Desligado!
6 A Enfermeira é mais louca do que eu pensava.
Notas iniciais
Depois de uns minutos sem ninguém falar nada, eu resolvi quebrar o gelo que havia entre nós, e da melhor forma possível.
–Bonito esse carro, desculpe perguntar isso, mas como uma enfermeira tem um carro desses?
Ela estava concentrada dirigindo, pareceu não ligar para a pergunta, mas segundos depois, com uma voz de desprezo, ela falou:
–Eu sei ele é muito bonito mesmo, eu peguei ele emprestado com o médico da clínica.
Aquelas palavras até me fizeram acreditar que ela tinha pegado emprestado aquele carro, mas do nada ela começou a rir feita uma louca, e é claro que eu saquei tudo.
–VOCÊ ROUBOU UM CARRO? EU NÃO ACREDITO NISSO, AGORA A POLÍCIA VAI TER MAIS UM MOTIVO PARA ME PRENDER.
Ela parou o carro bruscamente, como eu estava sem cinto fui parar no vidro da frente do carro, senti uma dor enorme no nariz, ela ficou olhando para mim com um expressão de mais desprezo.
–Eu vim aqui ajudar você, então não avalie meus métodos para ajudar, se você preferir pode sair desse carro e voltar para os seus amiguinhos, aqueles que denunciaram sua localização.
Por mais louca que ela fosse, ela estava certa, eu não tinha mais ninguém em que contar, então eu devia arriscar minha vida com uma enfermeira maluca mesmo.
–Ok, você está certa, mas preciso saber de tudo, porque você está me ajudando? quais são suas intenções?
Ela apenas acenou com a cabeça e seguiu com o carro novamente, outro silêncio constrangedor pairou no ar, mas alguém quebrou o silêncio, mas deve vez não fui eu.
–Sou Alícia, Alícia Mayer.
No começo não entendi, naquele momento eu estava merecendo o meu apelido de desligado, depois me dei conta que ela estava me falando o seu nome.
–Bom o meu você deve saber, é Daniel Franzen, minha ex melhor amiga me chamava de Dan, e os meus "amigos" de colégio me chamam de desligado.
Alícia a enfermeira começou a rir de novo, quando perguntei o motivo ela ria e falava.
–Então...é por isso... que o maluco... te chamava assim.
Ela estaria falando do mesmo maluco que mandou matar minha mãe e que me ajudou a fugir daquela clínica, e foi isso que eu perguntei.
–Você tem alguma ligação com aquele maluco da clínica?
Alícia parou de rir na hora, deste vez o seu rosto adquiriu um ar sombrio, parecia que ela iria me fuzilar com os seus olhos.
–Ah? bom..ok eu vou falar, eu sei que ele pediu para você fazer um "serviço" para ele, eu também faço esses "serviços" para ele, e eu vim até aqui para você não cometer o mesmo erro que eu, ele não é maluco coisa nenhuma, ele é mais certo que muita gente que não está naquela clínica, por isso eu vim te impedir de fazer qualquer coisa que ele mandou, e ajudar inocentar você, porque acredito que não foi você que matou seu irmão.
Demorei para digerir as palavras como sempre e acabei contando para ela, qual foi o "serviço" que eu teria que fazer.
–De qualquer maneira eu não iria cumprir com o que ele disse, porque ele me mandou matar minha própria mãe, é claro que eu não iria matar ela, mas vou ir atrás dela para saber o porque de tudo isso, o que ela esconde que eu não sei.
Eu olhei para o lado e Alícia estava chorando.
–Não liga para mim, é que eu sou muito emotiva com essas coisas de família, aliás qual vai ser o nosso plano?
É claro que eu não tinha tido tempo para bolar um plano, mas disse o que veio a minha mente.
–Primeiro a gente vai até a cidade em que minha mãe está, e resolve o problema dela com esse maluco, depois volta para cá e começa a investigar a morte do meu irmão, começando por uma entrevista com a namorada dele, e tentar descobrir quem é a menina que ele ficou e traiu a própria namorada, e depois de tudo isso me acertar com o meu pai.
Alícia prestou atenção em cada palavra que eu disse, ela falou que antes de tudo a gente precisava devolver aquele carro do médico, e pegar o carro dela.
Deixamos o carro do médico perto de uma garagem, Alícia falou que ali era a casa dele, depois seguimos de a pé até a casa dela, que ficava super longe, primeiro eu achei que aquilo não fosse a casa dela, e que fosse um bar, mas então ela me explicou.
–Isso é o bar do meu tio e da minha tia, eu moro com eles, atrás desse bar existe um quartinho, e quando falo quartinho é pequeno mesmo, e é lá que eu fico, mas aqui está a belezinha que estamos procurando.
O carro de Alícia era uma mini van, ela parecia ter uns cinquenta anos, mas é claro que não falei nada disso para a dona daquele lindo carro.
Ela pegou algumas coisas como comida, dinheiro... e enfiou tudo dentro de uma mochila, eu também estava com a minha mochila o que significava que teríamos bastante suprimentos para a viagem, pelo que eu vi a cidade que estava em outro bilhete dentro daquela maleta que o maluco me deu não ficava tão perto, teríamos bastante horas de viagem até chegar na cidade de minha mãe.
Alícia nem se despediu dos tios, subiu na van e já me chamava.
–Vamos ou você quer ficar.
Eu também subi na van, e ali começava uma longa viagem.
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