Despertar de uma sub
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Capítulo 06
Existe algo estranho na calmaria. Quero dizer, você sempre está com a sensação de que algo de ruim está prestes a acontecer para estragar a sua felicidade. Ou talvez seja apenas eu, ainda não acostumada, com a atual plenitude do meu estado de espírito.
Acredito que nunca me senti tão plena, tão serena... Com a possibilidade de um futuro tão promissor. Possivelmente eu já tenha estado assim... Talvez quando criança, quando minhas maiores preocupações se resumiam a encontrar uma boneca perdida. Mas, isso foi há tanto tempo... Tempo suficiente para me fazer esquecer o quão intenso e revigorante pode ser um sentimento de tamanha plenitude.
Talvez eu esteja a ponto de saltitar por tamanha felicidade.
Eu estava bastante consciente dos meus olhos brilhantes e o sorriso bobo estampado em meu rosto. Afinal, era assim que me via, todos os dias, pela manhã, ao me olhar no espelho ao me aprontar para o trabalho, e não me importava o quão puxado poderia ser o decorrer do dia, o meu sorriso continuaria ali, firme e forte, pronto para dizer a quem interessasse saber o quão reerguida eu me encontrava. Tudo isso, apenas, porque eu sabia que à noite eu estaria de volta aos braços dele. Edward.
É inegável que estou completa e irrevogavelmente apaixonada por ele, por todas as suas facetas. É surpreendente que um Dominador tão intimidador possa ser, ao mesmo tempo, tão afável, devotado, deferente... Talvez, novamente, seja apenas eu, não acostumada a ser cuidada.
Eu senti o meu sorriso aumentar. Hoje é sexta-feira, o que significa que amanhã, há essa hora, estarei usando a coleira de Edward e o servindo da forma que ele julgar devida.
Quem diria que eu, Bella Swan, voltaria a ansiar por ser dominada? Mas, o fato é que, nesse exato momento, mesmo quando deveria estar concentrada em meu trabalho, eu me encontro desejando-o desesperadamente, sonhando acordada com o momento em que me dissesse, com a voz rouca: “Isabella, em seus joelhos...”.
– Bella, por favor, compareça ao caixa... – A voz suave de minha gerente, Ângela, se fez ouvir através do sistema de alto-falantes da livraria onde trabalho, me trazendo de volta a realidade.
– Bella, por favor, compareça... – Repetiu.
– Já vou, já vou... – Respondi para mim mesma, ao mesmo tempo em que deixava o estoque para trás.
Estava habituada a esses chamados, apesar de minha função, oficialmente, ser cuidar para que o estoque e as prateleiras estejam sempre em ordem, geralmente ajudava nas vendas... Eu sempre adorei ler e isso me trouxe conhecimento, e esse conhecimento se mostrou mais do que útil em meu emprego, especialmente, como agora, no horário do almoço, quando os vendedores estavam ocupados com o fluxo maior de clientes... Talvez eu tenha sorte e, em breve, esteja definitivamente entre eles, afinal, durantes esses 5 meses de trabalho, tenho sido de muito mais utilidade lá fora do que arrumando o estoque.
– Bella! – Ângela gritou por trás do balcão ao me ver. – Tenho um cliente para você.
Eu sorri para minha gerente e boa amiga – esse era outro ponto maravilhoso em meu trabalho, conheci pessoas ótimas e entre elas, Ângela, com quem tenho tidos bons momentos de cumplicidade.
– É mais um dos que pedem por você... – Ela continuou em tom baixo. – Você precisa ensinar aos outros como ser tão cativante... Venderíamos muito mais se todos os vendedores tivessem seus clientes na palma da mão, como você.
Revirei meus olhos para seu exagero.
– Onde está meu velhinho apaixonado? – Questionei divertida. Afinal, esse era o meu “tipo”, como Ângela costumava dizer.
É preciso ter uma alta dose de paciência com os clientes mais idosos, eles podem ser bastante exigentes. Felizmente, eu aprendi a ser gentil, mesmo quando tudo o que mais desejo é gritar com alguém.
