Desligado!
13 Eu fiquei louco?
Notas iniciais
Ando quase correndo pelas ruas desse bairro que não conheço, meu pai sempre me alertou sobre não andar sozinho a noite, mas estou fazendo o oposto do que ele me disse.
Aos poucos vou percebendo que estou perdido, e começo a entrar em desespero, tudo o que eu queria naquele momento é que Alícia tivesse comigo, ela saberia o que fazer, sento no paralelepípedo de uma calçada e começo a pensar em um plano.
Então uma luz se acende na minha cabeça, ao ver um prédio bem a minha frente, sim é um prédio amarelo que fica perto da clínica de recuperação onde fui internado, e é exatamente esse lugar que estou procurando.
A cada passo sinto-me mais próximo de revelar todo o que aconteceu para o maluco, eu sei que ele provavelmente vai me matar, mas o que eu tenho a perder? minha vida foi transformada num inferno, e mesmo que o amigo de Alícia consigo identificar quem matou o meu irmão, quem pode confirmar que a polícia vai acreditar nisso.
Estou a um passo de entrar para dentro da clínica quando alguém me puxa com força para o lado de fora.
–Você pensou que eu o seu amigo, deixaria você voltar para essa clínica de loucos novamente?
Eu reconheço aquela voz rapidamente, sim é Brad, ele está bem a minha frente com um sorriso de orelha a orelha, não nos vimos desde a vez que ele e Katherine tentaram me internar a força.
–Antes de você me julgar, eu queria pedir desculpas por tudo, eu e Katherine estávamos muito desesperados e então achamos que o melhor era você voltar para a clínica, mas agora tudo está esclarecido e nós vamos ajudar você a se inocentar.
As palavras de Brad parecem sinceras, eu não poderia recusar a ajuda de ninguém, ainda mais de um velho amigo, então eu o abraço.
–Eu aceito suas desculpas, mas preciso falar com alguém antes.
Ele parece não muito feliz com a minha resposta.
–Hoje não, porque se você entrar na clínica eles vão te reconhecer como um fugitivo, eu acho melhor você ir para a minha casa, lá você tem um abrigo e um lugar para descansar.
Penso bem e acabo aceitando o convite de Brad, atravessamos a rua e um carro preto nos espera, acabo pensando em Alícia que deve estar preocupada ou não comigo, e no maluco que deve estar ansioso por notícias, mas esqueço de tudo quando entro no carro dos pais de Brad rumo a um pouco de descanso.
Depois de um tempo já estou no quarto de hospedes da casa de Brad, tomei um bom banho e estou olhando TV, quando Brad entra no quarto.
–Cara o pai e mãe concordaram em não contar a polícia que você está aqui, eles também acham que é uma injustiça acusarem você de um crime que não cometeu, mas como você pretende desmascarar o culpado?
Conto toda a história para Brad, como o amigo de Alícia vai rastrear as mensagens anônimas, e não vejo problema, já que ele é e sempre foi o meu melhor amigo.
–Hum, então aquela enfermeira é que te ajuda, mas agora você não vai mais precisar dela, já que nós vamos te ajudar não é?
Não sei o que responder, mas Brad logo muda de assunto e conversamos sobre outras diversas coisas, mas lembro que tenho que ligar para Alícia, ao menos avisar aonde estou e que ela não precisa mais me ajudar.
–Não precisa avisar ela, você está com a gente agora, aquela enfermeira maluca não tem mais serventia.
Então um calor sobe por todo o corpo, ver Brad falando de Alícia daquele jeito ativa em mim uma raiva que não consigo controlar.
–CALA A SUA BOCA! ela foi quem me ajudou em tudo, enquanto vocês queriam me apunhalar pelas costas, quer saber eu vou embora daqui.
Para a minha surpresa Brad se levanta e me acerta um soco em cheio no rosto, sinto o mundo girar e caio como um saco de batata no chão, e para piorar ele me acerta um chute bem na minha perna esquerda.
–Você não vai a lugar nenhum meu amigo.
Antes de apagar por completo ouço ele gargalhar e falar ao telefone com alguém.
Acordo com os raios de sol passando por frestas de uma janela, a dor de cabeça que sinto é terrível, então percebo que estou todo amarrado quase parecendo uma múmia, e me recordo da vez que fui amarrado assim na minha casa um pouco antes de ser internado, o meu desespero aumenta assim como a minha raiva.
Eu começo a me debater e resmungar já que não consigo gritar, pareço estar em um tipo de cubículo, quem sabe é o quartinho da empregada da casa, meus pensamentos se vão quando ouço um estrondo, algo deve estar acontecendo e eu aqui.
Então a porta começa a se abrir lentamente, o meu medo aumenta, e para a minha surpresa as duas pessoas que estão na minha frente são:
–Mãe? Maluco da clínica?
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