Despertar de uma sub
61 Capítulo XLIV
Notas iniciais
ISABELLA CULLEN
Eu podia ouvir as vozes lá fora e ponderei se não deveria também estar lá, acompanhando de perto a remoção do corpo de Angela. Mas não conseguia me imaginar de pé, observando o trabalho da perícia e dos policias, não sem desabar.
Já tinha sido difícil demais prestar um primeiro depoimento. Falar sobre a minha incapacidade de impedir a morte de Ang me fez sentir ainda mais culpada.
Deveria ser o meu corpo lá fora e não o dela.
O pensamento me fez estremecer e, involuntariamente, me encolher dentro do casaco que usava. Era um frio que via de dentro, irracional e, a cada minuto, mais intenso.
— Aqui... — Alice me ofereceu uma xícara de chá, voltando a ocupar um lugar ao meu lado.
Eu neguei com um movimento de cabeça. Meu estomago revolto demais para aceitar qualquer coisa, mas apertei levemente a mão da minha amiga, ela estava ali,sempre por perto e, não tinha se afastado por mais do que dois minutos desde que Edward e eu voltamos a sala e recebemos os detetives.
Ele estava lá fora agora, junto ao nosso advogado, acompanhando a remoção do corpo.
Estremeci novamente e, sem consegui evitar, um lamento baixo deixou os meus lábios. Era tão injusto. Ang tinha toda uma vida pela frente, tanto a conquistar e Jacob tinha tirado tudo dela.
Alice me puxou para mais perto.
— Por que você não tenta dormir um pouco?
— Não consigo... — Murmurei de volta.
Edward havia sugerido o mesmo, mas bastava fechar os olhos para rever a cena de Angela jogada dentro daquela casinha de boneca. Eu poderia viver mais cem anos e, ainda assim, jamais seria capaz de apagar essa imagem da minha frente.
Eu observei a porta da sala se abrir e meu marido adentrar o cômodo seguido por Collin e Jasper. Ele não precisava dizer para que eu soubesse que o corpo já havia sido levado.
Não mudou em nada como eu me sentia.
— Vamos dar a ela um funeral apropriado... — Ele se ajoelhou a minha frente, apertando a mão que Alice não havia agarrado antes. — Ela vai descansar, Bella.
Eu não disse nada. Não havia o que responder. Melhor seria termos dado a ela a oportunidade de viver.
— Seus pais estão voltando... — Jasper caminhou até nós dois no momento em que Edward assumia o posto ao meu lado e Alice se afastava com a promessa de que prepararia algo leve para que eu comece. Negar não tinha adiantado de nada, então a deixei ir. — Estão preocupados com você e, especialmente, com Bella.
— É melhor que eles fiquem aqui, não em um hotel ou no apartamento. Não acho que seja seguro ficarmos afastados. Você e Alice também são bem-vindos e gostaria que checasse Rose e Emmett... — Edward respondeu calmamente. — Alguém precisa verificar a livraria e mantenha o club fechado pelos próximos dias.
Eu o olhei por um momento, tentando entender o motivo da decisão de manter o club fechado. Imaginei que Jasper iria se opôr, mas ele apenas concordou com um aceno de cabeça e voltou a se afastar.
— Agora você e eu... — Ele me puxou para o seu colo. Facilmente tinha se tornado o meu lugar predileto e parecia ser onde ele me queria também, já que a cada oportunidade, era onde ele me colocava. — Como você está se sentindo?
Pensei em responder com um simples "estou bem", mas ele obviamente não compraria isso.
— Não preciso lembrá-la de ser honesta comigo, não é? — Algumas vezes eu detestava quando ele usava o tom Dom de voz comigo, quando estávamos em uma troca baunilha.
Suspirando, eu respondi sinceramente.
— Já tive dias melhores...
— Você vai explicar isso melhor?
— Minhas costas doem, assim como a minha cabeça, Sophia aparentemente está tentando cavar um buraco para fora da minha barriga, estou enjoada e, principalmente, estou cansada. Isso é honesto o suficiente? — Respondi com um revirar de olhos que fez com que ele apertasse os dedos levemente em minha coxa.
— Sim, é honesto o bastante. — Ele incluiu o olhar dominador ao tom de voz. — Embora eu dispensasse a petulância da resposta.
