Notas iniciais
Boa leitura!

EDWARD CULLEN

— Como ele conseguiu entrar aqui? — Eu precisei me esforçar muito para não gritar quando Collin apareceu ao meu lado. — Pensei que tinha te mandado transformar essa casa em uma fortaleza.

Eu assisti quando o segurança levou a mão a cabeça e bufou.

— Eu ainda não sei os detalhes... Tudo o que consegui descobrir é que o sistema de alarme foi desligado e o segurança que deveria estar de plantão não foi encontrado. — Ele parou por um momento e lançou um olhar preocupado para Isabella. Eu fiz o mesmo, vendo-a encolhida contra o sofá em que eu a tinha colocado, com Alice a seu lado. As lágrimas tinham parado, mas eu ainda não sabia se isso era bom ou não. Ela estava quieta demais, quase como se estivesse paralisada. — Pensei em reunir a equipe de segurança e fazermos uma busca pela propriedade... Antes que a policia apareça. — Collin levou uma mão ao meu ombro, me fazendo desviar a atenção de Bella e olhá-lo. — No entanto eu não sou mais o seu chefe de segurança. O senhor vai precisar promover alguém para o cargo, pelo menos até que poeira abaixe e possa contratar alguém novo e...

— Cala a boca, Collin. — Eu o interrompi. Francamente ainda não tinha conseguido digerir o fato de que ele tinha fornecido os meios para Isabella me dopar, mas tinha que admitir que ele era eficiente e, aquele dia tinha provado, que ele era completamente leal a Bella e ela sempre seria minha prioridade. — O cargo ainda é seu, se o quiser.

— Sr. Cullen... — Ele me olhou atentamente. — Eu não vou pedir desculpas pelo o que fiz... Tentei de tudo para convencê-la a não fazer o que tinha planejado, mas não consegui... Porém estava disposto a fazer o que fosse preciso para impedir que ela se machucasse.

— Não estou interessado nas suas desculpas. Desde que continue disposto a protegê-la, com a sua vida se for preciso, o cargo é seu.

Collin assentiu e me estendeu a mão, aguardando por um aperto que selasse o que tínhamos acabado de discutir.

Eu encarei a mão masculina por um segundo, ponderando se seria capaz de recuperar a confiança irrestrita que depositava nele antes desse dia. Não sabia se conseguiria, mas não seria injusto, muito menos ingrato, ao ponto de me esquecer de todos os acertos que ele tinha feito, antes de cometer o erro de ajudar Isabella a quase se entregar para Jacob Black.

Eu lhe dei um aperto de mão firme.

— Já deveríamos ter acionado a polícia. Então é melhor que essa busca seja rápida.

— Sim, senhor. — Ele retribuiu o aperto. — Os homens já estão aguardando... Eu já me certifiquei, pessoalmente, de que a suíte está segura. Talvez vocês devam descansar enquanto isso.

Eu concordei com um aceno cabeça e cheguei a dar dois passos para longe da janela onde estive parado, antes que a voz do segurança me parasse.

— Existe algo mais que precisamos discutir, Sr. Cullen. — Eu me virei em sua direção, levei as mãos aos bolsos da calça e tentei manter a falsa calma que estivesse tentando manter desde que decidimos voltar para Seatle. — Tanya... Ela não está em casa e não consigo contato. — Eu lancei um novo olhar pela janela, avistando a casinha de boneca, que no momento abrigava o corpo de Angela e senti meu estômago embrulhar, ao cogitar a possibilidade de Tanya estar nas mãos do Black novamente.

— Então, você não sabe onde ela está?

— Eu sei... — O segurança respondeu, mais uma vez roubando a minha atenção. Eu o encarei, sem entender o porquê dessa conversa, já que ele aparentava ter o assunto Tanya sob controle. — Só não faz sentido que ela esteja onde está, muito menos que não atenda aos meus telefonemas.

Sem esperar pelo meu questionamento, ele apanhou o celular no bolso e após abrir algum aplicativo, me entregou o aparelho.

Eu encarei a tela por um momento, focando no ponto vermelho piscando no mapa, antes de lançar um olhar questionador ao meu segurança, após reconhecer o endereço que o aplicativo informava.

— Nunca a perco de vista... Não importa o lugar, sempre saberei onde ela está. — Ele apertou alguns botões e um novo ponto vermelho apareceu no mapa. — E a partir de hoje, saberemos também onde sua esposa está.

— Bella... — Eu me virei para olhar a minha esposa, ainda encolhida sobre o sofá. — Como...