– Bom, talvez algum avô a tenha recomendado... – Disse com um sorriso malicioso. – Na seção de literatura estrangeira.
– Okay!
...
É dispensável dizer que a surpresa me fez estacar no meio do corredor ao me deparar com Edward, folheando algum livro.
Ele nunca tinha vindo ao meu trabalho antes e eu, definitivamente, não estava esperando por isso, hoje.
Passei as mãos pelo cabelo, tentando inutilmente doma-los, ao mesmo tempo em que me aproximava.
– Aconteceu algo? — Perguntei baixo.
Ele, lentamente, fechou o livro — que com uma rápida olhada me permitiu saber que se tratava de um exemplar de “Eu sou Deus” – e o devolveu a prateleira. Reprimi um sorriso e erguer de sobrancelha como questionamento.
– Não sabia que gostava de literatura italiana... Não me parece muito o seu gênero. – Alfinetei. – Poderia jurar que prefere os clássicos.
– Você diz isso com tanta convicção. – Respondeu indiferente. – O que te faz ter tanta certeza? Minhas roupas? Minha postura?
– Sua biblioteca. – Retruquei em confusão.
Edward voltou-se para mim, seus hipnotizantes olhos verdes fitando os meus.
Eu ofeguei. Ali estava, aquele olhar. Forte e penetrante. O olhar que sempre via nos “finais de semana”.
– Bella Swan, não é? – Ele disse sorrindo torto. — Eu sou Edward Cullen... – Sua mão estendeu-se em frente a seu corpo. Em minha direção, e eu precisei de alguns minutos para conseguir levantar a minha. -... E talvez, você possa me ajudar a encontrar o que estou procurando.
Oh Deus! Uma cena... Ele está mesmo fazendo uma cena aqui, agora?
Inconscientemente apertei a mão de Edward, que continuava presa a minha.
Ele pigarreou, escondendo um sorriso e soltou sua mão da minha, antes de dizer.
– Então, eu estou procurando por um livro em especial... – Edward, então, se aproximou e com seu corpo praticamente colado ao meu disse, a voz soando, aos meus ouvidos, tão sensual quanto em nossos momentos mais íntimos. – Falsa submissão.
Eu pude sentir meu rosto ruborizando. É obvio que já havia lido esse livro, antes mesmo de adentrar ao mundo D/s, antes de conhecer Jacob... Antes de me identificar tanto com a protagonista.
Desviei o olhar e preocupadamente olhei ao redor. Percebi que não havia ninguém ao nosso redor e respirando fundo, decidi entrar no jogo, afinal, por mais receosa que pudesse estar, sabia que Edward nunca faria nada que pudesse me colocar em problemas.
– Se o Senhor puder me acompanhar... – Sussurrei e mais lentamente que o necessário nos dirigi dois corredores a frente, mais próximo ao final da loja, onde se encontravam os livros com conteúdo adulto.
Minhas mãos tremeram levemente quando alcancei o exemplar e entreguei a ele.
Ele o folheou por alguns minutos, fazendo com que minha ansiedade aumentasse cada vez mais.
– Você tem alguma outra sugestão com essa mesma temática? – Ele questionou, ainda com os olhos presos ao livro.
Clareie a garganta, sentindo meu coração aos saltos.
– Nós temos o tradicional... Sade, História de O...
– Pode me trazer algum desses? – Interrompeu ainda sem voltar a me olhar.
Voltei a olhar em volta e ao notar que ainda continuávamos sozinhos, respondi.
– Sim, Senhor.
Edward permaneceu com sua cabeça baixa, concentrado em sua leitura, mas com um pequeno sorriso estampado em seu rosto.
Rapidamente procurei pelos exemplares que tinha citado e voltei-me em sua direção.
Ele estava displicentemente recostado a prateleira, com seu olhar atento aos meus movimentos.
– Acho que fui capaz de encontrar o que procurava aqui... – Disse estendendo o livro em minha direção e apanhando os dois exemplares novos que tinha trazido.
Apanhei o livro e imediatamente percebi que algo impedia que o livro fosse fechado adequadamente.