— Bom, castigue-me.
Para minha surpresa, ele tombou a cabeça para trás e riu alto.
— Eu vou, eventualmente. — Me lançou um olhar charmoso que, menos em um dia infernal, me fez suspirar baixinho. — Mas não tenho certeza que você vai aproveitar o momento. Você tem acumulado tantos castigos que tenho a impressão que precisaremos de muitas sessões para riscar cada item da minha lista.
— Você tem uma lista? — Questionei, levemente apreensiva e, completamente em expectativa.
Ele assentiu.
— Não quero correr o risco de esquecer de nenhum revirar de olhos... — Ele beijou abaixou da minha orelha, em uma tentativa de sedução que teria me excitado imediatamente em qualquer outro momento. — Você vai ter um bumbum realmente dolorido em algum momento depois da chegada de Sophie. Mal posso esperar por isso.
Era uma boa coisa que ele estivesse claramente tentando flertar e me distrair, mas nem mesmo todo o charme dele era capaz de tirar a minha mente do fato que, talvez, nós não tivéssemos a oportunidade de cumprir as promessas sensuais que estávamos discutindo.
— Você se importa, se eu me deitar um pouco?
Edward depositou mais um dos beijos molhados que estava distribuindo por meu pescoço antes de me olhar intensamente.
— Você não comeu nada o dia todo. Então vai ser uma boa menina e aceitar o que Alice trouxer... Depois nós podemos deitar e descansar por quanto tempo você quiser.
— Estou mesmo enjoada. — Protestei.
— Eu sei, baby. — Ele suavizou a voz e levou a mão até a minha barriga, infiltrando-a sob o moletom que eu usava. — Mas precisamos alimentar essa pequena chutadora. Você pode comer algo delicioso preparado pela sua melhor amiga ou podemos correr para um hospital e colocá-la no soro. O que você prefere?
Eu odiava quando ele me tratava como uma criança, embora soubesse que ele tinha alguma razão, afinal estava há quase 24h sem comer nada.
— Que seja... — Me afastei do colo masculino quando Alice voltou à sala com uma bandeja. — Mas se eu vomitar, será diretamente em cima de você.
*****
— Você está falando sério? — Eu sibilei irritada quando Edward me acordou para dizer que Tanya estava em nossa sala de estar. — Isso só pode ser uma brincadeira de muito mau gosto.
Ele acendeu o abajur ao meu lado, tirando o quarto da escuridão em que estava e se sentou ao meu lado.
— Eu quero descobrir o que ela está escondendo... — A voz rouca, soando calma e pausada, não fez nada para aplacar a minha raiva. — Mas não quero fazer isso pelas suas costas. Você não precisa descer se não quiser, mas achei que deveria saber.
Eu me levantei, afastando as mãos dele quando ele tentou me tocar.
— Se ela não tivesse mentido para livrar a cara dele, tirando-o da cadeia, Angela ainda estaria viva. — Eu me vi gritando. — Se ela não tivesse escolhido protegê-lo, eu não estaria enlouquecendo tentando descobrir quantos dias ainda tenho até que ele me arraste de volta para aquele inferno.
— Bella...
— Se você quer uma desculpa para tentar proteger uma vadia que não quer proteção, use qualquer uma, mas longe de mim... — Eu caminhei decidida até a porta do quarto quando ele tentou se aproximar. — Eu não quero essa mulher na minha casa!
Eu ainda pude ouvi-lo xingar, irritado, antes de bater a porta com força.
Felizmente consegui chegar até o banheiro no quarto de Sophia antes de colocar para fora o pouco que tinha conseguido comer.
Ele me encontrou menos de cinco minutos depois, quando eu ainda estava sentada ao lado do vaso sanitário, sentindo a bile subir por minha garganta.
Pensei que o ouviria gritar comigo de volta, mas ele apenas me ajudou a levantar e, em silêncio, lavou o meu rosto.
— Eu não quero brigar com você... — Ele finalmente disse algo, muitos minutos depois, quando estávamos no meio do quarto da nossa filha. — Foi um dia de merda! Muito diferente do que eu imaginava e desejava para o nosso primeiro dia casados. Estou cansado de gritos e desconfianças. Entendo a sua frustração e raiva, e em respeito a isso, Collin pode cuidar de Tanya. Mas você precisa entender que não foi ela quem matou a sua amiga.