— Foi idéia dela , na verdade. — Collin me interrompeu. — É um microchip. Pequeno demais para ser notado, mas eficiente o suficiente para não perdê-la de vista. Pode ser retirado a qualquer momento, com um pequeno corte. É provavelmente o que ela vai fazer quando Jacob Black não for mais uma ameaça.

— Não consigo acreditar que ela tenha aceitado ser monitorada assim... — Comentei para tentar não pensar no fato de que talvez Jacob sempre fosse uma ameaça.

— Ela pretendia voltar para o senhor e estava disposta a fazer qualquer coisa para que isso fosse possível.

Isabella tinha uma maneira bastante distorcida de demonstrar preocupação e apreço, mas eu também tinha, por isso não fui capaz de deixar de admirar o gesto. Sabia o quando ela odiava se sentir vigiada e, ainda assim, tinha permitido o máximo de monitoramento existente para que houvesse uma possibilidade de voltar para mim.

— Eu a buscaria no inferno, se fosse necessário. — Collin garantiu.

Foi a minha vez de levar uma mão ao ombro dele e apertar, em um gesto de agradecimento.

— Sobre Tanya... — Mudei o foco, ansioso em encerrar aquela conversa e me juntar a minha esposa e poder sentir, além de ver, que ela estava mesmo ali, viva, bem, em segurança.

— Ela está no clube...

— Reconheci o endereço... A questão é o que ela está fazendo lá.

— Pretendo descobrir pessoalmente, assim que tudo por aqui estiver sob controle.

— E se ela fugir?

— Não vai. Tenho homens de confiança de olho nela.

Eu assenti.

— Podemos confiar nela?

— Provavelmente não. — Collin respondeu com um suspiro.

— Tudo bem. — Eu tentei não pensar no fato de que a mulher doce com quem me envolvi no passado era uma ameaça. — Cuide de tudo por aqui e, depois, se certifique que Tanya não é um perigo imediato e, então, a traga aqui. Ela vai me dizer tudo o que tem para dizer, hoje, nem que eu mesmo tenha que usar um chicote para arrancar as palavras.

— Não vou deixar que a machuque... — Collin me lançou um olhar penetrante.

— Então é melhor fazê-la falar.

*****

Eu coloquei Isabella sentada sobre o mármore gelado do balcão em nosso banheiro e a observei estremecer levemente. Pensei em dizer tanta coisa, mas no fundo sabia que não existia nada que eu pudesse falar capaz de mudar o que ela estava sentindo naquele momento, então me ocupei de encher a grande banheira com água morna. Com a primeira tarefa finalizada, me voltei para ela e, ainda em silêncio, retirei todas as peças de roupa e acariciei o rosto abatido por um tempo até que ela levantou o olhar o suficiente para que nos olhássemos.

— Sinto muito... — Sussurrei para ela. — Por ter gritado com você, pela minha reação quando acordei, por...

Ela não me deixou terminar, levando um dedo trêmulo até os meus lábios e com um movimento negativo de cabeça.

Eu só podia imaginar o turbilhão de sentimentos dentro dela naquele momento e acreditava que falar pudesse ajudá-la a passar por isso, mas era capaz de entender a vontade de não conversar. De certa forma, estava grato que ela ainda me quisesse por perto o suficiente para me permitir cuidar dela, depois do dia que tivemos.

Liberando um suspiro, eu sufoquei tudo o que tinha para dizer e arranquei minhas próprias roupas o mais rápido que pude antes de carregá-la até a banheira.

Imersos em água morna, com o cheiro dos sais de banho nos envolvendo, eu a abracei tão apertado quanto possível sem machucá-la. A intenção era lavar o cabelo longo, tentar afastar os nódulos de tensão nos ombros dela, mas estando tão próximo dela, compartilhando um momento tão íntimo, me percebi paralisado pelo medo.

Angela ainda estava lá fora, mas em algum momento a policia chegaria, então a pericia, e o corpo seria levado... Bella nunca mais a veria e além da saudade e da incredulidade de perder uma amiga de forma tão antinatural, ela teria que ligar com a culpa que eu sabia que a estava corroendo.

Era simplesmente horrível e a forma como eu me sentia sobre, parecia tão horrível quanto. Obviamente estava entristecido por Angela, mas principalmente me sentia aliviado e egoisticamente grato por não ser a minha esposa dentro daquela casinha de boneca. Talvez eu nunca tivesse coragem de dizer isso a alguém, mas eu sabia que não precisaria dizer isso a Bella para que ela soubesse, ela conseguiria ver no meu olhar.

— Ela não merecia... — A voz rouca e quebradiça chegou aos meus ouvidos, antes que um soluço escapasse e as lágrimas voltassem.