Não foi realmente uma surpresa quando o abri e me deparei com minha coleira, perfeitamente repousada sobre letras negras.
A voz de Edward chegou aos meus ouvidos, profunda e intimidadora:
“— Não se mova — disse. Beijando-a novamente, percorreu a linha de seu pescoço com a língua.” – Começou a recitar, e eu estremeci ao perceber o hálito quente próximo ao meu pescoço. – “Ela se encostou nele, sentindo o corpo dele contra o seu, e o viu deslizar a mão para dentro do bolso das calças...” – Meus olhos percorriam as linhas abaixo de onde estava minha coleira, acompanhando o que Edward dizia. – “Ele retirou um lenço preto e o fez deslizar pelo seu braço, pela frente do pescoço, pelo rosto. Era sedoso e macio. Ele passou o outro braço pela sua frente e pegou a outra ponta do lenço, esticando-o bem, e colocou-o sobre seus olhos. Amarrou-o atrás de sua cabeça.”
Minha respiração ficou pesada e tinha certeza que Edward podia sentir em minha pele o efeito que causava com suas palavras. Ele riu baixo junto ao meu ouvido, espalhando uma onda de excitação por mim antes de falar.
– Em sua posição, hoje, às sete... Esteja com sua coleira Isabella...
Eu não sei bem como consegui continuar a trabalhar após a visita de Edward. Afinal, foi impossível não me sentir quente... Muito quente, após ouvir sua voz rouca sussurrando o que provavelmente aconteceria hoje à noite, assim que estivesse em casa.
Não posso negar que uma pequena parte de mim, se encontrava apreensiva. Estava mais do que claro que hoje, daríamos um passo adiante em nosso relacionamento, mas um passo fundamentado na confiança. E, é claro que confio em Edward, mais do que jamais confiei em alguém em toda a minha vida, mas saber, de antemão, que estarei vendada enquanto ele fará o que desejar comigo me deixa receosa e excitada.
Enquanto esperava ansiosamente a hora de ir embora, brincava com os pingentes da minha pulseira imaginando o que Edward poderia estar preparando. Será que ele apenas me vendaria? Ou também planejasse me amarrar? Talvez pretendesse usar, novamente, as velas?
Infinitas possibilidades.
Infinitas, deliciosas e assustadoras possibilidades.
...
Precisei correr para chegar à casa a tempo, já que assim que me preparava para deixar a livraria, um pequeno acidente, provocado por uma criança super ativa, fez com que alguns dos livros da sessão infantil viessem a baixo, me obrigando a arrumar, novamente, as prateleiras.
Eu pretendia tomar um relaxante banho de banheira antes de ir ao encontro de Edward, mas o máximo que consegui foi uma ducha rápida, antes de correr ainda com o corpo úmido e enrolado em uma toalha até o playroom.
Imediatamente ajoelhei-me aos pés da cama ao mesmo tempo em que me livrava da toalha e soltava o coque frouxo que prendia meu cabelo.
Quando Edward adentrou o quarto minha respiração estava entrecortada pela corrida e minhas bochechas quentes e, provavelmente, coradas pelo vapor do banho. Estava bastante consciente do emaranhado de meus cabelos e de minha pele completamente ao natural, mas não houve tempo para me arrumar da forma que desejava, e nesse momento estava agradecida por Edward não ter solicitado nada além de me encontrar nua e de joelhos, e claro, pelo quarto estar iluminado apenas por velas.
O som de seus passos ecoou pelo ambiente, eram passos lentos e calmos, bem diferente do ritmo com que meu coração batia.
Tomei o cuidado de manter minha cabeça abaixada enquanto me esforçava para normalizar minha respiração.
– Absurdamente pontual... – Edward disse, parando a minha frente, tudo o que conseguia ver eram seus pés descalços. – Exatamente como gosto.
– Obrigada, Mestre
Nem por um segundo cogitei a possibilidade de Edward não estar ciente do meu quase atraso, era impressionante como ele sempre sabe o que acontece...
Acomodei-me melhor em meus joelhos, e aguardei ansiosamente.
