Despertar de uma sub
63 Capítulo 56
Notas iniciais
Capítulo 56
POV NARRADOR
O barulho da porta sendo fechada fez Tanya Denalli se sobressaltar, embora soubesse quem adentrava o apartamento.
Ela tentou controlar os batimentos cardíacos e apagar do rosto qualquer traço que. indicasse o que esteve fazendo. Lançou um olhar rápido para a porta do quarto e, em seguida, para o celular que ainda tinha em mãos.
― Ele está em casa... ― Sussurrou ao aparelho ― Eu ligo, se conseguir descobrir algo.
Rapidamente encerrou a ligação e silenciou o celular, colocando-o sobre a mesinha de cabeceira, assim caso tocasse não chamaria a atenção.
Collin Miller, adentrou o quarto no segundo seguinte.
― Você chegou cedo... ― Tanya deixou o seu lugar sobre a cama e se apressou em abraçar e beijar o segurança que tinha se tornado namorado nos últimos meses.
― Finalmente, uma noite de folga... ― Ele comentou, se livrando do blazer escuro que usava e aceitando o beijo de boas vindas da loira por quem tinha, inesperadamente, se apaixonado perdidamente ― Eu pensei em sairmos para jantar. O que acha?
― Você parece cansado... ― A loira apanhou o blazer descartado, apenas para manter as mãos suadas ocupadas ― Eu posso preparar algo e assistirmos a um filme qualquer, juntos. É uma ideia muito ruim?
― Pode ser melhor, se em vez de cozinhar, você pedir algo e, enquanto esperamos, se juntar a mim, no chuveiro.
Tanya se deixou ser abraçada, aceitando os beijos insinuantes sendo distribuídos por seu pescoço e permitindo que as próprias mãos começassem a vagar pelo corpo bem construído do namorado.
― Você tem certeza que não vai precisar voltar ao trabalho? ― Perguntou depois de ser beijada com voracidade.
― Não essa noite... ― Collin garantiu ― Edward está ocupado com Jasper, em uma espécie de noite de garotos.
― Ninguém em casa que você precise proteger? ― Ela brincou, se ocupando em retirar a camisa social branca que o segurança usava ― Eu não quero que tenhamos que parar, como aconteceu na outra noite.
― Isso não vai acontecer, amor... ― Ele acariciou o rosto feminino, depois de se livrar dos sapatos ― Bella foi a maior defensora da minha noite de folga.
― Ela está em casa, sozinha? ― Tanya tentou não soar tão desesperada, embora o coração tivesse voltado a bater desesperadamente, em um claro indicativo de nervosismo. Tinha torcido para esse momento nunca chegar ― Não é perigoso?
― Eu tenho dois bons seguranças cuidando da casa. Não se preocupe! ― Ele respondeu, levando as mãos até a barra do vestido que a moça usava, tencionando, retirá-lo ― Venha para o chuveiro comigo.
― É claro! ― Ela concordou, forçando um sorriso ― Mas antes me deixe pedir o jantar.
Miller concordou, livrando-se do restante das roupas, após tirar o coldre e a arma que sempre tinha consigo e depositá-los sobre a mesinha de cabeceira. Caminhou despreocupadamente até o banheiro.
Tanya cerrou os olhos com força, fazendo uma prece muda, e tentando conter algumas lágrimas. Esperou até que pudesse ouvir o barulho de água correndo e apanhou novamente o celular.
Se permitiu cinco segundos de indecisão, antes de apertar a tecla de rediscagem.
― Já com saudades, puta? ― A voz de Samuel Carter soou maliciosa, em meio as batidas de uma música eletrônica alta, após o terceiro toque, fazendo a loira estremecer. Odiava aquela voz, como tudo no jovem homem do outro lado da linha, mas era com ele que tinha que falar.
― Ela está sozinha em casa, essa noite. ― Disse, aos sussurros, sentando-se na beirada da cama, com os olhos repletos de lágrimas, presos a porta do banheiro.