Eu a movi, colocando-a sobre as minhas pernas para que fosse capaz de olhar dentro dos olhos verdes.

— Ela não merecia. — Concordei. — Nem você. Ou qualquer pessoa.

— Se eu não tivesse desistido...

— Então seriam as duas dentro daquela casinha... — Minha voz tremeu, mas me obriguei a continuar, depois que levei uma mão ao ventre distendido, aliviado por sentir a minha filha se mexer. — E Sophie.

Bella recostou a cabeça no meu ombro e retribuiu o abraço que lhe dei, ainda chorando.

— Sinto muito mesmo por Angela, Bella. — Eu depositei um beijo na testa dela. — Você está certa. Ela não merecia. Mas não tinha nada que você pudesse fazer para evitar isso.

— Você está feliz por ser ela e não eu. — Ela disse, a voz dura e, ainda assim, falha.

A fala apenas confirmou o que eu já sabia. Ela me conhecia como ninguém.

— "Feliz" não é a palavra correta. — Eu respondi. — Talvez "grato"...

— O sentimento ainda é o mesmo... — Ela me interrompeu. — Ainda é algo terrível de se sentir.

— Terrível seria acordar e não te encontrar. Terrível seria não conhecer a nossa filha. — Levantei o rosto dela e com as pontas dos dedos tentei, em vão, afastar as lágrimas. — Terrível seria perder tudo o que você representa para mim.

Ela sacudiu a cabeça como se tentasse se livrar da confusão em sua mente.

— Eu nunca deveria ter aceitado a sua ajuda, nunca deveria ter fugido dele... Angela ainda estaria viva se eu não tivesse acreditado, ingenuamente, que poderia me livrar de Jacob.

— Talvez... — Eu a balanceia levemente, sentindo meu próprio desespero vir à tona. — Não temos como saber o que aconteceria ou não com Angela. Mas sabemos bem o que teria acontecido com você e eu sei o que teria acontecido comigo: continuaria sozinho, falsamente satisfeito em nunca ter com quem dividir meus melhores momentos, jamais aceitaria que a perda que compartilhei com Tanya não foi realmente minha culpa, nunca me atreveria a reaprender a amar e nossa filha não existiria... Gostaria que fosse diferente e Angela ainda estivesse aqui, mas sou incapaz de não me sentir grato, completamente aliviado, por você estar aqui, em meus braços.

— Até quando? — Ela me olhou, os olhos claros evidenciando o pavor que eu também sentia.

— Para sempre. — Respondi, embora ainda não soubesse como manter essa promessa. — Ou até que estejamos tão velhinhos que sequer seremos capazes de lembrar desse dia. – Era uma tentativa tola de aliviar a tensão que nos cercava. Esse dia jamais seria esquecido, mas talvez fossemos capazes de superá-lo.

— Estou com medo... — Ela confessou depois de um longo tempo, quando eu já tinha começado a lavar os fios vermelhos longos e imaginava que não teria qualquer resposta.

— Eu também. — Admiti e, depois de enxaguar o cabelo feminino, a puxei para o meu peito. — Mas vamos encontrar uma solução, juntos. Você só precisa me prometer que não vai desistir e que, nunca mais, vai cogitar a possibilidade de se entregar.

— Não posso prometer... — Ela respondeu baixinho. — Não quando ainda existe a possibilidade de você ou Sophia...

A calei com um beijo afoito. Incapaz de pensar em qualquer coisa que fosse capaz de mudar a mente dela no momento.

— Nada vai acontecer com nenhum de nós três. — Disse no ouvido dela, sentindo minhas lágrimas virem à tona. — Não posso perder você, baby. Não posso. Não suportaria. Não...

Foi a vez dela me calar com um beijo tão desesperado quanto o meu. Talvez devêssemos ter parado por ali, talvez devêssemos ter falado mais... Porém mais do falar, precisávamos nos conectar completamente, de uma forma de que pelo menos por um momento fossemos capazes de afastar todo o medo, toda dor que Jacob era capaz de causar.

O beijo continuou por todo o tempo em que minhas mãos deslizaram pelo corpo trêmulo de Bella, por todo tempo em que as unhas dela me arranharam. E só se tornou, cada vez mais desesperado, a medida que avançávamos, até que o ar faltou ao estremecermos juntos, em um prazer corporal agridoce que não foi, realmente, capaz de afastar o pavor que parecia ter se enraizado dentro de nós dois.

— Não vou te perder... – Declarei, a voz respiração falha, a voz entrecortada. – Não vou.

Notas finais
Se você chegou até aqui, por favor, me deixa saber o que achou. xoxo