Desligado!
7 Briga de bar.
Notas iniciais
Estávamos a três cidades de minha mãe, quando Alícia avistou um bar, e para a minha surpresa ela resolveu parar, e eu tive que abrir a minha boca.
–Esse bar é especial ou coisa assim? porque eu vi que seus tios tinham um bar, porque você não quis parar lá?
Ela ficou formulando uma resposta, e isto demorou cerca de dois minutos ou menos.
–Sabe porque não paramos lá? por que meus tios iam encher você de perguntas, e não só perguntas normais, eles fariam perguntas constrangedoras, como se você é meu namorado.
Acho que fiquei com as bochechas vermelhas naquele momento, porque senti meu rosto queimar, e para piorar eu fui e falei a coisa mais idiota do mundo:
–Tá e eu não podia ser seu namorado?
Para quebrar a tensão que estava no ar, Alícia começou a rir.
–Cale a boca, e vamos beber, entendeu o verbo vamos, quer dizer que nós dois vamos beber, e não só eu.
Eu fiz que não com a cabeça, e surpreendentemente minutos depois eu estava entrando com ela naquele bar. O bar era um bar de estrada de caminhoneiros, mas não só de caminhoneiros, também tinham caras que andavam em motos maneiras e que pareciam ser fora da lei, chamados também de motoqueiros, resumindo eu estava morrendo de medo.
Alícia era a única mulher naquele bar, e então é claro que ela chamou a atenção de todo mundo, ela chegou perto do balcão, e com uma voz de impor respeito, pediu a bebida.
–Garçom, me serve dois drinks, um para mim e outro para o meu amigo, sem atrasos, ouviu?
O homem do balcão que parecia trabalhar naquele bar um tempão, apenas acenou com a cabeça, e virou para fazer os drinks, enquanto isso Alícia escolheu uma mesa que ficava bem isolada das outras, e para minha sorte ficava perto do banheiro masculino, esperei o garçom trazer os drinks e disse que teria que ir ao banheiro.
–Alícia já volto.
Ela mal ligou para o que eu disse e voltou a beber, quando entrei no banheiro me arrependi amargamente de ter entrado ali, quase vomitei com o cheiro, parecia que um gambá tinha morrido fazia muito tempo e o cadáver não havia sido retirado, o lugar era quase insuportável de ficar.
Consegui ficar um minutos naquele lugar, quando estava lavando minha mãos com um sabonete líquido, que aliás eu acho que era a única coisa boa daquele lugar, eu escutei uma movimentação do lado de fora do banheiro, e em seguida um grito conhecido:
–DANIEL!
Sai correndo imediatamente, a cena me casou um certo pavor, Alícia tentava se soltar de um cara grande e forte, pelo que eu pode ver ele estava tentando dar um beijo nela e arrastar ela com ele, não sei para onde, o que me casou mais raiva ainda, é que todo mundo olhava e apenas ria de Alícia, não faziam nada para ajuda-lá.
O meu instinto super protetor que eu não tinha, foi ativado, primeiro eu não sabia o que fazer, a arma que o maluco me dera eu não podia usar porque tinha deixado na mala que ficou na van de Alícia, eu não tinha nada em mãos que servisse para algo, então eu vi uma grande garrafa de bebida que não estava aberta e estava quase pronta para ser consumida por dois caminhoneiros, eu não pensei duas vezes e peguei a garrafa.
–Me desculpe ai, mas vou pegar a garrafa emprestada.
Então como num reflexo eu quebrei a garrafa na cabeça do cara grande e forte, Alícia conseguiu se soltar dele, enquanto o cara estava zonzo e a bebida escorria por todo o seu corpo, outros caras da sua "gangue" corriam atrás de mim e Alícia, enquanto corríamos para a van, outra "gangue" inimiga deles interceptou eles e ai começou uma velha briga de bar, era possível ouvir vários garrafas sendo quebradas, gritaria e confusão, quando eu pensei que estava saindo ileso dali, alguém agarrou a gola da minha camiseta.
–Seu idiota, pensou que poderia me quebrar uma garrafa na cabeça e sair ileso, estava muito enganado.
A minha frente o cara grande e forte falava, o único golpe dele em mim, que foi um soco no meu rosto, me fez desmaiar, eu consegui ver de relance Alícia acertando um chute na sua parte mais sensível do corpo, o cara grande e forte urrou de dor, e voltou para a briga de dentro do bar.
Eu não sabia por quanto tempo tinha dormido, eu só consegui acordar quando senti que algo havia sido passado no meu super cílio e doía muito.
–Ai, que droga.
Alícia estava com uma maleta de primeiros socorros, ela estava me fazendo um tipo de curativo.
–Fica quieto, eu estou fazendo um curativo, quem manda você se envolver em uma briga de bar.
Ela mal terminou de falar e começou a rir, é claro que eu não estava achando engraçado.
–Da próxima vez eu não faço nada para te ajudar, mal agradecida.
Alícia pareceu cravar as unhas no meu machucado, o que me casou mais dor ainda, mas logo depois ela terminou o curativo.
–Pronto criança, o curativo está pronto, agora você quer uma bala ou um pirulito?
Nós dois começamos a rir, era engraçado como eu me sentia bem com ela, uma estranha que acabei de conhecer, era como se todos os problemas que eu tinha desaparecessem, tudo estava bem, quando eu ouvi meu celular tocar, e lá estava mais uma mensagem anônima do suposto assassino do meu irmão.
"Não adianta você fugir, quando você voltar eu vou te pegar, e você vai para a cadeia por um crime que nunca cometeu".
Alícia percebeu o meu nervosismo, e tomou o celular das minhas mãos.
–Calma, eu sei o que fazer, eu tenho um amigo que consegue identificar esses tipos de números, quando a gente voltar da sua mãe, nós vamos nele e descobrimos quem é essa pessoa.
Eu consegui me tranquilizar, Alícia me deu um calmante para que eu pudesse dormir um pouco mais e descansar, mas dormir não foi a minha melhor escolha, tudo o que fiz foi ter pesadelos e mais pesadelos, com meu irmão, a clínica, minha mãe, meu pai, parecia um pesadelo sem fim.
Fale com o autor