Notas iniciais
Betado e revisado, mas se houver qualquer erro, me avise. Vai ler, vai.

Já era noite quando decidiram ir para casa. Haviam enrolado o máximo possível, indo até mesmo a uma sorveteria quando a tarde estava tendo seu fim, e passearam em um parque próximo após isso.

O silêncio no carro era até mesmo reconfortante; Kanda tinha um semblante tranquilo enquanto dirigia sem pressa para a casa do albino, enquanto Allen não escondia o sorriso. Sentia o perfume do japonês bem marcante no carro, divagando sobre como o desenharia ao chegar á sua casa. Olhou para o moreno, que havia colocado os óculos escuros na cabeça, tendo este segurando algumas partes de sua franja, a trança estava jogada de lado sobre um dos ombros, uma das mãos no volante enquanto tinha o outro braço apoiado na janela aberta.

Sentia sua mão coçava com vontade de desenha-lo naquele momento.

– Está entregue. – Piscou algumas vezes ao ouvir a voz rouca de Kanda. Nem ao menos havia notado a hora que o carro parou. Suspirou, tirando o cinto e abrindo a porta do carro.

– Obrigado pelo dia de hoje, me diverti bastante. – Sorriu abertamente ao moreno, que o olhou quieto por alguns instantes.

– Me diverti hoje também... – Sua voz saiu baixa, mas Allen ouviu muito bem. Encararam-se em silêncio, até que Kanda sorriu que canto, um sorriso tão sensual que instantaneamente Walker sentiu seu rosto ferver.

– O-obrigado pela carona. – Saiu do carro com pressa, fechando a porta em seguida. – Vá com cuidado... – Disse antes de correr até a porta de sua casa. Sentia seu coração bater em um ritmo acelerado, aquele sorriso havia lhe surpreendido.

Ao entrar, trancou a porta e se jogou no sofá, pegou o caderno e o lápis, não demorando a desenhar a cena no carro... Oh, com toda a certeza Kanda sabia o quão sedutor era.

~K.A.~

Estranhamente naquele dia não havia levantado atrasado. Tomou seu café, arrumou-se e já estava pronto quando Lavi buzinou em frente a sua casa, feitio esse que o ruivo obviamente estranhou, mas não comentou nada. Allen às vezes conseguia essa proeza de não se atrasar... Isso uma vez a cada três anos. Logico que Lavi brincou quando pensou nisso.

Mas de qualquer forma, estranhou as atitudes do albino naquele dia. O caminho até a Ordem foi feito no mais puro silêncio após se cumprimentarem, e, quando entraram no grande prédio ao mesmo tempo em que Kanda entrava, e o que Allen fez foi simplesmente sorrir ao dizer um “bom dia”, mas sem olhar nos olhos do japonês, tendo as maçãs do rosto rosadas.

“O que aconteceu entre eles na hora que o Yuu levou o Allen pra casa?”, era o que o jovem Bookman se perguntava. Ahh, ele necessitava saber, e para isso, precisaria da ajuda de Lenalee. Allen era bom em esconder as coisas quando queria... Então o jeito era tentar arrancar do japonês ranzinza... Que era mil vezes pior que o Walker. Suspirou com esse pensamento. Ele precisava de um plano melhor.

Entretanto ele não viu Lenalee o dia todo, e não demorou para Allen ser mandado a algum lugar, onde tiraria fotos ao ar livre. Encontraram-se apenas quando estavam quase saindo, e não querendo desperdiçar a oportunidade chamou-os para sair. Tão logo encontraram Kanda que estava na garagem a caminho de seu carro. “Great timing!”, pensou ao vê-lo.

– Yuu! – Gritou, chamando o moreno, que logo se virou, com seus olhos brilhando com o desejo de tirar o sangue alheio.

– Quantas vezes eu preciso dizer para não me chamar assim! – Disse entredentes. Com passos duros aproximou-se do ruivo, que se escondeu atrás de Allen.