– Você pode fazer melhor do que isso... – Ele disse e eu precisei me obrigar a manter minha cabeça abaixada, no lugar de olhá-lo, em confusão. – Curve-se e me beije.
Eu não hesitei nem mesmo por um segundo. Automaticamente meu corpo se curvou e meus lábios tocaram, delicadamente, a pele alva do pé direito de Edward. Silenciosamente me perguntei se a agilidade em cumprir sua ordem, se devia ao fato de desejar me entregar a ele, cada vez mais, ou ao fato de já ter repetido esse mesmo gesto tantas outras vezes, em um passado não tão distante. Tentando expulsar essa nova linha de pensamentos, dirigi meus lábios ao pé esquerdo do meu Senhor, onde depositei mais um beijo.
– Boa menina! – Sua mão deslizou, suavemente, por meus cabelos, assim que voltei a minha posição.
Eu quase podia ouvir o som dos meus batimentos cardíacos no silêncio que se seguiu. Depois do que me pareceu ser uma eternidade, Edward se moveu em direção a grande cama às minhas costas, e eu pude escutar o farfalhar dos lençóis. Mas depois, novamente, o silêncio tomou o ambiente, por tempo suficiente para me permitir entender que ele estava, propositalmente, me observando. Endireite minha postura, sentindo-me um pouco desconfortável.
– Se sente incômoda por me ter te observando? – Sua voz soou divertida.
– Sim, Senhor. – Admiti.
– Seria uma boa ideia começar a se acostumar... Eu poderia fazer isso por horas.
Foi impossível evitar que um pequeno sorriso brotasse em meu rosto.
– Seria uma honra, Mestre.
Novamente, o farfalhar dos lençóis, seguido de seus passos decididos, um acender de lâmpadas e seu toque, dessa vez, mais forte, em meus cabelos.
– Você sabe o que farei com você hoje, Isabella? –Suas mãos desceram até meus ombros, onde impuseram pressão, me fazendo estremecer.
– Serei vendada, Senhor? –Era para ser uma afirmação, mas o tremor em minha voz – provocado pelo meu lado racional, que insistia em temer o que aconteceria essa noite, entregou minhas dúvidas. Obviamente, isso não passou despercebido por Edward.
– Você confia em mim, Isabella?
– Sim, Mestre! — Minha resposta foi imediata, mas ainda assim, pareceu não agradá-lo.
– Então, o que teme?
Antes mesmo que eu pudesse responder, meus olhos foram cobertos por um tecido suave e negro. O receio me fez cerrar os olhos, em antecipação.
Enquanto Edward trabalhava para manter a venda presa ao meu rosto, eu podia sentir meu nervosismo aumentar gradativamente.
Quando meu Senhor sentiu-se satisfeito, deu a volta, sempre me tocando, até que estivesse a minha frente.
– Levante sua cabeça. – Demandou.
Prontamente obedeci.
– Vê algo? – Questionou, ainda com suas mãos a deslizar, ora por meu rosto, ora por meus fios castanhos.
Precisei reprimir minha vontade de gritar-lhe que estava vendada, como ele bem sabia, por saber que possivelmente um ato rebelde como esse, me faria ser castigada – e sendo bem honesta, comigo mesma, não me sentia preparada para um castigo, no momento.
– Confie, Isabella. – Repreendeu.
Possivelmente, nunca me acostumaria com sua capacidade de me ler tão bem.
– Abra seus olhos.
Mesmo contrariada, o obedeci.
Após piscar os olhos algumas vezes, pude visualizar uma disforme sombra a minha frente.
– Ah... – Deixei escapar.
– Até o final da noite, a vendarei, para que não seja possível enxergar nada. – Garantiu com a voz firme. – Mas, faremos isso devagar, quero que se acostume, primeiro, com a sensação... Agora, me diga: o que teme?
Como poderia responder a sua pergunta quando eu mesma não sabia por que me sentia dessa forma. Talvez, apenas, por não saber o que virá em seguida...