— Eu deveria ter ido enquanto você estava dormindo... – Era o que não tinha saído da minha cabeça desde que encontrei Angela sem vida.
Eu o vi apanhar um porta retrato com uma foto nossa sobre a cômoda e jogá-lo ao chão, com força suficiente para despedaçar o objeto.
— Então nada disso teria motivo para existir... — Ele apontou para cada canto do cômodo em que estávamos. — Porque você estaria condenando Sophia. Mas você parece que não se importa.
Paralisada no meio do quarto, eu o vi me deixar sozinha antes que conseguisse dizer alguma coisa para me defender da acusação injusta.
— Não é verdade. — Sussurrei em meio a lágrimas, levando uma mão trêmula a minha barriga, quando minha filha chutou tão forte que me roubou o ar por um momento. — Não existe nada com que eu me importe mais do que com vocês dois.
Ainda falando baixinho com a minha bebê, eu me abaixei devagar e catei os cacos de vidro e pedaços de madeira pintada de rosa espalhados pelo chão. Teria jogado os restos do porta retrato no lixo se ao me levantar não tivesse sentido uma forte dor lombar que me levou de volta ao chão. Eu gemi com os dentes cerrados, sentindo minha barriga endurecer, durante os próximos segundos.
— Tá tudo bem... — Eu murmurei quando a dor aliviou o suficiente para que eu conseguisse voltar a me colocar de pé, apenas para sentir algo escorrendo por minha coxa.
Eu não precisava olhar para saber o que era, ainda assim levei uma mão até o local e senti meu coração acelerar ao ver as pontas dos dedos machadas de vermelho.
Sabia que Edward estava completamente irritado comigo e, para falar a verdade, eu também estava com irritada ele, mas ainda assim foi o nome dele que eu me ouvi gritando quando meu cérebro embaralhado foi capaz de processar o que estava acontecendo.
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EDWARD CULLEN
O dia já havia chegado ao fim, mas continuava a piorar a cada minuto.
Ter acordado de um sono forçado para descobrir que minha esposa havia me dopado em nossa noite de núpcias tinha sido apenas o começo de um dia que ainda trouxe mais alguns desentendimentos e um assassinato cometido praticamente no nosso jardim.
Talvez, se eu finalmente fosse capaz de me deitar e dormir, a nuvem negra sobre as nossas cabeças se dissipasse até que eu voltasse a acordar. — Ponderei enquanto descia as escadas após mais uma troca de gritos com Bella. Tinha me arrependido no segundo seguinte. Se estava sendo um dia difícil para mim, com certeza era ainda pior para ela, mas algumas vezes era impossível manter a calma, por mais que eu tentasse.
Avistar Tanya só piorou as coisas. Eu ainda a via como mais uma das vítimas de Jacob, o que ela de fato era, mas não podia negar que talvez as coisas fossem diferentes se ela tivesse feito outras escolhas nos últimos meses.
— Leve-a para casa. — Disse ao Collin, ainda ao pé da escada. Se Bella não a queria aqui, ela não ficaria. Não quando já tínhamos tanta merda para processar. — E arranque as respostas que quero dela.
O segurança pretendia dizer algo, mas fomos interrompidos pelo grito no andar de cima.
Eu reconheci a voz e, principalmente, reconheci o pavor na forma como meu nome foi chamado.
Eu voltei ao quarto tão rápido quanto possível, seguido de perto por Collin que tinha, de alguma forma, uma arma engatilhada em mãos.
Sem que eu soubesse como, o segurança passou a minha frente e eu o encontrei abaixado ao lado de Bella assim que adentrei o cômodo.
— O que aconteceu? — Me aproximei assumindo o lugar de Collin que já voltava a guardar a arma no cós da calça que usava e acionava o celular.
Ela me estendeu uma mão trêmula. A primeira coisa que minha mente registrou foi os dedos sujos de sangue, a segunda foi a voz dela, baixa e receosa.
— Tem alguma coisa errada com a nossa filha.
Era como ver o meu pior pesadelo se tornando realidade.
