Desire
2 Capítulo 2
Notas iniciais

O sol batendo na janela acordou Pansy no dia seguinte. Ao se espreguiçar, percebeu que estava só na cama. Draco havia ido embora, claro. Entrava cedo no trabalho.
Levantou-se e ligou a cafeteira com um aceno de varinha, tomando uma ducha enquanto o café ficava pronto.
Vestiu-se com um de seus conjuntos de camisa e saia sociais, meia calça e sapatos de salto, tudo preto. jogou os cabelos curtos de lado e pegou sua bolsa, tomando a xícara de café e saindo do apartamento. Parou em frente à porta e aparatou. Seu apartamento era protegido de aparatações depois que Blásio quebrara um vaso na cozinha uma noite, bêbado. E como em seu prédio — invisível a olhos trouxas — era habitado apenas por bruxos, não iriam achar estranho alguém desaparecendo no corredor às 8 da manhã.
Blásio era um dos únicos com quem Pansy mantinha contato depois de Hogwarts. Nunca mais falara com Crabbe depois da morte de Goyle, e encontrava-se ocasionalmente com Emília e Tracey, embora não visse muito Daphne depois que Draco casou-se com sua irmã. Blásio estava sempre no Profeta Diário, já que sua mulher, Perséfone, trabalhava lá. Pansy tinha duas colegas de escritório. Uma delas era Perséfone, a outra, infelizmente, era Ginny Weasley. E foi esse o primeiro rosto que viu ao chegar na sede do jornal. Folhas voavam organizadas acima de sua cabeça, cochichos eram ouvidos por todos os corredores. Ginny estava debruçada em sua mesa e ergueu rapidamente a cabeça, assustando-se com a chegada repentina de Pansy.
– Ah, é você — murmurou, com desdém.
Pansy não tinha nada contra os Weasley. Não tinha nada a favor também. Mas enchera muito o saco do marido de Ginny, Harry Potter em Hogwarts, e caramba, aquela garota sabia ser rancorosa. Draco tinha problemas com os Weasley, e gostava de fazer piadas com sua situação financeira. Pansy era mais criteriosa com suas piadas, seus alvos eram os meio-sangues e nascidos trouxas, não suportava dividir a mesma educação com pessoas não dignas. Direcionou um sorriso falso e amarelado para a ruiva e instalou-se em sua mesa.
– Bom dia, Ginny. Bom dia, Pansy — cumprimentou Perséfone, ao chegar.
A manhã no jornal foi parada, e Blásio apareceu no horário de almoço, então os três foram até um restaurante bruxo ali perto.
– Você já falou com ela?
– Não — Perséfone sussurrou de volta ao marido.
– Falou o que?
– Recebi uma carta de McGonagall semana passada, sobre uma tal de reunião de ex alunos. Ela teve essa ideia brilhante e escreveu para saber se eu poderia ajudar. A mulher acha que eu não tenho mais o que fazer da vida — Perséfone o encarou, e ele deu de ombros, fazendo Pansy rir — então ontem mandei corujas para a turma e marcamos de jantar hoje no três vassouras para conversarmos sobre, o que acha?
Blásio abriu um sorriso de orelha a orelha, tentando convencer Pansy. Ela não entendera por que ele achava que isso seria um problema.
– Mas é claro!
Ele olhou Perséfone, com um sorriso convencido de quem acabara de ganhar uma aposta. Foi então que a ficha caiu. Blásio achava que Pansy não iria, por adivinhar que Draco estaria lá. Draco estaria lá com Astoria. Não era lá o pensamento mais feliz do mundo, mas Pansy não tinha motivos para dar pinta sobre seu caso com Draco. Não tinha por que as pessoas saberem. Blásio não sabia, e nem Perséfone. Ninguém tinha nada a ver com sua vida, afinal.
– Vai ser divertido — concluiu.
O resto do dia foi mais relaxado. Ginny tinha saído para cobrir um alvoroço no ministério, Pansy e Perséfone ficaram conversando e se ajudando o resto da tarde.
Pansy estava mesmo animada, mal podia esperar para ver os colegas da Sonserina. Ela nunca fora uma pessoa de ter amizades profundas, mas sempre fora simpática com os que mereciam, e popular no Salão Comunal, afinal, era amiga de Draco. Não era só mais uma garota com quem Draco se agarrava por aí, era amiga mesmo.
Quando o expediente acabou, Pansy aparatou para casa rapidamente. Tomou um banho, penando um pouco para se livrar das manchas de tinta nos dedos. Secou os cabelos com a ajuda de um feitiço e foi decidir o que vestir. Não estava se arrumando para Draco, mas foi engraçado pensar em colocar uma roupa para vê-lo, ele achava roupas um desperdício de tempo. Colocou um vestido preto justo e nada chamativo, afinal, era um jantar entre amigos, não o baile de inverno. Jogou seu sobretudo por cima, colocou os mesmos sapatos que usara para trabalhar e aparatou no corredor. Seus saltos afundaram na neve e deu graças à Merlin que estava a dois passos da porta. Estava atrasada, mas não ligava, assim todos a olhariam quando entrasse. O três vassouras estava fechado para o público, tinha sido reservado para o encontro. Blásio. Rosmerta não deveria estar feliz com aquilo, mas Pansy viu que se forçou a sorrir, afinal, deveria estar ganhando bons galões aquela noite, por pouco trabalho.
