Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo 15

Eu tombei minha cabeça de encontro à mesa e fechei meus olhos, após ter me certificado de guardar o odioso DVD, que Jacob havia enviado, em minha bolsa, numa vã tentativa de apagar todas aquelas imagens de minha mente.

E, se possível, me livrar do mau pressentimento que havia se instalado em meu coração, que insistia em me dizer que eu estava muito longe de conseguir meu tão sonhado momento de paz.

Eu sabia que deveria estar a caminho de casa. Mas, eu simplesmente, não conseguia encontrar forças para me colocar de pé e ir embora. Especialmente, porque eu sabia que não encontraria Edward esperando por mim. Eu não poderia correr para os seus braços como eu ansiava, como eu precisava, nesse momento.

Eu tentei sufocar um gemido ao me dar conta de que não existia ninguém para quem eu pudesse correr, ninguém com quem pudesse conversar ou buscar apoio... E que, em algum momento, eu precisaria dizer, mais que isso, em algum momento eu precisaria mostrar o que fui obrigada a ver a Edward.

Eu não podia, e sendo bem honesta, nem tinha coragem para fazer isso com ele em outro país... A mais de 8 horas de distância. Se existia um lado bom, no fato de estarmos afastados, é que eu teria, ao menos, uma semana para controlar meus estúpidos medos e enfrentar sua reação.

Uma semana para pensar em como Jacob continuava a demolir todas as minhas esperanças, mesmo estando longe.

Uma semana para remoer as consequências do que eu tinha acabado de assistir.

Uma semana para tentar encontrar uma forma de reerguer a minha cabeça e encarar o mundo de frente... Sem me deixar intimidar pela possibilidade de esbarrar em mais alguma coisa que evidenciasse o quanto eu fui estúpida em aceitar a coleira de Jacob.

Uma semana para impedir que esse vídeo e todos os outros – que eu agora, tinha certeza que existiam, se tornassem públicos. Porque se existia algo, que eu tinha absoluta certeza, é que eu não conseguiria me manter de pé se isso acontecesse.

...

– Bella? – A voz suave de Angela chegou aos meus ouvidos e eu precisei respirar fundo, em busca de algum autocontrole, antes de erguer a minha cabeça e a olhar. – Você está bem? O que há de errado?

A forma como ela me olhava, deixava bastante evidente que seria impossível fazê-la acreditar que estava tudo bem.

Ao menos, eu já não estava chorando.

– Eu não me sinto muito bem... – Tentei uma meia verdade.

Era o melhor que eu podia fazer, no momento.

...

Eu estava agradecida por Angela se manter em silencio e guardar as muitas perguntas que eu sabia que ela tinha para outra ocasião. Já era bastante constrangedor saber que ela se sentia na obrigação de me dar uma carona, após deduzir que meu mal estar estava relacionado as horas a mais que passei em seu escritório, teoricamente, trabalhando nos arquivos de venda.

Era mais fácil deixá-la acreditar nisso do que ter que explicar qual era o real problema.

– Você tem certeza que não prefere ir a um hospital? Você está tão pálida...

– Eu sou, naturalmente, pálida. – Respondi com um sorriso tímido. – Está tudo bem, Ang. De verdade. Eu só preciso de algumas horas de sono.

Era dispensável dizer que eu provavelmente não conseguiria dormir essa noite.

– Talvez o Deus Grego do seu namorado consiga te convencer do contrário.

E mais uma vez, era mais fácil deixá-la acreditar que Edward era, apenas, o meu namorado. Eu realmente achava um pouco complicado explicar que nós tínhamos mais intimidade do que um casal normal de namorados poderia ter e ainda assim não existia compromisso algum... Além dos finais de semana.

Hey, Ang

Na verdade, nós não somos namorados. Eu apenas uso uma coleira durante os finais de semana, o que permite que Edward usufrua do que eu tenho para lhe dar da forma que desejar. Nada de romance, trocas de palavras carinhosas ou andar de mãos dadas.

É... Era realmente melhor deixá-la acreditar na versão romantizada.

– Edward está viajando a negócios... – Respondi, apenas para não soar mal educada.

– Você vai passar a noite sozinha? – Ela virou o rosto em minha direção e eu precisei obrigá-la a voltar a prestar atenção na estrada.