Por menos de um segundo, eu revivi a experiência que tinha divido com a mulher que ainda estava na sala de estar, mas no momento seguinte já tinha Bella em meus braços.
Não ia acontecer de novo. Eu ia fazer tudo o que podia e mais um pouco para evitar.
— Collin, precisamos de um carro... — Eu caminhei a passos largos até a porta.
— Já providenci, Sr. Cullen. — Ele respondeu, mais uma vez deixando claro o quanto era eficiente. Estava grato por tê-lo mantido como meu chefe de segurança — Estou ligando agora para a médica... Algo mais que eu precise fazer?
— Bella vai precisar dos documentos e de um casaco...
— Eu providencio. – A voz de Alice me roubou a atenção, ao mesmo tempo em que avistava minha mãe deixar o quarto em que estava, acompanhada do meu pai, no momento em que me preparava para descer a escada.
Só então me dei conta que o grito de Bella havia chamado a atenção dos meus pais e dos nossos melhores amigos que, assim como eu tinha sugerido, decidiram ficar por perto até que nos sentíssemos seguros o suficiente para voltarmos a nossa rotina normal.
— Filho, o que aconteceu? -
— Vou descobrir quando chegarmos ao hospital, mãe.
Eu senti os braços de Bella se apertarem ao redor do meu pescoço e ouvi um gemido baixo.
— Edward, estou com medo... – Ela me disse quando a dor que sentia pareceu abrandar. Eu também estava, completamente apavorado, mas confessar isso não nos ajudaria de nada no momento.
Apertando-a mais contra mim, parei por um segundo quando meu olhar encontrou com o de Tanya no meio da sala. Ela foi a primeira a desviar o olhar, quando Collin se aproximou para dizer algo em seu ouvido.
Segui em frente quando minha mãe colocou um cobertor trazido por Alice por cima de Bella.
— Vai ficar tudo bem, baby. — Eu sussurrei, tentando manter a calma. — Você vai ficar bem. Sophia vai ficar bem.
Não prestei atenção a quem nos seguia quando deixei a casa, mas soube que tinha sido meu pai e Jasper quando ouvi a voz do meu melhor amigo me questionando para onde deveríamos ir quando já estava dentro do carro, com minha esposa ainda no meu colo.
Bella foi quem respondeu o nome do hospital enquanto eu observava minha mãe entregar uma bolsa ao meu pai e recitar algumas recomendações.
— Por favor, nos dê notícias. — Alice chegou a dizer antes de Jasper arrancar com o carro.
As horas seguintes se transformaram um borrão de formulários e jargões médicos que eu estava nervoso demais para realmente compreender.
O termo "parto prematuro" foi o único que grudou em minha mente, triplicando a angustia.
— Está cedo demais... — Eu respondi, quase em pânico.
— Está. — A obstetra confirmou. — É por isso que estamos medicando-a na tentativa de parar as contrações. Não houve dilatação e o sangramento parou. Então estou confiante que conseguiremos. Ainda assim vou administrar corticóides para acelerar o desenvolvimento dos pulmões da bebê.
— Elas vão ficar bem? — Questionei apertando a mão de Bella, enquanto a via observar o monitor de sinais vitais que havia sido ligado ao seu abdômen.
— Vou fazer tudo o que puder para que as duas fiquem bem.
*****
Quando o dia seguinte amanheceu, inundando o quarto do hospital com raios de sol, eu podia sentir a minha cabeça a ponto de explodir, embora o coração já estivesse mais apaziguado.
Depois de alguns medicamentos e uma bateria de exames, dos quais ainda precisávamos aguardar alguns resultados, o quadro de Bella havia se estabilizado e o parto antes da hora evitado.
Ela teria que ficar em observação por mais um ou dois dias e tínhamos a recomendação de repouso absoluto depois disso.
Eu recostei a minha testa de encontro a barriga dela e senti lágrimas vierem aos meus olhos.
Minha esposa estava dormindo e, ao que parecia, nossa filha também. Eu não a tinha sentido se mexer nenhuma vez desde que os médicos e enfermeiros haviam se afastado e, eu estava checando a cada cinco minutos ou menos, mas o aparelho que a monitora me permitia ouvir o coraçãozinho batendo, o que significava que ela estava mesmo bem, como a médica me garantiu.
