Despertar de uma sub
26 Capítulo 24
Notas iniciais
Capítulo 24
Edward não me afastou, nem mesmo quando os minutos se tornaram horas. E embora eu não conseguisse encontrar vontade para me afastar do calor de seus braços, eu sabia, pela tensão evidente em seu corpo, que eu precisava fazer isso.
Eu já não chorava, mas meus braços ainda me prendiam, firmemente, ao corpo do meu Mestre.
Sufoquei um gemido de dor, por ter mantido meu corpo por tanto tempo em uma só posição, eu me movi lentamente, até que não estivesse mais sobre o colo dele e me sentei ao seu lado.
Dessa vez foi impossível conter o gemido quando o meu traseiro se encontrou com o couro do sofá.
Eu podia sentir o olhar de Edward sobre mim então, em um acesso de timidez, usei o paletó dele para me cobrir da melhor forma possível.
Ele se levantou e permaneceu de pé a minha frente por alguns segundos. Eu não tive coragem de olhá-lo, então mantive minha cabeça baixa.
Eu vi suas pernas se moverem e apertei meus dedos no tecido macio que cobria, parcialmente, o meu corpo até que Edward voltasse a se aproximar.
Ele se ajoelhou a minha frente e me fez olhá-lo. Eu mordi meu lábio inferior enquanto fitava os intensos olhos verdes, me perguntando o que significava o olhar atento sobre mim.
Ele me ofereceu uma garrafa de água mineral e um pequeno comprimido branco.
– Um analgésico... – Ele disse quando eu me movi para aceitar o que ele me oferecia. – Vai ajudá-la a se sentir melhor.
Eu tomei o comprimido com um pequeno gole d’água, mas Edward sussurrou calmamente para que eu bebesse um pouco mais. Obedeci.
Eu gostaria que ele dissesse alguma coisa... Qualquer coisa que me deixasse saber, de fato, qual era o seu estado de espírito ou como estariam às coisas entre nós agora.
Eu não queria permitir, mas podia sentir a insegurança se apossando de mim.
Por um momento, fui tomada pela vontade, quase insuportável, de voltar a chorar. Mas, dessa vez porque sentia falta da Isabella que eu costumava ser... É bem verdade que nunca tinha sido a garota mais confiante do mundo, mas também não era a menina, constantemente, assustada que eu tinha me tornado após conviver com Jacob. Sempre com medo do que aconteceria a seguir ou temendo ser deixada sozinha quando Edward percebesse que me transformar em uma submissa ideal daria muito mais trabalho do que ele imaginava inicialmente.
Eu tinha um lugar para onde ir agora e um trabalho do qual me ocupar, mas não existiria ninguém com quem eu pudesse conversar ao retornar para casa no final do dia, ninguém para quem ligar quando eu não conseguisse dormir... Todos os meus amigos eram, antes de tudo, amigos de Edward... Se eu o perdesse, perderia também os amigos dele e então estaria sozinha.
– Você está bem? – Edward questionou, me obrigando a deixar os devaneios de lado.
Fisicamente, eu estava bem. Obviamente, minhas nádegas se encontravam doloridas e provavelmente, marcadas pela tira de couro que Edward usou para me punir... Mas não era nada com o qual eu não pudesse lidar. A bem da verdade, é que meu traseiro, assim como todo o meu corpo, já teve momentos bem piores. E, de uma forma estranha, eu sempre conseguia tirar forças da dor.
A questão era um pouco mais complicada quando dizia respeito ao que se passava por minha mente. Eu não poderia negar que meus pensamentos estavam, a cada momento, mais embaralhados. Sem falar dos sentimentos que oprimiam o meu peito.
Suspirei antes de responder:
– Eu estou bem, Mestre. – Não era uma mentira em tudo, mas obviamente Edward me conhecia o suficiente para saber que também não era uma verdade completa.
– Se você desejar, nós podemos encerrar o final de semana.
Meu coração se apertou. No podia negar que, talvez, essa fosse uma boa opção, mas uma parte de mim não desejava que o final de semana acabasse. Uma parte de mim queria pertencer ao meu Mestre, agradá-lo e receber todo o prazer que ele pudesse e desejasse me conceder.