Inevitavelmente meus pensamentos foram às vezes em que estive com Jacob. Quando sabia o que ele faria, podia, ao menos, tentar me preparar psicologicamente para o que ele faria, mas quando estava vendada minha apreensão sempre aumentava, afinal só saberia o que ele me fez, após ter acontecido. Era angustiante.
– Me sinto desconfortável em não saber o que fará. – Respondi incerta.
– Farei o que desejar.
– Sei disso, Senhor!
– Ainda faria, mesmo que não estivesse vendada.
Apenas assenti porque sabia que argumentar não nos levaria a lugar algum, especialmente porque Edward estava certo. A partir do momento em que adentrei esse quarto e me coloquei de joelhos, a sua espera, dei a ele a permissão para fazer o que desejar comigo.
– Novamente, Isabella, voltamos à confiança... – Continuou quando me mantive em silêncio. – Se você confia que terei seu bem estar em primeiro plano, não há motivos para temer nada. – Senti, muito mais do que vi, o momento em que ele se abaixou a minha frente. – Por isso, volto a te perguntar: você confia em mim?
Meus olhos arderam e tentei ao máximo não permitir que as lágrimas fluíssem.
Eu podia sentir sua decepção e isso me atingia imensamente.
Claro que confio em Edward, muito mais do que jamais pensei ser capaz de confiar em alguém, mas, ainda assim, não consigo evitar temer o que ele pode vir a fazer. E não sei como dizer isso a ele.
– Eu confio! – Garanti. – Só não posso evitar... – Precisei parar e forçar minha voz a sair. – Não consigo deixar de temer.
– O problema aqui, Isabella... – Suas mãos subiram aos meus olhos, fazendo com que até mesmo a sombra disforme se convertesse em escuridão. -... É que você está acostumada demais a sentir medo, e continua a senti-lo, mesmo quando está segura.
Não podia negar que existia lógica no que Edward disse, mas era difícil acalmar meu coração, que a essa altura batia descompassadamente.
– Eu tenho outra venda... – Continuou. – E vou usá-la... – Suas mãos deixaram meus olhos e tentei, ao máximo e sem sucesso, visualizar seu olhar – que sempre me transmitia paz e tranquilidade, antes que um novo tecido negro fosse colocado sobre meus olhos, me impedindo de enxergar até mesmo o contorno de seu rosto. – Quais são suas palavras de segurança, Isabella?
– Amarelo, se eu precisar recuar um pouco e vermelho para parar totalmente a cena.
– E as outras?
– Verde, se desejar aprofundar a cena... – Instintivamente minhas mãos foram de encontro à venda, mas antes de tocá-la, Edward as segurou. – e preto. – Um leve tremor passou por meu corpo ao pronunciar a última.
– O que “preto” significa?
– Nosso relacionamento chega ao fim.
– Você pode usar qualquer uma dessas, a qualquer momento.
– Nunca usarei “preto”. – As palavras saíram antes que eu pudesse contê-las.
Uma risada soou próximo ao meu ouvido.
– Espero que isso, realmente, nunca aconteça.
...
Suas mãos nunca me deixaram, nem mesmo quando ele se colocou de pé e sussurrou:
– Me tome em sua boca.
Eu precisei tatear por sua cintura até encontrar seu cinto. Minhas mãos suadas e trêmulas não facilitavam o trabalho, mas Edward se manteve imóvel até que eu, finalmente, fui capaz de retirar sua calça.
Estar com os olhos vendados, intensificava todos os meus outros sentidos. Talvez, por isso, a corrente elétrica que sempre me percorria ao tocá-lo estava ainda mais intensa ao deslizar minhas mãos por suas pernas.
Meu toque era hesitante, mas um gemido baixo e contido chegou aos meus ouvidos, me impulsionando a seguir adiante.
Imediatamente o levei a minha boca. Seu sabor era maravilhoso, como sempre, e me permiti aproveitar.
A cada segundo me sentia mais segura e gradativamente fui aumentando o ritmo com que meus lábios deslizavam por toda sua extensão.
Eu podia sentir o já tão conhecido calor se formando em meu baixo ventre, assim como minha umidade.