– Não me mate, por favor! Sou lindo demais para morrer! – Permaneceu atrás do albino, que apenas ria junto de Lenalee de sua situação. – Não riam!

– Quem mandou provoca-lo? – Disse Allen dando de ombros. – Bem feito.

– Você é tão mau, Allen! — Choramingou. – Enfim, — endireitou-se, entretanto permaneceu atrás do outro. – vamos a um restaurante familiar agora, vem com a gente Yuu! – E logo se ouviu um barulho de uma veia se estourando.

– Não. – Negou sem demora, caminhando novamente para seu carro. – E não adianta insistir.

– Vamos lá Kanda! – Dessa vez foi Lenalee a se pronunciar. – Temos que aproveitar essa temporada tranquila, não se sabe quando nossas agendas vão ficar lotadas ao ponto de não nos vermos por dias!

O japonês apenas virou o rosto, encarando os três ali parados, dando uma olhada mais longa em Allen, vendo como seus olhos prata brilhavam em expectativa. Suspirando em derrota, passou a mão no rosto, jogando sua franja para trás. “Eu vou me arrepender.

– Está bem... Eu vou.

~K.A.~

Estavam sentados numa das mesas mais afastadas do local. Lenalee sentou-se ao lado de Lavi, de frente para Kanda e Allen, que sentia sua mão coçar para poder desenhar o moreno que estava ao seu lado. Respirando fundo, olhou para frente, vendo os outros dois cochichando algo... Estava uma cena engraçada. Rindo, pegou seu caderno, começando a desenha-los.

Kanda olhou para Allen, surpreendendo-se ao vê-lo desenhar. Querendo ver mais de perto, aproximou sua cadeira, apoiando seu braço no ao redor do menor.

– Você desenha muito bem... – Comentou.

– O-obrigado. – A respiração do moreno batia em seu pescoço, arrepiando-o. Segurou o lápis com mais força. “Concentre-se Allen! Sua musa pode estar ao seu lado, mas concentre-se!”.

Por estarem tão focados em outros assuntos, não viram quando Lenalee e Lavi, discretamente levantaram os celulares, tirando uma foto daquele momento.

– Tô te dizendo, esses dois são perfeitos juntos! – Sussurrou Lavi para a morena, tendo esta a concordar.

Os pedidos não demoraram a chegar, fazendo Allen guardar seu caderno e Kanda se ajeitar. Comeram enquanto conversavam tranquilamente, comentado de fatos cotidianos ou até mesmo de coisas que viram na TV, e, ao seu modo, Kanda também participava da conversa. Após isso, Allen e Lenalee pediram sobremesa, enquanto o moreno tomava chá e o Bookman apenas fazia piadinhas idiotas.

– Ei, moyashi.

– Hm?

– Posso ver seus desenhos? – O pedido pegou Allen de surpresa, que nem contestou sobre o apelido.

– Ahn... Claro. – O albino pegou sua bolsa, fazendo questão de pegar o caderno que não continha os desenhos do moreno, afinal, seria uma cena constrangedora observar Kanda olhando folhas onde continha apenas desenhos dele.

Ele desenha muito bem.”, pensou enquanto passava folha após folha, analisando os traços tão bem feitos e delicados, notando como isso era a marca do albino, que o olhava com certa expectativa.

– Como aprendeu a desenhar? – Estava realmente interessado no assunto, ainda olhando o caderno.

– Sozinho... – Suas mãos mexiam nervosamente em sua camisa.

– Allen é talentoso por natureza! Esse menino desenha bem desde criança! – Disse Lavi.

– Estou vendo... Realmente é um traço muito bonito. – Kanda continuou a folhear o caderno... Até que algo lhe chamou a atenção, parou na página, sua expressão se fechou no mesmo momento. Ali continha um desenho do Lavi, o ruivo usava uma calça jeans e uma blusa branca que estavam molhadas, seu cabelo para baixo, e ele ria, segurando uma mangueira a apontando para frente.