– Não é grande coisa... – Disse, após me certificar que estávamos dentro do limite de velocidade permitido e que não estávamos seguindo em direção a nenhum outro carro. – E, além disso, Edward e eu trocamos SMS a todo o momento.

– E se você piorar? O que vai fazer? Não vai adiantar mandar um SMS para ele...

– Eu não vou piorar. Não seja tão drástica! Mas, se isso te faz sentir melhor, eu prometo que te ligo se algo acontecer...

Eu sentir o meu celular voltar a vibrar e, mentalmente, me preparei para ser repreendida pelo meu Mestre.

– Deve ser ele... – Sussurrei abrindo o celular. – Eu deveria avisar quando estivesse em casa e...

Meus olhos se prenderam na tela do celular e no mesmo instante meu estomago se revirou com tanta força, que eu precisei levar uma de minhas mãos a boca.

– Pare o carro! – Pedi já abrindo a porta do carona.

Eu escorreguei para fora do carro e me curvei de encontro ao asfalto.

Embora eu já tivesse fechado o aparelho celular, eu ainda conseguia ver, em minha mente, claramente o que tinha recebido.

“Você gostou do meu presente? É um dos meus prediletos... Talvez eu te envie mais alguns, existem muitos outros de onde saiu esse. Ou, talvez, eu deva direcionar minha próxima entrega para a linda morena que resolveu te dar uma carona.”

Eu podia sentir as lágrimas voltando.

– Oh merda, Bella! – Angela, sussurrou, tirando o cabelo que havia grudado em meu rosto e me ajudando a ficar de pé. – Me deixe te levar a um médico.

– Não! – Respondi, apertando sua mão na minha. – Ang, na verdade, eu acho que você já pode me deixar aqui... Estamos a menos de um quarteirão de distância e eu preciso passar em algum lugar e conseguir algo para comer. Já está tarde e eu ficaria mais tranquila se você seguir direto para a sua casa.

– Nada disso. Eu vou levá-la até em casa. – Ela me ajudou a voltar a me acomodar no banco do carona e correu para ocupar o lugar do motorista. – E você pode tirar o dia de amanhã de folga, okay?

Eu fitei o rosto da minha gerente e colega durante os poucos minutos que levamos para chegarmos a meu endereço.

– Você pode me ligar, para dizer que chegou bem em casa? – Pedi, com meu coração tomado de medo de que algo acontecesse a ela por minha culpa.

– Tudo bem... Mas, vou ligar para saber como você está... – Ela concordou. – Você quer que eu entre e prepare algo para você comer?

– Não precisa... De verdade. Você já ajudou demais. Obrigada!

Eu ainda a fiz prometer que não se esqueceria de me avisar quando chegasse em casa antes de deixar o carro e olhar ao redor. Me certifiquei que não existia ninguém por perto e corri, o mais rápido que minhas pernas fracas permitiam, até em casa.

...

Eu recostei meu corpo contra a porta da sala e fechei meus olhos.

Eu estava enlouquecendo ou aquela mensagem queria dizer que Jacob não só sabia onde eu trabalhava e com quem, mas que também estava me seguindo?

Droga! Isso poderia ficar pior?

Com as mãos tremulas tranquei a porta e passei a verificar se todas as janelas estavam fechadas.

Eu estava tão concentrada em me manter trancada dentro de casa, em segurança, que quando senti a mão da governanta de Edward pousar em meu ombro, saltei e um grito escapou por meus lábios.

– Deus, Marie! Você me assustou...

Ela se apressou em se desculpar.

– Tudo bem. – Disse ainda sentindo meu coração aos saltos. – Eu não esperava encontrá-la aqui... A essa hora.

– Edward me pediu para ficar os dias em que ele estiver fora... Para te fazer companhia.

Eu assenti, sabendo que Edward sempre encontraria uma forma de adiantar as minhas necessidades.

– Eu agradeço! Eu vou apreciar sua companhia... Ia ser terrível ficar todos esses dias sozinha.

Eu ainda a olhei por alguns segundos, antes de me decidir por seguir até o quarto e me jogar na cama, me entregando a exaustão mental que me dominava.

– Você quer que eu prepare algo para você comer?

– Não precisa. Eu... Eu estou com um mal-estar... Acho que é melhor só um banho e cama.

Antes que eu pudesse começar a subir as escadas, precisei prometer que não hesitaria em chamá-la se eu precisasse de algo.