– Mais fundo... – Demandou com a voz rouca. – Oh isso, Isabella.
Eu era a submissa em nossa relação, mas sempre que o ouvia gemer dessa forma, me sentia poderosa.
Seus dedos se prenderam, com mais força, em meu cabelo e Edward levou, subitamente, minha cabeça de encontro a seu quadril. O movimento me pegou desprevenida e, sem que eu pudesse evitar, engasguei, ao mesmo tempo em que todo meu corpo retesava.
Minhas mãos apertaram suas coxas com força, tentando afastá-lo.
– Amarelo! – Gemi apreensiva, assim que consegui afastar meus lábios. – Amarelo!
No mesmo instante suas mãos foram afastadas e eu inalei profundamente.
– Você está bem?
Apenas assenti.
Conforme minha respiração se normalizava, começava a me sentir estúpida por tê-lo feito parar. A verdade é que Edward não havia feito nada demais, nada que já não tivesse feito inúmeras outras vezes.
– Relaxe, Isabella... – Pediu voltando a me aproximar de seu corpo. – Relaxe ou eu mesmo direi “vermelho”.
Meu coração perdeu um compasso. No fundo, eu não desejava parar a cena totalmente. Desejava saber o que mais Edward havia planejado para essa noite, e acreditava que se ele nos tinha conduzido até aqui era porque acreditava que eu estava pronta... Talvez como ele mesmo disse, eu apenas estivesse acostumada demais a ter medo. E, acima de tudo, não queria, nem por um instante, decepcioná-lo.
– Eu posso continuar, Mestre. – Me apressei em garantir. – Por favor!
Não esperei por sua resposta, voltei a me inclinar para frente e o tomei em minha boca, o levando o mais fundo possível.
A determinação sempre nos impulsiona e eu estava determinada a lhe dar prazer, a nos dar prazer e a provar a mim mesma que podia fazer tudo o que Edward desejasse.
Sempre ansiei por ser dominada, e esse desejo se tornou ainda maior com Edward. Queria ser a submissa que ele desejava ter. Queria me entregar a ele, de todas as formas possíveis... E isso só seria possível, se desse esse primeiro passo.
Encontrei suas mãos, fechadas em punho, ao lado de seu corpo e as apertei, antes de conduzi-las de volta aos meus cabelos. Ele hesitou e eu mesma as prendi, impondo força, em meus fios castanhos.
Ainda hesitante, ele cedeu e seu quadril, lentamente, se moveu em minha direção e eu o aceitei.
De repente, a vontade de agradá-lo, cada vez mais, se tornou ainda maior e eu passei a tomá-lo, avidamente. Felizmente, foi o suficiente para fazer com que Edward assumisse, novamente, o controle.
Relaxei minha garganta, ao máximo e a cada nova investida dele, me sentia desmanchar em excitação, até o ponto em que gemia com ele.
No momento em que sentia seu liquido quente encontrar o fundo de minha garganta, estremeci. Mas dessa vez, não de medo ou apreensão, mas de desejo.
Eu o queria mais, cada vez mais.
– Você é fabulosa! – Disse me ajudando a ficar de pé e em seguida seus lábios estavam nos meus.
Quando o beijo chegou ao fim, meu corpo foi virado, fazendo com que minhas costas encostassem-se a seu peito definido.
– Eu nunca tenho o suficiente de você... – Suas mãos encontraram meus seios e seus dedos passaram a brincar, displicentemente, com meus mamilos desejosos. Assim, como seu quadril foi de encontro ao meu corpo, me deixando saber que ele estava, novamente, pronto para mim.
Gemi em deleite.
Meu corpo foi curvado para frente e minhas mãos alcançaram o colchão macio, me dando apoio.
Seus dedos apertaram minhas nádegas e eu suspirei deliciada.
– Empine os quadris para mim.
Tentando encontrar uma posição em que tivesse maior apoio, levantei uma de minhas pernas e a apoiei na beirada da cama.
Seus dedos afundaram ainda mais em minha pele.
