foi preciso alguns segundos para que a tela preta viesse a vida e quando veio, eu precisei olhar para Collin em busca de uma explicação.
– É um sinal de GPS. – Ele explicou apontando para um pontinho verde em meio a um mapa. – Como você pode ver, Tanya está em casa... possivelmente tendo o mesmo problema para dormir que você.
Então, ele minimizou o mapa e depois de alguns comandos, imagens escuras e um pouco desformes apareceram. Eu levei alguns segundos para reconhecer o meu antigo apartamento alugado e quando o reconhecimento veio, o que quer eu pudesse dizer se perdeu, ao ver uma nova imagem: Tanya sobre a cama, enrolada em si mesma. Eu não percebi que além das imagens havia som até que os soluços dela chegaram até os meus ouvidos.
Com mais força que o necessário, Collin fechou o notebook provocando um som seco que me fez pular e interrompeu o choro da mulher com quem eu tinha discutido há pouco.
Eu fiquei olhando para o aparelho sobre o meu colo durante algum tempo. Pensando em como a cena que tinha visto era similar a que eu tinha protagonizado ao acordar de um pesadelo. Lembrei-me de como tudo o que desejava naquele momento era o conforto de ter alguém que gosta de mim por perto, me dizendo que tudo ficaria bem.
Ainda estava irritada com Tanya. Mas, no fundo, desejei que ela tivesse alguém, como eu tinha Edward.
– Você deveria ir até lá... – Eu sussurrei. – É o que vocês dois precisam agora.
– Isso faria mais mal do que bem. Ela não tem muita facilidade para aceitar ajuda.
Eu retirei o notebook do meu colo e o depositei sobre a mesinha de centro antes de voltar a olhar para o meu segurança.
Ele não estava chorando, mas parecia bem perto disso.
– Então... – Eu voltei a falar cautelosamente. – Você agora é um desses perseguidores psicóticos? – Era uma tentativa inútil, e bastante idiota, de amenizar o clima tenso que havia nos envolvido.
– Com direito a chip rastreador implantado e tudo mais...
– Como você faz isso? – Eu questionei com curiosidade. – Você rastreia o celular dela?
Collin me dirigiu um olhar dolente.
– Você pode perder um celular, esquecê-lo em casa, desligá-lo... Esses não eram riscos que eu queria correr.
– Então?
– É um pequeno chip. Do tamanho de um caroço de arroz. Implantado sob pele.
– Sob a pele? – Eu assobiei de espanto. E eu, há algum tempo atrás, achava que Edward era o controlador excessivo... – Espera! Eu tenho um? Edward...
– Não! – Collin me impediu de continuar. – Você não tem um. Também não há câmeras espalhadas pelo apartamento. Edward nem mesmo sabe sobre isso.
Eu deixei meu corpo amolecer contra o encosto do sofá.
– Vocês dois dão um significado totalmente novo a palavra “proteção”.
***
Edward voltou quase duas horas depois que minha singular conversa com Collin chegou ao fim, após eu o convencê-lo de que ele estava no lugar errado, conversando com a mulher errada.
Fazendo mal ou bem, Tanya precisava dele e ele precisava dela. Era ao lado dela que ele deveria estar.
Eu tentei dormir, mas não consegui. Tentei pensar, ponderar sobre tudo o que tinha ouvido e visto nas últimas horas, mas com o passar do tempo, tudo o que me vinha a mente era o quanto a cama estava fria e imensa sem Edward do meu lado.
Eu precisava dele.
Eu estava a ponto de fazer como Tanya. Enrolar-me em posição fetal e chorar, mas imaginei que me encontrar dessa forma seria tão ruim para Edward quanto tinha sido para Collin. Em vídeo ou pessoalmente, ver a pessoa que se ama sofrendo é igualmente avassalador.
E se existia algo sobre o qual eu tinha certeza era do amor de Edward por mim.
Eu poderia ter dúvidas sobre a forma como levamos nosso relacionamento, sobre o sucesso de uma vida em conjunto, sobre o que o futuro nos reserva... Mas nunca sobre os sentimentos dele. Não quando ele não se privava de demonstrar, mesmo com suas atitudes impensadas, a importância que tenho para ele.
Foi pensando nisso e em todos os momentos bons que já compartilhamos e ainda compartilharemos que eu empurrei a magoa pelo acontecido em seu escritório para longe do meu coração e mantive apenas a saudade, a vontade quase sufocante de abraçá-lo, tê-lo para mim.
Quando ele, finalmente, abriu a porta do quarto cautelosamente, eu o olhei do meu lugar na cama e sorri timidamente.
A luz do abajur era tudo o que iluminava o quarto.
Ele se aproximou. Devagar, descartando a camisa suada pelo caminho. Parou ao meu lado e, enfim, percebeu que eu estava acordada.
Eu mantive meu olhar preso no dele.
– Eu acho que corri demais... – Ele sussurrou.
– Mais de 10 km? – Eu questionei com uma pitada de humor, em referência a distância que ele costumava percorrer em suas corridas.
– Em menos de 50 minutos, como sempre, na volta para casa.
– E na ida? – Eu me movi, dando espaço para que ele se sentasse ao meu lado na cama.
Ele lançou um olhar constrangido ao próprio corpo suado e eu estendi minha mão em sua direção. Ele não aceitou o convite, mas se ajoelhou ao lado da cama e depositou um beijo demorado em minha testa.
– Eu não corri na ida... Apenas...
– Andou por aí? – Eu o ajudei quando percebi que ele não sabia bem o que dizer.
– E então eu percebi que estava perdendo um tempo precioso. Foi quando corri de volta para casa.
– Eu não quero desistir... – Sussurrei. – Nunca.
– Não vamos desistir. – Ele assegurou.
– Eu... Estava com ciúmes. – Admiti.
Ele sorriu. Um sorriso fraco e repleto de desculpas.
– Sinto muito! – Ele respondeu. – Eu tento, Bella. Juro que sim. Mas quando se trata de você... Como posso te fazer entender que tenho que fazer tudo o que posso para mantê-la segura?
– Como em uma redoma? – Eu rebati, docemente, sem querer acusá-lo.
– Você pode me condenar por manter a minha vida a salvo, seja como for? Porque é isso que você significa, Bella: a minha vida.
Eu fechei os olhos, só por um segundo.
– Você pode me manter em uma redoma... Desde que esteja comigo.
– Sempre! – Ele garantiu.
– Só não me corte o ar...
– Nunca! – Ele deslizou a palma da mão por meu rosto. – Você é livre, baby. Estou me certificando de que nunca mais deixe de ser.
– Venha pra cama comigo... senti sua falta.
– Preciso de um banho. – Ele se desculpou, colocando-se de pé. Eu agarrei sua mão e o impedi de se afastar.
– Estou com um desejo.
Ele voltou a me olhar, sorrindo. Com a mão livre, acariciou o ventre levemente avantajado que eu mal conseguia esconder agora que tinha voltado a colocar a camisola.
– De que?
Eu apertei a mão masculina que ainda segurava.
– De você. Sempre de você.
CONTINUA...
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N/B: Que raiva que da... porque não contam pra ela e pra nós o que faz a Tânia ter tanto medo do Jacob??? Quem achou a Bella cruel levanta a mão o/ A Tania também hein que língua afiada!!! Até eu acho que a Tânia queria estar no lugar da gatinha!
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