...

Eu joguei minha bolsa em algum canto do quarto e retirei os meus sapatos.

Lentamente me sentei na beirada da cama e digitei uma rápida mensagem para Edward, apenas para avisá-lo que já estava em casa.

Eu olhei ao redor, deixando que meu olhar percorresse o quarto tomado pela escuridão e foi impossível reprimir o soluço e a crescente sensação de solidão.

...

Como eu imaginava, seria impossível dormir. Eu apenas rolei de um lado ao outro da grande cama, sentindo, imensamente, a falta do corpo de Edward ao lado do meu.

Eu abracei o travesseiro que ele costumava usar com mais força e imaginei que teria sido uma noite melhor se tivesse, ao menos, ouvido a sua voz antes de ir para a cama.

Voltei a verificar o meu celular, e não existia nem mesmo uma única mensagem. Eu não saberia dizer se ele ainda estava irritado pela minha demora em responder os seus SMS ou se ele estava tendo mais sorte do que eu e, tinha apenas adormecido.

Novamente deixei que meu olhar vagasse pelo quarto escuro e tentei com todas as minhas forças não voltar a chorar.

Com a intenção de apenas me distrair, voltei a abrir o celular e digitei:

“Você realmente precisava de uma cama tão grande?”

Era uma mensagem estúpida e sem qualquer sentido, e, francamente, eu não esperava uma resposta, mas ainda assim a enviei, apenas porque passaria os próximos minutos imaginando a reação de Edward – o que ocuparia a minha mente.

Quando o celular apitou e vibrou em minhas mãos, foi impossível evitar que meu bico se transformasse em um tímido sorriso.

“Essa é a sua forma de dizer que já está sentindo a minha falta?”

Eu quase gargalhei. E teria feito isso, se ainda não sentisse o aperto em meu coração.

Ele me conhecia tão bem.

”Touché! Como você consegue decifrar tudo o que digo ou penso? Você me omitiu que possui poderes sobrenaturais? Ou possui uma bola de cristal camuflada?”

Quão estúpido era continuar com isso? Por que eu simplesmente não poderia dizer: Sim, você está certo. Eu já sinto tanto a sua falta que não consigo dormir?!”

Talvez pelo medo da resposta que se seguiria a minha declaração.

“Eu também já sinto a sua falta, anjo!”

Agora sim, meu sorriso tinha se aberto de verdade.

Eu fitei a mensagem por longos minutos, sabendo que essa, sem dúvida, era a minha predileta de todas as que ele já havia me enviado.

Céus! Eu parecia uma adolescente apaixonada.

Eu só notei que continuava a sorrir como uma idiota para o celular quando a tela voltou a se acender, acusando o recebimento de uma nova mensagem.

“Você não deveria estar dormindo? Há algo errado?”

Sim, eu deveria estar dormindo, mas já havia chegado à conclusão que não conseguiria essa noite e, sim, havia algo errado, mas eu não poderia falar sobre isso através de mensagens de textos.

Então, apenas digitei:

“Como eu disse: qual a função de uma cama tão grande? Ela apenas serve para me deixar rolar de um lado ao outro interminavelmente... Em noites insones.
PS: Eu sinto muito se o acordei do seu sono de beleza. Por favor, não me diga que eu serei castigada por isso.”

Eu arfei ao ver sua resposta.

No lugar de um texto divertido, ele havia me enviado uma foto, onde eu podia vê-lo relaxadamente deitado. Eu fitei os olhos sonolentos e, mentalmente, contornei os traços de seu rosto com meus dedos, para logo em seguida morder meu lábio inferior ai fitar o pequeno vislumbre de seu peito nu e sorrir ao ver o pequeno relógio que ele segurava.

“Eu odeio fuso- horário!
De verdade, me perdoe, eu não parei para pensar em quão tarde seria aí... Ou eu deveria dizer ”cedo”! 06:00? Você já estaria acordado se estivesse em casa... Londres te deixa preguiçoso?

Eu poderia passar toda a noite com isso. Enquanto enviava e recebia mensagens de Edward, eu conseguia esquecer todas as outras coisas que me afligiam.

“Eu só vou castigá-la se você não reconhecer logo que o que a mantém acordada é apenas a falta que está sentindo do meu corpo ao seu lado... ou quem sabe por cima... por baixo... Hummm! Reconheça, Isabella!”

