Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 31

Eu não sabia como agir quando chegamos a ampla suíte de um hotel de luxo que deveríamos ocupar durante o final de semana, por isso acatei com gratidão a sugestão de Edward de aproveitar um banho de banheira.

Por mais que eu tentasse eu não consegui deixar de pensar em tudo o que tinha acontecido.

Repassando todos os acontecimentos e conversas ao longos do último ano, desde que eu e Edward nos conhecemos, a minha suspeita de que ele e Tania já haviam se envolvido romanticamente só parecia, a cada instante, ganhar mais força.

Ele não queria um relacionamento romântico e eu sabia que o que o impedia era medo. Medo de perder o controle, medo de não saber lidar com duas vertentes tão diferentes de um mesmo relacionamento ou medo de se magoar? Eu não saberia dizer o que ele temia, assim como não sabia se seria capaz de gerenciar o que o afligia quando não conseguia lidar com os meus próprios temores. Mas eu sempre estive disposta a tentar.

Mas uma nova peça havia sido colocada em jogo, embaralhado todas as demais e tornado o quebra-cabeça, que Edward é, praticamente, impossível de ser montado.

Eles já se envolveram? Por que se separaram? Talvez um dos dois precisasse de algo a mais, como eu nesse momento? Talvez, simplesmente, não tenha dado certo? Talvez um dos dois tenha saído com o coração quebrado?

A realidade é que eu não me importaria com a resposta para nenhuma dessas perguntas e eu até seria capaz de lidar com uma afirmativa para todas elas. Mas a reação dele hoje à noite ao revê-la me lançava, diretamente, em direção a outras questões, bem mais dolorosas:

Ele ainda gosta dela? Era por isso que ele não podia me amar? Eu estive lutando por um coração que já tem dona por todo esse tempo?

E se a resposta fosse “sim”, o que eu faria?

Eu não sabia. A única coisa sobre a qual eu tinha certeza é que não poderia mais ficar no escuro.

– Primeiro as respostas... – Eu me disse mentalmente enquanto envolvia o meu corpo com um aconchegante roupão branco. – Depois você pensa no que fazer com elas.

...

O quarto estava vazio e por um segundo temi que Edward tivesse saído. Então eu corri em direção à porta que me levaria até a sala de estar.

Eu tinha protestado quando chegamos aqui, alegando que não precisávamos da melhor suíte do hotel, mas agora que tinha me deparado com Edward recostado a uma parede, com um copo de whisky na mão, sendo confrontado por Jasper e Alice, eu quase estava agradecida por um porta entre um cômodo entre nós.

Eu não sabia por que Edward tinha chamado os nossos amigos, mas imaginei que a presença de Alice poderia fazer as coisas mais fáceis para mim. No pior dos casos, eu teria um ombro amigo no qual chorar.

Eu respirei fundo antes de fazer a minha presença ser notada, mas antes que eu pudesse dar um passo em direção a eles, eu ouvi Edward confessar:

– O que ela está fazendo com ele? Eu não consigo parar de pensar nisso! E isso está me enlouquecendo... Pensar em todas as formas como ela está sendo machucada. Porque eu sei que é o que está acontecendo. Talvez agora mesmo, enquanto eu estou aqui conversando com vocês.

Suas palavras não eram, realmente, uma surpresa. Eu já sabia que era isso que o incomodava, de outra forma ele não teria se oferecido para ajudá-la. O que me manteve paralisada foi a dor presente em sua voz, algo que beirava o desespero.

– E por que isso te afeta tanto? – Jasper o questionou. – Eu te fiz essa mesma pergunta quando você levou Bella para a sua casa, embora eu já soubesse a resposta para essa pergunta com apenas um olhar. Mas eu não sei a resposta agora, Edward. Tania é passado. E você deveria deixar o passado no passado.

– Foi o passado que veio bater a minha porta, Jasper! Eu não saí por aí procurando por ele.

– Ela fez a sua escolha uma vez, Edward. – Alice interveio. – E, aparentemente, escolheu errado mais uma vez. Não há nada que você possa fazer.

– Eu não acredito nisso! Então, eu devo apenas virar as minhas costas e fingir que nada está acontecendo? Vocês sabem o que a levou a isso.

– Não é o que estamos dizendo. – Jasper, como sempre, manteve a sua voz calma. – Apenas, seja racional! Você não pode ajudá-la se ela não quer ajuda e você não pode continuar a agir assim sem que afete outras pessoas.

– Você já contou a Bella? – Alice se fez ouvir quando Edward se manteve em silêncio. – Explicou a ela o que aconteceu? Eu não posso imaginar o quão confusa ela está agora...

– Eu não tenho ideia de como começar essa conversa... Alice, como eu vou dizer a ela?

– Ela vai entender!

– Vai mesmo? Ou vai me odiar?

– Pare de mantê-la na ignorância e você saberá a resposta.

– A questão Edward é se você saberá responder o que ela, com certeza, vai querer saber: Você ainda sente algo por ela? – Ouvir Jasper questionar aquilo que martelava em minha mente foi desconcertante e a expectativa pela resposta quase me roubou o ar. – Você ainda a ama? É esse amor que está te motivando agora?

– Nós temos uma história, Jasper. – Edward respondeu. – Uma história com altos e baixos. Algo que marcou a nós dois. Como você espera que eu não sinta, absolutamente, mais nada por ela?

– Não foi isso que eu perguntei...

Eu poderia ter permanecido estática, ouvindo o que eles ainda tinham a dizer, mas eu já tinha escutado aquilo que eu precisava saber. Não tinha sido uma resposta direta, mas também não tinha sido uma negativa. Ele amava Tania, não a mim.

Estranhamente, a certeza me roubou todas as lágrimas. Não existia, realmente, pelo o que chorar. Ele nunca tinha sido meu, de verdade.

Eu voltei ao quarto, me vesti, me sentei no meio da espaçosa cama e esperei.

...

Eu o vi adentrar o quarto com outros olhos. Ele ainda era tudo com o que eu sonhava, ele ainda era tão lindo que me roubava o ar e eu ainda queria me jogar sobre ele e lhe entregar, de bom grado, meu corpo, coração e alma. Mas agora eu via, claramente, que tinha desejava tudo isso em vão.

Eu tinha me tornado tão dependente dele. Eu precisava da sua presença. Foi por isso que tinha aceitado ter menos do que desejava, apenas para não perdê-lo totalmente.

Mas não é possível perder o que nunca se teve, certo?

Não havia porque continuar a forçar uma relação D/s quando o que eu queria de verdade era o que jamais poderia ter. E agora que Tania estava ao alcance de suas mãos, não era justo com nenhum de nós que eu o mantivesse preso a mim, por um estúpido contrato.

– Então... – Ele começou a dizer. – Eu acho que está na hora daquela conversa.

Eu lhe ofereci um sorriso apático.

– Eu acho que mudei de ideia. – Disse e por mais que eu me sentisse destruída por dentro, eu ainda sentia que estava fazendo a coisa certa. Para nós dois.

Eu me levantei, alisei as minhas roupas e me aproximei o suficiente para tocá-lo. Foi um toque gentil, que continha todos os meus sentimentos por ele. Desejei beijá-lo, só mais uma vez. Mas que bem isso nos faria?

Diga!­ ­– Eu gritei mentalmente. – Apenas diga!

Notas finais
Por favor, se você chegou até aqui, seja gentil e me deixe saber o que achou.xoxo