Notas iniciais
Olha eu aqui outra vez.
Admito que fiquei surpresa com os comentarios, esperava no máximo uma pessoa e que, sei lá, fosse minha melhor amiga em um perfil aqui me dando apoio moral. E embora minha amiga não esteja lendo e comentando (¬¬') eu estou extremamente feliz por vocês.
Admito que nem sei como tratar leitores e então se fizer algo muito tosco desconsiderem e finjam que sou legal :p
agora ao cap...

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Eu sou um perigo pra mim

Não quero ser eu mesma
Eu sou o meu pior inimigo
(Pink)


– Se chama Sasuke. – a menina falou normalmente enquanto comia sua torrada, as olheiras deixavam evidente que não havia dormido a noite, ela odiava ficar feia graças aos seus dons, ou maldiçoes? Ainda não tinha feito a escolha sobre a palavra que usaria para descrever o que tinha.

– viu isso em mais um sonho? – a mulher a sua frente perguntou. Tinha os olhos castanhos cansados e abatidos, ate mais que os da menina a sua frente, a pele branca começara a se enrugar mais cedo que o normal e agora aparentava ter no mínimo quinze anos a mais do que na verdade tinha. Era o preço a se pagar e ambas sabiam.

Duas pessoas juntas, que pareciam não se relacionarem de forma nenhuma. De um lado a mulher velha e fraca tão humana que você passaria despercebido na rua ate mesmo se trombasse nela. Do outro a garota viva e nova com uma aura forte e magnética poucas vezes seria considerada humana por quem prestasse realmente atenção em si. Seria estranho de se pensar na situação de ambas, que uma estava morrendo a mais de dezessete anos justo porque fez a escolha que o coração pedia, afinal toda mulher quer ser mãe e que esse filho seja do homem amado. Mas filhos são criaturas ingratas e antes mesmo de nascer a menina já havia lhe tirado parte da vida.

Ridículo se contasse o tanto de vida que alguém tão humano poderia oferecer.

– parecia mais pesadelo. – a menina explicou encarando o que iria comer em seguida. – é estranho de se pensar que eu sei o que vai acontecer e que mesmo assim estarei indo para aquele lugar. – completou pensativa.

– todos têm que fazer sacrifícios. – as palavras pareciam acido nos ouvidos da menina. Sempre que a mãe se referia a sacrifícios ela se lembrava que havia sido a culpada pelos sacrifícios da mãe e que a mulher não parecia mais tão certa desses sacrifícios terem valido a pena. Quando um sonho de amor se torna em uma simples e estúpida existência?

– seria mais fácil se eu entendesse alguma coisa alem de morte e morte e morte. – murmurou pensativa e contrariada. – se eu pudesse arrumar um jeito de fazer alguma coisa. Adianta o que vê o futuro e só entender algo quando esta ocorrendo? Patético. – sentia o estomago se embrulhar de raiva enquanto a sua volta pequenos objetos começavam a flutuar. – mais uma vez vou ter que ir para aquela escola e por quê? – encarou a mulher a sua frente. – não vai mudar nada, nunca muda.

A mesma ficou em silencio e aproveitou uma colher que flutuava para mexer em seu chá, as conversas eram tão desnecessárias. Era como ver o quanto um anjo poderia ser cruel ao lidar com o homem que amava e a filha. Ele com seu modo de ser serio e que tinha sempre um sentido, sabia sempre de tudo e parecia jogar de alguma forma com todos, quantas vezes ela havia se pego pensando em onde estaria a bondade descrita nos livros. Porque tudo o que conhecia de seres assim era que faziam sempre o bem, mas o bem a um numero enorme de pessoas e essa coisa de se apaixonarem por seres humanos? Pura mentira criada por idiotas sonhadores, não era mais tão sonhadora, embora se sentisse bem idiota. Ela já não acreditava que o mesmo a tinha engravidado porque a amava, sonhos assim não recaiam mais sobre sua mente. Anjos não são sempre bons da forma corretam, eles têm uma forma de enxergar o bem diferente dos humanos, não iria adiantar nada o quanto o amasse, eram diferentes.

Isso levando em conta que ele era um anjo, mas ela nem ao menos tinha certeza do que ele era, o amor nos faz ver um anjo em cada pessoa, ela não sabia se estava desinfetada desse sentimento idealizado demais que chamavam de amor ou se ele havia mentido para ela e agora se mostrava? Fazia diferença? Iria mudar alguma coisa? Não, então a resposta não importava realmente.

– porque nasceu para isso e você sabe. – respondeu após longos minutos, as palavras quase tão amargas quanto a sua alma. – nasceu apenas para isso. – completou em um tom triste.

