Desligado!
4 Eu invado minha própria casa.
Notas iniciais
Estava muito frio, uma fumaça saia da minha boca, e não era de cigarro, bem a minha frente, no outro lado da rua estava a minha velha e conhecida casa, as luzes estavam apagadas, não sei se aquilo era um bom ou mal sinal.
A porta da frente com certeza estaria trancada, mas existe uma chave reserva para emergências, e que abre a porta do fundo da casa, ela fica em baixo de um vaso de flor, que a princípio era o único vaso de flor da casa, porque os outros meu pai colocou fora, porque minha mãe amava flores, ele não queria ter nenhuma lembrança dela.
Abri a porta bem devagar, para não fazer nenhum barulho, a minha surpresa foi que o meu cachorro de estimação pulou para fora da casa e começou a latir de felicidade:
–Fica quieto Bacon!
Sim esse foi o nome que eu e meu irmão demos a ele, mas a gente tinha cinco anos de idade, bom o nome dele era o meu menor problema, me lembrei de uma tática que eu tinha para fazer ele dormir, eu coçava a barriga dele e ele caia no sono.
Felizmente a minha tática deu certo, espero que ele não tenha acordado ninguém, entrei na casa e tudo parecia normal, mas não tão normal quanto antes, a casa tinha cheiro de tristeza, de morte e de muitas coisas ruins, várias garrafas de cerveja estavam espalhadas pelo chão da casa, meu pai devia ter dispensado a faxineira porque a casa estava toda suja e empoeirada, para não perder tempo comecei a subir as escadas em direção ao quarto que pertencia ao meu irmão.
Entrar no quarto do meu irmão me trouxe de volta aquele dia terrível, as manchas de sangue espalhadas pelo chão não saíram completamente, todas as coisas dele haviam sido empacotadas, é claro que meu pai iria doar tudo para a caridade, tentei achar uma pista, qualquer pista, mas parecia que a polícia tinha recolhido tudo que podia, eu teria que me virar se quisesse descobrir o autor do crime.
O meu quarto ficava bem perto do quarto do meu pai, então eu teria que ter todo o cuidado possível, peguei uma mochila bem grande e comecei a pegar roupas e algum dinheiro que eu tinha escondido debaixo do colchão, também peguei um spray de pimenta, uma arma de choque e um canivete, sim eu tinha todas essas coisas porque meu pai queria garantir a segurança dos filhos, até a maleta que o maluco me deu coube dentro da mochila.
Eu estava no corredor dos quartos, quando ouvi passos atrás de mim, e um barulho de um gatilho sendo puxado:
–Parado ai meliante, largue tudo o que você pegou, e levante as mãos.
Um frio percorreu toda a minha espinha, aos poucos eu me virei para trás e vi que era meu pai quem falava.
–Pai sou eu, seu filho Daniel.
Ele criou uma expressão de surpresa no rosto, mesmo conseguindo me identificar ele não baixou a arma.
–Eu não tenho nenhum filho Daniel, meu filho de verdade morreu a poucos dias.
Um sentimento inexplicável tomou conta de mim, a rejeição era dolorosa, como meu pai estava dizendo que eu não era filho dele, eu estava quase chorando:
–QUE DROGA É ESSA PAI! sou eu seu filho, eu sei que você acha que eu matei meu irmão, MAS EU NÃO MATEI! e eu vou provar isso.
Ele ficou sério, não falava nada, e continuou apontando aquela arma bem para mim.
–Eu acho que vou ter que ligar para uma certa clínica e dizer que tem um louco fugitivo na minha casa.
Aquelas palavras me doeram um pouco mais, minha vida tinha virado um inferno, e naquele instante eu comecei a odiar Danilo por ter morrido, e odiar quem tivesse matado ele.
–Pai, o senhor não seria capaz disso.
Ele pegou o celular do bolso, e começou a discar um número, eu não podia deixar que ele fizesse aquilo, pensei rápido e agi mais rápido ainda, peguei o spray de pimenta e lancei contra o rosto dele, ele gritou com a ardência nos olhos e largou a arma, eu só consegui dizer uma coisa.
–Me desculpe pai.
Desta vez não pulei a janela do segundo andar, sai correndo pela porta dos fundos, meu cachorro ainda dormia, fechei a porta rapidamente e sai em direção a escuridão da rua.
Sentei em um banco de uma praça, só havia eu naquela imensa praça, aquilo me assustava, mas pelo menos eu estava sozinho, comecei a chorar como se não houvesse amanhã, tudo me perturbava, porque tudo aquilo estava acontecendo comigo, eu precisava de ajuda, é claro que eu precisava, mas quem iria me ajudar? o primeiro nome que veio a minha mente foi: Brad.
Antes de ir pedir ajuda para o meu melhor amigo, eu abri a maleta para saber qual serviço teria que fazer para o maluco, com toda aquela adrenalina quase que eu me esqueci de tudo isso, bem no fundo da maleta estava um pequeno e amassado bilhete:
"Bom querido amigo louco, que se diz não ser louco, eu estou dando uma missão para você, dentro dessa maleta você vai achar um revólver, essa arma será parte principal no "serviço" que você irá fazer, vai ter que apenas matar uma mulher, se não fazer isso vou ir atrás de você e fazer pior, não adianta se esconder, num fundo falso você irá encontrar as informações que precisa para ir atrás de Mara Franzen, bom "serviço" meu amigo Desligado.
O fato de ele saber meu apelido idiota de escola não me assustou nem um pouco, o que me assustou de verdade foi saber que eu teria que matar uma mulher, e ela não era uma simples mulher, Mara Franzen era minha mãe, eu teria que matar minha própria mãe?
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