A mesa estava cheia. Blásio e Perséfone em um canto, perto de Emília, Tracey e Daphne. As gêmeas Carrow — Flora e Hestia — também estavam lá, além de Crabbe, Justino e um grupo de 5 ou 6 pessoas que, apesar de se esforçar, ela não conseguia lembrar o nome. E enfim, na outra ponta da mesa, os Malfoy. Draco sorriu assim que a viu, mas Astoria não enxergou, conversava animadamente com as gêmeas Carrow, que pareciam prestes a trocar a conversa por uma ida ao banheiro e não o faziam por educação. Pansy viu que tinham guardado um lugar para si entre Perséfone e Emília, e lá sentou-se.
O jantar foi servido e ela ocasionalmente verificava Draco, apenas para ter certeza que ele estava bem. Metade do jantar, ele apenas ficou calado. Mas quando Crabbe sentou-se ao lado dele, começaram a conversar como os bons e velhos amigos que eram.
– O leitão está delicioso, Rosmerta — disse Perséfone, gentil como sempre.
– Então Pansy — gritou Crabbe do outro lado da mesa — ouvi dizer que você trabalha na mesma sala que a pirralha Weasley, como é isso?
A mesa toda a encarou. Pansy jogou os cabelos e sorriu maldosamente.
– Posso te garantir que é melhor do que precisar do papai para comprar tortinhas de abóbora de cada dia, Crabbe — ele ficou vermelho e todos soltaram risinhos — mas não é tão insuportável, é fácil, só fingir que ela não está lá.
Draco puxou os lábios secos em um sorriso orgulhoso, que fez o coração da morena bater mais forte.
Crabbe ficou quieto depois daquilo, e o jantar seguiu normalmente. Entre um e outro whisky de fogo, Pansy viu uma movimentação dos Malfoy, e alguns minutos depois, Astoria e Daphne saíram do 3 vassouras, aparatando do lado de fora. Pansy lançou um olhar para Draco, mas este não estava mais em sua cadeira. Se aproximava de Pansy, encostando-se na cadeira dela.
– Eu posso dizer que não é a melhor coisa do mundo encontrar o trio de ouro nos elevadores manhã sim, manhã não — ele disse, fazendo Blásio rir.
Seus dedos roçaram o pescoço de Pansy, que sufocou um gritinho de surpresa. Ele pediu licença à Emília, que trocou de lugar, e sentou-se ao seu lado.
Blásio, Perséfone, Crabbe e Tracey estavam perto dos dois, conversando animadamente sobre lembranças de Hogwarts.
– Se lembram quando o Barão Sangrento seguiu o Pirraça por toda a masmorra?
– Sim, nossa — Tracey gargalhou, e quando conseguimos coordenar tudo para fazer a festa de aniversário surpresa de Draco e o Snape acabou com tudo?
Todos tinham ótimas memórias desse dia, mas a de Pansy era a mais preciosa. Dara à Draco de presente de aniversário um relógio de ouro feito por duendes e um beijo, seu primeiro. Ela corou e olhou-o. Ele sustentou o olhar, sorrindo, e aquilo foi suficiente para ela saber que ele se lembrara. Sacudiu o braço esquerdo, mostrando o relógio. Não havia percebido que ele o usava. De todas as vezes que ia à sua casa, nunca tinha joias, nem mesmo a própria aliança de casamento, Pansy reparara. Ela voltou sua atenção à conversa, assustando-se ao sentir a mão de Draco em sua coxa. Mordeu o lábio, voltando a conversar. Ele a acariciou até o final do jantar. Pansy, Crabbe e Tracy estavam bêbados.
– Nos vemos amanhã? — perguntou Perséfone, ao se despedir da amiga.
– Claro — ela riu.
– Eu vou acompanhar a senhorita Parkinson até sua casa — anunciou Malfoy — ter certeza que ela chegue segura, e depois vou para a minha, verificar a saúde de minha esposa. Boa noite a todos.
Pansy quis matá-lo por um segundo, mas então encarou os outros rostos, constatando que ninguém além dela percebera a malícia em sua voz.
Draco segurou seu braço educadamente até a porta e lá aparatou, levando-a consigo.
Já no apartamento, Draco tirou suas roupas delicadamente e a colocou na cama.
– Draco... Ei, me escute. Sabe que se um dia resolver largar ela, eu estarei aqui, certo? Sabe que terá apoio... E que eu lhe faria feliz. Né?
– Já faz, Pansy — ele a encarou, sorrindo.
– Amo você — foi o que ela disse, antes de perder a consciência.
Fale com o autor