– queria ter nascido para algo diferente, pelo amor. – a menina murmurou terminando de tomar seu café, pouco a pouco os objetos iam abaixando como se estivessem acompanhando a queda de humor da mesma.

– mas não é seu caso. – a mulher falou ríspida, queria que esse fosse o caso também e por alguns anos havia acreditado nessa idiotice. Feliz para sempre, quem havia estipulado a mentira de que o para sempre não tinha validade? – nasceu pelo poder e assim vai ser. – deu o assunto por encerrado trancando suas reflexões e se concentrando em algo mais concreto. – o que sonhou exatamente? – questionou.

– eu vi esse Sasuke e outro igual a ele, mais velho talvez. No inicio estavam bem e os dois conversavam como amigos, um sonho ate bom, mas tudo mudou... Se... Contorceu-se, eu vi sangue e traição. – explicou tentando se lembrar do sonho, eles se apagavam de sua mente tão rápido quanto uma brisa. – não sei o que esse homem vai escolher, quero dizer, esse Sasuke, mas ele vai trair e matar a pessoa que mais ama. – explicou enquanto reprimia o pensamento que ela estaria ligada a isso. Sonhos, ela odiava seus sonhos, isso porque eram sempre o futuro, jamais se alteravam ou a preparavam. Apenas ocorriam.


•••

Andou pelos corredores da escola normalmente. Seus pensamentos estavam presos em um nó de onde nada de concreto conseguia sair. Por todo o dia anterior havia ficado pensando no que tinha ocorrido e se Itachi não tivesse lhe dado o cartão ela obviamente estaria pensando que era um sonho.

A cabeça latejava desde que o homem havia lhe deixado sozinha, o sol ajudava um pouco, a temperatura havia voltado a esquentar naquele dia. Na verdade parecia que alguns minutos desde que o moreno havia saído a chuva tinha parado e no mínimo uma hora depois o sol já estava de volta trazendo reclamações de pessoas que haviam saído agasalhadas demais de casa. Ela não deixou de pensar que parecia que o mesmo tinha feito isso.

Não, com certeza não. Ela já se considerava anormal por ser como era sem pensamentos que a ligasse a pessoas com poderes. Se continuasse assim logo estaria achando que o próprio Professor Xavier viria a salvar. Salvar? A única forma de ser salva era voltar no tempo, para quando era um ser normal e não essa aberração.

– o que deseja? – a mulher a sua frente perguntou e só então Sakura notou que estava de frente para enfermeira, uma mulher velha e que só conseguia ser bem humorada com as meninas típicas da escola. Sakura não era mais uma menina típica e isso estava estampado nos olhos castanhos que a encaravam com uma mistura de tédio, estranheza e raiva por conviver com esses adolescente malucos que pintam o cabelo.

– estou com dor de cabeça. – falou simplesmente e após a enfermeira bufar levemente acabou indo buscar o remédio. Sakura sabia que o remédio não adiantaria. Havia tomado três comprimidos no dia anterior e mais um assim que acordou, estava começando a desconfiar que essa sua dor fosse mais mental do que realmente física.

Ainda assim preferia ficar fora de sala de aula, um trabalho em grupo estava sendo realizado e quando todos os grupos se formarem ela estava sozinha. O professor havia lhe indicado um grupo o qual faltava um integrante e mesmos com os protestos dos mesmos e a forma que Sakura se sentiria por ser tão menosprezada, o professor havia voltado a explicar o trabalho. Era obvio que fazia isso, os professores eram instruídos a serem os melhores e mais profissionais possíveis, ignorar sentimentos e vontades de alunos. Sakura sabia que seguiam as regras como ninguém. Por sorte a escola dava completa liberdade aos alunos e sair da sala nunca lhe pareceu tão prazeroso, ate mesmo quando passava os horários no vestiário com o ex namorado.

– estamos em falta com o remédio que sempre toma. – a enfermeira voltou e colocou um comprimido ainda embalado na mesa para que Sakura pegasse. – tome esse e se não melhorar eu te dispenso. – começou a escrever um pequeno bilhete, mais parecia um atestado medico, ainda mais quando a mulher carimbou e assinou por cima. – como se fosse realmente falar se a cabeça parasse de doer. – a velha murmurou lhe entregando o papel. – ate mais. — mandou a mesma embora.

– ok. – Sakura pegou tudo. – e obrigada, eu acho. – murmurou se afastando. Não era a primeira vez que duvidava do profissionalismo da enfermeira, era tão fácil sair da escola com a mesma e Sakura nem ao menos queria sair.

