Notas iniciais
Oi gente, a história já vai começar a engrenar, prometo.Esse capítulo tem insinuação de sexo, aliás.

Eu costumava ter pavor de pensar no futuro. Parecia aquelas coisas completamente ruins, que iam mudar tudo. Iam levar meus amigos, minhas alegrias, minha juventude. Na verdade, odiava o que estava por vir com todas as minhas forças. Não queria saber que minha vida estava chegando ao fim, obrigada.

Até conhecer Eduardo. Pode parecer clichê (e talvez seja), mas depois dele, eu passei a ansiar pelo futuro. Queria me casar logo, ter filhos com seus cabelos cacheados e olhos azuis. Mas eu sabia que precisava me formar, ganhar algum dinheiro e depois pensar nisso. Edu sabia disso também.

Conheci Edu na faculdade. Ele estava um ano a minha frente, por isso estava sempre presente na minha sala. Afinal, éramos os novatos. Ele e sua turma tinham a missão de nos integrar. Eu o achei tão bonito, logo de cara. Usava uma camisa dos Strokes e o cabelo bagunçado. Seu cabelo era sempre bagunçado. Porém, eram seus olhos que eu não conseguia tirar da cabeça. Ele se interessou por mim também. Mesmo eu sendo bem diferente das garotas loiras oxigenadas de sua turma (nada contra loiras oxigenadas, aliás). Meus cabelos ondulados e castanhos, bastante minguados, chamaram sua atenção. Era a garota mais sortuda do mundo, pensei.

Depois de umas semanas, começamos a nos encontrar na faculdade. Sim, nós matamos muitas aulas, mas isso não é o importante. O que importava era que tínhamos um ao outro. Edu me amparava, me ouvia, cuidava de mim mesmo sem ser nada meu. E eu gostava de mexer em seu cabelo e ouvir suas histórias sobre o péssimo emprego que ele tinha. Isso me fazia sorrir.

Para encurtar as coisas, começamos a namorar em meados de junho daquele mesmo ano. Ah, fomos considerados o casal mais bonito da faculdade. Eu não podia negar. Nossas fotos também não.

Ele conheceu minha família e eu, a dele. Todos gostaram dele. É impossível não gostar de Eduardo e seu sorriso fácil. Ele tinha assunto para tudo, sempre. Soltava uma piada boba vez ou outra, mas com tanta satisfação, que as pessoas riam. Eu não podia acreditar na sorte que tinha por tê-lo encontrado.

– Você vai formar uma família comigo, não é? – Perguntei certa vez, enquanto ele dirigia até a lanchonete.

– Claro que vou, Bel. Cê é minha vida.

Ele não olhava para mim, e sim para o trânsito, mas o sorriso que deu bastou. Era sincero.

Não dá para falar de relacionamento sem pensar em suas consequências. Falando em português claro, eu era virgem. Edu não. Mas ele não me forçou a nada. Aliás, nem pediu nada. Nem ao menos insinuou que queria. Só notei isso quando nossos beijos ficaram mais intensos e a forma como ele me apertava era desejosa, quase violenta. Eu o queria também. Oh, Deus, como eu o queria! Então aconteceu. Estávamos namorando havia tão pouco tempo, que muita gente nos chamaria de safados. Bom, talvez fôssemos. Mas eu não me importava. Só queria senti-lo de todas as formas. Preciso ressaltar que o romântico e fofinho Edu que gostava de música e de beijos na testa era totalmente diferente na cama. Não que não fosse carinhoso ou preocupado, porque era. Mas também era... selvagem. Não sei outra palavra para descrevê-lo. Possuía força e agilidade que, nossa, me tiravam o fôlego. Por vezes, eu me cansava rápido e ele não. Mas eu gostava. Ah, eu gostava mesmo. Na verdade, estava viciada. Ele não reclamava disso nem um pouco.

Então o tempo passou. Chegaram as férias de dezembro, o calor infernal. Viajamos para a praia um fim de semana, mas ele logo precisou voltar ao trabalho. Então, eu passava a semana toda em casa e só nos víamos aos domingos. Dizem que a distância aproxima, mas com o passar dos dias, principalmente quinta e sexta, eu ficava bastante depressiva. Aí chegava domingo, a gente se via, e eu começava a semana contente e apaixonada. Para então ficar mal de novo.

Foi em uma dessas quintas-feiras de dezembro que eu o vi novamente.