— Sinto muito, filha. — Disse baixinho, com medo que a minha voz acordasse Bella que tinha finalmente adormecido há alguns minutos. — Eu sou um idiota. Nunca mais vou perder o controle assim.
Sophia continuou sem se mexer, o que era francamente apavorante, levando em consideração que ela sempre se mexia quando eu falava com ela.
— A mamãe vai ficar bem. — Garanti, fazendo um carinho na barriga distendida. — Mas você tem que se comportar aí dentro e desacelerar, ainda não está na hora de conhecer o papai. – Sorri levemente. Conversar com a barriga de Bella tinha se tornado um hábito que eu estava grato em ainda poder manter. — Meu Deus! Estou louco para conhecer o seu rostinho, mas ainda é muito cedo. Nós dois podemos esperar só mais um pouquinho, não é?
— Eu amo a forma como você conversa com ela... — Eu desviei o meu olhar do ponto que estive acariciando e encontrei um par de olhos verdes, abatido e entristecido.
— Eu não queria te acordar... — Mantive o mesmo tom de voz baixo e calmo.
Era verdade, mas também era bom poder ouvir a voz dela sem que estivéssemos brigando ou que ela estivesse em pânico.
— Obrigada! Por cuidar de nós duas. — Ela não me deixou terminar.
Levei minha mão até o rosto feminino, em um carinho silencioso que eu esperava que dissesse que sempre cuidaria delas, independente de qualquer coisa.
— E me desculpe por... — Meu toque deixou a bochecha de Bella e dois dedos foram parar sobre os lábios naturalmente cheios e rosados.
— Shiii... — Sussurrei em resposta. — Não vamos começar com os pedidos de desculpas mútuos. Não agora. Você precisa descansar.
Isabella beijou levemente os meus dedos, enquanto fechava os olhos.
— Ela vai ficar bem? — Questionou depois de um tempo.
— Se você se comportar e seguir as recomendações médicas...
— Eu vou... — Garantiu, voltando a me olhar. Reconheci o brilho de determinação no olhar que me prendia. — Eu me importo, Edward. Com Sophia. Com você. Com nossa família.
— Eu sei. — Respondi me inclinando para beijar a testa feminina. Era ridículo como sempre acabávamos por dizer algo horrível e capaz de magoar tão profundamente em meio a uma discussão. — Nunca deveria ter dito o contrário. Sinto muito!
— Nada de pedidos de desculpas mútuos, lembra? — Ela gracejou, embora estivesse visivelmente cansada. — Não foi sua culpa, você sabe, não é? Ainda que tivesse acontecido...
Racionalmente, eu sabia que ela estava certa. Mas ainda tinha um gosto amargo na boca e uma boa dose de culpa me corroendo. Jamais me perdoaria se o pior não tivesse sido evitado.
— Não aconteceu. — Disse incomodado e apavorado com a possibilidade de perdermos a nossa filha.
— Ainda que tivesse acontecido o pior ...- Ela insistiu. — Não teria sido sua culpa.
Eu concordei com um movimento de cabeça porque sabia que, no fundo , ela estava certa e porque não era o momento ou o lugar de iniciar um argumento.
— Agora chega de conversa. Você precisa mesmo descansar.
— Não consigo dormir com você assim, tão longe de mim.
Eu ri levemente.
Estávamos tão próximos quanto o bom senso permitia, levando em consideração que estávamos em um quarto de hospital. Ainda assim, eu a ajudei a se afastar o suficiente para que eu me juntasse a ela na estreita maca.
— Melhor agora? — Passei a brincar com um fio de cabelo longo quando ela se acomodou, com a cabeça sobre o meu peito.
—Sim. — Confirmou com um bocejo — Tão bom que quase esqueço que adicionei mais algumas palmadas a sua já tão grande lista.
Eu ri um pouco mais. Deus! Era bom tê-la ali, bem o suficiente para brincar com o que tinha acontecido.
— Nenhuma palmada foi adicionada. – Minha voz em um misto de diversão e alivio.
— Não? — Ela moveu o rosto para que pudesse me olhar.
— Nenhuma. — Garanti. — Porque você não fez nada de errado.
— Humm... — Ela fechou os olhos com um pequeno sorriso nos lábios. — Isso quer dizer que posso gritar com você mais vezes?