Andou a passos lentos ate o bebedouro. Queria enrolar ao máximo as coisas antes de entrar na sala de aula, não poderia ir embora. O que iria ficar fazendo? Sua casa estava sendo habitada por moscas e empregadas, sua mãe vivia sempre na futilidade do material, seu pai trancado no trabalho e a irmã mais nova em uma escola para jovens talentos. Alem de estudar você conseguiria se desenvolver ate ser um astro do rock ou de qualquer outra coisa que estampasse revistas famosas. Parecia que apenas ela da família havia se dado mal no fim das contas.

– nos encontramos. – ouviu uma voz atrás de si. Não precisou virar para saber que Kyu, seu ex-namorado estava ali, sorrindo debochado e a encarando com os grandes olhos castanhos que pareciam inocentes aos desconhecidos.

– que observação perspicaz. – falou rompendo a embalagem do comprimido. Suas mãos tremiam levemente, não sabia se era de raiva ou só porque estava perto dele. Haviam sido melhores amigos e namorados por mais de um ano, ela não o amava como homem, mas o amava como amigo e esperava ao menos metade desse sentimento dele. Não obteve. Em um mês ele dizia a amar e no outro estava com a língua dentro da boca da sua ex-melhor amiga.

– não parece um capitulo daqueles livrinhos de menininhas que você anda lendo ultimamente? – Escorou-se na parede perto do bebedouro e Sakura conseguiu o ver pela primeira vez no dia, não que quisesse fazer isso. – nós dois, em um corredor e sozinhos. Podíamos ate ter uma recaída e ambos saírem abalados. – debochou fingindo drama, ela sabia que ele jamais teria uma recaída com ela. Não quando alguém poderia saber. – o que acha? Eu sei que você quer. – riu.

– anda lendo esses livrinhos demais não? – perguntou o encarando fria. Todo o sentimento de amor havia sido congelado pela dor e agora ela conseguia se manter inteira de frente ao mesmo.

– não tanto quanto você, admito. – deu ombros sem se importar com o deboche que saia das palavras dela. Sakura havia perdido muito mais que a beleza estonteante, havia perdido a sua essência, como se estivesse perdida dentro de si mesma. E sabe como é o mundo, ele não te espera, porque ele, Kyu o mais popular e bonito, deveria esperar por ela? – mas tenho que decepcionar seus sonhos querida Big Big. – ergueu os olhos para algo alem dela como se a sua visão fosse entediante. – pra isso ocorrer você tinha que ser no mínimo gostosinha. O que não é seu o caso, aberração rosa. – gargalhou.

Sakura o encarou sentindo o sangue subir e teve plena consciência que seu rosto estava vermelho, mais que o normal. Não veio nenhuma resposta em sua cabeça, nenhuma tão alta como a velha voz que gritava que ele estava certo e ela era uma anormal. Mordeu a parte inferior dos lábios e fechou os olhos tentando se acalmar, a gargalhada de Kuy como musica de fundo.

– estúpido. – murmurou apertando a mão em um punho, sentiu o comprimido se transformar em pó na palma de sua mão.

– não tanto quanto você, aberração. – debochou e se afastou. Sakura sabia que ele não achava tão divertido rir de alguém quando não havia ninguém perto de si para achá-lo legal.

Ficou encarando a parede por vários minutos, tentava se controlar e não sair socando todos e matar alguém. Quando abriu os olhos aproveitou para abrir também a mão e ficou observando o pó branco que ate alguns instantes era um comprimido.

– maldição. – murmurou balançando a mão com força para que o pó saísse. Sentiu as lagrimas invadindo a sua face. Perguntou-se se esta sendo menosprezada era ruim assim para todos ou só se era pior para ela que viveu outra vida antes. Não sabia a resposta e de fato não faria diferença mesmo, era uma aberração anormal. – maldita aberração é você Sakura. – cuspiu as palavras chutando o bebedouro.

Foi apenas uma questão de segundos para que o mesmo voasse alguns metros e a água saísse do cano agora destampado lhe acertando em cheio, molhando não só a blusa como a calça também quase por inteiro.

Deu um passo rápido para o lado embora fosse inútil, já estava molhada demais. Observou a água caindo no chão e o bebedouro amassado a alguns metros de distancia. Seu estomago embrulhou enquanto ela observava sua façanha. As lagrimas se tornaram mais firmes em seus olhos e ela gritou histérica.

Não agüentava mais, simplesmente não agüentava mais um dia sendo ela mesma e ela sabia como mudar isso, ela tinha um cartão que iria usar para se livrar disso, mesmo que fosse uma parte dela.


Notas finais
Esse cap aparece mais uma personagem que tem um dos principais segredos da historia também e sim é confuso, ok que não conseguem saber quem é, mas pra frente assim que a garota aparecer vão sacar quem é podem apostar.
Então to aqui pedindo mais comentarios para me deixarem mais feliz ainda, o que acham?
Qualquer pergunta, critica, mandar beijos e elogios podem fazer sem medo xD