– Oh céus! Você fica linda assim... – Suas mãos deslizavam impacientemente por toda a extensão de meu traseiro. – Minhas mãos coçam para surrá-la...
Remexi-me inquieta, mas meu corpo se oferecia instintivamente para aplacar sua vontade
– Se eu começar... – Sua mão fez o caminho inverso até alcançar minha intimidade, onde passou a brincar entre meus lábios íntimos. – Não serei capaz de parar.
A avalanche de desejo que me atingiu foi tão intensa que não fui capaz de me manter erguida. Meu rosto foi de encontro à seda macia que cobria a cama, fazendo com que meu traseiro ficasse ainda mais empinado em sua direção.
Ele gemeu e enquanto dois de seus dedos adentraram em minha intimidade, sua outra mão estalou ardentemente contra minha pele.
Gemi, mais alto do que pretendia, ao sentir meus músculos internos se contraírem.
– Mais, Senhor! – Lamuriei.
Suas mãos deixaram meu corpo e eu choraminguei, necessitada.
– Você... ainda... não está pronta para mais. – Sentenciou. – Agora, deite-se, de costas.
Mesmo sem poder vê-lo, sabia que sua expressão, nesse momento, mostrava o quanto ele estava contrariado, assim como eu.
Acomodei-me, como ordenado, na confortável cama.
– Os braços acima da cabeça.
Meus dedos agarraram a cabeceira da cama, fazendo com que meus seios ficassem ainda mais expostos, praticamente, clamando por atenção.
O colchão afundou ao meu lado.
– Mantenha suas mãos onde estão... – Sua respiração atingiu, em cheio, um de meus mamilos. – Ou vou amarrá-la.
Me visualizei amarrada a cama e vendada e ao mesmo tempo em que senti minha excitação aumentar, o velho e indesejável tremor de medo me atingiu.
Meus dedos agarraram, com ainda mais força, a cabeceira, como se disso dependesse minha própria vida.
Edward abocanhou, de forma nada suave, meu seio esquerdo e seus dedos voltaram a procurar por minha intimidade.
Tudo o que podia fazer era me contorcer e gemer voluptuosamente.
Seus movimentos não foram gentis, e quanto mais intensos eles se tornavam, mais perto do clímax eu chegava.
– Por favor, Mestre!
Eu podia ter dito que desejava que ele estivesse em mim no momento em que alcançasse o êxtase, mas nesse exato instante, Edward curvou seus dedos em meu interior, fazendo-me perder o fôlego.
Felizmente ele foi capaz de entender e atender o meu desejo.
Precisei de toda a minha força de vontade para impedir que minhas mãos o tocassem, no momento em que seu membro roçou minha entrada, para logo em seguida, em um só movimento, me preencher completamente.
Enlacei sua cintura com minhas pernas, em um convite silencioso para que ele fosse, cada vez, mais fundo. Prontamente, Edward me atendeu e suas estocadas vigorosas me deixavam cada vez mais ardente.
– Deliciosamente apertada. – Sussurrou em meu ouvido, sua língua percorrendo o lóbulo. – Poderia ficar a vida inteira dentro de você. Te preenchendo dessa forma...
– Ohhh céus!
– Vem, Isabella... Para mim.
Ele não precisou repetir.
Seu nome escapou por meus lábios no momento em que me senti tocando o céu.
Seus lábios se fecharam na pele sensível do meu pescoço, abafando seu clímax, algumas investidas mais tarde.
Eu tinha certeza que encontraria uma marca ali mais tarde. E não podia estar mais satisfeita por isso.
...
Suavemente, Edward retirou as vendas que cobriam meus olhos e eu precisei piscar algumas vezes antes que fosse capaz de mantê-los abertos.
Ele tinha um lindo sorriso em seu rosto. Seus olhos verdes, intensamente brilhantes me fitando cheios de uma emoção que não conseguia discernir.
– Obrigada, Mestre! – Sussurrei, sentindo-me um pouco sonolenta.
Meu corpo foi acomodado ao seu e eu repousei minha cabeça em seu peito.
– Você foi maravilhosa hoje à noite.
– Por você!
– Por nós dois!
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