― Finalmente! ― Sam comemorou ― Você sabe o que fazer.
― Tem dois seguranças na casa... ― Ela respondeu nervosamente ― E Edward pode chegar a qualquer momento.
― Então é melhor se apressar, cadela. ― A voz masculina soou irritada, provocando calafrios de medo. ― Jacob vai cuidar dos seguranças.
O nome mencionado trouxe ainda mais lágrimas aos olhos da loira, mas por motivos completamente diferentes. Jacob mantinha o que a loira tinha de mais precioso e, por isso, precisava fazer o que ele quisesse... Mas, Samuel, tinha sido o responsável pelos piores e mais angustiantes momentos da moça nos últimos anos. Estar, mais uma vez, entre os dois era, francamente, apavorante.
― Meu filho... ― Sussurrou, tentando criar coragem para fazer o que tinha que fazer ― Você prometeu que...
― Você vai ver o pirralho quando entregar a vagabunda... ― Samuel interrompeu o que a loira pretendia dizer, divertindo-se ao brincar com a mente dela ― Você tem uma hora.
― É pouco tempo, preciso me livrar de Collin e...
― Uma hora ou vou ter o prazer de matar o pirralho enquanto fodo a mãe dele.
Antes que Tanya pudesse conter o soluço involuntário ou pensar em algo para rebater, a ligação foi encerrada.
Por bons cinco minutos, a loira permaneceu estática onde estava, pensando em como agiria, só despertou do transe em que estava quando a água parou de correr no banheiro.
― Tanya? ― A voz de Collin a fez saltar ― Cadê você?
― Já vou... ― Gritou de volta, se obrigando a levantar e correu até a cozinha, apanhou uma cerveja gelada da geladeira e a abriu, com as mãos trêmulas, procurou pela bolsa que sempre deixava jogada na sala e, a revirando, achou os tranquilizantes que deveriam ajudá-la a dormir, mas que nunca eram tomados, e os carregou até a cozinha, amassando-os até que estivessem esfarelados e o pó misturado a cerveja.
Lavou o rosto na pia da cozinha, tentando apagar qualquer evidência do choro que com muita dificuldade conteve e, respirou fundo, antes de voltar ao quarto, assim que o telefone de Collin começou a tocar, fazendo o segurança deixar o banheiro enrolado em uma toalha, praguejando baixinho.
― Algum problema? ― Tanya questionou quando ele encerrou a ligação, abraçando-o por trás e escondendo o rosto contra as costas masculinas, ao mesmo tempo em que estendia a cerveja que tinha em mãos para o namorado.
― Um dos seguranças teve uma emergência familiar. ― Miller tomou um gole da bebida gelada e sorriu, ao sentir uma mão feminina, se infiltrando sob a toalha que o cobria.
― Você vai ter que voltar ao trabalho? ― Ela questionou alarmada.
― Não... ― Collin respondeu, se permitindo aproveitar os carinhos ousados que ela fazia ― Ele já conseguiu alguém para substituí-lo. Um novo segurança estará lá, em menos de uma hora.
― Então, você ainda é todo meu?
― Hoje e sempre! ― Ele respondeu, se apressando em terminar a bebida para que pudesse aproveitar o surpreendente bom humor e iniciativas da namorada ― Por que você demorou tanto?
― Não conseguia um delivery desocupado. ― Ela mentiu ― Você quer mais uma cerveja?
― Não... Eu quero você ― Collin respondeu, movendo-se rápido para trazer a loira para a sua frente, mas cambaleando ao final do movimento.
Tanya o ajudou a se levantar e o conduziu até a cama.
― Acho que você bebeu um pouco rápido demais... ― Disse suavemente, desviando o olhar ― Sente-se aqui um pouco... ― Ela apanhou o telefone celular que ele ainda segurava e o colou no bolso traseiro da calça jeans que usava.