– Eu posso falar livremente, Mestre? – Sussurrei procurando por seu olhar.
Ele assentiu.
– Eu sinto se o decepcionei. E sinto ainda mais por saber que isso vai voltar a acontecer. Eu... – Tentei encontrar as palavras certas, mas não consegui. Então, prossegui desejando que Edward fosse capaz de compreender o que eu tentava dizer. – Eu ainda não sou tão perfeita quanto você merece e...
– Eu não desejo uma submissa perfeita, Isabella. – Ele me interrompeu, com delicadeza. – Uma submissa perfeita, que não comete erros, não existe... Assim como não existe nenhum Dom ou nenhuma pessoa perfeita. Você vai cometer erros, eu vou lhe mostrar onde errou e seguimos em frente. E não se engane, você ainda vai cometer erros mesmo após ter anos de submissão, a diferença estará em reconhecer, vocês mesma, esses erros e aceitar, com maior facilidade, as consequências dele.
Eu voltei a abaixar a minha cabeça, pensando em cada palavra que ele havia me dito. Isso queria dizer que ele desejava continuar? Que eu não tinha estragado tudo?
– Eu não quero que o fim de semana acabe. – Sussurrei.
– Então, siga em frente... Não ocupe mais a sua mente pensando no que poderia ter acontecido. Se assim for mais fácil para você, imagine que o fim de semana começa agora. Ainda conversaremos sobre isso, é claro. Mas, por ora vamos deixar esse assunto de lado... Até estarmos de volta a casa.
Edward estava sendo absurdamente atencioso, embora eu pudesse ver que ele escolhia, cuidadosamente, as palavras que usava... Talvez temendo dizer algo que alimentasse o meu amor por ele.
– Eu deveria ter dito “vermelho”... – Disse tão baixo que qualquer um diria que eu estava falando comigo mesma em vez de tentando me explicar.
Edward voltou a se ajoelhar a minha frente.
– Nós conversaremos sobre isso mais tarde... –Ele disse suavemente e eu me obriguei não me deixar levar pela leveza em seu tom de voz. – Mas, agora eu acredito que seja melhor que você se vista... Já passou da hora de irmos embora e eu ainda preciso assinar alguns documentos para Jasper.
Eu assenti e, lentamente, me levantei.
Me apressei em direção ao closet e apanhei o vestido que estava amontoada ao chão e o vesti rapidamente.
Quando voltei ao escritório, Edward estava acomodado em sua confortável poltrona e com gesto me chamou para mais perto.
Assim que parei ao seu lado, antes mesmo de ele me dizer o que deveria fazer, eu já estava me ajoelhando aos seus pés.
Ele sorriu para mim.
– Boa menina. – Ele deslizou o dedo por meu rosto. — Jasper estará aqui em alguns minutos e eu gostaria que você o cumprimentasse adequadamente... – Seu sorriso se tornou um pouco maior ao ver a confusão estampada em minha face e então a caricia foi interrompida e sua mão se apossou do meu rabo de cavalo e com um movimento Edward indicou que gostaria que eu me inclinasse. Eu usei minhas mãos para me apoiar e então a mão de Edward desceu por minha coluna preguiçosamente. – Eu quero que você vá até ele e o cumprimente como um animalzinho de estimação bem educado faria.
Eu corei e senti meu coração acelerar, mas não ousei dizer nenhuma palavra.
Isso seria estranho. Quero dizer, me encaminhar até Jasper usando minhas mãos e joelhos e então beijar os seus pés... Mas, eu o faria da forma mais graciosa possível, se isso agradasse o meu Mestre.
Como resposta eu me abaixei e beijei, sem pudor, os pés de Edward. Eu não sei como e nem porquê, mas eu apreciava esse pequeno gesto, era a minha forma de dizer a ele, sem palavras, que era sua.
– Muito bem, Pet! – Ele aprovou e voltou a deslizar sua mão por minhas costas. – Muito bem.