Eu ponderei sobre como poderia respondê-lo e, revirei meus olhos para a minha ideia travessa.

Eu, certamente, não deveria fazer isso, especialmente depois do vídeo que tinha recebido, mas era algo inocente e que serviria para nos manter entretidos.

Eu agarrei, novamente, o travesseiro de Edward e acionei a câmera do meu celular. Um segundo antes de o flash ser acionado, escondi meu rosto com o cabelo e inalei o cheiro dele.

Eu observei minha foto patética por alguns segundos, antes de digitar:

“Desculpe decepcioná-lo, mas eu tenho um novo companheiro noturno agora...”

Era apenas uma forma de provocá-lo, afinal, mesmo sendo ótimo poder sentir o seu cheiro ao afundar meu rosto em seu travesseiro, nada se igualaria a ter a sua presença ao meu lado, tê-lo, bem ao alcance de minhas mãos.

“Você está, seriamente, preterindo o seu Mestre por um travesseiro? E, talvez, pet, você queira me explicar o que está fazendo usando a minha camisa... Novas buscas? Dessa vez pelo meu closet?”

Ele realmente tinha que me fazer explicar que era, apenas, mais uma forma de tê-lo comigo?

“Hey, isso é golpe baixo! Eu não sabia que estava falando com meu Mestre... Humm, seu pet sente muito, se o ofendeu, Senhor! Owww, por que eu estou me desculpando? EDWARD!!! Pare com isso!”

Eu não seria aquela a reconhecer o quão intensos eram meus sentimentos por ele. Não, sabendo que ele não sentia o mesmo por mim.

“Eu ainda espero uma resposta, ISABELLA.”

Eu teria imaginado que estava em problemas, se ele não tivesse enviado, junto a sua mensagem, um emoticon sorrindo.

“Estranhamente, minha camisola predileta desapareceu... você sabe algo sobre isso? Não fique bravo! É só um empréstimo... Mas, eu posso retirar a sua camisa... E apenas me enrolar no edredom.”

Era uma meia verdade. Eu realmente não tinha encontrado a minha camisola habitual, o que eu usei como uma desculpa patética para deslizar o tecido macio da blusa de Edward por minha pele.

“Você está se referindo a essa? Ela está curtindo alguns dias de férias em Londres.”

Eu realmente gargalhei ao fitar a imagem de Edward, com minha camisola enrolada em sua mão.

“Por favor, não estrague a brincadeira... NEM PENSE EM RETIRAR A MINHA CAMISA.”

Hummm isso queria dizer que ele gostou de me ver assim? Isso era algo bom, não era?

“Oh, meu Deus, Edward! Isso é assustador! O que você está imaginando ao segurar a minha camisola dessa forma?”

“Em como eu vou castigá-la, por estar, descaradamente, me provocando... Quando você colocar a minha coleira no sábado e aguardar o meu telefonema.”

Eu engasguei ao constatar que ele certamente faria isso.

“Estou em problemas?”

“Estará se pensa que me fará acreditar que a ideia de ser castigada não a excitou.”

Como ele conseguia fazer isso? Ir de uma conversa inocente e divertida para algo luxuriante? E como ele sempre me fazia responder a ele? Como ele conseguia me fazer contorcer e choramingar apenas com um SMS?

“Quem está provocando agora?”

Eu não sabia dizer se era uma promessa ou uma ameaça, mas, naquele momento eu sabia que Edward não era meu mestre... E já que ele falava em provocar, resolvi brincar um pouco, mesmo que minha cabeça, ainda, estivesse completamente atormentada pelos problemas, aqueles minutos com ele eram o suficiente pra me dar forças pra continuar de pé.

Ainda receosa, sem saber qual seria a sua reação, eu deslizei minha lingerie até o meio das coxas, e me abraçando ao travesseiro, tirei mais uma foto, que agora deixava claro onde o tecido estava.

Não era vulgar, eu nem mesmo estava exposta, mas sabia que ele entenderia perfeitamente.

"Isso é provocação?"– Digitei antes de enviar a nova mensagem.

E como resposta, recebi uma foto, com Edward claramente acariciando-se por baixo do tecido da cueca que o cobria, o que devo admitir, me fez salivar imediatamente.

Notas finais
Por favor, me digam o que acharam, okay?xoxo