Despertar de uma sub
56 Capítulo especial POV Narrador - Collin e Tanya
Notas iniciais
Capítulo extra – Collin e Tanya
Parado diante da porta do antigo apartamento de Bella, que agora era ocupado por Tanya, Collin não conseguia chegar a um acordo consigo mesmo: Deveria insistir ou, simplesmente, desistir de Tanya?
Estava absolutamente claro que ela, embora relutasse, precisava e desejava o suporte do segurança. Mas Collin já havia tolerado a sua dose, cavalar, de rejeição e corações partidos... Não precisa de mais um relacionamento fadado ao fracasso em sua coleção.
Insistir em um envolvimento amoroso que talvez jamais se concretizasse só trataria sofrimento... E, ele sabia, sofrimento era algo que Tanya já havia experimentado em demasia.
Nos últimos dias, Collin gastou muito de seu tempo pensando em Tanya... muito mais do que deveria e, sendo o homem racional que era, já havia concluído que o correto a se fazer era manter-se longe, ao menos até que tudo se resolve. Por isso havia parado de insistir em visitas e telefonemas rejeitados na primeira oportunidade... mas vê-la chorar e saber que, naquele exato momento, ela precisava de alguém o tinha feito mandar a razão para bem longe.
O problema é que agora, prestes a fazer a sua presença ser notada, ele não conseguia parar de pensar se estava mesmo pronto para dar um passo que, não restava duvidas, não teria volta.
Passar por aquela porta, para Collin, seria o mesmo que aceitar um desafio. Um desafio bem complexo, com tantas variantes a serem consideradas que ele não estava certo de que poderia vencer. No entanto, o segurança jamais havia desisto de qualquer coisa em sua vida, não importa o quão difícil fosse. Uma vez aceitado o desafio, ele tentaria até o fim... O problema era: qual fim estava reservado para eles? Com a insistência de Tanya em resolver tudo o que envolvia Jacob por si só, Collin não conseguia enxergar um final bonito para nenhum dos dois. Não se ele não conseguisse convencê-la a deixá-lo ajudar.
Em pé, no meio de um corredor vazio, no meio da madrugada ele voltou a ponderar: Deveria desistir? Ou insistir?
Qualquer ilusão de escolha lhe foi arrancado no momento em que ele, praticamente colado a porta do apartamento, ouviu o barulho de vidro sendo estilhaçado.
Teria entrado em pânico se não soubesse que Tanya estava sozinha.
Com um bufar resignado, o segurança ajoelhou-se diante da porta, retirou do bolso do casaco um pequeno estojo com as ferramentas que havia utilizado para entrar no apartamento quando instalou, as escondidas, as câmeras que vigiavam a mulher por quem ele tinha, surpreendentemente, se apaixonado e pôs-se a trabalhar.
Menos de 5 minutos depois ele estava dentro da pequena sala às escuras. De dentro do apartamento era possível ouvir melhor o que acontecia e ele não demorou para entender que Tanya estava descontado a sua raiva e frustração nos poucos moveis que Bella havia deixado para trás.
Calmamente Collin caminhou até o quarto e não ficou surpreso ao perceber que o cômodo estava uma tremenda bagunça. Seus olhos fixaram-se na figura pequena, com o rosto banhado em lágrimas, arremessava um abajur contra a parede.
Recostado contra o batente da porta, ele permaneceu em silêncio, observando a forma como a loira se virou contra a penteadeira e com o punho fechado acertou o espelho e o rubro de seu sangue começou a manchar a mão delicada. Talvez tenha sido a dor ou a certeza da impotência, mas o ataque de raiva chegou ao fim subitamente e Tanya se permitiu cair de joelhos em meio aos cacos de vidro.
Os soluços dela quebraram o coração do segurança.
Collin entendia a fúria, o desejo de quebrar algo porque sabia que no fundo o que ela desejava, era deixar o seu algoz em pedaços, exatamente como havia feito com o espelho. Mas com Jacob ela receberia muito mais do que um pequeno corte na mão como castigo.
Após respirar fundo, ele caminhou até ela e preparado para os protestos, a abraçou por trás, envolvendo-a com braços fortes, apertando as costas femininas contra o seu peito na esperança de roubar para si o desespero que a consumia pouco a pouco.
Surpreendentemente, Tanya não gritou, não o mandou se afastar, não lutou... apenas permitiu que seu corpo caísse contra o dele e continuou a chorar.
Péssimo sinal. Ela estava desistindo... E Collin nem mesmo poderia culpá-la por isso. Ela já tinha suportado demais.