– Ah, esse foi aquele dia que eu dormi na sua casa, fomos lavar o quintal e você me molhou! – Exclamou o ruivo, rindo ao lembrar-se do dia.

– Sim... Você estava muito bonito assim! Aí eu tive que te desenhar! – Allen às vezes não se tocava do que dizia, e surpreendentemente as bochechas de Lavi ficarem rubras.

O moreno ainda continuava a olhar o desenho fixamente, por alguma razão não gostou nem um pouco daquilo. “Porque estou me incomodando com isso?”, entregou o caderno para Allen sem fazer mais nenhum comentário, estava irritado consigo mesmo. “Quem liga para esses dois idiotas e esse desenho estúpido.

– Vamos embora agora? Estou com sono... – O ruivo disse, bocejando.

– Quando você não está com sono Lavi? – Allen olhou para seu melhor amigo, enquanto se levantava.

– Isso está fora de questão.

Pagaram a conta, saindo do restaurante. Lavi então disse que levaria Allen, mesmo que quisesse deixa-lo com Kanda, ainda tinha que arrancar informações dele. Despediram-se e logo entraram nos respectivos carros. O Bookman ficou quieto por um momento, mas não conseguia aguentar de curiosidade.

– E então, vai me dizer ou não o que aconteceu entre você e o Yuu quando saíram? – Sem rodeios, perguntou.

– Não aconteceu nada exatamente dito, apenas conversamos bastante, conhecemos um pouco mais de nós dois, só isso.

– Mas hoje cedo você cumprimentou o Yuu todo vermelho. – Deu uma olhada no albino, que fitava a paisagem.

– É só que... Ele deu um sorriso são bonito ontem, quando nos despedimos, e veio na minha cabeça isso quando o vi.

– Ahh... – Isso esclarece tudo. Allen era uma pessoa um pouco sensível com relação às expressões das pessoas, então, Kanda, que naturalmente é uma pessoa fechada e inexpressiva, sorrindo a sua frente abalou o pobre Allen. Que ainda por cima, o tinha como sua musa.

O resto do caminho se passou em silêncio. Deixou o menor em sua casa e após isso foi para a sua.

~K.A.~

Uma semana se passou desde o jantar que teve com Lavi, Lenalee e Kanda. Estes estavam totalmente atarefados; suas agendas simplesmente lotadas. Lavi estava fazendo um dorama junto de Lenalee, enquanto Kanda estava fazendo uma série de comerciais. E naquele dia Allen estava de folga, então decidiu comprar algumas coisas para fazer no almoço e jantar. Foi ao mercado, pegando o carrinho e passando pelos corredores, vendo o que queria, até que encontrou uma moça, grávida, tentando abaixar-se para apanhar algo que deixou cair.

Não podendo apenas observar, foi ajudar a moça.

– Não se abaixe, pode deixar que eu pego. – Disse, pegando a lata no chão e entregando para ela.

– Ah, obrigada. – Ela sorriu. – Está difícil fazer as coisas com essa barriga.

– Eu imagino. Quer alguma ajuda? Não consigo ficar apenas olhando... – Sorriu gentilmente para a morena.

– Não quero incomoda-lo.

– Não será incomodo algum!

– Obrigada, er...

– Allen.

– Obrigada Allen. Sou Miranda.

– Prazer em conhecê-la.

– Igualmente. – Sorriu ainda mais, pensando o quanto aquele jovem era muito gentil.

Enquanto Allen ajudava Miranda e pegava as coisas para si, conversavam sobre diversos assuntos. Walker achou aquela mulher extremamente amável e simpática, já havia gostado dela. A morena comentou que estava ali para comprar algumas coisas para fazer a torta favorita de seu esposo, como um agradecimento por cuidar dela.

– Imagino como vocês dois devem ser fofos juntos. – Comentou o albino. Miranda levou as mãos ao rosto, sentindo-o quente.