Jasper adentrou o escritório um segundo depois e ouvir sua voz se dirigindo a Edward, me deixou nervosa. Ainda assim, eu me obriguei a me mover e, de quatro, circundei a mesa até que eu estivesse parada ao lado do meu amigo, esperando que ele se acomodasse. Me obriguei a pensar que naquele momento ele não era o marido de Alice, o gentil homem que me acolheu em sua casa e se tornou um grande amigo, mas sim Mestre Whitlock... Dom como meu Mestre e que eu deveria tratá-lo como tal, como Edward havia ordenado.
Fiz o meu melhor para ignorar a minha timidez e a certeza de que estava sendo observada e, tentando parecer graciosa, me inclinei e depositei um delicado beijo sobre cada um de seus sapatos cuidadosamente lustrados.
– É bom vê-la, Isabella... – Sua voz soou profunda e ao mesmo tempo divertida e ele afagou a minha cabeça, exatamente como faria com um cãozinho obediente que o tivesse recebido como eu. – Agora, seja uma boa menina e entregue isso ao seu Mestre.
Eu levantei a minha cabeça, apenas o suficiente para olhá-lo e ele me amostrou um envelope pardo.
Eu movi uma de minhas mãos em sua direção, tomando o cuidado de não sair de minha posição, mas ele balançou a sua cabeça negativamente.
Sua mão livre apertou as minhas bochechas.
– Abra a sua boca...
Lentamente e eu fiz como ordenado e ele colocou o envelope entre meus lábios abertos.
Eu tentei manter as batidas de meu coração sobre controle enquanto obrigava meus braços e pernas me levarem de volta a Edward. Uma mão se movendo de cada vez, meu olhar preso ao chão, meu rosto corado... Finalmente, eu estava de volta aos pés do meu Mestre e fui presenteada com um beijo rápido após ter lhe entregado o envelope.
Seu gosto substituiu o sabor do papel em minha boca e eu me permiti um sorriso fraco.
De uma forma estranha, essa pequena cena me fez perceber que existiam duas de mim, assim como dois de Edward... Duas partes distintas em uma mesma pessoa. Existia a Bella que desejava mais do que tudo ter o amor do homem por quem se apaixonou e existia a Isabella que amava, por mais tímida que fosse, se mover pelo cômodo usando apenas suas mãos e joelhos e, mesmo com o rosto em chama, aproveitava o momento em que seus lábios tocavam os pés de um Dom... O seu Dom ou aquele que ele ordenasse. Cada nova cena era um desafio, mas Edward sabia quais eu poderia vencer e ele tinha deixado isso tão claro com um gesto tão simples e eu sabia que ele tinha total consciência de que eu considerava o que tinha acabado de acontecer como uma pequena vitória pessoal. Talvez, depois de minha punição, essa tenha sido a forma que ele encontrou de me mostrar que apesar dos meus erros eu ainda poderia ser uma boa submissa.
A apreensão em meu coração deu lugar ao orgulho de pertencer a um Mestre que me conhecia tão bem e que, mesmo não me amando, era capaz de cuidar de mim tão bem como nenhum outro conseguiria.
Eu ainda o amava muito e, provavelmente, continuaria a amar para sempre, mas talvez se eu me esforçasse de verdade eu me tornaria capaz de deixar esse sentimento adormecido durante os finais de semana e fazê-lo se sentir tão orgulhoso por me ter quanto eu me sentia por usar a sua coleira.
...
Era bom estar de volta a casa.
Já era noite quando passamos pela porta de entrada. Edward acendeu as luzes, uma por uma, enquanto eu esperava, em minha posição, próxima a porta até que ele me dissesse qual seria o próximo passo. Seja qual fosse, eu estava ansiosa pelo momento em que a minha pulseira fosse substituída pela coleira com o nome do meu Mestre. Obviamente, eu apreciava ter seu nome em mim, tanto quanto ele.
Com um gesto, Edward me chamou para perto e eu o segui quando ele se encaminhou até a cozinha.
Ele preparou sanduiches e eu observei, tanto quanto possível, cada movimento, do meu lugar, no chão, ajoelhada ao seu lado.