Precisando de um abraço tanto quando ela, o segurança se colocou de pé, colocou a loira em seus braços e se acomodou sobre a cama, o único móvel totalmente inteiro no quarto. Com Tanya firmemente agarrada a sua camisa, ele se recostou contra a cabeceira e deixou que ela chorasse o quanto quisesse.
– Eu prefiro os seus xingamentos a todas essas lágrimas... – Collin tentou empregar leveza em sua voz quando o corpo pequeno parou de tremer e os soluços chegaram ao fim.
Por alguns segundos, Tanya permaneceu em silêncio, apenas agarrando-se ao segurança como se sua vida dependesse disso.
– Eu estraguei a sua camisa... – A voz feminina soou rouca e, aos ouvidos de Collin, sem vida. Os dedos finos acariciavam lentamente um ponto no peito másculo.
Ignorando o aperto no peito que sentia, ele levou seu olhar em direção a ínfima carícia e encontrou a camisa branca que usava manchada de sangue, provavelmente proveniente do corte na mão da loira.
– Esqueça a camisa... – Ele respondeu antes de se apossar da mão machucada e avaliar o ferimento. – Superficial. Você vai ficar bem depois que limparmos isso e fizermos um curativo.
– Não. Não vou.
– Sua mão vai ficar bem. – Collin corrigiu-se e manteve Tanya onde estava quando ela tentou se afastar. – Quanto ao resto, podemos dar um jeito... – Sem precisar empregar muita força, ele a obrigou a olhá-lo. Os olhos vermelhos e grandes eram um pedido mudo de socorro. – Por favor, Tanya, eu posso ajudar.
– Você não pode! – Ela voltou a tentar se afastar e dessa vez ele permitiu. Aí estava a resistência que ele esperava desde o início. – Só de estar aqui agora você está colocando tudo o que eu fiz a perder.
– Aquele maldito capanga não me viu entrar... ninguém me viu entrar.
– Não importa! – A loira esbravejou e precisando de mais do que gritos para conseguir resistir a oferta de ajuda que ela, no fundo, ansiava, caminhou para longe da cama, longe de Collin. – Eu não posso fazer o que você quer, eu não posso depor contra ele, eu não posso me sentar aqui e fingir que o meu pesadelo acabou... Você não entende. Droga! Você deveria entender. Eu te contei tudo.
– Eu entendo, Tanya. – Collin elevou a voz, assim como se colocou de pé e com poucas passadas a alcançou. – Você é quem não entende que continua a jogar esse jogo pelas regras dele só vai te fazer perder.
– Não é um maldito jogo! – Desistindo de se manter longe, Tanya usou o punho machucado para acertar o peito que há poucos minutos acariciava.
– Não para você, mas é um jogo para Jacob. Sempre foi. E você sabe o que vai acontecer quando ele conseguir o que quer? Você vai se tornar descartável.
– Eu não me importo! – A loira retrucou e o olhar flamejante que ela lançou a Collin mostrava que, de fato, ela não se importava. – Não é por mim que eu estou lutando.
– Esse é o problema, meu amor. – O segurança propositalmente abaixou o tom de voz, tentando persuadi-la. – Quem garante que ele vai te dar o que você quer no final? Quantas promessas ele já quebrou?
– O que você espera que eu faça, Collin? Que eu jogue fora a única oportunidade de salvá-lo daquele inferno? Que o deixe para trás? É meu filho, Collin! Eu não posso ficar aqui, bancando a vítima enquanto ele ainda está lá...
– Ele está? Você tem certeza? Há quanto tempo não o vê? – Collin sabia que estava beirando a crueldade ao jogar na cara da mulher que amava os medos que ele sabia que ela tentava esconder de si mesma, mas eram possibilidades bastante reais para serem ignoradas. – Como você pode saber se ele ainda está com Jacob? Como você pode saber que ele ainda está vivo?
O segurança não fez nada para impedir o tapa estalado que atingiu o seu rosto.
– Ele está. Sei que está. – Tanya disse baixinho, como um mantra em que precisava acreditar.
– E se não estiver? – Collin se odiou por pisar nas esperanças dela, mas não podia deixá-la continuar se arriscando por alguém que nenhum deles podia afirmar que ainda existia. E que mesmo que ainda existisse jamais seria entregue a mãe. Jacob era perverso demais para simplesmente permitir que o menino partisse, seria o mesmo de dar a Tanya o que ele se esforçou tanto para arrancar: felicidade.
– Que razão há para continuar a viver quando aquilo que te mantêm vivo já se foi?
Só uma frase sussurrada e o segurança soube que entrou de cabeça em uma batalha perdida. Esse era um desafio que ele jamais ganharia. E, dessa vez, o fim não só despedaçaria seu coração... o arrancaria.
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