– O-obrigada.

Estavam na fila do caixa, e então Miranda teve uma ideia, chamando-o para ir a sua casa comer a torta que ela faria, uma forma de agradecer por tê-la ajudado. Allen tentava a todo custo negar, não queria incomodar a morena, que apenas riu baixinho, insistindo. O rapaz suspirou em derrota, não conseguiria negar.

Foram atendidos, e Allen fizera questão de carregar as sacolas mais pesadas, dizendo que a mulher não pode carregar peso.

– Você fala exatamente como meu marido. – Ela comentou rindo.

A conversa entre eles permanecia no decorrer do caminho para a casa da morena, e quando o albino comentou que era fotografo, e que amava desenhar, Miranda mostrou-se maravilhada, pedindo para que ele fizesse um desenho para ela pudesse pintar e colocar em um quadro. Allen gostou bastante da ideia, dizendo que adoraria fazer essa parceria com ela.

Ao chegarem à casa da gestante, deixaram as sacolas sobre a mesa da cozinha, com Allen separando suas coisas das dela. Prontificou-se de ajuda-la a preparar a torta, com a morena lhe agradecendo por isso. Começaram a falar sobre receitas de doce, com Miranda lhe passando algumas e ele fazendo o mesmo, até que ouviram a porta da frente abrir e fechar.

– Estou de volta. – Uma voz masculina foi ouvida, fazendo Miranda sorrir e ir para a sala. – Está fazendo torta de amora?

– Sim! É um presente para você. – Ela abraçou o homem, beijando seu rosto. – Allen, venha cá! Vou te apresentar meu marido.

– Allen? – Ouviu passos virem da cozinha, e uma voz conhecida por si.

– Marie?! Ah! Isso é uma surpresa!

– Vocês se conhecem? – Perguntou Miranda.

– Trabalhamos na mesma empresa! Lembra? Eu te disse que sou fotografo. – O albino soltou uma risadinha.

– Mas eu não sabia que vocês se conheciam. – Foi a vez de Marie dizer algo.

– Nos conhecemos hoje no mercado! Allen me ajudou a pegar algumas coisas e carregar as sacolas. – Disse Miranda sorrindo. – Ele é um menino muito gentil. – Marie ficou quieto por alguns instantes, e se ele enxergasse, com certeza estaria olhando para os dois a sua frente fixamente.

– Querida, você já parou para pensar, que se o Allen fosse algum tipo de pervertido ou um ladrão, ele poderia muito bem ter se aproveitado de você?

Miranda e Allen olharam para Marie horrorizados, e, como se tivessem ensaiado, colocaram as mãos na face, com a boca aberta.

– Eu nunca faria isso! – Allen entrou em desespero, não queria ser visto daquela forma. – E-eu juro que não tinha nenhuma má intenção!

– Ai meu Deus! Me desculpe! Me desculpe! – A morena sentia vontade de chorar, com as mãos, agora, sobre os olhos.

Marie soltou uma risadinha, abraçando sua esposa para que ela se acalmasse, e sorriu para Allen.

– Não se preocupe, sei que você não faria isso. É apenas um exemplo. Miranda, você tem que tomar mais cuidado. – Advertiu, ficava preocupado em deixa-la sozinha em casa, e ela era tão inocente que não desconfiava das pessoas.

– Desculpe... – Ela choramingou, agarrando sua camisa.

– Tudo bem. Tudo bem. Só preste mais atenção, tá? – Acariciou os cabelos castanhos da mulher. – Bem, e a minha torta? Ela está cheirando muito bem.

Notas finais
Eu tava com um bloqueio fodido nesse cap. Mas graças a ajuda do meu Deshi inútil e da Maneko, o capitulo saiu. Digam amém!! Vou tentar. Repito. TENTAR. Não atrasar, mas é foda. Espero que tenham gostado. Review é bom e todo mundo gosta, então não vai cair seu dedo se mandar um