― Foi só uma cerveja... ― Ele comentou, sacudindo a cabeça para desanuviar a mente e se livrar da letargia que o atingia, inexplicavelmente.
Ela não respondeu, impacientemente esperando que os remédios fizessem o efeito esperado. Era como se tivesse um cronometro em contagem regressiva sobre a cabeça.
― Tanya? ― Collin disse o nome feminino com um misto de incredulidade e pavor quando ela deu um passo atrás e desviou o olhar, enquanto ele sentia a cabeça pesar um pouco mais e o corpo tombar contra o colchão. Conhecia os sintomas muito bem, e o olhar culpado que a loira ostentava não deixava espaço para dúvidas ― Tanya, o que você colocou na minha bebida?
As palavras dele soaram emboladas, mas a Denalli foi capaz de entender perfeitamente, especialmente porque podia ver, nos olhos castanhos nublados que a procuravam, que ele sabia o que ela tinha feito.
― Tanya? ― Ele tentou novamente, dessa vez a voz se tornando quase inaudível.
― Durma um pouco, amor. ― Ela disse, de volta às lagrimas. ― Vai acabar antes que você acorde.
Collin tentou se levantar, apenas para tombar novamente contra a cama, sentia-se anestesiado. O corpo pesava e não o obedecia, a mente estava embaralhada e já não conseguia dizer o que queria, mas mantinha-se consciente o suficiente para ver a namorada se aproximar cautelosamente e o ajeitar sobre a cama, usando a gravata que tinha sido descartada para prender as mãos masculinas à cabeceira da cama, então depositar um beijo nos lábios inertes e olhá-lo atentamente, como se decorasse cada centímetro do rosto do segurança.
A viu chorar, embora a visão parecesse distorcida e vaga, e em seguida, apanhar a arma no coldre em cima da mesinha de cabeceira. Apavorou-se por um segundo, sentindo o coração acelerar e desejando ser capaz de se defender, mas incapaz de fazer mais do que pequenos movimentos que nada faziam para livrá-lo da situação em que estava.
Em seguida, se obrigou a se acalmar. Não existia nada que pudesse fazer. Sua mente ainda funciona, embora não como deveria, provavelmente porque a loira não tinha usado a dosagem certa para um homem tão grande, mas o corpo já não respondia e continuaria assim por um tempo, se vivesse para ver os efeitos do que seja lá o que ela tinha lhe dado passar, afinal tudo o que Tanya precisava era que ele não fosse capaz de mover por alguns minutos.
Quis chorar, mas não conseguia. Como tinha sido idiota em confiar cegamente em alguém tão desesperado? Ele não precisava que a namorada explicasse, sabia o que ela pretendia e se considerava um tremendo idiota por ter acreditado que ela tinha, de fato, aceitado a sua ajuda e o seu amor e já não se deixava manipular pelo homem que tinha sido responsável pela destruição da moça.
Desejou ser capaz de avisar Bella e Edward, tinha prometido que protegeria a moça com a própria vida se fosse preciso, mas tinha falhado.
Quis sentir raiva da mulher que ainda o encarava, mas não conseguiu, não só porque a amava, mas porque sabia que ela agia movida pelo desespero, pela ânsia de salvar um filho que já não deveria existia, mas que ela se recusava a aceitar que tinha perdido.
Não sabia se ela lhe permitiria viver para vê-la perceber o erro que estava cometendo, descobriria em breve, mas sabia que o arrependimento viria antes daquela noite chegar ao fim e, infelizmente, daquela vez ela não teria ninguém para ampará-la.
Edward jamais a perdoaria.
― Me desculpe! ― Tanya sussurrou, segurando a arma com dedos trêmulos e voltando a se aproximar do namorado. Desejou que ele tivesse adormecido e não ficado semiconsciente. Teria sido mais fácil. ― Me desculpe. Eu te amo. Me desculpe.
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