Notas iniciais
Eu acho este capítulo muito empolgante, espero que estejam gostando, boa leitura '-'

O cara louco e com cicatrizes me explicou como o plano iria funcionar.

–Os guardas, enfermeiros e médicos, jantam depois de nós aqui mesmo nesse refeitório, é claro que eles não iriam querer fazer sua refeição com loucos ao seu lado.

Isso fazia sentindo, nem eu me senti bem jantando com aquelas pessoas, mas não entendi porque ele estava me contando aquilo.

–Mas o que isso tem a ver com a minha fuga?

Ele fez um olhar de desprezo, e depois começou a rir loucamente como ele já tinha feito.

–Tudo a ver seu idiota, sabe aquele ditado em que o feitiço vira contra o feiticeiro, é isso mesmo o que vai acontecer, eu vou "benzer" a água deles com aqueles malditos remédios que eles nos dão, faz tanto tempo que eu estou aqui que tenha várias cartelas deles, e enquanto eles dormirem, você escapa.

Eu ouvi o plano atentamente, dias atrás eu nunca pensaria fazer algo como isso, mas agora eu não tinha escolha, mas meu lado curioso despertou:

–Bom entendi, mas você não vai fugir porque?

Ele pareceu pensativo, eu não confiava nem um pouco nele, mas era a única alternativa, e aquelas cicatrizes pelo rosto me causavam um certo medo, e um medo maior em saber porque ele tinha elas.

–Como eu já te disse, eu estou aqui a muito tempo, me apeguei de certa maneira a esse lugar, mudando de assunto, o plano vai acontecer hoje de madrugada, a hora que você ouvir três batidas na sua porta, vai ser a hora que a enfermeira vai te dar o remédio, você vai dar um jeito de distraí-la, porque ela é a única que não janta aqui com os outros, do lado de fora do quarto terá uma maleta, nela vai estar tudo o que você precisa para resolver meus "serviços", e não adianta fugir, porque eu caçarei você até os confins da terra.

Aquelas palavras fizeram eu sentir medo de verdade, eu apenas concordei e quando vi o enfermeiro que valia por três pessoas já me arrastava para o meu quarto.

Nas horas que se passaram eu não consegui pegar no sono nem um minuto, fiquei pensando no meu pai, como ele estava reagindo com a morte de um filho, e a internação do outro, a essa hora ele já devia ter enterrado meu irmão e estaria em casa bebendo até se acabar, meus pensamentos se foram, quando a enfermeira entrou no quarto, e três batidas na porta foram dadas, era aí que o meu plano começava.

–Paciente Daniel, vim dar o seu remédio, vejo que parece estar melhor do seu pé.

Ela era a mesma enfermeira que conheci enquanto eu gritava que queria sair dali, ela parecia preocupada comigo, vai ver ela era assim com todo mundo.

–Isso é bom, porque não consigo pegar no sono, de jeito nenhum, você trabalha a quanto tempo?

Comecei enrolar ela, com perguntas bobas, e ela parecia acreditar que eu queria conversar, cada vez mais eu chegava mais perto dela, e como num reflexo eu a abracei, ela pareceu gostar do meu abraço, mas para a surpresa dela eu peguei a chave que estava dentro do seu jaleco de enfermeira.

–Me desculpe mesmo, mas eu preciso fazer isso.

Sai correndo e tranquei a porta, ela ficou lá dentro paralisada, não parecia acreditar no que estava acontecendo, eu não demorei muito para ver o que ela iria fazer, peguei a maleta que estava em uma mesa ao longo do corredor e apressei meu passo.

Passei por várias pessoas, e todas estavam dormindo, até os guardas no portão da clínica, aquele cara maluco das cicatrizes era muito bom no que fazia, pensei que fora da clínica eu não poderia andar com aquele jaleco de paciente, as pessoas me notariam, para a minha sorte dentro da maleta do maluco, haviam meus pertences, me troquei no banheiro público da cidade mesmo, sentado em um banco comecei a revistar a maleta para ver quais eram os "serviços" que o maluco queria que eu fizesse, foi então que o meu telefone tocou, e haviam várias mensagens, de um número desconhecido.

"Eu sei quem matou o seu irmão."

"Ele merecia morrer, você não o conhecia direito."

"Você vai ficar o resto da vida sendo culpado por um crime que não cometeu? ou vai correr atrás das provas e achar o verdadeiro autor do assassinato."

Aquelas mensagens me causaram calafrios, até ali eu nunca tinha parado para pensar no crime do meu irmão direito, quem será que me mandou aquelas mensagens, o que ele ou ela iria querer com tudo aquilo, tudo isso só acendeu uma sede de sangue dentro de mim, eu iria ir atrás do autor do crime, ou eu não me chamaria Daniel Franzen.

O primeiro e mais perigoso lugar que eu teria que ir, era a minha casa.

Notas finais
o que estão achando??