Eu voltei a sorrir.
— Só se estiver ansiosa pela minha palmatória, gatinha.
— Vou me lembrar disso... — Ela voltou a gracejar. — Quando Sophie nascer.
— No momento certo. — Enfatizei continuando com os cafunés que pareciam muito próximo de niná-la.
— No momento certo. — Concordou, antes de finalmente adormecer.
Ainda precisei de algum tempo até que meus olhos pesassem e meu inconsciente enfim desligasse.
— Edward...- Acordei o que parecia serem horas depois, com a voz de Bella próxima ao meu ouvido e meu corpo sendo levemente sacudido.
— O que foi? — Perguntei, ainda sonolento. — Está sentindo alguma coisa?
— Estou. — A confirmação me fez finalmente abrir os olhos e procurar pelo rosto de boneca. Ela tinha um tímido sorriso no rosto, o que me fez arquear uma sobrancelha questionadoramente.
Bella respondeu a minha pergunta silenciosa com um morder de lábios e levando a minha mão até o seu estomago
Eu senti a leve ondulação de imediato.
Praticamente saltei da maca e, me ajoelhando, aproximei o rosto da barriga dela.
Ainda era fraco demais, se comparado aos chutes que costumávamos sentir, mas me fez sorrir como um bobo.
— Oi, princesa! — Falei maravilhado ao senti-la se mexer ainda mais. — Que susto você deu no papai.
— Ela gosta quando você fala com ela... — Bella comentou com um sorriso ainda maior que o meu ao sentirmos um novo movimento de Sophia.
— É claro que gosta. — Eu beijei o abdômen algumas vezes. — Sou o homem da vida dela.
— Você será por alguns anos... — Minha esposa concordou. — Depois vai perder o posto para algum jovem bonitão.
— Você vai me trocar por algum jovem bonitão, Sophie? — Apertei levemente a minha mão contra barriga de Bella, querendo sentir mais da bebê lá dentro.
Isabella riu.
— Ela vai... — Respondeu me provocando. — Será inevitável. — Com um carinho em meu rosto, ela roubou a minha atenção. — Mas eu nunca vou te trocar por ninguém.
— Acabo de acrescentar algumas palmadas àquela lista... — Deixando Sophia se mexer tanto quanto queria, me aconcheguei de volta ao lado de Bella. — Por plantar na minha cabeça a imagem de você me trocando por um jovem bonitão quando eu estiver com cabelos brancos.
Ela lutou para reprimir uma risada alta.
— Isso é tão injusto... — Piscou para mim. — Que eu ainda tenha que esperar alguns meses para zerar essa lista.
— Pelo menos você tem algo bom pelo qual ansiar no futuro. — Respondi de bom humor. O dia anterior tinha sido horrível, como uma tempestade torrencial e devastadora, mas ao que parecia teríamos muitos dias de sol a caminho.
— Com você... — Ela depositou um beijo demorado em meu rosto. — O que não falta é algo bom pelo qual ansiar no futuro.
Certamente teríamos um monte de discussões nos anos que viriam, mas eu tentaria me lembrar dessa frase quando esses momentos chegassem, apenas para me assegurar que ela nunca pensasse diferente.
— Juntos, meu amor. Temos muito pelo o que ansiar no futuro. – Com cuidado, eu a deitei e aproximei meus lábios dos dela.
— Humm – Ela respondeu languidamente após o beijo. – Você beija tão bem... É uma pena que eu tenha que ficar sem sexo de reconciliação. É quando você dá o seu melhor. – Ela era mesmo uma provocação constante. Era impressionante que eu tivesse conseguido viver tantos anos sem tê-la por perto.
— Você vai ter que explicar isso ao seu Mestre, quando estivermos trabalhando naquela lista, gatinha.
— Ops! – Ela levou uma mão ao peito, fingindo um receio que jamais sentiu quando o assunto era nosso relacionamento D/s. – Sou uma menina tão má.
— Eu te amo! – Disse contente por vê-la bem, por estarmos bem, mesmo depois de tudo.
— Eu sei... – Ela corou. – Mas não me oponho a ouvi-lo dizer sempre que quiser.
— Eu te amo! – Repeti, voltando a beijá-la. – Eu te amo!
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