Eu gostaria de ajudá-lo, mas ele não me disse para fazer nada, então me mantive em silêncio... Esperando.
Quando os sanduiches ficaram prontos, ele se sentou em uma cadeira e eu me acomodei entre as suas pernas, sentada sobre meus tornozelos. Ele me alimentou e só então eu percebi o quanto estava faminta.
Dois sanduiches e um copo de suco depois, eu estava satisfeita. Edward comeu em silencio e eu acomodei a minha cabeça em uma de suas pernas, apreciando a aproximação de nossos corpos.
Eu tentei manter a minha mente em branco por tanto tempo quanto possível, mas era difícil quando ficávamos tão quietos. Então quando o primeiro pensamento sobre meus sentimentos por Edward veio à tona eu me obriguei a desviar o caminho que minha mente desejava seguir. Expulsei a imagem de Edward e invoquei a de Angela, me forçando a repassar, em minha mente, tudo o que tínhamos combinado para o dia seguinte na livraria e quando esse pensamento começou a desvanecer, eu me foquei no playroom para onde Edward, possivelmente, me levaria. Foi o suficiente para que o desconforto pela surra desse lugar a excitação e, de repente, me tornei bastante consciente do plug que ele havia me feito usar pela manhã e que ainda estava em seu devido lugar.
Edward se moveu em seu lugar e quando seus movimentos me mostraram que ele pretendia se colocar de pé, eu me afastei e voltei a assumir a minha posição, como uma boa cadelinha pronta para segui-lo.
Foi exatamente o que eu fiz. O segui quando ele deixou a cozinha e mordi meu lábio inferior quando chegamos ao pé da escada que nos levaria ao segundo andar.
Sem dizer nada, Edward se aproximou de mim e subiu o meu vestido até que ele ficasse enrolado em minha cintura e estalando sua mão sobre o meu traseiro dolorido, ordenou:
– Vamos lá, Pet. Me dê uma boa visão...
Eu tentei me concentrar na tarefa de vencer todos os degraus, mas estar consciente da presença de Edward atrás de mim, seus olhos, provavelmente, presos n a minha intimidade exposta tornava a tarefa imensamente difícil.
Ele me incentivou a continuar com leves, porém precisos, tapas... ora em minhas coxas, ora em meu traseiro. Os tapas traziam de volta a dor provocada pelo meu castigo, mas também me faziam contorcer e antes mesmo de alcançar a metade da escada eu já estava, completamente, úmida. Isso divertiu Edward.
– Não importa o quanto o seu traseiro esteja dolorido, se eu continuar a atingi-lo você estará implorando em poucos minutos... – Sua colocação foi comprovada quando ele atingiu, com um pouco mais de força, uma de minhas nádegas me fazendo gemer alto, tanto pela dor quanto pela descarga elétrica que me levou bem próxima de uma explosão de prazer. – Eu a quero no seu quarto antes que eu chegue a dez... – Sua mão voltou a encontrar a minha pele e ele sussurrou: – Um.
Eu me apressei escada acima e só parei quando me deparei com a porta fechada do meu quarto, exatamente no momento em que a palmada número 10 me atingia.
Desnecessário dizer que eu estava ofegante e, completamente, molhada quando Edward abriu a porta, me concedendo passagem.
– Boa menina! – Ele afagou a minha cabeça e estalando os dedos me levou em direção ao banheiro.
Eu parei bem ao lado da opulenta banheira branca e Edward trabalhou em me livrar do vestido que cobria apenas o meu tronco. Logo em seguida foi a vez de seu paletó e blusa social serem descartadas.
Ele me estendeu a sua mão e me ajudou a ficar de pé e em seguida a entrar na banheira.
Minhas mãos espalmaram a parede gelada de azulejos enquanto Edward, com delicadeza, retirava o plug alojado entre as minhas nádegas.
– Deus! – Gemi quando ele circundou a minha entrada intima.
Eu esperei por um comentário malicioso, mas tudo o que ele fez foi se afastar e depositar o plug sobre a espaçosa pia.
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